Margareth das Dores Rafael Moreira Costa

 

 

À beira do riacho
Margareth Rafael


Cansada da caminhada errante
Avisto uma breve miragem
É como no deserto
Depois de muita sede
Encontra-se um poço d’água
Eu encontrei um belo riacho
Onde sentei e fixei meu olhar
Deixei meus olhos chorarem
Senti-me esvaziar-me de minhas torturas
E às águas caudalosas do riacho
Minhas lágrimas brotaram
Percebi que elas rolavam
Ao encontraram a relva verde paravam
Em lindas flores brancas transformavam-se
Correndo ao encontro desvairada
Colhi várias delas
As coloquei nos meus longos cabelos
Quando entre soluços acordei
Não era realidade
Era uma miragem
No deserto da minha vida
Sempre fazia essa viagem.

Margareth Rafael

Cavaleiro e cavalo
Margareth Rafael


Ambos perdidos em seu mundo
Percorriam as verdes campinas
O cavaleiro com seus cabelos longos dourados
O cavalo com sua crina e dorso sem igual
Pretos como noite tenebral
Descobriam as vastas florestas
Atravessavam os grandes cânions
Desbravavam densas florestas
Mergulhavam fundo nas águas
Cavaleiro e cavalo
Homem e animal
Dois juntos como se fossem um só
Sintonia total
Voavam como um vendaval
Como se não bastasse a magia
O homem emitia um som gutural
Era o grito da vitória
De poder viver em uníssono
Como homem e animal.

Margareth Rafael

Lábios ardentes
Margareth Rafael


A moça chora aflita
Do nada ela perderá seu amor
Seu olhar fica sinistro
Suas mãos tremulam a cada palavra que profere
Seus lábios tremem de paixão.

Sua boca arde em fogo
Esperando pelo beijo ardente
Seu coração pulsa violentamente
Com tamanho arrebatamento.

Oferece os lábios ardentes
Ao seu infeliz amante
Que na cama doente
Não acha forças
Para sua amada.

Apenas acolhe as mãos dela
Entre as suas
E com súplica nos olhos
As beija com bravura.

Sabe que sua vida se esvai
E novamente com candura
O perdoa
E o abraça ternamente
O tempo urde
A vida é rude.

Ela sabe que é chegada
A despedida do seu amado
E entre lágrimas
Deita ao seu lado
E o abraça
E não diz nada
Apenas olha para o vazio
O vazio do seu interior
Se dá por vencida
E também falece de amor.

Margareth Rafael

Conto de amor
A MOÇA DO LAGO

Margareth Rafael

 
Ninguém sabe como aconteceu. Era um dia de inverno.A chuva fina caía em minúsculos flocos que transformavam-se rapidamente em neve.O lago que circundava a casa triste e solitária permanecia paralisado com suas gélidas águas.À noite o homem, ainda novo, com sua barba meio grisalha,seus olhos castanhos, seu andar elegante,seus cabelos negros , não conseguiu dormir. Levantou-se então e postou-se junto à janela do seu quarto , observando como que paralisado os flocos de neve que iam se amontoando em volta do pequeno jardim perto da sua casa. As flores já estavam curvando por causa do peso da neve que já envolvia todo o jardim.Era tudo diferente quando chegava o verão. A paisagem mudava completamente. O homem estava imerso em seus pensamentos quando ele ouve um rumor como se uma pedrinha fosse atirada no lago. Prendeu a respiração que já começava a ficar ofegante e renovou sua atenção para aquele fato. Quase perdeu o fôlego quando avistou a sombra debaixo de finíssimos raios de lua que ainda teimava em ressaltar um pouquinho de sua beleza naquela negritude que envolvia aquele lugar.Ele era forte e sem medo de nada que o pudesse assustar. Pegou um agasalho, calçou suas botas de couro bem confortável,colocou um chapéu de veludo preto e resolveu sair. caminhando pé ante pé, bem devagarinho, ele vai andando ao redor do jardim, olha os arredores da casa mas não vê nada. Resolve então dar uma olhada no lago.Muito cauteloso para que quem quer que estivesse ali não fugisse ele , devagarinho, vai-se aproximando do lago . O frio que emana do lago faz-lhe enroscar mais a seu agasalho e com os olhos semi-cerrados ele vai tentando enxergar o que está acontecendo ali no lago. De repente ele vê uma luz que vem do final do lago, perto onde fica uma canoa, que petrificada está naquelas águas.Então ele a vê. È uma jovem que sentada dentro da canoa chora amargamente. Ele se aproxima e fica encantado com a beleza da moça. Mesmo com pouca luz ele percebe a brancura da sua pele, seus longos cabelos loiros que caem até sua cintura, modelando ainda mais o seu corpo frágil e sem forças. Seus olhos de um azul intenso fixam os olhos do homem que a encontra ali, a merc~e de todo perigo. O manto azul que a cobre por cima do seu vestido lilás a torna ainda mais bela. Ela se encanta logo que o vê. Ele se deixa emocionar por aquela moça triste e linda ao mesmo tempo. A pega no colo e a leva de mansinho para dentro de casa.Ao primeiro olhar eles se apaixonam e ela conta sua triste estória para ele. Havia perdido os seus pais num terrível acidente de carro e não havia mais parentes que a recolhesse. Ela desesperada fugiu correndo sem saber onde ia. O primeiro lugar que viu nos pequenos raios de lua foi aquele lago. Ela não queria mais viver e desesperada pensou em se jogar no lago gelado. No momento que ela ia fazer isso resolveu olhar mais uma vez e viu o vulto do homem que olhava pela janela da casa. Então ela esperou que ele aparecesse e uma voz dentro dela sabia que ele viria. era a voz do amor que a chamava. Ele então a abraçou e a beijou . Seus lábios ainda estavam frios por caus a da neve lá fora. Com muito carinho ele a levou para a cama e a cobriu com um quente cobertor. Ela dormiu em paz. Lívia era seu nome.O dele era Richard. O dia amanheceu com o casal de enamorados já unidos em um romance que durou para o resto de suas vidas. Richard mandou pintar um quadro da sua esposa dentro da canoa representando aquela noite mágica onde ele encontrou o amor de sua vida e o colocou na parede do quarto do casal. Depois de anos se passarem todos que apareciam naquela casa ficavam sabendo da linda estória de amor que aconteceu naquele local.
Margareth Rafael

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