Dia Mundial
da Água
22 de Março

Ao longo da História, o abastecimento
de água às populações nem sempre foi um processo pacífico.
O transporte da água dos sítios onde
era abundante para os locais mais povoados, onde tantas vezes escasseava, exigiu a
construção de aquedutos, canalizações, chafarizes e fontes.
A comemoração do Dia Mundial da Água
de 2004 foi coordenado pela Estratégia Internacional da ONU para a Redução de Desastres e
pela Organização Meteorológica Mundial, sobre o tema: "Água e Desastres".
No nosso planeta há locais mais
vulneráveis que outros a desastres naturais associados ao elemento água, como inundações e
secas, deslizamentos de terra, avalanches e tempestades. Os efeitos destes desastres resultam
não só das condições geológicas e meteorológicas locais (há solos menos produtivos,
mais susceptíveis à erosão e degradação do que outros) como também do nível de
desenvolvimento humano local (nomeadamente em termos de actividades económicas), sendo mais
severos nos países em desenvolvimento. Tome-se o exemplo do ineficiente ordenamento do
território, que permite o crescimento imobiliário irracional e a destruição de florestas e
vegetação ripícola em zonas inundáveis, tendo conduzido ao aumento do número de pessoas
afectadas pelas inundações.
Em 2001, as graves condições
climatéricas que assolaram Portugal (precipitação intensa com consequente subida de
águas), especialmente no norte e centro do país e no fim-de-semana de 26 a 28 de Janeiro,
provocaram várias inundações e deslizamentos de terras com perdas de vidas humanas e
avultados danos materiais avaliados em dezenas de milhões de contos, afectando não só
terrenos agrícolas como também parques urbanos, infraestruturas imobiliárias e monumentais.
Por exemplo, só no distrito de
Coimbra, o rio Mondego transbordou em muitos locais, incluindo na própria cidade de Coimbra,
com consequente rebentamento de diques, morte de gado cavalar e bovino e isolamento de uma
freguesia de Montemor-o-Velho, a Ereira. Vários agentes de autoridades como os fuzileiros da
marinha e os bombeiros contribuíram na evacuação da população de várias povoações.
A ONU defende que os efeitos deste tipo
de acontecimentos poderá ser minimizado envolvendo cidadãos, principalmente os de zonas
sensíveis, em colaboração com a protecção civil e o instituto de meteorologia, entre
outras instituições relacionadas, na elaboração de estratégias de gestão de desastres,
incluindo os planos de evacuação. Estas estratégias deverão incorporar não só
conhecimentos técnicos como também conhecimentos do fórum social e cultural.
É esta visão de prevenção
envolvendo cidadãos e técnicos especializados, enfatizada na comemoração do Dia Mundial da
Água de 2004, pela ONU, que se julga necessária e urgente estabelecer de forma a reduzir a
vulnerabilidade das populações e a melhoria da sua participação activa nas medidas de
redução dos efeitos de desastres naturais, através da sua adequada informação e
preparação.
A ONU ainda vai mais longe, apontando
como uma das principais causas do fracasso dos programas para abastecimento e saneamento de
água potável em países como a Índia, o Quénia ou o Nepal é a falta de participação das
populações. "Não é apenas uma questão de meios", admite Jan Pronk, presidente
da Wash (agência especializada da ONU para a água) e ex-ministro holandês do Ambiente. É
necessário envolver os cidadãos, informá-los de forma a que se deixe ter como resultado a
"incompreensão absoluta entre o prestador [do trabalho] e o beneficiário e, finalmente,
a recusa por parte da população de utilizar e pagar o serviço". [in Público,
18/03/2004].
Dia Mundial da Água - 22 de Março
A Assembléia Geral das Nações Unidas
adotou a resolução A/RES/47/193 de 22 de fevereiro de 1993, através da qual 22 de março de
cada ano seria declarado Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 93, de
acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (sobre recursos hídricos) da Agenda 21. E através
da Lei n.º 10.670, de 14 de maio de 2003, o Congresso Nacional Brasileiro instituiu o Dia
Nacional da Água na mesma data.
Os Estados foram convidados, como fosse
mais apropriado no contexto nacional, a dedicar o Dia a atividades concretas que promovessem a
conscientização pública através de publicações e difusão de documentários e a
organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à
conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das
recomendações da Agenda 21.
No mês em que se comemora o Dia
Mundial da Água, é preciso lembrar que, em diversos lugares do planeta, milhares de pessoas
já sofrem com a falta desse bem essencial à vida.
A água é um bem precioso e
insubstituível. É um elemento da natureza, um recurso natural. Na natureza podemos encontrar
a água em três estados: sólido (gelo), gasoso (vapor) e líquido. Ainda classificando a
água ela pode ser: doce, salobra e salgada.
É de domínio público e de vital
importância para a existência da própria vida na Terra. A água é um recurso natural que
propicia saúde, conforto e riqueza ao homem, por meio de seus incontáveis usos, dos quais se
destacam o abastecimento das populações, a irrigação, a produção de energia, o lazer, a
navegação.
De acordo com a "Gestão dos
Recursos Naturais da Agenda 21, a água pode ainda assumir funções básicas, como:
- Biológica: constituição celular de
animais e vegetais.
- Natural: meio de vida e elemento
integrante dos ecossistemas.
- Técnica: aproveitada pelo homem
através das propriedades hidrostática, hidrodinâmica, termodinâmica entre outros fatores
para a produção.
- Simbólica: valores culturais e
sociais.
Mas, ainda assim, não se chega nem
próximo à situação de países como Egito, África do Sul, Síria, Jordânia, Israel,
Líbano, Haiti, Turquia, Paquistão, Iraque e Índia, onde os problemas com recursos hídricos
já chegam a níveis críticos. Em todo o mundo, domina uma cultura de desperdício de água,
pois ainda se acredita que ela é um recurso natural ilimitado. O que se deve saber é que
apesar de haver 1,3 milhão de km\3 livre na Terra, segundo dados de estatísticas mundiais,
nem sequer 1% desse total pode ser economicamente utilizado, sendo que 97% dessa água se
encontra em áreas subterrâneas, formando os aqüíferos, ainda inacessíveis pelas
tecnologias existentes.
Políticas públicas e um melhor
gerenciamento dos recursos hídricos em todos os países tornam-se hoje essenciais para a
manutenção da qualidade de vida dos povos. Se o problema de escassez já existente em
algumas regiões não for resolvido, ele se tornará um entrave à continuidade do
desenvolvimento do país, resultando em problemas sociais, de saúde, entre outros.
a Organização das Nações Unidas -
ONU, 50% da taxa de doenças e morte nos países em desenvolvimento ocorrem por falta de água
ou pela sua contaminação. Assim sendo, o rápido crescimento da população mundial e a
crescente poluição, causado também pela industrialização, torna a água o recurso natural
mais estratégico de qualquer país do mundo.
Para cada 1.000 litros de água
utilizados, outros 10 mil são poluídos. Segundo a ONU, parece estar cada vez mais difícil
se conseguir água para todos, principalmente nos países em desenvolvimento. Dados do
International Water Management Institute - IWMI mostram que, no ano de 2025, 1.8 bilhão de
pessoas de diversos países deverão viver em absoluta falta de água, o que equivale a mais
de 30% da população mundial. Diante dessa constatação, cabe lembrar que a água limpa e
acessível se constitui em um elemento indispensável para a vida humana e que, para se tê-la
no futuro, é preciso protegê-la para evitar o futuro caótico previsto para a humanidade,
quando homens de todos os continentes travarão guerras em busca de um elemento antes tão
abundante: a água.
Devido à grande expansão
urbanística, a industrialização, a agricultura e a pecuária intensivas e ainda à
produção de energia elétrica - que estão estreitamente associadas à elevação do nível
de vida e ao crescimento populacional - crescentes quantidades de água passaram a ser
exigidas.
As crescentes necessidades de água, a
limitação dos recursos hídricos, os conflitos entre alguns usos e os prejuízos causados
pelo excesso de água exigem um planejamento bem elaborado pelos órgãos governamentais,
estaduais e municipais, visando técnicas de melhor aproveitamento dos recursos hídricos.
Além das responsabilidades públicas, cada cidadão tem o direito de usufruir da água mas o
dever de preservá-la, utilizando-a de maneira consciente, sem desperdícios, assim dando o
valor devido à água.
Use a água racionalmente, a fonte não
pode secar!
A importância crucial dos recursos
hídricos para o futuro do planeta levou a Assembleia Geral das Nações Unidas a proclamar
2003 Ano Internacional da Água Doce. E em boa hora.
A água doce é, por si só, o elemento
mais precioso da vida na Terra. É essencial para a satisfação das necessidades humanas
básicas, a saúde, a produção de alimentos, a energia e a manutenção dos ecossistemas
regionais e mundiais. Embora a água cubra 70% da superfície do planeta, apenas uma parte
2,5% é água doce; desta, 70% estão congelados em calotes glaciais. O resto
existe sob a forma de humidade no solo. Isto faz com que apenas se tenha acesso a 1% da água
doce para utilização humana. Como preservar e garantir, inclusive com financiamento, uma
utilização justa deste 1% é um dos principais objectivos deste Ano Internacional.
"Nenhuma medida poderia contribuir
mais para reduzir a incidência de doenças e salvar vidas no mundo em desenvolvimento do que
fornecer água potável e saneamento adequado a todos", já havia afirmado o
Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, no seu Relatório do Milénio.
Os dados são estarrecedores: 1100
milhões de pessoas carecem de acesso a água potável, o que corresponde aproximadamente a um
sexto da população mundial, e 2400 milhões dos habitantes do planeta não têm acesso a
serviços de saneamento adequados, ou seja, o equivalente a 40% dos habitantes do planeta.
Cerca de 6000 crianças morrem diariamente devido a doenças ligadas à água insalubre e a um
saneamento e higiene deficientes, o que equivale à queda de 20 aviões a jacto jumbo por dia.
A água insalubre e o saneamento causam 80% das doenças no mundo em desenvolvimento, segundo
as estimativas.
São as mulheres e as raparigas as que,
em geral, sofrem mais em consequência da falta de instalações sanitárias. Uma descarga de
um autoclismo num país ocidental utiliza o mesmo volume de água que um habitante do mundo em
desenvolvimento consome, em média, num dia inteiro para a sua higiene, para beber, para
limpeza e para cozinhar.
No século passado, o consumo de água
aumentou a um ritmo duas vezes mais rápido do que o do crescimento demográfico. O Médio
Oriente, o Norte de África e o Sul da Ásia sofrem de escassez crónica de água. Nos países
em desenvolvimento, 90% das descargas de águas residuais não são precedidas do tratamento
dessas águas. Em muitas regiões, a utilização excessiva de águas subterrâneas para beber
e para efeitos de irrigação causou descidas do nível das águas da ordem das dezenas de
metros, o que obriga as pessoas a servirem-se de água de baixa qualidade para beber. As
perdas de água devido a fugas, ligações ilegais e desperdício representam cerca de 50% da
água para beber e 60% da água destinada à irrigação, nos países em desenvolvimento.
O Ano Internacional da Água Doce vai
proporcionar à comunidade internacional uma oportunidade para levar a cabo actividades de
sensibilização, promover boas práticas, motivar as pessoas e mobilizar recursos, tendo em
vista satisfazer as necessidades humanas básicas e gerir a água de um modo sustentável.
"Não é possível melhorar a difícil situação dos pobres do mundo sem fazer alguma
coisa em relação à qualidade da base de recursos de que dependem: as terras e os recursos
hídricos. Melhorar a utilização dos recursos hídricos é decisivo para todas as outras
dimensões do desenvolvimento sustentável", disse Nitin Desai, Secretário-Geral da
Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável Foram definidas várias metas para
impulsionar a acção e servirem de orientação para se avançar. Na Cimeira do Milénio das
Nações Unidas, os líderes mundiais acordaram reduzir para metade, até 2015, a percentagem
de pessoas sem acesso a água potável. Na Cimeira de Joanesburgo, que teve lugar em 2002,
reafirmaram o seu compromisso e acrescentaram a meta paralela de reduzir para metade a
proporção de pessoas que carecem de acesso ao saneamento básico, até ao mesmo ano.
Concordaram também em elaborar planos nacionais de gestão e de melhoria da eficiência no
uso dos recursos hídricos, até 2005.
Alcançar estes objectivos representa
um enorme esforço, que requer recursos muito significativos e uma acção concertada, não
só dos governos mas também das pessoas que utilizam a água e das que investem neste recurso
precioso, especialmente no plano nacional.
Entre as medidas que é preciso tomar
estão: alterar os comportamentos nos domínios da utilização da água, do saneamento e da
higiene; mobilizar as energias e a participação das comunidades, sobretudo dos grupos de
mulheres; definir metas e planos nacionais, a fim de gerar investimentos; introduzir
políticas e quadros regulamentares relativos à gestão dos recursos hídricos que tomem em
consideração as necessidades tanto na esfera da saúde pública como na dos ecossistemas;
estabelecer parcerias entre empresas privadas, doadores bilaterais, organismos ligados ao
desenvolvimento, bancos, sociedade civil e comunidades locais.
Há notícias animadoras. Em
Joanesburgo foram anunciadas pelos governos, organismos e bancos internacionais,
organizações não governamentais e parceiros do sector privado mais de vinte iniciativas em
parceria no domínio da água e do saneamento. Tais iniciativas significam um compromisso de
mobilização de recursos no valor de mais de mil milhões de dólares.
O desafio agora é manter esse impulso,
a fim de alcançar os objectivos pretendidos e de utilizar da melhor maneira os recursos
hídricos.
Muitos eventos estão previsto para
celebrar este Ano Internacional, que foi proclamado por sugestão do Tadjiquistão e cujo
lançamento oficial se realizou na Sede da ONU em Nova Iorque a 12 de Dezembro de 2002. Um
ponto alto das celebrações será uma conferência internacional em Quioto, no Japão, o
Fórum Mundial sobre Água, de 16 a 23 de Março de 2003. O tema água também será o foco da
comemoração do Dia Internacional do Ambiente (5 de Junho) e, evidentemente, do Dia Mundial
da Água (22 de Março).
Entre as muitas publicações e vídeos
com lançamento previsto, está um livro infantil da mulher do Secretário-Geral Kofi Annan,
Nane, contanto as aventuras de duas gotas de água, Tip e Top. Quando estamos falando de 1%
para dividir por toda a população do planeta não se pode perder nem uma gota, nem uma
oportunidade de criar em todos, indivíduos e entidades, a consciência da necessidade de
utilizar de forma sustentável as reservas de água doce. É exactamente este o principal
objectivo deste Ano Internacional.
(Colaboração das Nações Unidas
Lisboa).
Dia Mundial da Água - Koichiro
Matsuura
Colocar em ação uma dinâmica que
fará deste o século da segurança mundial em matéria de recursos hídricos é o desafio que
enfrentamos no momento em que celebramos o Dia Mundial da Água do ano 2000. A água tem sido,
durante muito tempo, um assunto menos importante na agenda política, ou seja, vem sendo
apresentada apenas em termos de catástrofe, escassez, contaminação, ou como possível fonte
de conflitos. Precisamos apresentar uma visão mais construtiva da água, como recurso
essencial e compartilhado. Ela deveria ser considerada como prioridade em cada comunidade de
uma perspectiva tanto local quanto global. Há uma verdade fundamental que eu gostaria de
salientar nesta ocasião: a água não se esgota se for extraída do poço da sabedoria
humana.
A UNESCO não só considera a água
como uma prioridade dentro do seu programa de ciências como também promove a reflexão sobre
o conhecimento tradicional e a gestão da água. Nossa Organização abrigou o processo
consultivo em escala mundial que conduziu à redação do relatório A Visão Mundial da Água
(World Water Vision), relatório que também fomenta soluções em pequenas escalas,
soluções locais aos problemas da água. Todas as pessoas com responsabilidade sobre a água
tem de prestar especial atenção ao papel da mulher como gestora primária da água em escala
familiar, ao papel da educação e da cultura na atitude frente à água. Sobretudo, é
necessário que as questões relativa s à água sejam um catalisador poderoso para projetos
de colaboração que envolvam centros de pesquisas nacionais, redes de investigações
regionais e internacionais, líderes comunitários, educadores, jovens, organizações
intergovernamentais, organizações não-governamentais e outras partes envolvidas.
A pressão imposta pelos problemas
relacionados à água cria tal vulnerabilidade nas comunidades que a crise mencionada sempre
estará ali. Mas não nos permitamos perder de vista o fato de que a água é a fonte da vida:
os problemas reais são usualmente aqueles gerados por respostas políticas, técnicas e
sociais inadequadas, como os de distribuição desigual da riqueza e do conhecimento. Não
devemos esperar que se produza uma crise da água para remediar esses problemas. Podemos e
devemos abordá-los hoje mesmo.
UNESCO
Em 2003, celebrou-se o Ano
Internacional da Água Doce. Lançado oficialmente no dia 12 de dezembro de 2002, em um
Conferência das Nações Unidas em NY, o Ano tem o objetivo de aumentar a consciência sobre
a importância da proteção e gerenciamento da água doce.
Em mensagem emitida durante a
cerimônia, o Diretor Geral da Unesco, o Sr. Koichiro Matsuura afirma que "a água pode
ser um agente de paz invés de gerar conflitos, e a UNESCO está buscando as formas que irão
permitir a esse século ser um dos séculos "da paz por água" invés de
"guerra por água". Desenvolvendose princípios e métodos eficientes e
éticos para o gerenciamento desse recurso, ao mesmo tempo que respeitamos ecossistemas
relacionados, moveremos um passo a mais para alcançarmos o objetivo do desenvolvimento
sustentável". Segundo o Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, "mais de um bilhão
de pessoas no mundo carecem de água potável". Anaan instou todos os Estados membros do
sistema da ONU e a todos os atores que intervem no ciclo da gestão dos recursos hídricos
(Ongs, meios de comunicação, setor privado, instituições educativas e simples cidadãos) a
"aproveitarem o Ano Internacional da Água Doce" para estimularem a
conscientização sobre a água potável e a promoverem ações em nível nacional, regional e
internacional". No dia 22 de março de cada ano, celebra-se também o Dia Mundial da
Água, que nesse ano terá como tema "Água para o Futuro".
A água potável foi declarada pelo
Comitê das Nações Unidas para os Direitos Econômicos , Culturais e Sociais como um direito
humano, por considerar que "a água é fundamental para a água e a saúde. O direito
humano à água é indispensável para levar uma vida saudável, com dignidade humana. É um
pré-requisito para a concretização dos outros Direitos Humanos".
Entretanto, no momento em que a
população mundial atinge a marca de 6 bilhões de pessoas, o planeta ruma na direção de
uma escassez crônica de água. Se mantidos os atuais padrões de crescimento, a previsão é
de que a população global chegue a 8 bilhões, em 2025, aumentando drasticamente a demanda e
agravando os conflitos ocasionados pela escassez.
Atualmente, o ser humano utiliza 54% da
água doce acessível dos rios, lagos e aqüíferos; se continuar aumentando a sua
utilização no ritmo atual, dentro de 25 anos a humanidade absorverá 90% da água doce
disponível no planeta, deixando apenas 10% para as outras espécies.
Estatísticas da ONU revelam que
aproximadamente 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água tratada e cerca de 1,7 bilhão
não tem sistema de esgoto. A falta de água limpa causa a morte de 4 milhões de crianças
por ano, de doenças como a cólera e a malária. Uma pesquisa realizada pelas Nações Unidas
fez uma projeção da oferta e da demanda de água até 2025. O estudo destaca 17 paises com
absoluta insuficiência de água, locais que não terão água suficiente para manter o nível
de produção agrícola e nem satisfazer suas necessidades industriais e domésticas.
Mais da metade dos rios do mundo está
totalmente poluída, provocando assoreamento e diminuição do seu volume, sendo que a sua
extrema exploração provoca secas cada vez mais drásticas.
Não são somente os rios que são
afetados pelo uso humano; da mesma forma as terras úmidas e pantanosas são ecossistemas
profundamente afetados. Em alguns lugares da Europa, como na Alemanha e na França, cerca de
80% das terras úmidas já desapareceram porque foram drenadas para fins agrícolas, para
expandir as áreas urbanas ou para implementação de áreas industriais.
Água e agricultura
A produção mundial de alimentos
depende da disponibilidade de água. Atualmente, a irrigação cobre aproximadamente 20% da
área agrícola mundial e contribui para 40% da produção total de alimentos. A agricultura
irrigada é responsável por aproximadamente 70% de toda a água doce utilizada no mundo, e
mais água será usada no futuro, para atender a demanda crescente de produção de alimentos.
Um estudo da FAO de 93 sobre paises em
desenvolvimento já indicava que alguns paises com problemas de escassez de água utilizam
seus recursos hídricos mais rápido do que seus reservatórios e mananciais podem ser
renovados. As perspectivas são sombrias: alguns paises e regiões enfrentarão séria
escassez de água e até 2030 e como a utilização da água para irrigação deve aumentar, 1
em cada 5 paises em desenvolvimento estará sofrendo de escassez de água.
Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade
de água para a agricultura e para uso doméstico nas cidades e áreas industriais em
expansão. Portanto, o mundo precisa agir com sabedoria para conservar, preservar e aumentar
seus suprimentos de água.
Hoje, o desafio para a agricultura
irrigada é contribuir para a produção e suprimento mundial de alimentos através de uma
utilização da água de forma eficiente, clara e integrada.
Água e saúde
De acordo com dados da Organização
Mundial da Saúde, estima-se que aproximadamente, 1 em cada 6 pessoas não tem acesso à água
potável. A falta de saneamento básico e de água potável constitui das principais causas de
pobreza e da disparidade crescente entre ricos e pobres, salienta também a OMS.
Enquanto outros hábitos variam entre
culturas, uma adequada quantidade de água é necessária para prevenir a morte por
desidratação, para reduzir o risco de doenças relacionadas com a água, para promover as
necessidades básicas de higiene e ainda para preparação e consumo dos alimentos.
O tema do Dia Mundial da Água este ano
Água para o Futuro vem de encontro às preocupações e esforços destinados a
melhorar o ambiente para as crianças. Muitas crianças em idade escolar (especialmente
meninas), que vivem em paises em desenvolvimento, sofrem com a falta de água potável e de
banheiros nas escolas. Sua falta de aprender fica prejudicada pelas doenças e falta às
aulas. Para remediar essa situação, a Unicef está apoiando um programa global de educação
sobre "agua, saneamento e higiene nas escolas", que está sendo implementado em 50
países.
Mas esse programa ainda está longe de
resolver o problema. Se mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a água
potável, mais do dobro ainda não conta com saneamento adequado. Doenças transmitidas pela
água matam 6000 crianças diariamente nos paises em desenvolvimento e talvez uma das
principais lições aprendidas a partir da implementação de programas de saúde e saneamento
ao redor do mundo seja de que instalações sanitárias por si só não resultam em melhores
condições de saúde. O uso correto delas é que de fato reduz doenças e propicia mais
saúde às crianças.
A higiene é fator preponderante; as
pessoas só conseguirão se proteger de doenças diarréicas e outras infecções se puderem
ter acesso à informações e à conscientização que lhes permitam uma modifica modificar
seus padrões de higiene e comportamento. Se não puderem promover os conceitos de higiene, os
programas não conseguirão atingir os seus objetivos de melhorar a saúde nas comunidades.
O Terceiro Fórum Mundial da Água
será o grande evento do Ano Internacional da Água Doce, em Kyoto, de 16 a 23 de março desse
ano. Seis meses após a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em
Joanesburgo, que reafirmou a Meta de Desenvolvimento do Milênio para água doce e adotou um
objetivo complementar relacionado ao saneamento, (ou seja, reduzir à metade, até o ano de
2015, o número de pessoas sem acesso ao saneamento básico), a comunidade internacional
reunida em Kyoto, discute como alcançar essas metas.
Pontos de discussão mais importantes
no 3º Fórum Mundial sobre a Água
- Condições para governabilidade
Quem decide como a água vai ser
utilizada pode ser o mais importante tópico do Fórum. Muitos especialistas em água
dizem que o mundo sofre de uma crise de governabilidade, mais do que uma crise de água.
"Uma boa administração para água" exige sistemas socio-políticos e
administrativos efetivos, que usem uma política de manejo integrado da água em um processo
amplo e aberto, onde todos podem participar.
- Fornecimento e Qualidade
Fornecimento e qualidade serão um dos
tópicos principais no Fórum.
Especialistas em água falam que maior
eficiência no uso da água e um melhor gerenciamento são essenciais, mas custos ambientais e
sociais também precisam ser considerados a fim de se obter avanços efetivos.
- Instalações e Infra estrutura
Isso significa não só a habilidade de
um país em instalar redes de abastecimento de água, mas também a capacidade de gerencia-la
de forma efetiva.
- Financiamento
Esse item é fundamental. Especialistas
em água estimam que serão necessários 180 bilhões de dólares para que paises em
desenvolvimento possam desenvolver medidas sólidas que lhes garantam o abastecimento de
água, para os próximos 25 anos. Os níveis atuais de investimento atingem apenas 80 bilhões
de dólares. O Fórum irá debater como uma maior eficiência, um melhor gerenciamento
financeiro, a redução de riscos e a criação de novos modelos, que aglutinem o poder
publico, doações, ONGs e fundos privados, podem ajudar a atender esse objetivo.
- Participação
O Fórum debaterá como dar a um
segmento grande da sociedade, como mulheres e pobres, a possibilidade de se manifestar
ativamente sobre os problemas da água. Algumas regiões, paises e comunidades locais estão
percebendo que assuntos relativos à água deveriam permitir a criação de parcerias entre os
interessados e as partes envolvidas com o objetivo de viabilizar o gerenciamento da água.
- Monitoramento
Os objetivos de melhores condições
para o abastecimento de água e seu gerenciamento só serão alcançados com a implantação
de um sistema que possibilite acesso às informações tanto da situação presente quanto das
melhorias que vão sendo alcançadas.
Fontes:
- www.unesco.org.br
- www.educação.te.pt
RECURSOS HÍDRICOS
Instituto Pinho Bravo
Dia Mundial da Água 2001
Por Jarmuth Andrade*
Exatamente na semana em que a
Organização Mundial de Saúde, as redes ambientais e as comunidades das águas comemoram o
Dia Mundial da Água (22 de março) temos as piores manchetes relacionadas ao precioso
líquido.
Um enorme desastre ecológico acontece
nas águas das costas brasileiras, com o afundamento da maior plataforma de petróleo do
mundo, a P-36, com a lamentável morte de dez trabalhadores, os jornais noticiam o primeiro
caso de morte por dengue hemorrágica, a Rede CTA-UJGOAIS noticia que "barco com 8 mil
toneladas de ácido sulfúrico afunda na costa espanhola", o Ministro da Saúde defende
no nordeste a ampliação do saneamento básico que, sua falta, causa altos índices de
mortalidade infantil, o risco de corte de energia elétrica no sudeste e o racionamento de
água em São Paulo são quase certos....
Será que temos alguma coisa à
comemorar, com tantas notícias desagradáveis relacionadas às águas ? Não está na hora de
cuidarmos melhor de nossos recursos hídricos ?
Vejamos algumas informações muito
importantes sobre a data. No "FONTE DÁGUA" boletim do FLORIDA CENTER FOR
ENVIRONMENTAL STUDIES produzido pela pesquisadora brasileira Dra. Maria do Carmo Zinato:
ORIGEM DO DIA MUNDIAL DA ÁGUA
A Assembléia Geral das Nações Unidas
adotou a resolução A/RES/47/193 de 22 de fevereiro de 1993, através da qual 22 de março de
cada ano seria declarado Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 93, de
acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (sobre recursos hídricos) da Agenda 21.
Os Estados foram convidados, como fosse
mais apropriado no contexto nacional, a dedicar o Dia a atividades concretas que promovessem a
conscientização pública através de publicações e difusão de documentários e a
organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à
conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das
recomendações da Agenda 21.
A cada ano, uma agência diferente das
Nações Unidas produz um kit para imprensa sobre o DMA que é distribuído nas redes de
agências contatadas.
Objetivos:
O DMA é fundamental para focar a
atenção nas necessidades, entre outras, de:
· Tocar assuntos relacionados a
problemas de abastecimento de água potável,
· Aumentar a consciência pública
sobre a importância de conservação, preservação e proteção da água,
. Fontes e suprimentos de água
potável,
· Aumento da consciência dos
governos, de agências internacionais, organizações não-governamentais e setor privado,
· Participação e cooperação na
organização nas celebrações do DMA.
Os temas dos DMA anteriores foram:
2000: Água para o Século XXI
1999: Todos vivem rio abaixo
1998: Água subterrânea: o recurso
invisível
1997: Águas do Mundo: há suficiente?
1996: Água para cidades sedentas.
1995: Mulheres e Água
1994: Cuidar de nossos recursos
hídricos é função de cada um.
Dia Mundial da Água 2001 - Tema: Água
e Saúde
A observância internacional do DMA é
uma iniciativa que cresceu a partir de 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), no Rio de Janeiro. A Assembléia Geral das Nações Unidas
designou 22 de março de cada ano como o Dia Mundial da Água, por resolução adotada
(A/res/47/193).
O tema para 2001 é "Água e
Saúde". Por essa razão, e pela primeira vez, a Organização Mundial de Saúde -OMS
(WHO-World Health Organization) foi designada como a agência líder.
Água e saúde são inter-conectadas de
muitas maneiras e é importante considerar a crescente necessidade por água adequada e
saudável, para proteger tanto as pessoas quanto o planeta. Água é um dos recursos
ameaçados mais preciosos da Terra. Saúde é um dos recursos mais preciosos de cada pessoa.
Precisamos proteger e melhorar ambos.
22 de março é uma ocasião única
para lembrar a todos que soluções são possíveis e que as ferramentas chave para conquistar
esse objetivo são o fortalecimento da participação e cooperação global. Esforços
concretos para produzir água potável limpa e melhorar a saúde, assim como para aumentar a
consciência do mundo em geral, sobre os problemas e suas soluções, podem ajudar-nos a fazer
a diferença. Nossa tarefa é transformar palavras em comprometimentos políticos e ação.
Por ocasião da nona celebração do
DMA, em 22 de março de 2001, a OMS promoverá uma série de atividades dentre as quais
estão:
1. O lançamento de uma dinâmica
homepage do DMA em colaboração com o IRC
International Water and Sanitation
Centre e OMS. Ela hospedará um tesouro de informações sobre questões de água e saúde e
oferecerá acesso grátis universal a informações sobre o DMA. Será atualizada
regularmente, ao longo do ano, e será a principal fonte de atração e fortalecimento da
maior audiência possível, para participar desse evento. A homepage será a maneira mais
eficiente e apropriada de disseminar informação e enfatizará a importância da água e da
saúde.
Será lançada em Janeiro de 2001,
reunirá informação de todo o mundo sobre as atividades realizadas no DMA e por todo o ano.
IRC também enviará regulares mensagens para a lista de contatos por e-mails, sobre o DMA.
2. Um kit de informação compreendendo
uma série de "fact sheets"/fascículos que será postada na homepage. Os
fascículos descreverão cada doença relacionada à água e fornecerão as últimas
informações e estatísticas atualizadas.
3. Complementando essa série, artigos
temáticos serão produzidos, ligando água e saúde, e detalharão cada questão onde esses
temas se cruzam, tais como pobreza, guerra, inundações, infecções e muito mais.
4. Finalmente, uma série de
"estórias de sucesso" ou "estudos de caso" serão publicados. Eles
explorarão a necessidade crucial por água adequada e saudável e sua melhoria e impacto
sobre a saúde das pessoas e seu bem estar.
5. Além disso, um "Guia para
Iniciantes" será disponibilizado para encorajar parceiros, organizações
internacionais, companhias privadas, governos, ONGs, escolas e a comunidade como um todo a
apoiar e celebrar essa ocasião singular.
6. Para concluir o dia, um relatório
será lançado e uma conferência de notícias organizada.
(Texto original no http://www.worldwaterday.org/index.html
Tradução: Maria do Carmo Zinato )
A água é o combustível da vida
Vininha F. Carvalho
A origem da vida em nosso planeta
surgiu na água .Ao longo de milhões de anos de evolução, os organismos vivos se
diversificaram e se espalharam pela Terra , sendo que a sobrevivência de todas as espécies
animais e vegetais continua ligada á água.
O ser humano durante a gestação se
desenvolve dentro do ventre da mãe , envolto em água.Após o nascimento, abre os olhos para
a existência chorando e os fecha pela morte, sob a unção das lágrimas.A lágrima é menor
que uma gota dágua, mas se comporta como um meio de comunicação universal , sendo a
mensageira da dor e da alegria.
A importância deste precioso líquido
se manifesta de forma física , devido a dependência do nosso corpo , que é constituído de
75% de água e também pela espiritualidade.Na tradição cristã , ela esta ligada ao
batismo, a purificação e a regeneração. A ablução com água é fundamental em todas as
religiões do Islã ao Taíonismo.Para Lao Tse , no livro Tao Te Ching, a água simboliza a
suprema virtude.Para os hindus banhar-se ritualmente no rio Ganges, é uma experiência
transcendente. O "Rig Veda" dos hindus exalta a água como elemento que traz vida,
força e pureza: "Vocês, água que reconfortam : tragam-me a força , a grandeza, a
alegria e a visão", diz um hino dos Vedas, pouco antes de definir a água como regente
dos povos.Para o alcorão, a água benta que cai do céu é um dos símbolos divinos.Os
jardins do paraíso islâmico tem riachos e fonte de água límpida.
A maior parte da superfície terrestre
é coberta de água, mas um volume pouco maior que 2% é doce, e mais de 90% dela esta
congelada nas regiões polares ou armazenada em depósitos subterrâneos muito profundos. As
águas doces superficiais correspondem a sómente 0,001% deste potencial.Mais de 2/3 da água
doce é usada na irrigação, sendo contaminada pelo agrotóxicos ou adubos.Nas cidades, o
esgoto das casas e industrias é quase todo jogado nos rios e no mar, sem tratamento.A água
fica infectada , inclusive com germes que causam doenças transmissíveis, como a cólera. O
garimpo polue os rios com mercúrio , um metal pesado que causa o mal de minamata.Outro
problema é a poluição térmica .Ela ocorre quando uma fábrica ou usina, aquece água no
processo industrial e despeja quente no rio ou no mar.O líquido quente afeta o metabolismo de
plantas e animais, que podem morrer ou deixar de reproduzir.
O Brasil é a maior reserva
hidrológica do mundo. Da água doce disponível no país : 70% estão na região norte, 15%
na região centro-oeste, 6% no sudeste, 6% no sul e 3% no nordeste.Há pelo menos , em tese,
34 milhões de litro de água para cada brasileiro, embora 20% da população urbana não
dispõe de rede de água e esgoto e 65% das internações pediátricas são causadas pela
poluição da água.
A irrigação de um hectare no nordeste
brasileiro consome 18 mil metros cúbicos de água por ano, em Israel fica em torno de 600
metros cúbicos.Enquanto um habitante do oásis no Saara usa cerca de 3 litros de água por
dia. Um habitante do Rio de Janeiro gasta 450 , em Moscou 600 e Nova York , 1045.A quantidade
média diária para satisfazer todos os usos de uma pessoa é de 40 litros no máximo..
O consumo mundial de água multiplicou
por sete no século XX, mais do que o dobro da taxa de crescimento da população.Em alguns
países da África e o Oriente Médio, a água já esta escassa e por isto há racionamento. O
ex-presidente do Egito, Anuar Sadat (1918-1981) considerou o papel estratégico da água, a
denominando como o ouro azul no Oriente Médio, onde um copo dágua vale mais do que um
barril de petróleo. Fica claro, portanto, que neste canto do mundo, para não citar outros, a
água pode vir a matar, por razões óbvias, não somente a sede.
A escassez também é a principal causa
da degradação da qualidade de vida para um bilhão de pessoas, sem acesso à quantidade
diária ideal estimada pela Organização das Nações Unidas (ONU). No continente africano,
cerca de 62% da população só tem acesso a algo em torno dos 4 m3/habitante/dia, sendo que,
em algumas regiões, o índice é inferior a 3 m3/habitante/dia. Em média, o continente com
maior disponibilidade de água é a Oceania, seguido da América do Sul, América do Norte,
África, Europa e Ásia.
Em Nairobi, no Quênia, algumas
famílias vivem com o equivalente a um copo de água por dia, durante os meses de seca. E o
preço da água mineral, nos supermercados, é superior ao dos derivados de petróleo. O
desafio urbano da água está assumindo proporções inomináveis,em especial, em vastas
áreas da África. A taxa de urbanização da África é de 5%, em média, a mais rápida do
mundo. Dos 138 milhões de pessoas que viviam em cidades africanas, em 1990, espera-se passar
para 500 milhões, até 2020. A extrema escassez no abastecimento de água vivida por 8
países sub-saharianos, em 1990, pode então alcançar 20 países, de um total de 29 países
desta região.
Como no Brasil, o maior desafio na
África é a redução do desperdício.Evaporação nos grandes reservatórios, vazamentos nos
sistemas de captação e distribuição, ligações clandestinas, uso irracional são os
maiores inimigos dos programas de educação ambiental. Mesmo nos programas internacionais,
com o "Água para Cidades Africanas", os progressos são lentos e localizados. Ainda
assim, a cidade de Lusaka, na Zâmbia, conseguiu reduzir as perdas de 80 para 45%, no sistema
de distribuição. Dacar melhorou o manejo dos recursos hídricos e criou um sistema
preventivo contra a poluição no Lago de Guiers, seu principal reservatório. E em Accra, um
plano feito pela comunidade local está reduzindo a poluição no rio Densu. Outro grave
problema é o aumento nos níveis de água dos oceanos, supondo uma grave ameaça para as
pequenas nações insulares, os países que se encontram a baixa altitude, como Bangladesh e
Holanda, e grandes cidades como Nova York, Tóquio, Buenos Aires e Lagos, na Nigéria. Os
cientistas calculam que os níveis dos oceanos subirão 48 centímetros entre 1990 e 2100.
" A falta de acesso à água -
para beber, para a higiene e para a segurança alimentar - causa enormes dificuldades a mais
de um bilhão de membros da família humana" disse o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan
no evento de lançamento do Ano Internacional para Água Potável - 2003, em dezembro de 2002.
O objetivo deste Ano é chamar a
atenção da comunidade internacional para os problemas - inclusive de sobrevivência da
espécie - que o mundo enfrenta em decorrência da perspectiva da falta deste recurso precioso
e finito, a água. "É provável que a água se torne cada vez mais uma fonte de tensão
e de uma feroz competição entre as nações, se a atual tendência se mantiver; contudo, ela
pode ser também um catalizador da cooperação.
O Ano Internacional de Água Potável
pode desempenhar um papel essencial no que se refere a gerar a ação necessária, tanto da
parte dos governos como da sociedade civil, das comunidades, do setor empresarial e dos
próprios indivíduos para este fim", declarou Kofi Annan.
Em setembro de 2000, na Cúpula do
Milênio das Nações Unidas foi acordado, pelos líderes mundiais, reduzir pela metade até
2015, a percentagem de pessoas que não tem acesso à água e na Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável de 2002, foi aprovada a meta correspondente para as pessoas sem
acesso a serviços de saneamento básico que hoje somam cerca de 2 bilhões e meio. Destes,
três milhões de pessoas morrem por ano devido a doenças ligadas à insalubridade.
Um fato inédito marcou o Dia Mundial
da Água neste ano .Pela primeira vez, 23 agências e secretarias de convenções das Nações
Unidas uniram esforços e especialidades para produzir o World Water Development Report. Com
quase 600 páginas, diversos mapas mundiais, gráficos e estatísticas nacionais, o relatório
é o mais abrangente e atualizado documento sobre o estado dos recursos de água doce do
mundo.Coordenado pelo Programa Mundial de Avaliação da Água (World Water Assessment
Programme - WWAP), o relatório foi apresentado à imprensa no dia 5 de março em Tóquio e
foi lançado oficialmente por ocasião do Dia Mundial da Água, 22 de março, durante o III
Fórum Mundial da Água que aconteceu no Annex Hall, Kyoto International Conference Hall. O
relatório é um dos principais resultados do Ano Internacional da Água Doce.
Devemos nos conscientizar, que as
águas não vão acabar no planeta , e nem mesmo estão diminuindo em seu volume de moléculas
de H2O, porque este ciclo é fechado e estável.A falta de cuidados adequados na captação de
chuvas e, conseqüentemente a poluição dos rios e dos lagos, é que acabará reduzindo o
volume de águas doces superficiais, exigindo soluções de alto custo, como a busca de águas
subterrâneas profundas ou a dessanilização de águas oceânicas.
Procure lembrar de todo o significado
cultural , simbólico e sócio-economico da água na próxima vez em que você for saciar sua
sede.O copo de água que você segura nas mãos hoje, contém mais de 10 milhões de
moléculas que estiveram em contato com os nossos ancestrais. Precisamos revitalizar a água,
pois ela representa um elo com o passado e um compromisso com o futuro das próximas
gerações.
Vininha F.Carvalho
Se examinarmos a molécula de água,
ele pode interagir com um campo magnético de duas formas: 1) através da geração de um
campo magnético induzido pelos movimentos dos elétrons, que resulta em leve repulsão
(diamagnetismo); e 2) através dos momentos magnéticos originados pelos spins nucleares dos
átomos de hidrogênio (que pode ser acompanhado pela ressonância magnética nuclear - RMN).
Entretanto esta interação é extremamente fraca, para ter um efeito perceptível teria que
usar um ímã muito forte. Só para se ter uma idéia, é comum o uso de eletroímãs
supercondutores refrigerados por hélio líquido, em aparelhos de RMN. Não acho viável usar
tal aparato para imantar água domesticamente. Outro argumento desfavorável quanto à
eficácia de tal aparelho seria o movimento térmico das moléculas de água, que rapidamente
destruiria qualquer orientação magnética, como já foi respondido anteriormente pelos
colegas. Uma única possibilidade que vejo de algum efeito magnético seria sobre os outros
componentes da água potável, que não o H2O. Podem-se encontrar sais, compostos orgânicos,
gases e microorganismos na água que bebemos, talvez estes possam sofrer algum efeito
apreciável do campo magnético. Mas a existência de uma possibilidade não quer dizer que
isto realmente ocorra, e eu não tenho conhecimento de estudos científicos comprovando a
ação da imantação sobre a água potável. Beba água imantada se isso o fizer sentir bem,
pois prejudicial não será; ao menos pode dar um efeito psicológico benéfico.
Flávio M. Matsumoto - Prof. Dr.,
UFPR/DQUI, Curitiba - PR.

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