| Dia do Palhaço
10 de dezembro

Entre todos os personagens que trabalham no circo - domadores, mágicos, trapezistas,
acrobatas, dançarinas e equilibristas - o palhaço, exerce a mais bela e difícil das
funções. É ele, que com sua graça, faz o público sonhar e esquecer os problemas do dia a
dia. Com sua roupa desengonçada está sempre com a calça larga e caindo, sapato de nadador e
cara pintada arrancando as melhores gargalhadas da criança que vive em todos nós.

Na rota das caravanas da Idade
Média, as feiras e praças públicas se constituíam nos principais entrepostos comerciais e,
consequentemente, nos locais de maior afluência popular. Nelas a vida acontecia assim: uns
vendiam sua produção, outros abasteciam e todos se inteiravam das novidades trazidas pelos
mercadores. Essa efervescência contribuía para torná-las ponto de encontro de artistas que
perambulavam pelas estradas: os saltimbancos. Esses artistas que se expressavam nas formas
mais variadas - acrobacia, equilibrismo, salto, ilusionismo, mímica, ventríloqua, música
etc. - exibiam-se ao ar livre para qualquer plateia. Não se fixavam em nenhum lugar porque
traziam no sangue o nomadismo atávico (OLIVEIRA,1990).
Numa sociedade marcada por uma conduta
de convívio tendendo mais para a seriedade, a arte de fazer rir tem viajado através dos
tempos, alterando o tom ríspido das acções das pessoas e das instituições, promovendo
aquilo que todos buscam como meio para burlar a rigidez social, o riso. O meio burlesco é
representado desde os primórdios por personagens cómicos que desmascaravam o rigor social
por meio de uma cultura popular que parte de uma lógica específica marcada pela
contradição e ambiguidade, isso influenciou a lógica do circo.
Segundo BAKHTIN (1987), na Idade Média
e no Renascimento, o riso se manifestava de várias formas, opondo-se à "cultura
oficial, ao tom sério, religioso e feudal da época", é o cómico fazendo parte da
cultura popular. Dentro dessas manifestações, faziam parte do carnaval, ritos e cultos
cómicos os bufões tolos, gigantes, anões e monstros, palhaços de diversos tipos e
categorias. O riso no contexto de Rabelais, tem função de libertar a sociedade da lógica
dominante do mundo. Ele transforma a seriedade, propondo significados que permeiem as trocas
da tonalidade da rigidez à comicidade, com carácter renovação, de morte ao antigo. No
cómico, a morte não aparece como uma oposição à vida, mas como uma fase necessária para
a renovação (BAKHTIN,1987).É de alguma maneira o aspecto festivo do mundo inteiro, em todos
os seus níveis, cria uma espécie de segunda revelação do mundo através do jogo e do riso
(BAKHTIN,1987).
Dentro desse contexto, DUARTE (1995)
coloca que existem manifestações portadoras de uma lógica diferente das nações
racionalizantes, sendo as primeiras valorizadoras de espectáculos verosímeis e
representativos de um real, principalmente, nos espectáculos de teatro e circo, predominando
nessas perspectivas a ambiguidade e o descomprometimento com os esquemas racionais.
Se avaliarmos, o clown por essa lógica
diferente das noções racionalizantes, compreenderemos que ele desempenha função semelhante
à dos bufões e bobos medievais quando brinca com as instituições e valores oficiais. Ele,
pelo nome que ostenta, pelas roupas que veste, pela maquiassem (deformação do rosto), pelos
gestos, falas e traços que o caracterizam, sugere a falta de compromisso com qualquer estilo
de vida, ideal ou instituição. É um ser ingénuo e ridículo; entretanto, seu
descomprometimento e verdadeira ingenuidade lhe dão poder de burlar situações, pessoas com
certa impunidade (BURNIER,1996). Apesar disso, os personagens bárbaros, os artistas,
nómades, desenraizados, quase vagabundos, são principalmente civilizadores e exercem ricas
funções de produção, transformação e difusão cultural (DUARTE,1995).
Esse passageiro ao avesso, se
materializa nos personagens cómicos, nos clowns, nos palhaços de feira; está embutido em
todos os seus ancestrais cómicos, revelando as imagens de corpos que estremecem no devaneio
bipolar de sonhos-realidades, no espírito do riso que traspassa o som de nossa memória do
picadeiro e capta em fuga nossas ilusões. O riso é mistério que desmistifica o opressor.
Segundo BURNIER (1996), o princípio desmistificador do riso, presente na cultura popular
medieval renascentista, apareceu no cómico circense, fundamentado basicamente na figura do
palhaço. Nas suas andanças pelo tempo, o clown ocupou diversos espaços: a rua, a praça, a
feira, o picadeiro, o palco, o cinema.
Contextualizar esses personagens e o
riso em si, seria fechar a criatividade em formas e tempos. Arte e espírito cómico passeiam
pelos espaços, dirigindo-se ao âmago da criação sem se estagnarem no passado ou no
presente, mas envolvidos com o clima de fugas e devaneios de corpos em desequilíbrio social,
que passam a formar as linhas da travessia do trapezista pelos olhos do espectador na corda
bamba, saltando para a bola vermelha do nariz do clown e escorregando no redondo do mundo,
fazendo círculos no grande picadeiro terrestre, veículo condutor do viajante nómade, o
clown.
Vemos que, no decorrer da história,
esses actores, tipos cómicos, palhaços, bufões não deixaram de fazer parte do divertimento
das pessoas, apesar do controle existente sobre eles. Esses artistas resistiram até nossos
dias, porque esse corpo se tornou resistente a regras e normas e se transformou. Ele é o
corpo do artista que precede o espírito e o corpo dos actores, cómicos, clowns, para ainda
nos fazerem rir das dificuldades da vida. Resiste até nossos dias com uma lógica específica
como movimento contrário ao controle social e aos processos civilizadores. Olhamos para esse
movimento como um tipo de resistência a qual a arte imprime, embora existam processos para
estabelecer o funcionamento das estruturas sempre existirá na arte o mecanismo de adaptação
e transformação, que guarda a existência secreta de outras divindades que formam a
identidade de subverter independente da realidade existente. É a alma, o espírito de
Dionísio se mostrando em todas as partes e em todos, buscando a renovação por meio da
ressurreição do divino, representado por Dionísio, e da morte de antigas convenções.
O viajante que passa pelos tempos,
participa na construção de sonhos, de esperança e de alegria, para comungar e consumar o
seu ato e ofício em que os problemas do clown são solucionados pelo globo vermelho visto por
meio do grande espectáculo dos fools (espíritos dos clowns), subvertendo e burlando a ordem
das coisas para que o espectador adorne-se com a arte de rir da sua própria dor (WUO,1999).
No circo, o trabalho dos
MALABARISTAS fazem sempre sensação
A HISTÓRIA DO MALABARISMO
"É impossível saber que impulso
moveu o primeiro malabarista a praticar o malabarismo. Mas pode-se saber que, de imediato, foi
considerado pelo homem como algo digno de ver. Na antiga pré-história, o homem já havia
inventado formas de manejar objectos chamativos e inúteis .Em algumas civilizações , estas
habilidades deixaram seu rastro na mitologia e na religião. Há ritos de adivinhações na
cultura indígena nos quais uma flecha é manejada pelo chamã de uma forma complicadíssima ,
incluindo equilíbrio de diversos tipos antes de lançá-la para ser interpretada. Mas é
muito mais frequente aparecer tal como conhecemos hoje em dia, como arte/entretenimento e como
espectáculo. Na tumba do faraó Beni Hassan (1900 d.C.) aparece a descrição de uma boda em
hieróglifos talhados na pedra das paredes. Entre os músicos e o jantar aparece uma série de
desenhos de uma malabarista realizando os diversos jogos com seu repertório de bolas. Existem
documentos chineses, egípcios, bizantinos, gregos e romanos que mostram desenhos com o
malabarismo."
MALABARISMO NA IDADE MÉDIA
Alguns estudiosos sustentam a hipótese
que os primeiros "malabaristas" franceses que apareceram pela primeira vez no
início do século VI eram os herdeiros dos charlatões de feiras livres. E outros autores
mantêm a teoria que os "junglers" apareceram somente no século XI.
Durante a Idade Média na Europa, os
"Junglers" eram muitas vezes músicos, comediantes, ilusionistas e malabaristas.
No final do século XI emergem os
"Troubadours" na Provance (Sul da França), os quais eram pessoas com aspirações
literárias e muitas vezes, com boas condições financeiras, contratando os malabaristas para
serem seus ajudantes ou assistentes. Posteriormente, os malabaristas começam a desenvolver um
trabalho em escolas, conferências alem de encontros de malabaristas para compartilharem suas
habilidades. A reunião mais famosa foi a "Confrerie de St. Julian", no ano 1331 em
Paris, mas há hipóteses que muito antes pelo século X teve outra em Feecamp. Ao longo da
Idade Média, podemos encontrar malabaristas nas feiras ambulantes e pelas estradas da vida
mostrando suas habilidades por troca de roupa e comida..
AS PRIMEIRAS BOLAS DE
MALABARISMO
Os japoneses já faziam as bolas com
milho. Em outras partes do mundo eram de couro, plumas ou trapos. Também era frequente
encontrar bola de madeira ou de metal. Em meados de 1800 foi descoberta uma substância no
extremo oriente, a "guta-percha", a qual começam a introduzir na fabricação das
bolas. Mas adiante terminaram fabricando bolas repletas de ar.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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