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É sempre um grande prazer
aterrar no Aeroporto Internacional de Salvador (Deputado Luís
Eduardo Magalhães) nesta bela capital do Estado da Bahia, onde
tudo cheira a Portugal, como em mais nenhuma terra do Brasil.
Durante a viagem a partir de Lisboa, revi alguns apontamentos
que sempre levo quando vou fazer uma entrevista. Desta vez,
fixei-me numa personagem que sempre muito admirei: Castro Alves.
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Castro Alves. |
“
Durante os seus 24 anos de vida, Castro Alves viveu
intensamente, de amar e sonhar sofregamente. Seu canto vem de
longe, vem com o despertar da escravidão, na sua própria Bahia
do século XVII e continua belo, hoje e sempre. É que ele encarna
o amor à liberdade, que caracteriza o povo brasileiro. Mas, para
Castro Alves (poeta de grande raça, é preciso primeiramente
colocá-lo na época de sua infância e no seu ambiente familiar.
Castro Alves nasceu a 14 de Março de 1847, na fazenda
Cabaceiras, a poucos quilómetros de Curralinho, na Bahia, filho
do Dr. António José Alves e de Clélia Brasília da Silva Castro.
Foi baptizado com o nome António Frederico de Castro Alves. Mais
tarde, transferiu-se com a família para Muritiba, e depois São
Félix, nas margens do rio Paraguaçu. Aprende as primeiras letras
com o Prof. Primário, José Peixoto da Silva. Passa a frequentar
a escola de António Frederico Loup, em Cachoeira, na outra
margem do rio Paraguaçu. Em 1854, instala-se com a família em
Salvador, na rua do Rosário, Nº 1, numa casa em que, seis anos
antes, fora assassinada, pelo noivo, a formosa Júlia Feital,
segundo a lenda, com uma bala de ouro. Em 1856 (ou 57) o
escritor frequenta os cursos do Colégio Sebrão. No ano seguinte
transfere-se para o Ginásio Baiano, do Dr. Abílio César Borges,
mais tarde barão de Macaúbas. Nessa altura, a família mudou-se
para a chácara da Boa Vista, no arrabalde de Brotas. (…)
Castro Alves faleceu a 6 de Julho de 1871, às três e meia da
tarde, junto a uma janela banhada pelo sol, para onde fora
levado de acordo com seu último desejo.

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Teatro Castro Alves |
Apanhei um táxi no Parque de Campo Grande, onde junto à estátua
ao Índio, já se encontrava à minha espera a Varenka, a minha
entrevistada. Combinámos começar a entrevista no Teatro Castro
Alves, sito também no Campo Grande e não muito longe do parque.
Pelo caminho, fiz à entrevistada as primeiras perguntas:
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Estátua ao Índio |
Carlos – Varenka, fale-nos um pouco desta bela cidade onde você
mora?
Varenka – Pois não, Carlos. Salvador é cheia de encantos e
magia, umas das cidades mais antigas do país, com tantas
histórias desde a descoberta do Brasil, com uma cultura muita
rica devido a sua mistura étnica. Possui muitas praças: Piedade
no centro onde os poetas sempre vão declamar, do Campo-Grande
que todo primeiro domingo do mês acontece a feira do livro,
promovido pela Fundação Pedro Calmon, Praça da Sé, Praça Almeida
Couto todos os domingos tem dança para a terceira idade, entre
outras.
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Fundação Pedro Calmon |
Praça da Sé |
O Pelourinho faz parte do
centro e tem festa todos os dias, foi construída com semelhança
a Lisboa capital de Portugal Os museus tem muita coisa para
contar sobre o começo do Brasil é uma cidade bastante
diversificada em fauna e flora. São 365 igrejas, muitas no
estilo barroco, a Igreja de São Francisco é decorada com ouro
como tantas outras. Vem conhecer Salvador.
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Praça Almeida Couto |
Igreja de São Francisco |
Carlos - Como se autodefine?
Varenka - Agora não me interrompam, vou mostrar como tenho
satisfação de ser energicamente gregária, intrépida e cheia de
determinação. A emoção a flor da pele, transparente e com
atitudes firmes. Sou Facetada, posso envelhecer meu rosto
ficando com 80 anos, posso rejuvenescer meu rosto e parecer uma
jovem negra, posso ser uma gata, leoa, tenho este poder, faço
maquiagem de rosto e corpo, na pintura domino quase todas às
técnicas. Sou mesmo uma transformadora.
Carlos - E quando era criança?
Varenka - Gostava de brincar com outras crianças de ciranda e
confeccionar brinquedos de casa.
Entretanto, tínhamos chegado ao Teatro Castro Alves e, por
gentileza de um funcionário, continuámos a entrevista no hall de
entrada.
Carlos - Que vício gostaria a Varenka de não ter?
Varenka - De ser ansiosa.
Carlos - As piadas às louras são injustos?
Varenka - Sim, porque a cor não interfere no intelecto.
Carlos - Qual o cúmulo da beleza?
Varenka - Despojamento de conjunto da personalidade de uma
pessoa.
Carlos - E da fealdade?
Varenka - É dizer jamais, pois é o espírito pobre.
Carlos - O arrependimento mata?
Varenka - Não. Passa, como os pássaros em revoadas.
Carlos - Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos
outros?
Varenka - Em mim a Dignidade. Nos outros, Honestidade.
Carlos - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje?
Varenka - As mudanças que eu tive que fazer no trabalho,
passando pela Escola de Teatro, Belas Artes e Dança e,
finalmente retornar a Escola de Teatro.
Carlos - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro?
Varenka - A Imagem do meu Pai, sempre meu pai.
Carlos – Qual a personagem que mais admira?
Varenka - Meu pai. Noutros tempos começou uma história. Tudo
que sei é que ele era um homem extraordinário, era poliglota,
culto e um psicólogo nato, foi o meu professor particular,
cuidava da sua prole com esmero. Tocava piano e cantava e me
embalou muitas vezes, a maior riqueza que deixou para os filhos
foi a educação e seus preciosos livros. Agora uma revelação, meu
pai e eu éramos fisicamente parecidos desde o fio do cabelo até
o dedão do pé, sou a sua copia, com a diferença que eu sou
pequenina diante de um grande e inesquecível homem.
Carlos - De que mais se orgulha?
Varenka - Primeiro do meu filho, do meu pai e toda minha
família.
Carlos - Seus passatempos preferidos?
Varenka - Teatro, leitura, escrever e ir a eventos literários.
Carlos - Sua melhor qualidade?
Varenka - Ser Generosa.
Carlos – E seu maior defeito?
Varenka - Ser Ansiosa. Posso definir a ansiedade como algo que
podemos amenizar, pois às vezes ela me tira amigos, inspiração e
amores, outras vezes me protege. Aí, essa ansiedade!
Carlos - O dia começa bem se ...?
Varenka - Quando o sol esta brilhando canto uma canção de amor
e me pavoneio de várias cores, caminho firme, mas com uma graça
flexível com uma energia oculta e palpitante.
Carlos - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada
do frio
Varenka - Quando as folhas caem sinto um pouco de tristeza, o
sol vai desaparecer com a chegada da chuva que fico mais lenta e
mais reservada.
Carlos - Como vai de amores?
Varenka - Estou solteira. Tenho uma paixão por livros e amo
escrever. Carlos, desculpe a pergunta: você não tem fome?
Carlos – Já sinto uma certa fraqueza, ou seja, tenho fome!
Varenka - Então vamos comer no restaurante “Quitutes da Iaia”,
que fica aqui perto no Largo do Campo Grande. Tem sempre um
grande cardápio: Comida típica baiana (vatapá, caruru, acarajé,
abará, xinxim de galinha), todos tem como ingredientes, o dendê,
leite de coco, camarão defumado, castanha, amendoim, quiabo
picado, bastante pimenta que os turistas, quando não informados,
sentem o verdadeiro “ardor” da baianidade nagô.
Carlos – E o que vamos beber?
Varenka - Vinho Tinto. E no final um Vinho do Porto.
Durante o breve percurso, continuámos a entrevista, para não
perder tempo.
Carlos - O que é para você o termo Esoterismo?
Varenka - É um segmento que tem várias correntes filosóficas.
Apesar de ser simpatizante, não sou praticante.
Carlos - Acredita na reencarnação?
Varenka - Sim, por muitas evidências me levam a acreditar na
existência através de exemplos.
Carlos - Acredita em fantasmas ou em “almas do outro mundo”?
Varenka - Não acredito em fantasmas, as almas são boas e estão
na eternidade.
Carlos - O Imaginário será um sonho da realidade?
Varenka - O pensamento com sua força tornam realidade.
Carlos - Acredita em histórias fantásticas?
Varenka - Depende da fantasia.
Carlos - Varenka, para você, Deus existe?
Varenka - Eu creio em Deus.
Quando
chegámos ao restaurante, este estava completamente cheio. A
entrevistada aproveitou para ir ao banheiro, segundo ela, para
se maquilhar. Logo pensei “esta menina é mesmo vaidosa!”.
Entretanto, vagou uma mesa que logo ocupámos. Enquanto
esperávamos pela refeição e durante esta, fizemos a parte final
da entrevista.
Carlos - A cultura será uma botija de oxigénio?
Varenka - Como essência da vida, ela será sempre explorada,
divulgada, iluminando toda a humanidade.
Carlos - Qual o filme comercial que mais gostou?
Varenka - O Vento Levou.
Carlos - Que livro anda a ler?
Varenka - “Carta ao Presidente, Brasileiros em busca de
cidadania”. É uma coletânea organizada por Carlos Souza Yeshua,
Jornalista e escritor baiano.
Carlos - Música e autores preferidos?
Varenka - Toda a Obra da banda Queen sou muito fã de Freddie,
Mercury, Bolero de Ravel, Na Passagem - obra de meu Irmão
Segestes Tocantins, Toda a obra de Luiz Gonzaga e Derbouka. Da
música baiana do trio elétrico de Armandinho, Dodô & Osmar,
Ivete Sangalo, Margarete Menezes. “Detalhe de Roberto Carlos” e
outros.
Carlos - Autores e livros preferidos?
Varenka - Os Lusíadas de Camões, Varenka Olessova de Maximo
Gorki, Os Miseráveis de Victor Hugo, História de uma Época de
Luís Barreto Vieira, Jorge Amado, de Valdeck de Almeida de
Jesus, “Lua Luar”... De Emérita Andrade Ramos, “História do
Brasil” de Aurélio Schommer e “O Dom Supremo” uma adaptação de
Paulo Coelho. Toda a obra de Jorge Amado , José de Alencar e
Castro Alves,entre outros.
Carlos - Vamos falar de sua obra Literária?
Varenka - Tenho dois livros “Ela em Versos” e “Fatos e Retratos
- Crônicas”. E já participei de 39 antologias, com temas
diversos.
http://www.varenkadefatima.blogspot.com.br/
Carlos – Para terminar. Que género de filme daria sua vida?
Varenka - Comédia, porque os personagens interpretam com
seriedade...assim é minha vida.

E assim, falámos de:
Varenka de Fátima Araújo
Nascida num lindo dia 25 de Julho
Sua ocupação profissional: Figurinista de Teatro
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Salvador |
Minha Terra
Meu Deus, bem que eu poderia ter nascido em Salvador! E ontem
meus pais eram itinerantes, que por força do trabalho passavam
de cidade em cidade e estado. Foi uma questão de poucos anos,
poderiam ter aportado neste pedaço de terra e imprimiria na
memória indelével o nascimento de sua filha na cidade adorável
deste país vasto e rico. Quando o Sol brilha tudo reluz ao redor
de cada recanto, abençoado por todos os santos, ladeada por
ilhas paradisíacas como: Ilha dos Frades, Itaparica, Morro de
São Paulo. Ai, a culinária, é uma gostosura! O legado deixado
pela pátria mãe Portugal é preservado e de valor para
posteridade.
Não é por capricho que pleiteio o titulo “Cidadã Baiana”. Adotei
esta cidade como estivesse brotado dela, quando minha missão for
cumprida, voltarei para o ceio da minha terra mãe, onde
repousarei eternamente. Aliás como diz um certo poeta: “Você
baiana de vez”, por divulgar, às maravilhas e o celeiro de
escritores da cidade mais cobiçada. Amo tanto Salvador!
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Sarava! Salve a Bahia!
Meu canto
Varenka de Fátima Araújo
Em 25 de julho nasce o sol
Cresci, oh! nesta terra
Numa casinha branca
Na sobra de palmeiras e bananeiras
Na península de Itapagipe
O mar ladeando com calmarias
Para o Forte do Mont’ Serrat
Com um pôr do sol a deslumbrar
Nas famosas festas de largo
Em dezembro na Boa Viagem
Em janeiro no Bonfim
Sambava como ninguém
Nas ruas as mesma pedras
Na Ribeira na segunda-feira gorda
Gente de barraca em barraca
Um dia puramente de samba e folga
Um pouco mais de sol e continua lindo!
Um pouco de mudanças em expansão
Que acompanho me inserindo
No meu coração um amor crescente..
Varenka de Fátima Araújo |

Entrevista formato de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande –
Portugal, para o Portal CEN – “Cá Estamos Nós”
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