
D. José 1º - o
Reformador
(governou de 1750 a 1777)

Nasceu em Lisboa no dia 06 de
Junho de 1714 |

D. José l
Cognome histórico o "Reformador", reinou de 1750 a 1776.
Vigésimo quinto rei de Portugal,
filho de D. João V e da rainha D. Mariana de Áustria.
D. José l nasceu em Lisboa, no dia
06 de Junho de 1714.
Casou em 1750 com Mariana Vitória
de Espanha.
Logo que subiu ao trono, escolheu
de imediato para seu ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, depois 1º Conde de
Oeiras e mais tarde Marquês de Pombal. Neste reinado, no dia 1º de Novembro de 1755,
deu-se o terrível terramoto que quase destruiu completamente Lisboa. Foi a partir daí
que o Marquês de Pombal se revelou um grande homem de Estado. D. José l entregou-lhe
completamente a direcção dos negócios públicos. A conspiração chamada "dos
Távoras" (*), aumentou ainda mais a influência de Pombal, como ministro. A
história do reinado de D. José 1º, é a das reformas que Pombal despertou o país do
seu torpor de dois séculos, restituindo-lhe alento e vida. Sem grandes qualidades de
espírito líder, D. José soube compreender o valor do homem, que o destino pusera a seu
lado, e teve o bom senso de lhe conservar intacta a sua confiança, até ao derradeiro
momento de sua vida.
Terramoto de 1755:
No dia 1º de Novembro de
1755, houve em Lisboa um violento tremor de terra, de destruiu grande parte da cidade e
causou, em pouco mais de seis minutos, 12 mil vitimas, aproximadamente, entre mortos e
feridos. Foi a partir deste momento que Sebastião José de Carvalho e Melo começou a
evidenciar a sua actividade e os seus predicados de estadista, pondo em execução rápida
as medidas que entendeu mais aconselháveis para acudir à triste situação dos
sobreviventes. Depois, mandou reconstruir a parte da cidade demolida pelo terramoto, sob
um plano novo, da autoria do arquitecto Eugénio dos Santos.
Atentado contra D. José:
Em 1758, saindo o rei a
passear de noite, em carruagem, foram contra ele disparados dois tiros de bacamarte que o
feriram levemente num braço. O Marquês de Pombal, que vinha exercendo o supremo poder
com dureza e despotismo, principalmente contra a nobreza, aproveitou aquele ensejo para
culpar do atentado alguns dos fidalgos que mais sombra lhe faziam. Ao fim de poucos meses,
eplas razões expostas, eram barbaramente executados, em Belém, o Marquês e a Marquesa
de Távora e seus filhos Luís e José, o Conde de Atouguia, o Duque de Aveiro e mais
quatro indivíduos da classe popular (1759).
Expulsão dos Jesuítas:
Subjugada a nobreza,
Sebastião José de Carvalho e Melo, pensou então em livrar-se da Companhia de Jesus, de
quem era declarado inimigo. Aproveitando-se, pois, novamente do atentado contra o rei,
acusou os Jesuítas de instigadores da conspiração, o que nunca pode provar, e
expulsou-os de Portugal, confiscando-lhes todos os haveres.
Reformas do Marquês de
Pombal:
O Marquês exerceu uma
acção preponderante em todos os sectores da actividade nacional. São as seguintes as
principais reformas do seu tempo:
Instrução: Fundou-se o Colégio
dos Nobres e a Aula do Comércio; reformou-se a Universidade de Coimbra, criando-se as
faculdades de Filosofia e de Matemática; instituiu-se a Imprensa Nacional de Lisboa;
criara-se escolas primárias.
Agricultura, Comércio e
Indústria: Desenvolveu-se a cultura dos cereais; criou-se a Companhia dos Vinhos do Alto
Douro; abriram-se muitas estradas; fundou-se a Companhia do Grão-Pará e Maranhão;
protegera-se as indústrias de lãs, sedas, vidros, papel, etc., tendo sido construídas
fábricas no Fundão, em Portalegre, Marinha Grande e na Covilhã.
Exército e Marinha: Reorganizou-se
o Exército, tendo vindo para tal efeito a Portugal o distinto oficial alemão Conde de
Lipe; fortificaram-se algumas praças de guerra; e aumentou-se a frota mercante com novas
unidades, etc.
Guerra com a Espanha e
França:
Em 1750 estalara a guerra
dos sete anos, entre a França e a Inglaterra. Aquela nação, invocando o chamado Pacto
de Família, desejava o nosso concurso contra o poder naval da Grã-Bretanha. Portugal
recusou-se com o fundamento de ser aliado da Inglaterra. Por tal motivo, tropas francesas
e espanholas invadem em 1762 a província de Trás-os-Montes. Mas o exército português,
organizado pelo Conde de Lipe e sob o seu comando, conseguiu expulsar do território
nacional as tropas invasoras, até que, no ano seguinte, se assinou a paz pelo Tratado de
Paris.
(Nota: "Pacto de Família era
um contrato estabelecido entre os monarcas da Europa, descendentes da família dos
Bourbons, pelo qual todos se haviam de ligar na luta contra a Inglaterra".
Escravatura na Metrópole:
No reinado de D. José,
foi abolida a escravatura no Metrópole, e os índios do Brasil foram tornados livres.
Também findou a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos (judeus).
Estátua equestre:
D. José faleceu no dia 24
de Fevereiro de 1777. Ainda em sua vida foi levantada, no Terreiro do Paço (Praça do
Comércio) , a sua estátua equestre, da autoria de célebre escultor português, Joaquim
Machado de Castro.
O seu corpo jaz na Igreja de São
Vicente de Fora (Lisboa).
(*) A CONSPIRAÇÃO DOS
TÁVORAS": No dia 13 de Setembro de 1758, ao regressar ao Palácio da Ajuda
(Lisboa) de carruagem, depois de uma entrevista (amorosa) nocturna, D. José l sofreu uma
emboscada tendo sido atingido no braço direito por alguns tiros de bacamarte, disparados
por desconhecidos. Logo recaíram as suspeitas deste crime no Marquês de Távora, nos
seus filhos Luís e José, no seu genro, o Conde de Atouguia, no Duque de Aveiro e em mais
quatro populares. Todos foram condenados à morte depois de atrozmente supliciados, no dia
13 de Janeiro de 1759, em Belém (Lisboa). Se do estudo do obscuro e irregular processo
que condenou os réus, parece só culpabilizar o Duque de Aveiro. Em relação aos
Távoras, não conseguiram aduzir uma só prova, e cuja inocência parece não ser menos
irrefutável, sendo este caso, assim como os martírios infligidos aos condenados, a maior
mácula ao desempenho do Marquês de Pombal.
PORTUGAL DURANTE ESTE PERÍODO:
Sob o governo do Marquês de Pombal, Portugal vira-se para o desenvolvimento industrial,
procurando assim reduzir as importações de produtos estrangeiros. A partir de 1769,
intensifica-se o apoio à nossa indústria e, com este auxílio, as fábricas nacionais de
tecidos, louça, papel e vidro, apetrecham-se, aumentado assim o produto nacional. A
Covilhã e a Marinha Grande, tornam-se os centros manufactureiros de Portugal. O Marquês
de Pombal seguiu em política a teoria do Mercantalismo, primeiro aplicada ao comércio e
depois à indústria. Surge por parte do Governo, o máximo empenho em proteger os
interesses nacionais. Por isso, a esta política mercantilista seguida pelo Marquês de
Pombal, se chamou Nacionalismo Económico. Mas o desenvolvimento industrial não foi
acompanhado por outras medidas que seriam muito importantes, como:
a emigração para as colónias,
nomeadamente para o Brasil;
a agricultura foi esquecida o que
obrigava a importar grandes quantidades de produtos alimentares;
as vias de comunicação, tão
necessárias ao transporte de produtos, eram praticamente inexistentes;
o regime de ditadura económica e
os monopólios concedidos a alguns, impediam a iniciativa industrial e a liberdade na
produção e na circulação de produtos, aumentando assim as dificuldades já existentes.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
|
|

|
|
|