Pequena Biografia:
Nasci em Alcafozes ( Beira Baixa), onde vivi
até aos 10 anos, após fazer o curso
primário, ingressando, a seguir, nos
seminários da diocese de Portalegre (hoje,
Portalegre-Castelo-Branco). Ali cursei
Filosofia. Após sair, tive rápida passagem
pelo comércio, em Lisboa, donde fui chamado
para a vida militar. Lá passei 2 anos. Tive
rápida passagem pelo serviço público em
Lisboa . Emigrei para o Brasil, notadamente,
S. Paulo, onde cheguei em Março de 1958 e
onde vivo desde então. Cursei e fiz direito
na Universidade de S. Paulo (S. Francisco)
colando grau com a turma de 1966. Advoguei,
tive indústria, comércio, casei, tenho 5
flhos, 2 dos quais também advogados e 9
netos, no coroamento do meu peregrinar.
Viajei muito por este Brasil gigantesco.
Corri-o, praticamente, de lés a lés e,
dentro do que eu pude e fui capaz, conheci-o
bem, a ponto de amá-lo com todo o fervor.
Atualmente, curto a minha viuvez,
enfronhado nas letras. Como indicativo,
tenho uma editora pequena desde 1933 que,
vez por outra, edita livros.
Profissão: Aposentado
Quer falar um pouco da terra onde mora?
Moro em S. Paulo, desde 1958, ano em que
cheguei como emigrante , vindo de Portugal.
Cidade sobejamente conhecida não só no
Brasil como no resto do mundo. Em termos
sul-americanos é a maior e mais importante
cidade do continente. No estado de S. Paulo,
em que se insere, é capital do mesmo, o polo
mais desenvolvido, a mais populosa e, sem
dúvida, locmotiva alavancadora do progresso
em todos os seus recantos.
Relembrando a história. Remonta aos anos de
1554, com a fundação da vila de S. Paulo de
Piratininga, pelos jesuítas, chefiados pelo
superior religioso, pe. Manuel da Nóbrega,
em colaboração com João Ramalho, português
de Vouzela, aqui chegado em data a perder-se
na bruma do tempo e do mistério.
Pequeno burgo, durante os primeiros tempos
da colonização, daqui se iniciaram as
bandeiras - fruto primeiro da miscigenação,
iniciada por João Ramalho, fundador da
cidade de Santo André da Borda do Campo -
que, definitivamente, defenestraram o
Tratado de Tordesilhas e projetaram este
País à grandeza territorial que hoje possui.
Com as entradas e bandeiras, iniciou-se a
corrida para o ouro de Minas Gerais que
desembocaria nos primeiros sonhos da
independência, na malograda conspiração
conhecida de "Inconfidência Mineira".
Nos idos de 1822, o fato mais auspicioso,
será a proclamação da Independência pelo
Príncipe Herdeiro, D. Pedro I, às margens do
riacho do Ipiranga, na famosa colina onde ,
hoje, se ergue o Museu e Palácio da
Independência.
A partir do sec. XIX, com a imigração em
massa, sem dúvida, S. Paulo atingiu o clímax
dum desenvolvimento agrícola muito
importante, coma indústria cafeeira,
dominando todo o litoral Valeparaibano, até
distender-se pelo interior, donde se
propagou ao estado do Paraná.
No séc.XX seguiu-se a revolução industrial
e, novamente, S. Paulo, impulsionada pelo
esforço emigratório, solidificou sua
superioridade, sobrepujando o Rio de Janeiro
e, definitivamente, assumindo a liderança e
progresso deste país.
Quando começou a escrever?
Desde pequeno, ou seja, desde quando,
alcançados os primeiros conhecimentos da
escrita, com o gosto provocado pelo ambiente
em que fui educado, a vocação se revelou e o
prazer da leitura e da escrita entrou nos
meus hábitos de menino-adolescente.
Teve a influência de alguém para começar a
escrever?
Tive e muita. Primeiro, por haver nascido
numa terra de população paupérrima, gente
quase esquecida na Beira profunda, mas,
onde, paradoxalmente, à pobreza, havia, como
que inato, um certo gosto pelo "contar" e
"dizer", vindo de geração em geração que,
entre aquele povo analfabeto ou quase, soube
conservar a sagrada chama da tradição, do
uso e do costume e se reunia, à luz do
lampião, em volta do lume, à lareira,
contando e ouvindo histórias que se
acumulavam na mente das crianças. Num outro
momento e, este, em definitivo, graça à
educação humanista recebida no Seminário
onde permaneci até à idade adulta. Desde os
primeiros tempos, já tínhamos uma revista,
manualmente redigida pelos alunos com maior
propensão, nela publicando nossas tímidas e
inocentes poesias, nossos contos e, dalgum
modo, externávamos nossas ideias e
pensamentos. E isto vinha num crescendo ,
porque, no estudo da filosofia, outra
revista se sobrepunha à primeira que, ornada
com o título pomposo de " O Filósofo", no
mesmo trabalho editorial manuscrito,
condensava novos alvores de projeção mais
ousada. Nesta fase, os livros, às vezes, a
ocultas, eram passados de mão em mão - o que
tudo, por evidente, aguçava a curiosidade, a
ânsia e o desejo da leitura. O gosto foi uma
consequência.
Lembra-se do seu 1º trabalho literário?
Claro. Tinha uns 14 anos e foi publicado em
forma de soneto, no jornal, recentemente
criado e que ainda subsiste, na cidade
capital do meu distrito- Castelo-Branco- de
nome " A Reconquista".O título do soneto,
ivado da mesma ansiedade de mocinho, era "
In vasa mortis"..e, por aqui, se
aquilate....
Foi divulgado (como)?
Através do jornal atrás mencionado.
Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano)?
Sim. Tenho 19. Três impressos e editados em
Lisboa, em editora de que não guardo boa
memória...os restantes no Brasil,
notadamente, em S. Paulo. O primeiro foi
editado em 1983. Um livro de contos
subordinado ao título: " Contos do dia a dia
no Vale do Paraíba".
Tem livro(s) electrónico(s) (e-books),
editora e ano.
Não tenho livros eletrônicos editados.
Projectos literários para este ano de
2008/09 ?
Na realidade, aguardando publicação, estão 4
originais meus - 1, no Brasil, mais
prisamente em Porto Alegre ( RS) - um livro
sobre o pe. Vieira, com o título de " Pe.
António Vieira - o mesmtiço" e os restantes
em Lisboa, a saber: " Jesus Cristo, o Filho
do Homem";" O Marinheiro das Naus" e " João
Ramalho - memórias dum Povoador".
Como vão ser editados ?:
Sistema tradicional - of - set.
Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana?
Data venia, acho pretensiosa a pergunta
porque penso que ninguém pode falar de si de
modo impessoal, por mais que o deseje,
correndo o risco de perder credibilidade ou
exceder-se em consideração e que o possam
levar a situações que não deseje. A condição
humana é cheia de contradições. Todavia, e,
para não parecer excêntrico, tentarei
resumir, numa só palavra, o que, de mim,
penso e gostaria de exercitar em toda a
plenitude do étimo: - amor, a força do verbo
que derrubou um império e implantou uma
religião.
Como Escritor (a)?
Desejo não furtar-me à minha vocação
literária e, de mim, extrair o melhor e
que possa deixar rastros para o bem da
humanidade, consolidando a força do étimo:
Amor!
Para se inspirar literariamente, precisa de
algum ambiente especial ?
Não, no sentido lato. Sim, no restrito do
termo porque, sem dúvida, a solidão, nestes
casos, torna-se força geradora de inspiração
mais acelerada e ininterrupta, o que eleva o
tom da escrita, sem dúvida. Mas, lugar para
escrever o poema, rabiscar a frase ou
armazenar um pensamento., não tem. Qualquer
serve: viajando, passeando na rua. Lembor
José Duro, o poeta portalegrense, que dizia:
" esse livro que aí vai, é um livro brutal
um poema a êsmo/ pensei-o pela rua olhando
toda a gente/ escrevi-o no meu quarto,
olhando-me a mim mesmo. É por aí, o caminho.
Tem prémios literários?:
Nunca, por duas razões: a primeira, por
certo, não mereceria a benesse; a segunda
não acredito em prêmios e em poucos
premiados. A maioria são ilógicos e adrede
preparados, isto é do conhecimento público.
Tem Home Page própria (não são consideradas
outras que simplesmente tenham trabalhos
seus)?
Acho que não tenho isso, a menos que o email
ou o blog, se enquadrem no enunciado.
Conhece as vantagens que os Autores do CEN
têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s)
electrónicos, nos nossos sites?
Com segurança. não o posso saber. Estou
atendendo a uma solicitação do escritor
Silvino dos Santos Potêncio porque o admiro
e o considero, além de escritor, um homem
honesto - a virtude que falta a muitos.
Que conselho daria a uma pessoa que
começasse agora a escrever ?
Que nunca pare. Insista. Se tem a acha acesa
latejando na sua mente, que não esmoreça e
que nunca deixe apagar a chama.
Para terminar este trabalho, queira fazer o
favor de mandar um pequeno (e original)
trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:
Bem, precisava mais detalhes, não só
atinentes ao espaço, que acho muito pequeno,
por mais sintética a resposta .Sanado este
problema, terei todo o gosto em atendê-los.