ESTE MEU SENTIR
Olho-me ao espelho, saudade,
Não daquilo que eu era,
Mas do que não semeei
Na longínqua Primavera.
E a sonhar andei na vida
À procura dum momento,
Em que a minha vocação
Inspirasse o pensamento.
O meu tempo foi passando
Altruísta, mas severo.
Meu espírito mais atento,
De coração mais sincero.
Porém, sou feliz agora.
O meu espaço encontrei,
E junto a vós, meus Amores,
Pronto me realizei.
Descobri que o racional
Nem tudo explica, em concreto,
E que o mundo também gira
Em função de mais afecto.
E a todos fazer o bem
Sem olhar a raça, a cor,
Religião que professam,
É vontade do Senhor.
Cantar este meu sentir
É pra mim grande prazer.
Rezar p’lo nosso porvir,
‘Sperança do amanhecer..
Maria da Fonseca |

DO PARAÍSO
Cheguei do paraíso que perdi,
Buscando a vida que me concedeste.
Uma alma sensível me ofereceste
No dia em que, ansiosa, eu nasci.
Na Terra, em corpo e alma, eu cresci,
Saudosa de outro mundo que não este.
A graça que para mim Tu escolheste
Revelou-me o destino que cumpri.
Lutei em vão co’a minha imperfeição,
Apesar de sempre me ajudares
E ouvires meus apelos de perdão.
Senhor meu Deus, ao me abençoares
Na hora em que parar meu coração,
Ao paraíso irei pra me abrigares.
Maria da Fonseca |

O PESSEGUEIRO
Tão linda a árvore, Amiga,
Que Deus ali fez brotar
Para que, quando eu passasse,
Pra ela pudesse olhar.
O Outono está magnífico.
E o pessegueiro que eu amo,
Nem calculas como o vi,
Um feitiço em cada ramo.
Desde o castanho ao vermelho,
Suas folhas matizadas
Guarnecem a bela copa,
Pelo Sol, iluminadas.
Caídas há pouco tempo,
Algumas brilham no chão.
E seus frutos de veludo
Sempre alguém encantarão.
Nada se move, acredita,
Nesta manhã deslumbrante.
A límpida transparência
Brinda todo o cambiante.
Foi num dia como este
Que o Deus Menino chegou.
Devota, a mãe Natureza
Pra O receber se enfeitou.
Maria da Fonseca |

O MESMO SORRISO
Dia lindo, dos nossos finalmente,
Em que existes apenas para mim!
Olhamos os lilases docemente,
Os que, mais belo, tornam o jardim.
Meu coração vibra ainda fremente
Como no tempo em que, de carmesim,
Meu rosto se cobria de repente,
Turbado, por sorrires-me assim.
Andávamos felizes, de mão dada,
A ver o que of'recia a natureza.
Hoje ando em teu braço, apoiada,
A admirar das flores, sua beleza,
Sentindo ainda a alma bem amada,
Quando teu sorrir me ofertas, com presteza.
Maria da Fonseca |
2012
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