SÍLABAS
Sílaba a sílaba
crio palavras, cantantes
onde o amor venha beber
e nelas me debruço
em busca de nós...
mas sei que é tarde meu amor
embora me recuse
a aceitar o crepúsculo
sem o espellho d'água
dos teus olhos
prometendo eternas alvoradas!...
Maria Mamede |
AO SEMEADOR DE ESTRELAS…
Sei que continuas a semear estrelas
e sonhos
e é por isso que cada vez mais
és necessário…
não importa a lonjura de mim
nessa praça de Kaunas, ao pé do muro
onde te colocaram
importa é que meus olhos
te seguiram
e cá e lá, em viagem constante
te olham, noite e dia
só para verem as estelas que semeias…
neste tempo de noite sem luzes
é cada vez mais importante
a tua existência
porque é cada vez mais preciso
que semeies estrelas e sonhos
no muro das praças
de todo o mundo
porque as do firmamento
já não chegam para acender
os nossos sonhos
nem para dar luz à nossa existência!...
(…Kaunas/Lituânia)
Maria Mamede |
DÁ-ME DE BEBER!
Dá-me de beber ó caminheiro
é longe a fonte
e eu já tão cansado
espero da tua água
aqui sentado…
dá-me de beber ó caminheiro!
Como dar-te água
meu irmão
se não trago comigo
odre nem tarro
nem sequer malga de barro
e a fonte é tão longe
meu amigo?
Tenho a concha da mão
mas ao chegar
já não terei água
pra te dar…
então caminheiro
abranda o passo;
agora pára e vê
este chão duro
onde quase jaz
meu corpo escuro
pela falta
daquela
que dá vida
ao mundo inteiro…
e se apenas trazes
para beber
as lágrimas que há pouco
vi correr
dá-me da tua sede
ó Caminheiro!...
Maria Mamede |
Depois que foste
os melros partiram
e não voltaram mais
deixando-me órfã do canto.
Se eles não regressarem
para mim a música
deixará de existir!
(in –“Canto Suspenso”)
Maria Mamede |
2008
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