
Início do Verão em Portugal
21 de Junho

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O Verão (também chamado Estio) é uma das quatro estações do ano. Tem início com o
solstício de Verão (cerca de 21 de Junho no Hemisfério Norte e de 21 de Dezembro no
Hemisfério Sul), e finda com o equinócio de Outono (que tem lugar em cerca de 23 de
Setembro no hemisfério Norte e a 21 de Março no Hemisfério Sul).
Solstício é o momento em que o
Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge o seu maior afastamento, em
latitude, do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em 21 ou 22 de dezembro e
em 21 ou 22 de junho. No hemisfério Sul, o de dezembro é o solstício de verão e o de
junho é o solstício de inverno. O oposto acontece no hemisfério Norte.
21 de Junho é o 172º dia do ano
no calendário gregoriano (173º em anos bissextos). Faltam 193 para acabar o ano. Este
dia é um solstício, em que o Sol se encontra sobre o Trópico Celeste de Câncer, sua
posição mais ao norte. É, portanto, o começo do inverno no hemisfério sul e do verão
no hemisfério norte.
O equinócio é definido como um
dos dois momentos em que o Sol, em sua órbita aparente (como vista da Terra), cruza o
plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projectada na esfera celeste). Mais
precisamente é o ponto onde a eclíptica cruza o equador celeste. A palavra equinócio
vem do Latim e significa "noites iguais". Os equinócios acontecem em Março e
Setembro, as duas ocasiões em que o dia e a noite tem duração igual. Ao medir a
duração do dia, considera-se que o nascer do Sol é o instante em que metade do corpo
solar está acima (ou metade abaixo) do horizonte, e o pôr do Sol o instante em que o
corpo solar encontra-se metade abaixo (ou metade acima) do horizonte. Com esta definição
o dia durante os equinócios tem 12 horas de duração. No hemisfério Norte o equinócio
de Março é o Equinócio de Primavera (chamado de Verão ou Vernal), e o de Setembro é o
Equinócio de Outono. O inverso ocorre no hemisfério Sul. O Equinócio de Primavera
(hemisfério Norte) ocorre nos dias 20 ou 21 de Março ( nas culturas nórdicas esta data
era festejada com comemorações que deram origem a vários costumes hoje relacionados com
a Páscoa), e o de Outono em 22 ou 23 de Setembro. A data varia devido aos anos bissextos,
que deslocam o calendário das estações em um dia. Devido à órbita elíptica da Terra,
as datas nas quais ocorrem os equinócios não dividem o ano em um número igual de dias.
Isto ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Sol periélio viaja mais
velozmente do que quanto está mais longe afélio.
O Calendário gregoriano é o
calendário utilizado na maior parte dos países ocidentais. Foi promulgado pelo Papa
Gregório XIII a 24 de Fevereiro do ano 1582 para substituir o calendário juliano.
Depois do decreto, o Papa Gregório
XIII reuniu um grupo de especialistas para reformar o calendário juliano e passado cinco
anos de estudos, foi elaborado o calendário gregoriano, que foi sendo implementado
lentamente em várias nações. Oficialmente o primeiro dia deste calendário foi 15 de
Outubro de 1582. O calendário gregoriano é o que actualmente usamos e distingue-se do
juliano porque:
Omitiram-se dez dias (5 a 14 de
Outubro de 1582).
Corrigiu-se a medição do ano
solar, estimando-se que este durava 365 dias solares, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, o
equivalente a 365.2424999 dias solares. Acostumou-se a começar cada ano novo em 1 de
Janeiro. Poucos anos seculares se consideram bissextos, só aqueles que sejam divisíveis
por 400. Deste modo evita-se o desfasamento de um dia em cada cem anos.
A origem das estações do
ano
Os nomes que o Português
(e o Espanhol) usa para as estações do ano procedem do Latim, embora não coincidam
exactamente com o conceito que os romanos tinham delas.
No princípio, o ano era dividido
em apenas duas estações básicas: ver, veris, o bom tempo, a estação da floração e
da frutificação, e hiems (ou hibernus tempus), o mau tempo, a estação da chuva e do
frio. Aos poucos, o grande período englobado pelo nome "ver" começou a ser
subdividido em três: (1) o princípio da boa estação, denominado de primo vere (mais
tarde prima vera); (2) a segunda parte do "ver" , o veranum tempus, de onde
resultou o nosso vocábulo verão: e (3) a última parte do "ver", o aestivum,
de onde veio o nosso vocábulo estio. Com relação às nossas estações atuais, essas
três divisões do "ver" tinham a seguinte correspondência cronológica : (1) o
período denominado de prima vera correspondia aos dois primeiros terços da atual.
primavera; (2) o veranum tempus correspondia ao final da nossa primavera e ao início do
nosso verão; (3) o aestivum correspondia ao final do verão atual. Hiems, a estação do
mau tempo, também se subdividiu em tempus autumnus (o outono) e tempus hibernus (o
inverno). No Diccionário Etimológico de la Lengua Castellana, do famoso Juan Corominas,
vemos que este modelo de cinco estações foi adoptado na Espanha até o século XVI:
primavera, verão, estio, outono e inverno. A partir do século XVII, difunde-se o atual.
sistema de quatro estações, inspirado pela possibilidade de dividir o ano em quatro
segmentos iguais, assinalados pelos dois equinócios (primavera e outono) e pelos dois
solstícios (inverno e verão). Não é novidade essa divisão do ano em sistemas sazonais
diferentes do tradicional: na China, reconheciam as mesmas cinco estações que
descrevemos acima, cada uma delas associada a um dos elementos primordiais: primavera
(Madeira); verão (Fogo); final do verão (Terra); outono (Metal); e inverno (Água). Na
Índia, o sistema das monções torna evidentes três estações anuais: uma estação
seca e fresca, de dezembro a fevereiro; uma estação seca e quente, de março a junho; e
a estação chuvosa, de junho a novembro. E assim por diante, por este grande mundo afora.
Além dos conhecidos vocábulos derivados de primavera (primaveril, primaveral), de verão
(veranear, veranico, etc.), de outono (outonal, outoniço, etc.) e de inverno (invernada,
invernia, etc.), é bom ressaltar que de estio vieram estival (relativo ao verão),
estiagem (a estação seca), estiar (a cessação da chuva); de "ver" veio o
adjectivo vernal (relativo à primavera) e seus derivados; de "hiems" veio
hiemal (organismo que prospera no inverno) e hiemífugo (animal que migra no inverno),
entre outros.
Literatura:
"Sonho de Uma Noite de
Verão" - de William Shakespeare
Numa noite de verão, num
bosque, quatro jovens enamorados encontram-se e desencontram-se: Lisandro ama Hérmia que
ama Lisandro e é amada por Demétrio, que é amado por Helena; depois, Demétrio ama
Helena, que ama Demétrio e é amada por Lisandro, que é amado por Hérmia. Na manhã
seguinte, tudo se resolve, e há um casamento triplo, pois casam-se também o Duque de
Atenas e a Rainha das amazonas. Na festa, no palácio do Duque, apresenta-se uma peça de
teatro amador, escrita e encenada por trabalhadores locais. É hilariante de tão ruim a
"comédia trágica", que teve ensaio naquela noite de verão, naquele bosque,
habitado por fadas e duendes que têm seu Rei e sua Rainha, que disputam a guarda de um
menino indiano, e por isso esta Rainha apaixona-se, naquela noite de verão, por um mortal
com cabeça de burro. Acção e movimentação, paixões e casamentos, brigas e
reconciliações, equívocos e finais felizes. É um Shakespeare muito divertido e nada
trágico, um "sonho" originalmente escrito para uma festa de casamento na vida
real.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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