Vera Passos

 

DEUS
Vera Passos


Eu busco Deus no silêncio dos desertos
Habitados por ninguém
Nos mistérios do Além
Busco Deus nos rumores das florestas
Na flora perfumada e colorida
Nos segredos da minha vida
Nos encantos que a contém
Procuro DEUS nas imensas cordilheiras
Banhadas pela neve infinita
Nos enormes paredões que limitam Oceanos
Eu O encontro, nas avenidas e ruelas
Nas inacessíveis favelas
Busco DEUS, o Velho Criador
Nos encantos do amor
No silêncio e na dor
Vejo DEUS, nos arredores da cidade
Nos escombros das catástrofes
Nos arroubos e nas verdades
Na rosa do deserto
Na Caatinga e no Prado
Na nascente de um rio
No encontro com o Mar
Na final da caminhada
E no começo da Estação que vai chegar

Vera Passos

O MAR
Vera Passos


Ah! o Mar
Se não fossem os meus limites...
Se me fosse permitido,
Descortinar os seus segredos
Se eu tivesse condições
De enfrentar os meus medos
Se não fosse tudo...
Se eu pudesse viajar o Mar
Pelejar nas profundezas
Além das ondas, além das cordilheiras
Além das correntezas
Atravessar os Oceanos, pelejar meus planos...
Alcançar o Infinito.
Num vôo insano, liberar meu grito.
Deixar dores, furtos, incoerência...
Violência, carência...
Exercitar minha paciência,
Em outras direções.
Onde eu seja eu,
E o Mar apenas Mar

Vera Passos

 

NAQUELA RUA...
Vera Passos


Naquela rua marquei os passos desta caminhada
Os primeiros amigos, a mangueira, o jardim...
O caminho da escola, a praça, o cinema...
O primeiro amor, a mais linda flor, o cheiro do jasmim
Naquela rua olhei estrelas, pulei janela, segui a estrada
Corri atrás do trem, quebrei a cabeça, descobri meu bem
Sentei no batente, fiquei contente quando vi alguém
Naquela rua vi nascer, vi morrer, vi partir
Vi amigo chorar, outro sofrer e outro sorrir
Naquela rua eu plantei uma flor e pus no meu cabelo
Adocei a alma ouvindo estórias e lições de amor
Pulei corda, cantei cantigas de roda, joguei bola
Conheci a escola, descobri nos livros, tantas emoções
Naquela rua arranquei o véu, descobri o céu, empinando pipa...
Pulei fogueira, rasguei bandeira, desatei a dor
Conquistei amigos, ganhei bombons, ganhei uma flor...

Vera Passos

 

CAMINHAR
Vera Passos


O rio dos meus olhos, percorre estradas
Busca os lagos, os mares, os oceanos
Corre pela alma adentro, caça luzes no breu...
Escondidas nos pensamentos e ações adormecidas.
Carece de gritos estridentes, como os furacões
É preciso arrombar as portas travadas pelos medos
Enfrentar as correntes do ar, cansadas da espera
Os gases apodrecidos, estrangulam e matam o ser
Meu rio quer lavar as angústias, as depressões e desertos.
Todos carecem de um Éden e de um Oásis, na ebulição.
A vida é tão bela, não se deve carregar o lixo que dela provém
É só separar o joio do trigo, conquistar um amigo.
Siga o rio, ele lava a brutalidade humana e umedece a menina dos olhos.
Para crescer, deixe brotar os sentimentos benevolentes
O mundo carece de amor, solidariedade e luz.
Enquanto houver vida tem que caminhar, indefinidamente.

Vera Passos

2012
 

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