Fagundes Varela

(Luís Nicolau Fagundes Varela)


Nasceu a 17 de Agosto de 1841

          Fagundes Varela, nasceu na Vila do Rio Claro, no Rio de Janeiro, e morreu em Niterói, vitimado por uma apoplexia, depois de uma vida acidentada e errante que muito contribuiu para a popularização do seu nome. Poeta “maldito” de temperamento inquieto e aventureiro, Fagundes Varela é, no quadro da poesia romântica brasileira, uma típica figura de transição, que mostra influências de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e, ao mesmo tempo aponta para o vindouro Castro Alves. Embora revelando escassa cultura e pouca originalidade, a obra deste autor reflecte uma grande inspiração, sobretudo no poema “Cântico do Calvário”, inspirado pela morte do primeiro filho.

          Ao romper com a vida urbana e levar a extremos a opção dos românticos pela natureza, Fagundes Varela criou uma obra marcada pela brasilidade, onde elementos de um cristianismo primitivo e puro unem-se ao lirismo da terra e à exaltação do Novo Mundo.
          Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Rio Claro RJ em 17 de agosto de 1841. Estudou direito em São Paulo e, por um ano, no Recife, onde esteve em contato com Castro Alves, mas nunca concluiu o curso. Associado à chamada escola byroniana, tornou-se conhecido por seu desregramento e intensa vida boêmia. Rebelde ante as convenções sociais, traiu as expectativas familiares ao casar-se ainda estudante com uma bailarina de circo. O casamento durou pouco e terminou em tragédia: a morte de seu primeiro filho, aos três meses de idade, inspirou-lhe o "Cântico do calvário", de emoção profunda, e foi seguida pela morte da esposa. Um segundo casamento não ajudou a enquadrar socialmente o poeta nem conseguiu afastá-lo da bebida, hábito que se tornou mais intenso e acabou por levá-lo à ruína.
          Após extravasar-se nas "Palavras de um louco", texto em prosa com força de manifesto publicado em 1861, e retratar-se como personagem maldito e extravagante em "Arquétipo" ("Era-lhe a vida uma comédia insípida / Estúpida e sem graça...") e em outros poemas de seu primeiro livro, Noturnas (1863), Fagundes Varela lançou os versos patrióticos de O estandarte auriverde (1863), que precede os condoreiros por seu ardor nacionalista. De igual modo, fixou o mito do paraíso americano da liberdade em Vozes da América (1864) e deu precoce tratamento ao tema do negro em "Mauro, o escravo" (1864), que seria de praxe na literatura abolicionista das décadas seguintes.
          Manteve-se sempre como poeta engajado, não raro com um tom didático, mas foi com o lirismo bucólico da fase madura que se tornou mais completo. Alguns de seus mais famosos poemas, como "Mimosa" e "A flor de maracujá", datam dessa fase, enfeixada nos livros Cantos e fantasias (1866), Cantos meridionais (1869) e Cantos do ermo e da cidade (1869).
Nos últimos quatro anos de vida, concentrou-se na criação dos 8.484 decassílabos do Evangelho das selvas, que deixou inédito, e do Diário de Lázaro, que é em síntese a vida de Cristo, com interpolações livres, narrada aos índios do Brasil pelo jovem padre Anchieta. Precursor de posturas ecológicas e de certos traços de comportamento que só se tornaram comuns muito mais tarde, Fagundes Varela morreu aos 33 anos, em Niterói RJ, em 18 de fevereiro de 1875.

 

A flor do maracujá
Fagundes Varela 


Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensangüentado
Da flor do maracujá!

Por tudo que o céu revela!
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!!!...
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!

 

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
                                                                                                                                   

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