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O Poeta e a Poesia
Olhar errando no vazio,
Mão inerte no ar,
Pensamento nos caminhos
palmilhados,
Alguns deles esquecidos;
Outros ainda vivos,
Alimentados pela
esperança
De não serem mais
fantasias
E se transformarem em
poesia,
Salienta-se na penumbra
a sombra do poeta,
Que, desfocado,
Absorto e retraído,
Pela mente entorpecida,
Perde a imaginação,
Que se detém retida,
Controlada, sufocada...
Seus ais ressoam até a
lua,
Que, penalizada com seu
sofrimento, para,
Acompanha-o na sua
dilacerante solidão,
Enviando-lhe seus raios
argênteos,
Para que ele liberte em
poesia
As emoções acorrentadas
em seu âmago.
Assim iluminado nos
frisos de prata,
O poeta estremece
E move-se em câmara
lenta
Como se um anjo lhe
murmurasse
O poema que a mão
despertada
Passa a desenhar ainda
combalida,
Receosa e lânguida,
Desnudando-lhe a alma
inquieta.
Seu pensamento, então,
flui brandamente,
Eternizando-se em
versos,
Que ultrapassarão a
imensidade do tempo.
Mardilê Friedrich Fabre |

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No limiar do infinito
Viajo entre estrelas
brilhantes
Impregnada pelo perfume
Que exala das rosas
distantes.
Sou leve e pura, ao mal
imune.
Deito-me no colo da lua.
Suas carícias me
enternecem.
Meu corpo no seu
continua,
E os meus sentidos
agradecem.
Palmilho o caminho da
luz.
Silenciosa, percorro o
espaço
Que, imponderável, me
seduz,
E a minha descrença
desfaço.
Plano no limiar do
infinito,
Alcanço o inimaginável.
De minhas dores
ressuscito
Em um momento memorável.
Mardilê Friedrich Fabre |

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Nos
vácuos dos momentos
Caem nas lacunas dos
momentos
Um por um os desejos
lentos,
Que fervem na chama do
abraço.
O tempo desabafa a dor,
Arrastando conspirador
Os sentimentos em
compasso.
O sol espanta o
nevoeiro.
Ilumina-se amor
fagueiro.
Mardilê Friedrich Fabre |

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Noite de chuva
Chovia. Na rua, poucos
ruídos. Na sala, a jovem
vivia a trama do
romance. Um grito
ressoou no ar.
Assustada, ela correu
até a sacada. Iluminado
pela luz do poste, um
corpo numa poça de
sangue. Rasgando a
noite, sirenes.
Mardilê Friedrich Fabre |

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