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“Deixa cá,
comigo...”
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Eu amo a
noite... A Lua, as estrelas...
E todas as estranhezas que me visitam
nesse mar revolto de sentidos que a
escuridão me traz...
E eu abraço a solidão... e ela me sorri
de volta!
Deixo cá comigo os turbilhões de
pensamentos desgovernados... eles hão de
fugir-me, quando as estrelas me
iluminarem da indecisão de despir-me do
meu ser tão veemente e transitório...
sou composta de inconstâncias e
recomeços... e é isso que me mantém
pura, fiel e intransigente à minha
loucura sensata.
(Naná)
16/06/2012 |

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“A mira das
palavras”
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Exaurida de
tantos despropósitos, sentimentos
intermitentes. Acometida pela catalepsia
dos sentidos, verberada pelas
inquirições, escoro-me nas palavras.
São os ditames da inconsciência, tão
gritantes, tão explícitos, tão
palpáveis, mas ao mesmo tempo, aspectos
inexequíveis, que fazem-me evadir do meu
"eu" apático, desconexo...
Paralogismos? Insanidade à orla do
querer...
... E as palavras criam força. Embora
sejam palavras mudas, são sempre como um
revólver, apontadas na minha cabeça.
(Naná)
20/05/2012 |

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“Caminho...”
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Caminho,
ainda desequilibrada na corda bamba que
é sentir, entre tantos transeuntes que
me acenam... passam rápido, correm, se
atropelam diante de minha visão baça e
distorcida por não saber bem ao certo o
que virá pela frente.
Horizontes longínquos, ainda
temerosos...
Minha inconsciência por vezes me
hipnotiza e rouba-me os ares da
serenidade, e tropeço nos passos,
esbarro nos espaços...
Necessidade urgente essa de refletir,
que me acomete...
Vejo a vida passar indiferente,
azafamada... e tenho dificuldades em
seguir o ritmo.
Espero sem esperar... minha paciência é
meio acomodada, excêntrica e
incompreensível.
Caminho só, desatando os nós, rabiscando
folhas de papel que insistem em voar
pela exaustão do discurso difuso e
inexequível que defronta com a minha
inexatidão do repertório que enceno,
nessa estrada sinuosa, envolta à
labirintos inextricáveis, percorrida com
passos largos... até chegar à alguma
ponte, pra talvez pular, sem culpa, sem
medo de singrar ilimitadamente...
(Naná)
17/06/2012 |

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“Asas”
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Trombei
contigo, na curva daquela rua que a
gente nunca espera encontrar à frente, e
fui atropelada.
Te descobri em meio aos meus avessos e
embaraços, em meio às minhas lacunas,
sagrados espaços... Caminhava distraída
entre pontes e céus inabitados, eu era
livre, por acaso...
Mas há dias que os céus estão cinzentos
e o coração desacelerado, e os
desassombros são inevitáveis. Despi-me
da compostura e deparei-me com um
horizonte longínquo; aparentemente
avistei algum brilho, mas que fora
ofuscado com a contagem dos momentos...
Abracei o tempo, entardecido, e ele me
sorriu de volta, como que num gesto
afirmativo de "fazer as pazes". E então
eu despertei, e olhei para o espelho da
coerência, deixando a conformidade para
trás...
Nada como retomar as minhas asas e
avistar um mundo maior do que as pessoas
de mente ínfima, supõem. Prefiro singrar
no mar revolto, à adoecer na
estaticidade.
O meu mundo é demasiado hermético para
seres quem não têm a capacidade de se
surpreender.
E ... eu não sou um arquétipo!
(Naná)
20/07/2012 |

2012
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