
(Estado de São Paulo (Brasil)
(Revolução Constitucionalista de
1932)

9 de Julho de 1932 |

Em 1932 as elites paulistas deflagram a Revolução Constitucionalista contra o governo
federal. Uma frente entre o Partido Republicano Paulista, derrotado pela Revolução de
30, e o Partido Democrático lança a campanha pela imediata convocação de uma
Assembleia Constituinte e o fim das intervenções nos Estados. O movimento tem o apoio
das classes médias. Manifestações e comícios multiplicam-se na capital. Em um deles,
dia 23 de Maio de 1932, os manifestantes entram em conflito com o chefe de polícia Miguel
Costa e quatro estudantes são mortos: Euclides Bueno Miragaia, Mário Martins de Almeida,
Dráusio Marcondes de Souza e António Américo Camargo de Andrade. Com as iniciais de
seus nomes é composta a sigla MMDC (Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo), assumida como
emblema do movimento rebelde. Em 9 de Julho de 1932 estoura a rebelião armada. As forças
paulistas comandadas pelo general Isidoro Dias Lopes ficam isoladas: não recebem ajuda
dos outros Estados e a Marinha bloqueia o porto de Santos impedindo-as de comprar armas no
exterior. Os paulistas se rendem em 3 de Outubro, depois de quase três meses de luta.
O Estado de São Paulo, fica
localizado na Região Sudeste do Brasil. Sua capital é São Paulo SP. É limitado pelos
seguintes Estados: A Norte e Noroeste por Minas Gerais; A Leste pelo Oceano Atlântico; a
Oeste por Mato Grosso e a Sul por Paraná. A sua superfície tem uma área de 248.808, 8
Km2.
As suas principais cidades, são:
Guarulhos, São Bernardo do Campo, Osasco, Santo André, São José dos Campos, Sorocaba,
Ribeirão Preto, Santos, Mauá, São José do Rio Preto, Diadema, Carapicuíba, Moji das
Cruzes, Piracicaba, Bauru e Jundiaí.
Tem um relevo relativamente
elevado, já que 85% de sua superfície está entre 300 e 900 metros de altitude. Seus
rios principais; Tietê, Paranapanema, Grande, Turvo, Pardo, do Peixe, Paraíba do Sul e
Piracicaba.

Mapa do Estado de São Paulo
No ano de 1900, o Jornal do Comércio (de Lisboa, fechado pouco depois do 25 de Abril de
74) referia-se assim ao Estado de São Paulo:
"É um dos 20 Estados do
Brasil; confina com os Estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e com
o Oceano Atlântico. Sua superfície é de 290.876 Km2. com uma população de 3
milhões de habitantes. Sua capital é S. Paulo. Cidades principais: Santos, porto
comercial do Estado, Campinas, Amparo, Rio Claro, Jundiaí, Itu, Piracicaba, Taubaté,
Sorocaba, etc. O Congresso compõe-se de duas câmaras: A Câmara dos Deputados, eleitos
por três anos e Senado, eleito por seis anos. O Estado tem 172 municípios".
No inicio do século XVI, o litoral
paulista é visitado por navegadores portugueses e espanhóis, mas somente em 1532 se dá
a fundação da primeira povoação, São Vicente, na Baixada Santista por Martin Afonso
de Sousa. A procura de metais preciosos levou os portugueses a ultrapassarem a Serra do
Mar, pelo antigo caminho indígena do Peabirú e em 1554, no planalto existente após a
Serra do Mar, é fundada a vila de São Paulo de Piratininga, pelo padre jesuíta José de
Anchieta.
Já nesta data o futuro território
paulista seria dividido em duas entidades administrativas: a Capitania de São Vicente,
abrangendo a Baixada Santista e o Planalto de São Paulo e a Capitania de Santo Amaro,
compreendendo o actual Vale do Paraíba e Litoral Norte. Até o final do século XVI são
fundadas outras vila no entorno do planalto, como Santo André e Santana de Parnaíba,
garantindo assim a segurança e subsistência da vila de São Paulo.
De clima mais frio que as
capitanias nordestinas, dificultando o cultivo da cana de açúcar e sem indícios de
metais preciosos, a Capitania de São Vicente desenvolve como principal actividade
económica as bandeiras, grupos de paulistas que saíam de São Paulo e Santana de
Parnaíba desbravando territórios desconhecidos à procura de ouro, pedras preciosas e
índios para escravizá-los. Os bandeirantes, tendo como principal figura António Raposo
Tavares e Fernão Dias se dirigiram ao Sul, chegando até o actual Rio Grande do Sul e ao
oeste, desbravando os futuros estados de Goiás e Mato Grosso, expandindo o território
brasileiro e dizimando milhares de tribos indígenas.
O território paulista é também
sensivelmente aumentado, com a fundação de cidades como Jundiaí e Sorocaba, para
servirem de ponto de apoio para as bandeiras, além da ocupação do Vale do Paraíba
A Revolução
Constitucionalista de 1932
Um dos mais importantes
acontecimentos da história política brasileira ocorridos no Governo Provisório de
Getúlio Vargas foi a Revolução Constitucionalista de 1932, desencadeada em São Paulo.
Foram três meses de combate, que colocaram frente a frente nos campos de batalha forças
rebeldes e forças legalistas. UFG
A chamada "Era Vargas"
começa com a Revolução de 30 e termina com a deposição de Getúlio Vargas em 1945. É
marcada pelo aumento gradual da intervenção do Estado na economia e na organização da
sociedade e também pelo crescente autoritarismo e centralização do poder. O
governo Vargas reconhece oficialmente os sindicatos dos operários, legaliza o Partido
Comunista e apoia um aumento no salário dos trabalhadores. Estas medidas irritam ainda
mais as elites paulistas. Divide-se em três fases distintas: governo provisório, governo
constitucional e Estado Novo.
Getúlio Vargas é conduzido ao
poder em 3 de Novembro de 1930 pela Junta Militar que depôs o presidente Washington
Luís. No poder, não respeitou a autonomia de São Paulo, nomeando um Interventor de
fora. Isso desgostou os paulistas, sobretudo os dirigentes do Partido Republicano Paulista
(PRP), que não se conformavam com o fato de São Paulo estar sendo comandada por um
"estranho".
O governo provisório é marcado
por conflitos entre os grupos oligárquicos e os chamados tenentes que apoiam a
Revolução de 30. No dia 25 de Janeiro de 1932, aniversário da cidade, houve um imenso
comício na Praça da Sé, colorido com bandeiras do município. Partidos políticos que
eram rivais estavam unidos.
Em Fevereiro a situação se
agravou. O Partido Democrático (PD) rompeu com Vargas e seu governo, ao mesmo tempo que
se aproximou dos antigos adversários do Partido Republicano Paulista (PRP), formando a
Frente Única Paulista (FUP), que se tornou a porta-voz das reivindicações de
reconstitucionalização e de autonomia administrativa para o estado de São Paulo. Mais
do que isso, a FUP passou a articular, junto aos meios militares e a algumas das
principais entidades de classe do patronato paulista, a preparação de um movimento
armado contra o Governo Provisório.
O descontentamento foi aumentando e
o povo se revoltou. Em 22 e 23 de maio, estudantes e populares queimaram e empastelaram as
redacções dos jornais ditatoriais e, nesse conflito, foram mortos quatro estudantes de
Direito: Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo. O nome dos quatro serviu para no futuro
designar o movimento paulista: MMDC. O primeiro a morrer foi Camargo, justamente o
estudante que era casado e pai de três filhos.
A ideia de revolução tomou conta
de todos, sem distinção de classe social. São Paulo estava confiante da vitória, pois
contava com o apoio dos militares de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Mas
somente Mato Grosso manteve-se leal a SP. O comandante da Revolução era o general
Isidoro Dias Lopes, apoiado fortemente pelo contingente de Mato Grosso, comandado pelo
general Bertoldo Klinger.
No dia 9 de Julho de 1932, o
Interventor Pedro de Toledo telegrafava ao ditador Getúlio Vargas: "Esgotados os
meios que ao meu alcance estiveram para evitar o movimento que acaba de se verificar na
guarnição desta Região ao qual aderiu o povo paulista, não me foi possível caminhar
ao revés dos sentimentos do meu povo". Começava a Revolução Constitucionalista.
A revolução teve apoio de amplos
sectores da sociedade paulista. Pegaram em armas intelectuais, industriais, estudantes e
outros segmentos das camadas médias, políticos ligados à República Velha ou ao Partido
Democrático. O que os movia era principalmente a luta anti ditatorial.
Nos poucos meses de conflito, São
Paulo viveu um verdadeiro esforço de guerra. Não apenas as indústrias se mobilizaram
para atender às necessidades de armamentos, mas também a população se uniu na chamada
Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo. Pela primeira vez buscavam-se iniciativas não
apenas militares para romper o isolamento a que o estado fora submetido. Faltou, no
entanto, a esperada adesão das forças mineiras e gaúchas. Os governos de Minas Gerais e
do Rio Grande do Sul, embora apoiassem a luta pela constitucionalização, decidiram
manter-se leais ao Governo Provisório.
Isolado, o movimento fracassou. Em
1º de Outubro de 1932 foi assinada a rendição que pôs fim à Revolução
Constitucionalista. Enquanto os principais líderes tiveram seus direitos políticos
cessados e foram deportados para Portugal, o general Valdomiro Lima gaúcho e tio
de Darcy Vargas, mulher de Getúlio era nomeado interventor militar em São Paulo,
cargo em que permaneceria até 1933.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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