I Aniversário do I Encontro
do Portal CEN
27 de Maio

FLAGRANTES DE FORTALEZA
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A Caminho de Fortaleza para o 1º Encontro do CEN


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          São neste momento 11.00 horas, aqui na Marinha Grande (Portugal).
          Faz hoje um ano que meu filho mais novo, o João Carlos, me veio buscar às 11.15 horas. Levava duas grandes malas de viagem, que na opinião dele, estavam muito pesadas. Por graça, perguntou-me se eu levava terra de Portugal para a espalhar pelo Brasil ! Claro que não. Passamos pela ALF LOC, empresa de que é sócio, para pesar as malas, que tinham em excesso quase 5 quilos. Paciência.
          Rumámos para Lisboa pela A-8 e rapidamente chegámos à entrada de Lisboa. Aí é que começaram os problemas pois o trânsito era intenso, motivado em parte pelas obras nas vias de acesso à Capital.
          Chegámos ao Aeroporto Internacional da Portela, passava um pouco das 13 horas. O avião para Fortaleza devia de partir às 16 horas, mas estava com o voo atrasado uma hora.
          Dava tempo de almoçar e dirigimo-nos a Alfragide, onde então morava meu filho, para apanhar a minha querida "BEBÉ", a minha lindíssima netinha; depois fomos à Marko apanhar a minha querida e meiga nora Guida e fomos almoçar num restaurante próximo. Lembro-me ter comido uma bela posta de corvina grelhada.
          A caminho novamente do aeroporto, apanhámos novamente trânsito intenso e chegámos lá às 15.30 horas. Liguei logo para a Manuela, que já tinha feito o Chek In e estava no andar superior (porque será que ela gosta estar sempre no andar superior ?).
          Depois das formalidades, fomos para a sala de espera onde já se encontrava o von Trina, delicado como sempre, deu-me um encontrão e, logo em seguida para tentar que eu não reagisse à provocação, deu-me um cigarro ! Estava lá a "tribo lusitana toda" (a doce Cristina, o altíssimo Pedro Mulder, a fofoqueira da Rosélia e o calmo Celestino). Visto da sala de espera, o avião parecia muito pequeno e a questão que começou a circular entre nós (principalmente para animar a Manuela) era se ele (avião) tinha estrutura suficiente para chegar a Fortaleza, ou, se levava gasolina suficiente para a viagem. A Manuela que desde o princípio se mostrava muito nervosa, principalmente quando teve que se despir quase totalmente pois o detector de metais detectou que era portadora de metais. Teve que tirar as suas enormes argolas das orelhas, o fio que tinha ao pescoço, e os sapatos. Na altura, uma voz se elevou a perguntar se ela tinha fechos metálicos no soutiã e fivela nas calcinhas. Mas, felizmente para ela, os fechos e fivela era de matéria plástica ...
          Quando entrámos no avião, logo a Manuela me disse:
          — "Eu quero dormir toda a viagem ..."
          Mas não dormiu nem um minuto e, fez uma viagem muito calma ao contrária das suas previsões. O único que passou pelas "brasas", foi o von Trina, mas como ressonava sonoramente muito alto( em determinadas alturas, até abanava a aeronave) , compulsivamente, foi convidado a acordar, ficando muito mal-disposto (parecia um bebé). Para o acalmar, dei-lhe um biberão, melhor, uma garrafinha de whisky que uma linda assistente de bordo me tinha dado. Acalmou um pouca e a Cristina aconselhou-o a ir lavar a cara ao lavabo. Mas só ficou complemente bom (ou acordado) quando conseguiu que um assistente lhe desse mais duas garrafinhas de whisky, embora ele, na altura, preferisse um copásio de cachaça.


Carlos e Manuela na "má língua"

          A Manuela, em vez de dormir, como seria seu desejo, só se ria e dando sonoras gargalhadas. O Pedro Mulder, com as suas enorme pernas, estava quase sempre em pé, pois. Segundo ele dizia "só construem aviões para pessoas baixinhas, e eu tenho ir sentado todo encolhido".
          A Cristina, passou a viagem quase toda a ler, no dizer do von Trina (boa alma) revistas pornográficas (de vez em quando ela dava-lhe com um revista na cabeça, na tentativa (vã) de ele ter juízo.
          A fofoqueira da Rosélia, andava por todo o grupo, dando-nos coragem e dizendo :
          — "Olhem que já faltou mais ...".
          Mas o final da viagem é que nunca mais aparecia. O seu calmo e educado esposo, o Celestino, não parava de admirar a sua nova e reluzente máquina fotográfica. A Manuela perguntou-me ao ouvido:
          — "Carlos, será que o marido da Rosélia saberá trabalhar com aquela máquina ?".
          Respondi-lhe:
          — "Não sei, Manela, mas encantado com a máquina está ele !".
          Quando chegou a hora do jantar, já não me recordo o que comi, mas sim o que a Manuela me disse:
          — "Não estou a gostar nada disto. Sei fazer esta comida, incomparavelmente, melhor do que esta (?)".
          Sorrindo, aconselhei-a, para outra vez, trazer o seu fogão e confeccionar ela mesmo o comer. Quem repetiu várias vezes o jantar, foi o von Trina. Senti-me na obrigação de o aconselhar a não "gravar mais discos" (comer mais), pois, estava a ser muito admirado (?) por outros passageiros. Só não contava com a ajuda que a Cristina lhe deu, ao dizer-lhe:
          — "Come muito meu querido, para continuares a ser gordinho e bem pesadinho !".
          Ao ouvir isto, a Manuela teve de se levantar e ir ao banheiro.
          Mais atrás de onde estava sentado, ouvi a voz da Rosélia, que diziam ao marido:
          — "Come homem, que o comer está bom. Deixa lá a máquina em paz".
          Calmamente, como é seu hábito, respondeu-lhe:
          — "Só vou comer quando chegarmos a Fortaleza ...".
          A Rosélia, aumentou um pouco o volume de voz, ao protestar:
          — " Até parece que gostas mais da máquina fotográfica do que gostas de mim "
          — "Pelo menos, a máquina tem um ar prateado brilhante...".
          O nosso amigo Pedro Mulder, passou quase toda a viagem a trautear uma música para nós desconhecida. Perguntei à Manuela se ela a conhecia, e obtive a seguinte resposta:
          — "Não conheço não. Deve ser alguma canção de recolha que ele anda a fazer, do folclore "inglemanho" e "chinamarquez".
          Como reparou que estávamos a olhar para ele, alegou que precisava de um microfone e auscultadores para só ele ouvir a sua voz. Infelizmente, nem uma coisa nem outra tínhamos na altura.
          Consultando mais uma vez o seu relógio, a Manuela, mais uma vez se lamentou:
          — "Ai, ainda falta uma hora, cinco minutos e alguns segundos para chegarmos, e dar um beijinho à Vilminha".
          Só não contava é que o avião tinha ganho mais de 20 minutos ao atraso com que saiu de Lisboa. Começámos a sentir umas trepidações que, segundo a Vilma nos tinha dito, era o aproximar de Fortaleza. E tinha razão este nossa querida amiga, de pequena estatura mas de grande coração.
          — "Senhores passageiros, por favor comecem a apertar os cintos, pois já estamos a fazer-nos à pista onde dentro de alguns minutos aterramos em Fortaleza. Continuação de boa viagem para o resto da viagem ...(...).
          — Manela, esteja tranquila pois já chegámos ! – disse-lhe eu.
          — Carlos, estou ansiosa por apanhar ar fresco, que nesta altura, deve estar bastante quente !
          Dirigimo-nos à alfândega, onde a Manuela teve uma vontade incontrolável de fumar. Como era proibido fumar naquele local, a nossa amiga, ajoelhou-se ficando com o corpo dobrado para esconder o cigarro. O von Trina, ao vê-la naquela posição, perguntou-me:
          — Carlos, o que está a Manuela a fazer de Cu pró ar ?
          — Amigo Trina, ou está a beijar a terra, ou a fazer qualquer oração ... ou estar a fumar !
          Quando chegámos, propriamente dito, à alfândega, estava uma enorme fila à nossa frente. Eu que não gosto mesmo de estar em fila, reparei que, para além do cordão se separava as cabinas de controlo, estavam duas lindíssimas moças, fardadas da Polícia Federal. Notaram que eu estava a admirá-las e sorriram. Eu respondi aos sorrisos e acenei-lhe com a mão, como a dizer-lhes adeus. Aproximaram-se de mim e eu mostrei-lhes os meus documentos. Gentilmente, levantaram o cordão para eu passar, avisando os colegas que eu já estava controlado. A inveja na fila, foi notória. O von Trina, elevou a voz, dizendo muito despeitado e invejoso :
          — Deve ser por seres "bonito" !
          E não é que naquela altura me senti mesmo bonito ?. Mas com uma mágoa muito grande: Não dei o meu cartão às lindas moças, nem lhes pedi o número de telefone. Com a idade, vamos perdendo qualidades que na juventude tínhamos ...
          Depois de levantar as malas (enormes e pesadas), ao dirigir-ma para a saída e antes da rampa, ouvi a voz da Vilma Matos quase gritando:
          — "Vem aí a Carlos !"


Vilma esperando a Malta no Aeroporto

          Além da Vilma, estava à nossa espera a Maria Nascimento e o casal Souto Viana. Sentia-me muito emocionado ao pisar, pela primeira vez, solo brasileiro.
          O outro pessoal começou a aparecer 22 minutos depois. Só a Rosélia e o Celestino é que apareceram depois, pois, dentro de suas malas, transportavam garrafas de água, que visto ao Raio X, segundo a alfândega, tinham o formato de bombas ! – Será que estes amigos pensassem que não havia água no Brasil ?...
          Já todos juntos e numa algazarra bem à portuguesa, dirigimo-nos para a porta principal, para a apanhar boleia (carona) da Vilma e do Couto Viana, que nos iam transportar ao Hotel Praia Centro, na Avª. Monsenhor Tabosa. Durante o percurso para apanhar o carro da Vilma que estava num parque quase em frente ao aeroporto, consegui a proeza de rebentar a pega de uma mala, que depois, tive de a transportar ao colo ! Ali, já começámos a sentir um calor agradável, diferente do nosso assim como o ar.
          Já dentro do carro da Vilma, a que ela chama de "escritório", sentei-me no banco de trás com o Pedro Mulder. Quando a Vilma começou a conduzir (dirigir), perguntei-lhe género "amigo da onça":
          — Vilma, a polícia não nos vai mandar parar, pensando que vamos a ser conduzidos por uma criança?...
          — Não, Carlos. A Polícia sabe que, "crianças" lindas como eu, dirigem muito bem !
          Cerca de 20 minutos depois, parámos no passeio do hotel, onde tínhamos uma comissão de honra à nossa espera:
          — Olha a Marisa ! é elegante e quase da minha altura; olha o Baçan ! como está querido amigo ? olá Zena Maciel ! esse tom louro fica-lhe a matar ! ...
          Depois do Chek In, fomos arrumar nossas coisas nos quartos, tomar um reconfortante duche e fomos para o restaurante que fica na cobertura, onde tem uma linda panorâmica e um piscina.
          Não me recordo o que comi, mas como foi escolhido pela Manuela (grande especialista da culinária brasileira) soube muito bem, para mais, acompanhado por água de coco ao natural.
          Terminámos a refeição cercas de 23 horas de Fortaleza, 03 horas em Portugal. Estava na hora de ir descansar um pouco, pois, no dia seguinte, começava o 1º Encontro do Portal CEN – "Cá Estamos Nós".
         
          Carlos Leite Ribeiro — um ano depois ... (27 de Maio de 2005)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
                                                                                                                                 

 

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