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AMAR
Não é ficar com alguém perpetuamente,
guardando um meigo olhar no coração...
Não é também quardar em traços vivos,
um beijo, uma flor, uma canção...
Não é viver feliz ou mesmo entristecido,
tendo um nome qualquer dentro do peito.
Ou relembrar em noites silenciosas,
as delícias de um amor quase desfeito.
Amar não é alimentar diversas esperanças,
ou sentimentos fáceis de nascer.
É algo muito nobre e mui sublime,
“é o desejo ardente de querer”...
Moysés Barbosa |

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HELENA
Esta música... que beleza!...
De onde virá?... não sei.
Esta voz meiga, sincera, delicada...
Atravessa o jardim... vem da calçada...
Parece a alegria da mamãe sorrindo,
entregando o sono ao filho pequenino,
no silêncio do calmo entardecer...
Esta voz... quanta harmonia!...
Parece uma audição coral se apresentando,
quando a mais bela voz, sozinha, está cantando.
Esta música... de onde virá?...
Ah! Já sei - estas notas meigas,
vêm do terraço, custei a me lembrar;
A Helena, feliz, vive a cantar...
Moysés Barbosa |

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CIÚMES
Quando te vejo, assim, muito bonita,
com teus cabelos, macios, tremulando,
tenho receio desta incauta brisa,
que contigo, sim, vive brincando...
Quando nas noites frias de inverno,
dormes unida aos densos cobertores,
meu coração que vive para amar-te,
penetra no covil dos sofredores.
Enquanto nas manhãs quentes, o sol
pela vidraça começa a procurar-te,
minh’alma entristecida, fica impaciente,
pois nunca ousei, no leito, assim olhar-te...
Moysés Barbosa |

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RECORDAÇÕES
Aquele luar... quantas recordações,
que na intimidade do meu leito triste,
revivem momentos de um feliz romance.
Relembro com meus olhos rasos d’água,-
a tua face meiga e delicada
e aquele teu sorriso fascinante.
Era uma noite calma de inverno
e o orvalho em nossos cabelos
deitava suas mãos umedecidas.
Aquele luar... quantas recordações,
das palavras sinceras; daquela ternura,
que envolvia teus olhos inquietos...
das tuas mãos mimosas... dos teus lábios,
quantas recordações daquela noite,
quando nossos corações viviam pertos...
Moysés Barbosa |

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TEU LEITO
Este leito, querida, é o teu leito.
Mas peço-te; suplico-te, deixe-me ficar.
O dia já se foi, a noite vem;
a aurora em breve há de volta...
Faz frio lá fora e o silêncio
que nos cerca é nosso amigo.
Não dirá pra ninguém, estou bem certo,
que fiquei esta noite aqui contigo.
Quando alvorecer... quando o
sol pela vidraça iluminar-te.
Deixe-te-ei... Irei embora...
os pássaros chegarão para acordar-te...
Este leito querida é o teu leito.
Nunca ousei tocá-lo nem de leve.
Mas hoje estou aqui e muito em breve,
meu corpo ficara a ele afeito...
Moysés Barbosa |

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