Homenagem a Todas as
Mães do Mundo
2 de Maio de 2004
Editor: Carlos Leite Ribeiro
Mãe... - António Zumaia.
Mãe...vê nas minhas lágrimas sentidas,
A água que purifica os sentimentos.
Ao te perder... meus sonhos foram esquecidos.
Eu morri também... por momentos.
Parte da minha alma foi contigo,
A presença daquele que é nosso Deus...
Juras-te aí ... que estarás comigo,
Nos maus e bons momentos meus...
Mãe... como me dói este chamar,
Pois eu sei ... que não vais responder,
Sentes e vês... mas não vais falar.
Assim, estou condenado a viver,
Mas meus olhos vão chorar,
De nunca mais teu carinho ver...
Mãe... para sempre estarás no meu coração.
E juntos ... rezaremos a Deus, com devoção.
Não te posso esquecer... mas estou condenado a viver.
Sines -Portugal

A TI, MINHA MÃE - Fernando Peixoto
Do teu ventre brotei para esta Vida
E o meu primeiro choro de criança,
Foi um grito de dor pela mudança
Na uterina hora da partida.
Tua boca de amor humedecida
Insuflou no meu rosto a confiança,
Depondo em minhas faces essa herança
Duma ternura intensa, desmedida.
Teu filho, minha Mãe, jamais se esquece
Dos valores - que em mim - alimentaste
Como o Amor, o Carinho, a Lealdade,
Numa herança que vive e permanece
No cofre do meu peito, onde ficaste
Como a mais bela Flor desta Saudade.
MÃE - Rosélia Maria Guerreiro Martins
os homens inventaram um dia
a que chamaram "dia da mãe"
não para sentir essa alegria
amor beleza e ternura
que essa palavra contém
Ah! querida MÃE
se os ouvisses ainda
vendendo comprando
arreliando numa guerra infinda
de preços
de mercadoria
para te dar
para ser uma boa filha
para te amar
mãe
sabes quanto te amei
quanto carinho tive por ti
e desse amor maternal
eu ainda não esqueci
hoje
que partiste
eu tão só te recordo
em cada canto da minha casa
em cada espaço da tua casa
em cada passo que dou
em cada dia que passa
procurando ser o que sou
e que achavas ter tanta graça
faço
escrevo com amor e ternura
pensando em ti
em nossos momentos de ventura
e como gostavas do que escrevia
e tua boca sorria
MÃE
estou só sem ti
te recordo neste
e em qualquer dia
para te sentir feliz
lá no céu onde moras
vou passar um poema teu
para limpares as lágrimas
que ainda choras
Querida mãezinha
em tua homenagem, um poema teu,
dos muitos que escreveste, e ninguém conheceu
Da Mãe : Cacilda Moreira Guerreiro - (1918-1995 )
DESTINO
Destino...
porque marcaste
a minha vida tão triste
de mim não te afastaste
mesmo assim ainda insiste
Destino...
tens sido demasiado ingrato
porque tu és muito forte
e de ti já estou farto
és companheiro até à morte
Destino...
não sei porque razão
me tens feito sofrer tanto
eu sinto no coração
as mágoas deste meu pranto
Destino...
tens sido muito infiel
por todos me fizeste sofrer
o que afirmo neste papel
direi sim até morrer
Destino...
quando marcar a hora
do meu corpo deitar à terra
certamente ninguém chora
por esta dor quem mim encerra.
(Para a filha Rosélia guardar como recordação)

ORQUÍDEA (A VOCÊ MAMÃE) - Débora Villela Petrin
Orquídea deslumbrando,
Sua exuberante cor
Pura e fulgurante.
Exalando seu perfume inebriante,
No meu caminhar.
Raízes plantadas,
Em um solo fertilizado
Pelo dom mágico
De ser eternamente
As pétalas do aconchego
Em meu coração.
Rara criatura humana,
Com a beleza
Distinguida pelo sorriso leal
Enfeitiçando o meu sonhar.
Bondade angelical,
Propagando o amor
Em suas mais diversas formas.
Alma magnificente de emoções,
Refletindo a essência no meu viver.
(É você mamãe, a Orquídea monumental),
Ilustrando os jardins da minha existência.
Débora Villela Petrin

DIA DAS MÃES - Pedro César
Mãe - um super anjo!
Ser mãe é ser um super anjo!
Que significa tudo:
Paz,
Amor,
Compreensão,
Dignidade.
Ser mãe é ser um super anjo!
Que significa ainda mais:
Paz no dia-a-dia,
Amor no coração,
Compreensão sempre,
Dignidade na vida.
Araçatuba/SP - BRASIL

AGRADECIMENTO DE UM FILHO REBELDE A UMA MÃE PIEDOSA
Valeriano Luiz da Silva
Obrigado por você me ter gerado
Obrigado por nove meses me ter carregado
Obrigado pela preocupação que te tenho dado
Obrigado pela lavação das minhas fraldas
Obrigado pelas primeiras palavras a mim ensinadas
Obrigado, pois quando me geravas passaste quase todo tempo acamada...
Quantas vezes não andava porque as pernas estavam inchadas
Quantas vezes você me batia, mas com pena de mim você arrependia,
Obrigado pelos conselhos que a mim foram dados
Obrigado pelo exemplo de vida em mim gravado
Muito do que sofro, foi porque seus conselhos foram rejeitados,
Quantas vezes dentro de mim me sinto culpado
Ah! Se a vida voltasse, por outros caminhos eu passasse
Mas parece que a vida da gente no mundo já vem traçada
Obrigado, pois mesmo sendo adulto por mim tens chorado,
Quantas noites de insônia por minha causa tens enfrentado
Mãe obrigado por você sendo analfabeta me fez um homem letrado...
Mãe me perdoe e obrigado porque meus colegas não foram a ti apresentados
Porque eu sabia que és mulher simples e meus colegas de mim teriam zombado
Mãe obrigado pelos dias que eu desaparecia e deixava você preocupada
Mãe muito obrigado pelo dia que me viste embriagado
No teu ombro me colocaste com tanto cuidado
Mãe muito obrigado pelo dia que descobriste que eu estava drogado
Pelas dívidas que contraí e você pagou calada
Mesmo com meus defeitos você só tem me elogiado
Obrigado porque na prisão tens sempre me visitado
O vício impediu que bom cidadão eu me tornasse
Nem assim tu me deixaste nem de mim envergonhaste
Mãe estou colhendo o que plantei
Nos teus conselhos às vezes pensei, mas preferi os alheios,
Lembras quando a turma chegava e escondido eu sumia
Oh! Filho ingrato não sabia que o coração da mãe doía?
Que saudade daquele tempo junto com meus irmãos
Você nos dava comida, ensinava a lição e a fazer oração,
Mãe, o tempo não volta e o arrependimento me corta,
Aqui no presídio só no dia da tua visita minha alma se conforta
Quantas vezes me jogam na solitária
Não tenho com quem falar, mas ouço tua voz diária:
Vai Com Deus filho, juízo filho, ou Mãe extraordinária!
Amigo sumiu, o vício me destruiu, verme me engoliu, e o médico me despediu,
Mãe talvez eu tenha só minutos de vida
Sou um moribundo atrás das grades vigiado pelas autoridades
Quem sabe daqui há pouco as últimas palavras falarei com as grades
Mãe tenho um pressentimento, que logo partirei para a eternidade
Deste mundo não levarei saudade
Peça aos jovens que não troque a felicidade,
pelos vícios deste mundo de maldade
Mãe minha voz está sumindo, já estou indo, muito obrigado.

MÃE PORQUE TE AMAMOS TANTO
Valeriano Luiz da Silva
Porque você foi o primeiro anjo que Deus colocou em nossos caminhos
Amamos-te tanto porque na jornada da vida existe tanto espinho
Você é a jardineira a limpar os nossos caminhos,
Amamos-te porque mesmo na sua dor e angústia nunca nos negaste um beijinho
Mãe amamos-te, pois tivestes paciência de nos ensinar a falar,
Contam-nos que quando éramos novinhos nos levantavas e dizias dandá, dandá, dandá...
Nossos irmãos e parentes falam que continuvas dizendo, dandá para ganhar papá,
Amamos-te porque quando pequenos e enfermos com tanto amor fazias chá pra nos curar
Te amamos porque para a gente dormir, você cantavas as canções de ninar
Você é o anjo que Deus colocou na terra para de nos cuidar
Mãe amamos-te mais ainda por uma coisa interessante que viestes a nos ensinar
Todas a mães diziam aos filhos, para teres um dia feliz, quando levantares precisam orar
Pedindo a Deus pra vos guardar e dos males do mundo vos livrar
Mãe foi você que nos ensinou que na hora da dor teríamos que a Deus invocar
Mãe amamos-te porque quantas vezes arriscastes a vida para nos salvar
Amamos-te porque pela fraqueza humana te fizemos chorar
Mas temos certeza que Deus mandou nossos anjos da guarda tuas lágrimas enxugar,
Mãe entre Deus e nosso próximo, você é para nós o maior amor que há,
Mãe as lições de vida que nos passastes estamos sempre a praticar
Mãe te amamos, e sempre te amaremos até o nosso último suspirar..
Valeriano Luiz da Silva em homenagem a todas estas heroínas
do mundo chamadas "MÃE".
Anápolis-Go

Mãe - Antonia Nery Vanti
Em tuas entranhas...
guardas um ser inocente
que amas incondicionalmente
antes mesmo de o conhecer.
Irás alimentá-lo carinhosamente
com a seiva de ti saída
e... por tê-lo gerado...
amá-lo-ás mais que a própria vida.
Verás teu filho crescer
ensiná-lo-ás a andar...
a falar... escrever e amar.
Então chegará um dia
Oh... destino cruel!
Ele irá partir...
abandonar teus beijos e abraços
para viver um amor
bem diferente do teu...
Irá construir seu ninho
longe de teu aconchego...
afastado de teus braços.
Tua garganta ficará apertada...
chorarás escondida
num canto...
para que não vejam
teu pranto.
A saudade morderá teu peito...
terás que sofrer calada
porque a vida é assim...
desse jeito.
Em tuas orações...
pedirás a Virgem Maria
que proteja aquela criança
que de criança não tem mais nada!
Amor de mãe não tem medidas...
é todo feito de ternura.
Como o universo é imenso...
tem a profundeza do mar
tem.... do mel... a doçura!
A mãe... ao filho... não pede nada...
só quer é ser lembrada
receber ... de vez em quando...
uma abraço e um beijo
para saber que é amada!

Homenagem a minha mãe - (Sara Rafael)
Ah, como dói a tua ausência.
O vazio da tua beleza e inteligência.
A saudade da dinâmica da tua maré.
Da altitude da tua fé,
Do orgulho de viveres de pé.
Refluxo na minha praia ficaste.
Nos linhos que bordaste
Nas decisões que tomaste
Nas lições que ensinaste
Nas flores que deixaste
Nas jóias que usaste.
A tua essência palpita e ascende.
E eu, desde que partiste para sempre,
Cresci, fértil de ti, plenamente!
Agora que não estás aqui.
Sou eu que estou grávida de ti.

A MÃE DE ANJO - Sara Rafael
Dedicado a todas as mães que perderam seus filhos pequeninos
Mãe Querida
És abençoada.
Quem o saberia?
Geraste um ser alado.
Ah! Que dor foi para ti essa partida.
E, no entanto, foi ela que te tornou ungida.
Teu bebé, mãe querida, especial,
é um anjo brilhante no céu a pairar.
Impossível reter num corpo material,
não tinha tempo para aqui ficar.
Mãe de divino afago da humanidade
Bendita seja a tua Maternidade!
Mãe consagrada
de emissário divino,
tu és a mais amada
por teu filho querido.

Mãe - Graça Cardoso
Hoje ponho a escrever...
Só não existe tanto espaço...
...Para expressar aqui meus sentimentos
Você que tudo sabe de mim.
Mesmo a certa distância
É assim desde a infância
Vive dentro de mim!
Chegam momentos de termos segredos,
Mas seu nobre coração parece saber...
Que algo tem a desvendar
Pena! Nem sempre podemos falar
E... Mesmo sem saber
Vela... Em silêncio.
E a Deus entrega suas angústias
Por ciência...
Sem poder ajudar
É nobre, incondicional.
Seu colo é feito um ninho
Onde tudo é plausível
Quando o verbo é amar!
Hoje...
Você é meu refrigério
A magia da primavera
O número da sorte
A luz que ilumina o viver
Por sua singela presença
Tudo que tenho agradeço!
Obrigada Mãe
Desta sempre sua...
Criança...

Para minha mãe, Irene
Escrevi esta crônica para a minha
mãe, A D. Irene. Hoje, no dia das Mães, gostaria de compartilhar com vocês.
Nilze Costa e Silva
Irene
Tu não sabes das coisas que me
roubaram de ti. Teus caldos, teus zelos, teus desvelos. Tua mão me compungindo a testa na
suavidade da compressa morna, folha de corama com manteiga derretida, aliviando-me as
dores de cabeça que infernizaram os meus tempos de menina.
Irene, muda para as revelações
escandalosas, pudica, escondendo a menarca precoce à filha inocente, coisa feia e porca,
para quem mergulhada em preconceitos ancestrais.
O chinelo na mão, o mistério
descoberto, a boca escancarada, imprecando, gritando, ralhando, o ciúme doentio, a fera a
defender os filhotes do sol, da chuva, do mal...
(Irene, me dá a chave do mundo,
que eu sei caminhar sozinha. Enxuga a lágrima que brilha. Tu sempre tiveste vergonha de
chorar... Me dá liberdade que eu quero voar!)
Irene chorando por eu sangrar,
atropelada. Irene chorando tanto, o sangue no muro, o muro pisando o teu filho,
destroçando-lhe as pernas. Rezando, brigando, cansada, suada. No avental a marca dos dez
dedos, da palma da mão e a impressão da testa fatigada.
Irene o longo quintal a varrer, a
varrer, as folhas se amontoando, o velho fogão de barro. Soprando as cinzas, chutando os
gatos que lá se proliferavam.
O sono leve ao mais silencioso
ressonar dos 11 filhos e filhas. As narinas dilatadas, farejando o perigo...
Irene, a redoma. As barrigas
anuais: paristes todos os filhos do mundo!
Exangue, a comadre aparando o
menino, os ais dolentes espalhados na casa toda.
O beijo da primeira comunhão, o
único que me concedeste entre tantos os que guardaste e não me deste por pejo.
Irene, o retrato jovem de luto da
mãe. Aquele, na moldura em tripé, que não gostavas, mas que exibíamos às visitas por
acharmos bonito o sorriso inefável de Mona Lisa órfã e triste. E aquele olhar
escondendo coisas inconfessáveis.
Que mistério fotografaram em teu
rosto, Irene?
As cartas que me pilhaste lendo
escondida. Como ousava eu descobrir aquelas frases apaixonadas, escritas por teu marido
nos primeiros tempos de casamento?
Coisa horrível, não é, Irene?
A lágrima que correu no teu rosto
no dia em que eu fui embora...
Até os versos, Irene, que eu
poderia ter escrito em tua homenagem, me foram roubados pelo poeta Bandeira:
"....Imagino Irene entrando no
céu:
- Licença, meu branco?
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene! Você não precisa
pedir licença!"

Dedico: à minha genitora,
cujo nome era Santa de Oliveira Souza que, aqui, assinarei o poema com o pseudônimo Santa
Souza:
SANTA LUZ E TREVAS DA AFLIÇÃO
Santa Souza
Minha mãe dorme tranqüila;
o meu pai também descansa,
enquanto eu já fui criança.
Hoje homem ando perdido
atrás das sombras do passado,
acordando rouxinóis na solitária
garganta dos aflitos e agoniados...
Sou o silêncio da substantiva água.
Quisera fazer subir
toda alma que padecer
cada pétala que recolher
do chão fazer brotar
a flor da aflição
só para poder despetalar
a vida nos corações
e o amor somente fluir.
Entretanto, haverão pedras
cruzes, caminhos e mais aflição
no destino uma bifurcação
na proximidade dos corpos
e dos olhos que se encontram
entre a alma que sobe ou desce
e a vida que se gera teia
sem o peso das culpas e dos medos,
das perdas e abandonos.
Ah, por que não se escurece
a sombra dos que se chegam
alegria, dos que vencem
honestamente na troca de folhas
de uma árvore, no rastro
de uma luz que brilha inerte,
quiçá de uma estrela cadente...
De certo, é necessário adormecer
para sonhar fluente
acordar os pés,
para seguir em frente;
molhar a vida ou a morte
para crescer ou decompor...
No líquido amniótico o suco do céu
no sêmen dos felizes, na luz a Santa aflição
das avenidas, alamedas, ruas, vielas e becos...
THA©KYN
Mythus est quod superens
cum non se explanat homo.
Mito é o que sobra quando o homem não se explica.

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