Inácio de Loyola
(Fundador da Companhia de Jesus)

Morreu no dia 31 de Julho de 1556

          Inácio de Loyola, nobre basco ao serviço de Navarra, converteu-se. Prosseguiu seus estudos em Paris, onde em 1534 lançou, com sete companheiros, as bases da Companhia de Jesus, que foi constituída juridicamente em 1540 e de quem Inácio de Loyola foi o primeiro Geral. Quando morreu, a Companhia já tinha atingido considerável expansão. Da sua obra escrita, destacam-se particularmente, os Exercícios Espirituais, que serviram de guia a inúmeras pessoas em retiro espiritual. Beatificado em 1609, foi canonizado em 1621.
          Da sua infância, sabe-se que aos 15 anos - trabalhando como pajem do "contador-mor" do Rei de Castela, Juan Velázquez de Cuéllar - já alimentava o sonho de tornar-se um cavalheiro capaz de feitos notáveis. Efectivamente já aos trinta anos empenha-se com valentia na defesa da praça de Pamplona, mas é ferido nas pernas por uma bala durante o cerco francês à cidade, em 20 de Maio de 1521. Submetido a várias cirurgias, ocupa-se durante o longo restabelecimento no castelo de Loyola, com a leitura de história de Santos e "Uma Vida de Cristo". Este seria para ele o princípio de um mergulho profundo. Inácio vai aos poucos trocando a imaginação dos feitos dos cavalheiros, pelas realizações dos santos, assimilando seus propósitos de vida e se identificando cada vez mais com eles. Logo que sentiu-se recuperado, foi ao santuário de Nossa Senhora de Monserrate, próximo a Barcelona, para depositar suas armas diante do altar e assumir definitivamente a função de "soldado de Cristo". Já despojado de todos os seus bens, esmolando e rezando, passa um ano em um lugarejo chamado Manresa, fazendo penitência, para atingir a purificação.
          As provações por que passou o ajudariam a dar linhas definitivas ao livro dos Exercícios Espirituais, e mais tarde ao projecto de fundar uma ordem religiosa. Fez várias peregrinações, chegou a Jerusalém e depois Roma. Percorreu durante um ano os lugares onde Cristo viveu e sentir a influência da Terra Santa deram a Inácio a certeza de ter ido de encontro ao seu destino. De volta à Espanha - já com 33 anos de idade - não se envergonha de dividir com meninos as aulas de latim, afinal este era um passo necessário para atingir o sacerdócio só conseguido de fato em Paris, após haver passado pelas Universidades de Alcalá (1526) e Salamanca (1527). Já em Paris latiniza seu nome para Inácio no ano de 1529. Em sete anos de estudos na capital francesa, os sonhos começam a tomar forma... Depois de várias tentativas no ano de 1534 Inácio consegue reunir em torno de si um grupo de companheiros do qual faziam parte o Beato Pedro Fabro, São Francisco Xavier, Diogo Lainez e outros, e em Montmatre (Paris), fazem votos de pobreza e de peregrinar em Jerusalém. Também decidiram que se não fosse possível a peregrinação à Terra Santa, iriam se colocar à disposição do Papa para que os enviasse onde fossem mais necessários. A vontade do grupo de constituir uma ordem religiosa recebe aprovação do Papa Paulo III, em 27 de Setembro de 1540. Estava finalmente fundada a Ordem dos Jesuítas. Conduzido ao cargo de primeiro Superior Geral da Companhia em 19 de Abril de 1541, apesar de resistir longamente antes de aceitar sua indicação, Inácio vê sua vida transformar-se e confundir-se com a Companhia nascente. Como superior é encarregado de redigir as Constituições da Ordem. Muito activo, escreve mais de 7000 cartas e distribui instruções detalhadas às províncias que começam a se espalhar. O próprio Inácio eleva o Brasil à categoria de província jesuíta em 1553 e nomeia Manuel da Nóbrega provincial e Luís de Grã, seu auxiliar directo. Inácio de Loyola, faleceu em Roma a 31 de Julho 1556, foi canonizado pelo Papa Gregório XV juntamente com São Francisco Xavier, Santa Teresa de Jesus e São Felipe Neri, em 12 de Março de 1622.

          Por três vezes, é suspeito e chamado a depor no tribunal da Inquisição. Os papéis, onde estão escritos os "Exercícios", são examinados. E o pobre peregrino é jogado no cárcere, na semana santa de 1527. Na cadeia, não deixa de falar de Deus, nem quer recorrer a um advogado: "Aquele, por cujo amor entrei aqui, me tirará, se for servido". Finalmente, é absolvido. De Alcalá, Inácio e seus quatro companheiros encaminham-se para Salamanca, onde funcionava a mais famosa universidade da Espanha. No entanto, pouco proveito tiraram dos estudos, porque, falando sempre de Deus e das coisas espirituais, novamente levantam suspeitas e acabam, mais uma vez, na cadeia. Os juízes não encontram nada condenável na sua vida e doutrina, mas proíbem que Inácio explique a doutrina cristã, enquanto não estudar Teologia. Mal acaba de sair da cadeia, o peregrino carrega alguns livros num jumento e ruma para a melhor universidade do seu tempo: a de Paris. Não sabendo a língua francesa, falará menos de assuntos espirituais e poderá dedicar-se mais ao estudo. Inácio fica outra vez sozinho, longe dos quatro companheiros, que tomarão outros rumos na vida. Em Paris, com 37 anos, estuda novamente o latim, porque os estudos feitos na Espanha não eram suficientes para passar no "vestibular" daquela universidade. Aprendeu, então, a importância do estudo bem feito, que exige "o homem inteiro". Os jesuítas não esquecerão essa lição.
          Com alguns companheiros, fundou a Companhia de Jesus:
          Pedro Fabro, natural da Sabóia, companheiro de quarto de Inácio, no Colégio de Santa Bárbara.
          Francisco Xavier, espanhol, companheiro de quarto de Inácio e Pedro Fabro. Professor brilhante, foi o mais difícil de ser conquistado por Inácio.
          Simão Rodrigues, português, bolsista no Colégio Santa Bárbara.
          Diogo Laínez, espanhol, homem equilibrado, unia uma grande capacidade intelectual ao dom das relações humanas.
          Afonso Salmeron, espanhol, colega inseparável de Laínez, veio com ele da Universidade de Alcalá até Paris.
          Nicolau Afonso, conhecido por "Bobadilla", nome de sua vila natal na Espanha. Professor em Paris.
          Inácio e seus seis companheiros fizeram um voto na capela da colina de Montmartre: dedicar-se ao bem dos homens, imitando o Cristo em estreita pobreza; peregrinar a Jerusalém e, não conseguindo isso, apresentar-se ao Papa para que esse os enviasse ao lugar mais conveniente. Era o dia 15 de Agosto de 1534, festa da Assunção. Estava jogada a semente do que viria a ser a Companhia de Jesus.

          Deixando os companheiros unidos, viaja para a Espanha a conselho dos médicos, que lhe recomendaram os ares da terra natal. Aproveitará para resolver assuntos familiares de alguns companheiros e para reparar o mau exemplo dado nos anos da juventude. Na ausência de Inácio, mais três companheiros juntam-se ao grupo, em Paris: os padres Cláudio Jaio e Pascásio Broet e o estudante de Teologia João Codure. Os três fazem os Exercícios Espirituais sob a direcção de Pedro Fabro.
         
          A vinda dos jesuítas para Portugal deve-se à iniciativa de D. João III a quem o Doutor Diogo de Gouveia, responsável pelo Colégio de Santa Bárbara em Paris, indicara a existência de um novo grupo de clérigos que considerava "aptos para converter toda a Índia". Sto. Inácio de Loiola acedeu ao convite do rei português e enviou para Portugal, em 1540, dois dos seus primeiros companheiros: o navarro Francisco Xavier (o Apóstolo das Índias) e o português Simão Rodrigues. O primeiro partiu no ano seguinte para a Índia, enquanto o segundo ficou na Europa, lançando as bases da Província de Portugal, erecta como primeira província de toda a Ordem em 1546. Graças a numerosos benfeitores, com destaque para a família real, o crescimento da Companhia de Jesus em Portugal foi extraordinariamente rápido. Em 1542, foi fundado o Colégio de Jesus, em Coimbra, para formação dos membros mais novos da Ordem. Seguiu-se-lhe, em 1551, em Évora, o Colégio do Espírito Santo e, em 1553, a casa professa de S. Roque, centro das actividades apostólicas na capital. O primeiro colégio em que os jesuítas deram aulas públicas foi o de Santo Antão, em Lisboa, inaugurado em 1553. Em 1559, foi fundada a Universidade de Évora e, progressivamente, a actividade pedagógica dos jesuítas foi-se estendendo às principais cidades do País: Braga(1560); Bragança(1561); Funchal(1570); Angra(1570); Ponta Delgada(1591); Faro(1599); Portalegre(1605); Santarém(1621); Porto(1630); Elvas(1644), Faial(1652); Setúbal(1655); Portimão(1660); Beja(1670); Gouveia(1739). A par da abertura de novas casas, o número de jesuítas em Portugal foi quase sempre aumentando: eram 400, em 1560; 620, em 1603; 662, em 1615; 639, em 1639; 770, em 1709; 861, em 1749; 789, em 1759.
          Os jesuítas portugueses foram educadores, confessores e pregadores dos reis e da corte mas dedicaram-se com igual entusiasmo a um vasto leque de outras tarefas. A comprová-lo está o apelativo de "apóstolos" que desde cedo mereceram pela dedicação ao ensino do catecismo e pela abnegação com que se entregaram aos ministérios sacerdotais e a obras caritativas. Ocupavam-se dos encarcerados, visitavam os hospitais, assistiam os condenados à morte e, indiferentes aos perigos, excediam-se em generosidade por ocasião de epidemias e calamidades. No campo da educação, chegaram a dirigir 30 estabelecimentos de ensino que formavam a única rede escolar orgânica e estável do País. O ensino era gratuito e aberto a todas as classes sociais porque a Companhia só aceitava iniciar uma nova escola quando existisse uma dotação ou fundação que assegurasse os meios necessários para o seu funcionamento. Em meados do século XVIII, o número total de alunos rondava os 20.000, numa população de 3.000.000 de habitantes.
          A expansão em Portugal foi acompanhada desde o início por grande empenho missionário. Em 1542, S. Francisco Xavier desembarcou em Goa com dois companheiros e, depois de percorrer vastas regiões da Índia, esteve em Malaca e nas Molucas, chegando ao Japão em 1549. Veio a falecer em 1552, quando se preparava para entrar na China. A evangelização do Oriente continuou, a cargo de sucessivas levas de missionários que diversificaram as regiões alcançadas: Macau(1565); império do Grão Mogol(1579), China(1583), Pegu e Bengala(1598), Cochinchina(1615), Cambodja(1616), Tibete(1624), Tonquim e Sião(1626), Laos(1642). Em África, os jesuítas estavam no Congo, em 1547, e em Angola, em 1560; em 1557, chegavam à Etiópia e, em 1560, penetraram em Moçambique, na região do Monomotapa. Em 1604, iniciaram a missão de Cabo Verde donde passaram à Guiné e Serra Leoa.
          A primeira expedição ao Brasil, em que ia como superior o P. Manuel da Nóbrega, data de 1549 e foi seguida por numerosas levas de missionários. Contabilizando todas estas expedições, chegamos a 361, distribuídas por 215 anos, sendo 75 no século XVI, 190 no século XVII e 96 no século XVIII, numa média de 16 missionários enviados cada ano. Nas regiões novamente evangelizadas foram-se formando novas províncias ou vice-províncias que, juntamente com a Província de Portugal, formavam a denominada Assistência de Portugal que, em 1759, contava 1698 jesuítas, dos quais 789 estavam na Europa e os restantes espalhados pelo mundo.
          Inseridos no Padroado português, os religiosos da Companhia partilharem espontaneamente a mentalidade da época, segundo a qual o apoio das autoridades civis constituía o caminho mais seguro e eficaz para a cristianização. Ao mesmo tempo, contudo, sempre se dispuseram a ultrapassar sem receio as zonas directamente controladas pela administração portuguesa, tornando-se até exploradores de regiões inóspitas e desconhecidas. São quase lendárias as figuras do P. António de Andrade e do Ir. Bento de Góis: o primeiro viajou até ao Tibete, sendo o primeiro europeu a atravessar o Himalaia; o segundo foi o primeiro explorador português do caminho terrestre da Índia para a China através da Ásia Central.
          A todas as regiões que missionaram, os jesuítas levaram a preocupação pedagógica que os caracterizava. Principalmente no Brasil, fundaram uma rede de colégios, seminários e escolas primárias e oficinais com ensino gratuito sustentado por explorações agro-pecuárias e outras propriedades legadas para património dos centros de ensino. No campo científico, os missionários da Companhia efectuaram observações que vieram enriquecer o conhecimento das regiões que percorreram. A linguística foi outro campo em que se tornaram beneméritos. A preocupação de aprender as línguas dos povos que evangelizavam levou-os a elaborar gramáticas e dicionários e a publicar obras de catequese e outras nas mais variadas línguas.
          Em dois séculos de apostolado missionário, sofreram o martírio mais de 150 jesuítas portugueses. Entre eles, foi canonizado S. João de Brito, mártir no Maduré (Índia).
          Toda esta actividade foi bruscamente interrompida por decisão de Pombal, em 1759, ao ser decretada a expulsão dos jesuítas de todos os territórios portugueses. As causas desta decisão parecem encontrar-se, sobretudo, em motivos de natureza ideológica e política. A Companhia de Jesus era um obstáculo ao projecto político que se pretendia implementar: um sistema que Carvalho e Melo considerava mais moderno, centralizado no Estado, mais fácil de controlar ad arbitrium principis. Era o sistema absolutista e realista, iluminado, que Pombal queria impor sem escrúpulos quanto aos meios a usar e indiferente face à resistência das forças sociais do País.
          Dominando o sistema de ensino, em Portugal e no Ultramar, vinculados por uma ligação especial a Roma e possuidores de um grande influxo cultural, os jesuítas formavam um corpo facilmente visto como ameaça para um sistema absolutista que ambicionava controlar todos os aspectos da vida social, incluindo uma Igreja mais submetida ao Estado. Se a esta moldura ideológica, juntarmos a apetência pelo património considerável na posse dos jesuítas, teremos reunidas as condições para o desencadear da perseguição. A campanha anti-jesuítica montada por Pombal levou à formulação de uma série de acusações publicitadas em toda a Europa em sucessivas edições da obra Dedução cronológica e analítica. Entre essas acusações, encontravam-se: a resistência dos jesuítas à aplicação do Tratado de Madrid, celebrado entre Portugal e a Espanha para a delimitação de fronteiras na América do Sul; a oposição, no Brasil setentrional, às leis que regulavam a administração das aldeias de índios; o exercício de actividades comerciais proibidas a religiosos; a decadência dos jesuítas portugueses; a difamação do rei no estrangeiro; e a participação pelo menos moral no atentado contra D. José e na revolta popular do Porto ocorrida em 1757. Apesar deste acervo de acusações, o único jesuíta a ser objecto de julgamento formal foi o P. Gabriel Malagrida, italiano, acusado de heresia e condenado à morte, em 1761, num processo que aproveitou a debilidade mental de um ancião enfraquecido e já transtornado. Os meios usados para a expulsão foram implacáveis. No total, cerca de 1100 jesuítas foram desembarcados nos Estados Pontifícios; morreram nas prisões cerca de 70 e uns 40 durante as viagens; encontravam-se ainda 45 encarcerados em S. Julião da Barra quando, em 1777, foram libertados, após a queda de Pombal. A luta de Pombal contra a Companhia de Jesus não se limitou aos domínios da Coroa portuguesa. Prolongou-se, em conjunto com as cortes bourbónicas, até alcançar o fim pretendido: a extinção da Companhia de Jesus, em 21 de Julho de 1773, por breve do papa Clemente XIV.
          A 7 de Agosto de 1814, a Companhia de Jesus foi restaurada pelo papa Pio VII. No entanto, só por iniciativa do governo de D. Miguel, é que os jesuítas regressaram de novo a Portugal. Em Agosto de 1829, chegaram a Lisboa oito jesuítas que traziam como superior o P. Filipe José Delvaux, belga. Abriram um noviciado e iniciaram actividades apostólicas entre a população da capital e dos arredores. Em 1832, D. Miguel entregou-lhes o Colégio das Artes, em Coimbra, mas, devido à guerra civil, as aulas só tiveram início em Fevereiro do ano seguinte. A 9 de Maio de 1834, o exército liberal ocupou Coimbra e os jesuítas foram presos e escoltados até Lisboa. Estiveram presos no forte de S. Julião da Barra até serem embarcados para Itália. Igual sorte tinham já sofrido os jesuítas de Lisboa quando, em Julho de 1833, D. Pedro IV entrou na capital e os mandou embarcar em navios para Itália e Inglaterra. Para além do reinício de actividades educativas e pastorais que não tiveram continuidade, este período de regresso efémero, que contou com a presença de 24 jesuítas, ficou também marcado pelo empenho dos religiosos na assistência aos feridos da guerra civil e às vítimas da epidemia de cólera ocorrida em 1833. Sob o ponto de vista legal, é de referir o decreto de 30 de Agosto de 1832 que restabelecia oficialmente a Companhia de Jesus, em termos que, embora não revogassem completamente o conteúdo dos decretos pombalinos, o P. Delvaux não hesitou em classificar de "verdadeiro prodígio".
          O protagonista do segundo regresso dos jesuítas a Portugal foi o português Carlos João Rademaker, entrado na Companhia de Jesus em Itália, em 1846. Tendo vindo para Portugal, foi encarregado de trabalhar em prol da restauração da Província Portuguesa. Nesse sentido, em 1858, deu início ao colégio de Campolide, contando com a colaboração de mais dois jesuítas: o Ir. Martinho Rodrigues, sobrevivente da missão do tempo de D. Miguel e um irmão espanhol. Nos anos seguintes, foram-se juntando novos elementos, vindos principalmente de Itália, e abriu-se o noviciado, no lugar do Barro, perto de Torres Vedras. Em Setembro de 1863, constituiu-se oficialmente a Missão Portuguesa que teve como primeiro superior o P. Francisco Xavier Fulconis, italiano. No Outono desse mesmo ano, os jesuítas encarregaram-se do Orfanato de S. Fiel, na Beira Baixa, que transformaram em colégio de renome. No início de 1880, a Missão contava nove comunidades com 137 jesuítas. Estavam reunidas as condições para que fosse restaurada a Província Portuguesa da Companhia de Jesus, o que veio a acontecer por decisão do P. Geral Pedro Beckx, em decreto de 25 de Julho desse ano. Os dois colégios, Campolide e S. Fiel, além de importantes como estabelecimentos de ensino, tornaram-se também centros de intensa actividade científica. Em S. Fiel, foi fundada em 1902 a revista Brotéria, assim denominada em homenagem ao naturalista português Avelar Brotero. Eram os professores dos colégios que dirigiam a revista, publicando nas suas páginas artigos de investigação, com destaque para as áreas da botânica e zoologia. Entre esses sábios, são de recordar Joaquim da Silva Tavares, Cândido Mendes de Azevedo, Carlos Zimmermann, Afonso Luisier, Camilo Torrend e António de Oliveira Pinto. Outros nomes são dignos de referência pela sua acção apostólica: Carlos Rademaker, Bento Schettini, Luís Gonzaga Cabral, António de Menezes e Alexandre Castelo. No campo missionário, importa lembrar, principalmente, a difícil missão da Zambézia para onde foram enviados, entre 1880 e 1910, 118 jesuítas, dos quais 41 ali morreram. Também a Índia, Macau e Timor foram objecto do zelo missionário dos jesuítas da Província de Portugal.
          Toda esta actividade foi interrompida violentamente, em Outubro de 1910, quando, pela terceira vez na sua história em Portugal, a Companhia de Jesus foi de novo expulsa e espoliada dos seus bens. O ambiente de perseguição que já se manifestara nos últimos anos da monarquia teve como corolário a decisão do governo provisório da República que, a 8 de Outubro de 1910, restaurou a lei pombalina de 1759. Depois de algumas semanas na prisão, no dia 4 de Novembro de 1910 estava consumada a expulsão dos jesuítas de Portugal. Os membros da Província Portuguesa eram, então, 360.
          (Excerto da obra de Nuno da Silva Gonçalves, SJ)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
                                                                                                                                   

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