
Dia Mundial das Bibliotecas
1 de Julho
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Alexandria, além de mercadores e comerciantes, atraiu também artistas, poetas e
eruditos. Foi em Alexandria que se constituiu a primeira biblioteca, que reunia uma vasta
colecção de obras de escritores gregos clássicos, de 90 mil obras em 400 mil volumes.
Durante uns sete
séculos, entre os anos de 280 a.C. a 416, a biblioteca de Alexandria reuniu o maior
acervo de cultura e ciência que existiu na antiguidade. Ela não contentou-se em ser
apenas um enorme depósito de rolos de papiro e de livros, mas por igual tornou-se uma
fonte de instigação a que os homens de ciência e de letras desbravassem o mundo do
conhecimento e das emoções, deixando assim um notável legado para o desenvolvimento
geral da humanidade.
Fascinada por leituras, a jovem
princesa Cleópatra visitava quase que diariamente a grande biblioteca da cidade de
Alexandria. Mesmo quando César ocupou a maior parte da cidade, no ano de 48 a.C., ela,
sua amante e protegida, o fazia acompanhá-la na busca de novas narrativas. O conquistador
romano, também um homem de letras, um historiador, ficara impressionado com a
desenvoltura cultural dela. Acoplada ao Museu, mandando construir pelo seu ilustre
antepassado e fundador da dinastia, o rei do Egipto Ptolomeu I Sóter (o Salvador), que
reinou de 305 a 283 a.C. , a biblioteca tornara-se, até aquela época, o maior
referencial cientifico e cultural do Mundo Antigo (*). Tudo indica que a construção
daquele magnífico edifício no bairro do Bruquéion, nas proximidades do palácio real,
deveu-se a insistência de Demétrio de Falério, um talentoso filósofo exilado que
encheu os ouvidos de Ptolomeu para que ele tornasse Alexandria uma rival cultural de
Atenas.
Foi seu sucessor, Ptolomeu
Filadelfo (o amado da irmã) que, além de ter erguido o famoso farol na ilha de Faro e
aberto um canal que ligava o rio Nilo ao Delta, , logo percebeu as implicações
políticas de fazer do Museu e da Biblioteca um poderoso enclave da cultura grega naquela
parte do mundo. A nova dinastia de origem grega, chamada dos Lágidas (*), que passara a
governar o país dos faraós, ao tempo em que se afirmava no poder, desejou também
transformá-lo. Desencravando o trono real da cidade de Mênfis, situada nas margens do
rio Nilo, no interior, transferindo-o para Alexandria, nas beiras do mar Mediterrâneo, a
nova capital tinha a função de arrancar o milenaríssimo reino do sarcófago em que o
enterraram por séculos, abrindo-lhe a cripta para que novos ares adentrassem.
Fazer com que o povo, ou pelo menos
sua elite, se livrasse de ser tiranizados por sacerdotes e mágicos de ocasião que
infestavam o pais. Gente que só pensava em viver num outro mundo, o do Além, e como
seriam sepultados. Era o momento deles darem um basta ao Vale dos Mortos e celebrar os
hinos à vida, exaltada pela cultura helenística. Mesmo os horrores de uma tragédia de
Ésquilo ou Sófocles tinham mais emoção e paixão do que o soturno Livro dos Mortos.
Era a hora das múmias e dos embalsamadores cederem o seu lugar aos sátiros e aos
cientistas, de pararem de adorar o Boi Apis e se convertessem ao culto dos deuses
antropomórficos. Filadelfo, porém, que era um entusiasta da ciência, num ato
sincrético, fundindo costumes gregos com egípcios, resolveu reintroduzir o antigo
cerimonial existente entre as dinastias do país do faraó esposar a própria irmã,
tornando a princesa Arsinoe II a sua mulher. Dizem que um outro Ptolomeu, dito Evergetes
(o Benfeitor), morto em 221 a.C., ficou tão obsecado em aumentar o acervo da biblioteca
que teria ordenado a apreensão de qualquer livro trazido por um estrangeiro, o qual era
imediatamente levado aos escribas que então tiravam uma cópia, devolvendo depois o
original ao dono, premiado com 15 talentos.
Por essa altura, entre os séculos
II e I a.C., Alexandria , que fora fundada por Alexandre o Grande em 332 a.C., assumira,
com todos os méritos, ser a capital do mundo helenístico. Centro cosmopolita, por suas
ruas, praças e mercados, circulavam gregos, judeus, assírios, sírios, persas, árabes,
babilónios, romanos, cartagineses, gauleses, iberos, e de tantas outras nações. A
efervescência dai resultante, é que fez com que ela se tornasse um espécie de Paris ou
de Nova Iorque daquela época, cuja ênfase maior foi porém a ciência e a filosofia.
(*) Os Lágidas ou Ptolomeus,
governaram o Egipto a partir da partilha feita entre os Diadochoi, os diáconos, os
generais de Alexandre o Grande, quando da morte deste em 323 a.C. Coube ao primeiro
Ptolomeu, auto designado Sóter (o Salvador), tornar-se rei do Egipto no ano de 305 a.C.,
iniciando uma dinastia que teve 14 Ptolomeus e 7 Cleópatras. A última rainha do Egipto
foi Cleópatra VII, que suicidou-se em 30 a.C. , ocasião em que o país caiu sobre a
dominação romana de Octávio Augusto.
Uma
biblioteca é o local onde se guardam documentos e se trabalha com a informação.
No princípio, as bibliotecas
guardavam pergaminhos, plaquinhas de argila etc., e conseguiam abranger quase toda
produção de todas as áreas do conhecimento. Hoje, isso não é mais possível devido ao
grande aumento do conhecimento acumulado pela humanidade. Assim, as bibliotecas foram se
especializando em determinadas áreas do conhecimento, contudo nem essas bibliotecas
conseguem armazenar todos os documentos que são produzidos. Hoje em dia, além de livros,
as bibliotecas possuem em seus acervos revistas (periódicos), teses, fitas de vídeo,
slides, mapas e CD-ROM's. É impossível a qualquer pessoa possuir toda a documentação e
informação necessária para desenvolver um trabalho intelectual ou para aprofundar os
seus conhecimentos sobre qualquer assunto. Cada vez é maior o número de livros, revistas
e outros documentos que se publicam em todo o mundo sobre os mais diversos assuntos. É
pois, necessário que existam bibliotecas que reúnam, organizem e difundam grandes
volumes de documentação e informação, facilitando assim a vida de todos nós. As
bibliotecas são importantes porque existem em toda a parte, dispondo de informação
vasta e permitindo que qualquer pessoa possa utilizá-las.
O aparecimento
do alfabeto veio possibilitar uma nova maneira de escrever que substituiu as chamadas
escritas ideográficas.
A escrita é uma forma mais
prática de conservação e divulgação do conhecimento humano. A escrita permitiu o
aparecimento de um número cada vez maior de documentos. O aparecimento de bibliotecas
veio permitir guardar, organizar e utilizar melhor estes documentos. As bibliotecas da
Antiguidade eram bibliotecas fechadas, espaços reservados que muito poucas pessoas
frequentavam. Elas eram principalmente grandes armazéns de documentos escritos em
tabuinhas de cerâmica ou rolos de papiro. Na Idade Média os livros eram raros e
preciosos. As bibliotecas maiores pertenciam às Igrejas, mosteiros e universidades, mas
não possuíam muitos livros, apenas algumas centenas. Com a invenção da imprensa os
livros tornaram-se mais acessíveis e aumentou também o número de pessoas que sabia ler.
Mas, mesmo assim, o acesso às bibliotecas continuava a ser limitado e passaram ainda
muitos anos até qualquer pessoa poder entrar numa biblioteca. Só no século XX é que
surgem na maioria dos países bibliotecas públicas, abertas a todas as pessoas e
gratuitas. Hoje as bibliotecas são espaços onde podes encontrar resposta para muitas das
tuas dúvidas, obter novos conhecimentos, estudar ou simplesmente ocupares os teus
tempos livres. Existem vários tipos de bibliotecas, de acordo com os diversos tipos de
utilizadores e necessidades de informação. Podes encontrar bibliotecas em vários
lugares e muitas vezes elas estão onde tu nem imaginas.
Há bibliotecas em fábricas e
empresas, nas escolas, nos hospitais, em lojas, no município ou em tua própria casa.
Muitas bibliotecas, como a tua, são privadas, isto quer dizer que qualquer pessoa não
pode ir lá para utilizá-la ou levar livros emprestados. Mas às vezes tu emprestas
livros aos teus amigos, sob condições especiais. Ora estas bibliotecas são também
especiais porque existem para serem utilizadas só por determinado tipo de pessoas e de
acordo com regras também especiais. É o caso das bibliotecas escolares e
universitárias, que existem para servir professores e alunos de uma determinada escola ou
universidade. Outras bibliotecas são públicas. Estas estão abertas a toda a gente e
possuem documentos de todos os tipos (livros, CD´s audio, revistas, vídeos, cd-rom) e
sobre todos os assuntos. Qualquer pessoa pode entrar numa biblioteca pública e ali
permanecer, ou, ainda, levar emprestado para casa quase tudo que quiser.
Biblioteca
do Vaticano
Com 65.000 manuscritos, que
começaram a ser reunidos no século 15, a colecção do Vaticano é uma das melhores do
mundo. Mas é também um imenso problema para seus administradores. Como lidar com
micróbios que carcomem as folhas e capas dos livros antigos, livrá-los dos danos do
tempo e evitar um ou outro roubo esporádico são algumas das tarefas do serviço de
manutenção da Biblioteca Apostólica do Vaticano, que enfrenta, agora, um novo desafio:
empregar tecnologia do século 21 para manter no melhor estado possível a inestimável
colecção. A tecnologia já tem alguns anos na Santa Sé: o Vaticano acredita que seu
sistema Pergamon - alusão à cidade antiga da Turquia que sediou uma das maiores
bibliotecas do mundo - marca a primeira vez em que um procedimento de informática se
aplicou em grande escala a um catálogo bibliotecário. Além disso, a biblioteca começou
a colocar chips nos 1,6 milhões de livros que possui. Os pequenos transmissores, que
emitem ondas de rádio a centros de monitorizando, permitirá que os bibliotecários
saibam se falta algum livro. E, mesmo assim, não acredita que suas dores de cabeça
tenham acabado. "Isso é uma bobagem, já que um livro que não esteja colocado em
seu lugar é como se estivesse perdido", diz Ambrogio Piazzoni, o vice-administrador
da biblioteca.
A Biblioteca do Vaticano foi inicia
pelo papa Nicolau V, em 1450, com 350 manuscritos em latim. Na época da morte do
pontífice, a biblioteca já tinha crescido para 1.500 códigos e era a maior da Europa.
Actualmente, é conhecida por sua colecção de manuscritos raros, muitos deles ilustrados
com belíssimas iluminuras. A colecção é uma das melhores do mundo, na opinião de John
Lowden, director do Centro de Pesquisa de Manuscritos do Instituto Courtauld, da
Universidade de Londres.
"Acho que há três
bibliotecas supremas no mundo: a do Vaticano, a Biblioteca Nacional da França e a
Biblioteca Britânica", diz Lowden, especializado em manuscritos bizantinos e
medievais.
Uma das peças mais importantes da
Biblioteca do Vaticano é o Codex B - a Bíblia completa - isto é, com os dois
testamentos - mais antiga da história que se tem conhecimento, datada de 325 D.C.
Acredita-se que seja uma das 50 bíblias que o imperador Constantino mandou compilar.
Além disso, a biblioteca possui 300.000 medalhas e moedas da era romana, embora a maioria
das peças mais valiosas tenha-se perdido quando Napoleão invadiu a Itália e as levou
para a França. Apesar das medidas de segurança, o Vaticano não conseguiu evitar que sua
biblioteca tenha sido vítima de roubos. Em 1996, o professor de história da Universidade
de Ohio, Anthony Melnikas, foi condenado a 14 meses de prisão depois de admitir que
roubara uma das páginas que arrancou de um manuscrito do século 14, que pertenceu a
Petrarca. Melnikas a levou embora durante uma visita de pesquisa, em 1987. A biblioteca
ocupa uma série de salões dentro da Cidade do Vaticano, ao lado dos museus. Os
estudiosos podem ingressar neles com uma permissão prévia. Nenhuma das peças pode sair
do recinto e as regras de uso dos livros e manuscritos são estritas: não se permitem
polígrafos, comidas nem bebidas no salão de leitura. Acima do tudo, quem quiser
pesquisar suas obras deve saber com exactidão o que procura, já que a colecção de
manuscritos, como em outras grandes bibliotecas, não está catalogada.
Biblioteca
Nacional de Portugal: Breve Historial
Criada pelo Alvará de 29 de
Fevereiro de 1796, com o nome de Real Biblioteca Pública da Corte, assinalava-se-lhe a
finalidade de, no mais curto prazo de tempo, facilitar o acesso aos seus acervos, em
grande parte já existentes, a todos os interessados. De facto, contrariamente às
bibliotecas europeias suas congéneres, não se tratava de colocar à disposição de
sábios, eruditos ou curiosos os tesouros manuscritos e impressos, coleccionados numa
pré-existente Biblioteca Real. Os seus fundos remontavam a décadas anteriores - à
Biblioteca da Real Mesa Censória que, desde os seus fundamentos, tivera directamente o
cariz institucional de Biblioteca Pública.
Deveu-se ao primeiro
Bibliotecário-Mor, António Ribeiro dos Santos, a organização da instituição e a sua
projecção cultural, com o pendor erudito próprio de Setecentos, assim como as grandes
linhas da sua dinamização futura.
Apoiando-se, basicamente na
angariação de meios que permitissem garantir o crescimento actualizado das colecções,
propôs a primeira lei de depósito legal (Setembro de 1805), que tornou extensível a
todas as tipografias a obrigatoriedade de fazerem entrega de exemplares de todas as obras
produzidas, como esteio indispensável do conhecimento actual e vindouro da bibliografia
portuguesa.
Noutra frente, situou a batalha
para conseguir verbas que, de modo habitual, permitissem delinear o crescimento orgânico
dos seus fundos, com a aquisição de novas espécies bibliográficas no mercado nacional
e internacional, que permitissem uma constante actualização nos diferentes campos do
saber.
Das «justas aplicações» que os
primeiros fundos dessa natureza tiveram são boa prova as compras de alguns dos tesouros
mais notáveis que a Biblioteca hoje exibe: a Bíblia de Cervera, precioso iluminado
hebraico do séc. XIII, ou a jóia dos alvores da invenção de Gutenberg, a Bíblia de 42
linhas (1454-55).
Com a extinção das Ordens
Religiosas em 1834, afluiu à Biblioteca grande parte do espólio das livrarias
conventuais. Esse afluxo e a mudança das instalações do Terreiro do Paço para o
edifício do Convento de S. Francisco marcaram a história da Instituição, que demorou
longas décadas a assimilar tal crescimento imprevisível. Tais factos ficaram claramente
descritos pelo Bibliotecário-Mor J. Feliciano de Castilho no volumoso Relatório (1844)
sobre a situação e perspectivas da BN. Na mesma altura, são publicados os primeiros
catálogos das colecções mais notáveis: Incunábulos, Bodoni, Elzevier, etc.
Nos finais do séc. XIX, serão
editados os Inventários de alguns fundos, por áreas temáticas, segundo a nova
arrumação topográfica introduzida por António Enes e Gabriel Pereira. Época que ficou
também assinalada pelas primeiras exposições bio-bibliográficas ligadas a vultos e
acontecimentos marcantes da história e da cultura nacional e universal. Com a
proclamação da República e a extinção das Congregações Religiosas, efectivou-se
novo ciclo de incorporação das respectivas bibliotecas a favor do Estado, que aumentaram
consideravelmente o património da Biblioteca Nacional.
Nos anos vinte assistiu-se a uma
fecunda modernização técnica e projecção cultural, inspirados e conduzidos pelos
dirigentes e colaboradores mais activos: a Jaime Cortesão como director, juntaram-se
Raúl Proença, António J. Anselmo, etc.
Com o decorrer dos anos, a
inadequação das instalações de S. Francisco, tornou-se cada vez mais insustentável,
chegando-se, finalmente à solução de raiz com o «edifício próprio» -previsto já na
lei fundacional, que foi inaugurado em 1969.
Na última década, a instituição
protagonizou dos mais arrojados esforços da sua história, no campo da informatização
que a colocou ao melhor nível do que têm feito as Bibliotecas Nacionais suas
congéneres, com a constituição do catálogo colectivo em linha - a Base Nacional de
Dados Bibliográficos , permitindo o rápido acesso a essa informação,
ultimamente também através da Internet.
No âmbito -aparentemente
longínquo, mas estreitamente interrelacionado da preservação e conservação das
espécies à sua guarda, começou-se a trabalhar de modo mais coerente nesse mar sem
margens, que constitui o campo de acção mais urgente e incontornável de qualquer
Biblioteca, para prevenir e atacar a destruição silenciosa do património. Problema
estrutural que, na perspectiva do seu tempo, o primeiro Bibliotecário-Mor diagnosticara
já, com agudeza e urgência, mas problema adiado que o tempo foi solucionando, das piores
maneiras, quando mais não houve a fazer que vender a peso «papel impresso». Desafio do
passado, que se configura com maior acuidade nas vésperas do séc. XXI, quando existem
soluções concretas e diversificadas se, adequadamente e com urgência, se dispuser dos
elevados meios financeiros, técnicos e humanos necessários. Não falta hoje a
consciência crítica da responsabilidade que tem uma instituição de memória de
conservar e transmitir integralmente uma herança cultural única, riquíssima e ampla,
mas extremamente frágil.
Reatando uma tradição
fundacional, a Biblioteca tem vindo a acolher com entusiasmo as doações de colecções
particulares que, além de perpetuarem a generosidade dos actos respectivos, permitirão
reconstituir a memória coleccionista dos seus patrocinadores, ou o traço indelével dos
Espólios manuscritos de figuras cimeiras da nossa cultura, tais como Eça de Queiroz,
Vitorino Nemésio, Vergílio Ferreira, entre outros; políticos e literatos ligados à
geração de 70, etc. Após a necessária inventariação e catalogação, são
disponibilizados aos utentes e a equipas universitárias de investigação, que preparam
estudos e edições críticas de autores e obras.
E, pode dizer-se, que têm sido as
compras de ocasião, em leilões nacionais e internacionais, as mais beneficamente
satisfeitas, mercê do recurso ao Mecenato Cultural -de tradição multissecular, mas há
poucos anos reinstituído por legislação específica. De facto, por essa via, foi
possível trazer à Biblioteca Nacional alguns dos maiores tesouros nacionais em língua
portuguesa., quer manuscritos quer impressos. Sirvam, como exemplos paradigmáticos, a
compra do único exemplar conhecido do primeiro incunábulo em português - o Tratado de
Confissom - ou o da mais recente aquisição dos originais de Mensagem e «O guardador de
rebanhos», de Fernando Pessoa.
Noutros aspectos, a vida da BN tem
sido particularmente marcante. A sua maior abertura ao exterior, ao encontro de público
mais vasto que habitualmente não a frequenta, tem-se incrementado através de
exposições e mostras biblio-iconográficas, que têm pontuado a animação cultural da
Instituição, evocando personalidades ou acontecimentos, estudando tematicamente aspectos
da História social e cultural do país, incluindo a própria história do escrito e do
impresso. Também no campo editorial, foram alicerçados planos de divulgação selectiva
dos fundos, através de bibliografias, estudos, edições fac-similadas e co-edições de
maior vulto, em colaboração com diversas entidades públicas e privadas.
Ao cabo de um pouco mais de 200
anos de existência, a Biblioteca Nacional que, à partida, apenas dispunha dos fundos da
Biblioteca da Real Mesa Censória, veio a conseguir -por todas as vias e modos que as
vicissitudes da história bem testemunham refazer a memória bibliográfica da Nação,
que o Terramoto arrasara na Biblioteca Real.
Biblioteca
da Universidade de Coimbra
Criada em data desconhecida,
existia já uma "Livraria do Estudo" quando a Universidade se transferiu
definitivamente para Coimbra, em 1537. Em 1705, a "Livraria" passou a viver em
diversas instalações precárias até reabrir, em 1777, em edifício próprio, hoje
conhecido como Biblioteca Joanina. 
A actual designação de Biblioteca
Geral data de 1924 e as suas actuais instalações foram inauguradas em 1962.
Presentemente, divide-se por dois edifícios, a B. Joanina (onde se guardam os acervos
bibliográficos anteriores a 1800) e o edifício novo, onde se concentram os serviços e a
maior parte dos seus fundos, cerca de um milhão de documentos. Ao longo da sua história,
foi proporcionando à Universidade e à população sempre mais e melhores serviços, como
a extensão do horário diurno para o período nocturno (1934), a orientação dos
Estágios do antigo Curso de Bibliotecário-arquivista (1935) e o apoio ao actual Curso de
Especialização em Ciências Documentais (1983), a criação do Catálogo Colectivo
(1967), o acolhimento da BAD/Centro (1979) e do Centro Interdisciplinar de Estudos
Camonianos, a cooperação na PORBASE, etc.
Construído de
raiz para albergar a biblioteca universitária, durou a sua construção de 1717 a 1725.
Apresenta grande unidade de estilo (edifício, decoração e mobiliário), ao gosto
barroco. O risco presume-se ser português, mas ignora-se o nome do arquitecto.
Foi Mestre de obras João Carvalho
Ferreira. A decoração pintada só foi realizada alguns anos mais tarde, já nas
vésperas da Reforma Pombalina: os frescos dos tectos e cimalhas foram executados por
António Simões Ribeiro, pintor, e Vicente Nunes, dourador. O grande retrato do Rei é
atribuído ao italiano Domenico Duprà e a pintura e douradura das estantes foi realizada
por Manuel da Silva. O mobiliário, em madeiras exóticas, brasileiras e orientais, foi
executado pelo entalhador Francesco Gualdini.
Função
Monumento Nacional, as salas
joaninas fazem parte do roteiro habitual de visitantes e turistas. Aí se conservam os
principais fundos de Livro Antigo (documentos até 1800). Os seus cerca de 1250m2 úteis
actuais foram obtidos com o arranjo de dois níveis de caves, para depósito e salas de
trabalho, albergando um total de cerca de 200.000 volumes.
Nas estantes das três salas
visitáveis, estão cerca de 30 mil volumes encadernados, e que podem ser consultados no
edifício novo da Biblioteca. O espaço é utilizado com frequência para concertos,
exposições e outras manifestações culturais.
Biblioteca
Nacional do Brasil
Um dos roteiros possíveis para se
escrever a história da Biblioteca Nacional pode ter como ponto de partida o dia 1º de
novembro de 1755, data em que Lisboa foi sacudida por um violento terramoto que marcou de
maneira indelével a sua história e a do reino. Vária e vasta é a bibliografia que
focaliza tal abalo sísmico, e, ainda, o incêndio avassalador que o sucedeu, provocando
perdas materiais incontáveis à cidade, principalmente à parte velha, e consumindo,
dentre outros bens, a Real Biblioteca, também conhecida como Real Livraria, considerada
uma das mais importantes bibliotecas da Europa, que expressava o interesse dos soberanos
portugueses pelos livros.
A destruição da Real Livraria
representou perda irreparável para os lusitanos, e sua recomposição foi imediatamente
prevista "entre as tarefas emergenciais que visavam reconstruir Lisboa após o
acidente de 1755" (Schwarcz, 2002: 34).
Para essa recomposição, D. José
I, "amparado por seu ministro Pombal, empenhou-se em juntar o pouco que sobrara"
(Idem, p. 139) da Real Livraria e começou a organizar, no Palácio da Ajuda, uma nova
biblioteca, que se tornou também preciosa pela composição de seu acervo.
O precioso acervo da Real
Biblioteca da Ajuda, que em 1807 reunia cerca de 60 mil peças, entre livros, manuscritos,
incunábulos, gravuras, mapas, moedas e medalhas, seria trazido para o Brasil em três
etapas (a primeira em1810 e as outras duas em 1811), pouco depois da transferência da
Família Real D. Maria I, o príncipe regente d. João, sua esposa e seus oito
filhos - e de parte da Corte para o nosso país, ou seja, após a instalação da sede da
monarquia portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808, em conseqüência da invasão de Portugal
pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte.
A Biblioteca foi acomodada,
inicialmente, nas salas do andar superior do Hospital da Ordem Terceira do Carmo (Alvará
de 27 de julho de 1810), cujo prédio se localizava na Rua Detrás do Carmo, atual Rua do
Carmo, nas proximidades do Paço. Essas acomodações, no entanto, foram consideradas
inadequadas a tão valioso acervo e, no dia 29 de outubro de 1810, data atribuída à
fundação oficial da Biblioteca Nacional, um decreto do príncipe regente determinou que,
no lugar que havia servido de catacumbas aos religiosos do Carmo, se erigisse e acomodasse
a "minha Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática, fazendo-se à custa
da Real Fazenda toda a despesa conducente ao arranjamento e manutenção do referido
estabelecimento". Mas as obras para a acomodação da Biblioteca e,
conseqüentemente, a transferência do acervo somente se concretizariam em 1813.
Ainda durante o processo de
instalação dos livros, a partir de 1810, a consulta ao acervo da Biblioteca passou a ser
facultada a estudiosos, mediante consentimento régio. E, em 1814, já organizado o
acervo, a consulta foi, finalmente, franqueada ao público.
Oficialmente estabelecida, a
Biblioteca continuou a ter seu acervo ampliado de maneira significativa, através de
compras, doações, principalmente, e de "propinas", ou seja, pela entrega
obrigatória de um exemplar de todo material impresso nas oficinas tipográficas de
Portugal (Alvará de 12 de setembro de 1805) e na Impressão Régia, instalada no Rio de
Janeiro. Essa legislação relativa às propinas foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos
e culminou no Decreto nº 1.825, de 20 de dezembro de 1907, chamado comumente Decreto de
Depósito Legal, ainda em vigor.
A partir de março de 1816, com a
morte de D. Maria I, teve início o reinado de d. João, que, no entanto, permaneceu no
Brasil até 1821, quando circunstâncias políticas o fizeram retornar a Lisboa com a
Família Real, à exceção de seu filho primogênito, "D. Pedro I, que ficava como
um braço da monarquia no Brasil" (Idem, p. 354). Ficava também em nosso país a
Real Biblioteca, que, nesse momento, já crescera, e muito, e, após a Independência, em
1822, se tornaria propriedade do Império do Brasil, através de compra, conforme consta
da Convenção Adicional ao Tratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal,
em 29 de agosto de 1825. A Família Real recebeu uma indenização de 2 milhões de libras
esterlinas pelos bens deixados no Brasil; desse valor, 800 contos de réis destinavam-se
ao pagamento da Real Biblioteca, que passou a se chamar, então, Biblioteca Imperial e
Pública da Corte.
Na tentativa de se obter
acomodações apropriadas ao seu acervo, em 1858, a Biblioteca foi transferida para a Rua
do Passeio, número 60, no Largo da Lapa, e instalada no prédio que, atualmente, com
algumas modificações, abriga a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de
Janeiro.
Seu acervo continuava a ampliar-se
com as doações, aquisições e através de contribuição legal; ampliava-se, também,
com a compra de coleções de obras raras em leilões e em centros livreiros de todo o
mundo.
O crescimento permanente do acervo
da Biblioteca exigiu, e tornou inadiável, um projeto de construção de um prédio que
pudesse melhor acomodar as suas coleções. Assim, foi projetado seu atual prédio, cuja
pedra fundamental foi lançada em 15 de agosto de 1905, no governo republicano de
Rodrigues Alves, e cuja inauguração se realizou em 29 de outubro de 1910, durante o
governo Nilo Peçanha.
O edifício da Biblioteca Nacional,
cujo projeto é assinado pelo engenheiro Francisco Marcelino de Sousa Aguiar,
caracteriza-se por um estilo eclético, no qual se misturam elementos neoclássicos e art
nouveau, e contém ornamentos de artistas como Visconti, Henrique e Rodolfo Bernardelli,
Modesto Brocos e Rodolfo Amoedo. Situa-se na Avenida Rio Branco, número 219, Praça da
Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, e compõe com o Museu Nacional de Belas Artes e
o Teatro Municipal um conjunto arquitetônico e cultural de inestimável valor.
Ao longo do século, a Biblioteca
Nacional diversificou e aperfeiçoou suas atividades, e passou por sucessivas reformas. Em
resposta às exigências impostas pela demanda dos pesquisadores, e diante da importância
do conjunto bibliográfico e documental sob sua guarda, buscou acompanhar a evolução
tecnológica mundial e investiu no aprimoramento dos mecanismos de segurança e
preservação do patrimônio sob sua custódia; criou e desenvolveu metodologias modernas
de catalogação e classificação para seu acervo e adotou novas tecnologias da
informação, para garantir o direito de acesso do cidadão e contribuir para a sua
qualificação.
Em 1990 foi transformada em
fundação de direito público, vinculada ao Ministério da Cultura, e absorveu parte das
funções do Instituto Nacional do Livro, extinto naquele ano. Assim, teve incluídos em
sua estrutura organizacional o Escritório de Direitos Autorais- EDA, que responde pelo
registro de obras intelectuais, de acordo com a Lei nº 9.610/98, a Agência Brasileira do
International Standard Book Number- ISBN e a do International Standard Music Number- ISMN.
Passou a coordenar, em nível nacional, o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, o
Programa Nacional de Incentivo à Leitura- PROLER, o Plano Nacional de Obras Raras-
PLANOR, que visa a inventariar e preservar os livros raros existentes no país, o Plano
Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros- PLANO, cujo objetivo é a
preservação da informação veiculada pelos periódicos brasileiros. E mais: tornou-se
responsável pela promoção e divulgação do autor e do livro brasileiros no exterior,
através da participação em feiras internacionais de livros e da concessão a editoras
estrangeiras de bolsas de apoio à tradução de escritores brasileiros.
Como uma instituição de
excelência, a BN estabelece estreita relação com organismos internacionais, atuando no
desempenho de funções referentes à biblioteca, ao livro e à leitura, em seus diversos
segmentos.
Como centro nacional de
informações bibliográficas e documentais, atua como uma biblioteca sem fronteiras,
tornando seu acervo disponível a pesquisadores, presenciais e à distância, do Brasil e
do exterior, e dando atendimento em seu prédio-sede a cerca de 15 mil usuários/mês.
Dispõe de duas bibliotecas
públicas: a Biblioteca Demonstrativa de Brasília- BDB, voltada para o atendimento ao
público do Distrito Federal e das Cidades Satélites, que registra uma média de 25 mil
usuários/mês; e a Biblioteca Euclides da Cunha- BEC, dedicada ao público
infanto-juvenil da Biblioteca Nacional, com a média de 2.500 usuários/mês.
A Biblioteca Nacional está aberta
ao público das 9h às 20h, de segunda a sexta-feira, e de 9h às 15h, aos sábados,
podendo estar acessível em tempo real através do Portal FBN: www.bn.br.
Considerada a maior biblioteca da
América Latina, a BN ocupa o oitavo lugar entre as maiores bibliotecas nacionais do mundo
e representa um patrimônio que merece ser conhecido por todos os brasileiros.
Primeiramente chamou-se Real
Biblioteca, depois Biblioteca Imperial e Pública da Corte e, desde 1876, chama-se
Biblioteca Nacional.
Sua interessante história
vincula-se a uma série de eventos que constituem a História do Brasil e, também, a de
Portugal, e pode ser conhecida, com riqueza de detalhes, através, principalmente, dos
livros A longa viagem da biblioteca dos reis: do terremoto de Lisboa à Independência do
Brasil, de Lilian Moritz Schwarcz; O livro dos livros da Real Biblioteca, também escrito
por Lilian Schwarcz, com a colaboração de Paulo Cesar de Azevedo; e, ainda, Biblioteca
Nacional: a história de uma coleção, de autoria de Paulo Herkenhoff, que serviram de
base para a elaboração deste texto.
Real
Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro
Alma-Mater
O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro possui a maior e mais valiosa
biblioteca de obras portuguesas fora de Portugal, com cerca de 350.000 volumes.
É uma instituição oferecida pela
comunidade portuguesa ao Brasil, como prova de reconhecimento. A biblioteca é pública e
funciona de 2.ª a 6.ª das 9 às 18 horas.
O Real Gabinete edita a revista
Convergência Lusíada, publicação semestral e promove cursos sobre Literatura, Língua,
História, Antropologia e Artes, destinados principalmente a estudantes universitários.
Um Pouco de História
O Real Gabinete Português de
Leitura do Rio de Janeiro é considerado o primeiro núcleo associativo da colónia
portuguesa no Brasil. Foi criado por iniciativa de refugiados políticos, reunidos como
sócios instituidores, em número de 43.
"Inauguração do edifício do
Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro", óleo s/tela de A. Steckel
A 14 de Maio de 1837, data oficial
de fundação da entidade, foram aprovados os seus estatutos, tendo sido o seu primeiro
presidente José Marcelino da Rocha Cabral.
Em 1880, por ocasião do
tricentenário da morte de Camões, ocorreu a cerimónia do lançamento da primeira pedra
da sua sede (D. Pedro II lançou a pedra fundamental), em estilo neo-manuelino, projectado
pelo arquitecto português Raphael da Silva e Castro.
Aspecto da Biblioteca
O edifício foi inaugurado em 10 de
Setembro de 1887 pela Princesa Isabel e o Conde DEu. Na ocasião, o escritor Ramalho
Ortigão afirmou: "se um dia o nome de Portugal houver de desaparecer da carta
política da Europa, esta Casa será ainda como a expressão monumental do cumprimento da
profecia: ... não se acabe a Língua, nem o nome português na terra".
"Os Lusíadas" -
Primeira Edição, 1572
A 22 de Dezembro de 1888, a
Diretoria promoveu a solenidade de "instalação da biblioteca", para que a ela
assistisse o Imperador. É quando Joaquim Nabuco pronuncia uma frase magistral: "as
pedras deste edifício parecem estrofes de Os Lusíadas". As primeiras sessões da
Academia Brasileira de Letras, sob a presidência de Machado de Assis, foram realizadas no
Real Gabinete.
Em 1906, o rei D. Carlos concedeu
ao Gabinete o título de Real e, desde 1935, a biblioteca tornou-se beneficiária do
Depósito Legal.
Obras Raras e Valiosas
Entre as obras mais raras da
biblioteca podemos citar a edição princeps de Os Lusíadas, de 1572, que pertenceu à
Companhia de Jesus; as "Ordenações de D. Manuel", por Jacob Cromberger,
editadas em 1521; os "Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles
fizeran", editados em 1539; "Verdadeira Informaçam das Terras do Preste Joam,
segundo vio e escreveo o Padre Francisco Alvarez", de 1540, etc. Possui ainda os
manuscritos autógrafos do "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, e o
"Dicionário da Língua Tupy", de Gonçalves Dias.
Outro aspecto da Biblioteca
Além do serviço de biblioteca,
com consulta informatizada, o Real Gabinete oferece acesso às mais importantes
bibliotecas de Portugal pelo sistema "VIP - Real Gabinete". O Real Gabinete
está, atualmente instalando um laboratório próprio de restauração de obras e um
espaço multimídia.
Arte e Beleza
Além do acervo bibliográfico, com
obras raras, manuscritos, cartas e primeiras edições, o Real Gabinete Português de
Leitura possui uma importante coleção de numismática e pinturas de Malhoa, Carlos Reis,
Oswaldo Teixeira, Eduardo Malta e Henrique Medina.
Altar da Pátria
Também merece registro o
"Relicário da Saudade", em homenagem a Sacadura Cabral e que contém um
pergaminho com assinaturas de Pio XII, D. Manuel II de Portugal, D. Afonso XIII da Espanha
e Alberto I da Bélgica; o "Altar da Pátria", peça em prata cinzelada e
marfim, com 1,70 m de altura, evocativa dos feitos dos navegadores portugueses, que fez
parte da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil; e ainda uma
placa oval de prata e marfim, repuxada e cinzelada, em homenagem a Camões, com cenas
mitológicas representeando o Olimpo e que esteve também naquela Exposição.
O Real Gabinete, no seu Centro de
Estudos, instalou um centro de áudio, vídeo, multimédia e produtos culturais no
edifício anexo (Rua Luís de Camões, 34 oferecido pela Fundação Calouste
Gulbenkian).
A
Biblioteca Digital de Escrita Cuneiforme reúne documentos mais antigos do mundo.
Historiadores estão adoptando a
moderna linguagem dos computadores para montar uma biblioteca virtual com os documentos
mais antigos do mundo, que vão de 3300 antes de Cristo (AC) a 2000 AC.
A Biblioteca Digital de Escrita
Cuneiforme (grafismos dos antigos povos da Mesopotâmia) começou a recolher esse tipo de
material em 1998, mas vem enfrentando uma nova urgência: os especialistas temem que, se
os textos não forem catalogados electronicamente, eles poderão ser perdidos para sempre.
Robert Englund, professor da
Universidade de Los Angeles, na Califórnia, explicou ao jornal Mercury News que cerca de
120 mil documentos com escrituras cuneiformes do terceiro milénios de antes de Cristo
estão espalhados no mundo. Milhares deles são roubados a cada ano no Iraque e jogados no
mercado de antiguidade. Alguns registros chegaram a aparecer até no site de leilão do
EBay, onde a oferta inicial é de US$ 1.
O professor informou que, nos
próximos dois anos, tentará finalizar a captura dos documentos, catalogando e
fotografando 120 mil textos, que serão colocados na Internet. Esses materiais são os
mais antigos documentos escritos já registrados na história do mundo e testemunham como
as pessoas viviam, trabalhavam, governavam e escreviam na antiga Mesopotâmia.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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