
Dia
da Amazónia
05 de Setembro de 2005 |

O Amazonas é o maior estado brasileiro (em área). Localizado no oeste da região Norte,
tem como limites a Venezuela e Roraima a norte, o Pará a leste, Mato Grosso a sudeste,
Rondônia a sul, o Acre a sudoeste, o Peru a oeste e a Colômbia a noroeste. Ocupa uma
área de 1.577.820,2 km². A capital é Manaus. As cidades mais importantes são: Manaus,
Manacapuru, Tefé, Parintins e Itacoatiara.Tem ao mesmo tempo as terras mais altas (pico
da Neblina, 3.014m) e a maior extensão de terras baixas (menos de 100m) do Brasil.
Juruá, Purus, Madeira, Negro, Amazonas, Içá, Solimões, Uaupés e Japurá são os rios
principais. Localizada na Região Norte do Brasil e cortada pela linha do Equador, a
Amazónia tem o clima Equatorial predominante, quente e húmido, com temperaturas anuais
variando entre 21ºC e 42º. A temperatura média anual é de 28ºC e caracterizado por
humidade elevada durante todo o ano, o que favorece a formação da cobertura vegetal de
floresta ombrófila (densa), com árvores de grande porte e folhagens sempre verdes. As
chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos do ano,
provoca enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. As precipitações
contribuem para a cheia dos rios e auxiliam na transformação das paisagens amazónicas
no meio tempo entre a estiagem e o período de chuvas.
  
Pelo tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e Espanha em 1494, a Amazónia seria
região colonial espanhola. Os primeiros exploradores até foram os espanhóis Francisco
de Orellana, que desceu o Rio Amazonas até à foz em 1539, e Pedro de Ursua em 1561. Como
não foram encontradas riquezas visíveis, o território não teria interessado à
Espanha. Durante a ocupação espanhola em Portugal (de 1580 a 1640), foram os portugueses
incumbidos de expulsar os franceses, ingleses e holandeses, que ali comercializavam com os
índios as chamadas "Drogas do sertão",ou sejam: cacau, baunilha, canela,
assafrás, cravo e outras. Em 1637, o português Pedro Teixeira subiu o Rio Amazonas
partindo da foz. Mesmo após a restauração da Independência de Portugal, expedições
militares e sertanistas portugueses e brasileiros continuaram a conquistar e a explorar
esta região, e procurando escravizar os índios. Entretanto, como muitas tribos não se
submeteram, foram enviadas várias expedições, como a de Pedro da Costa Favela, que as
dizimaram. Em defesa dos índios ergueram-se as missões religiosas, que procuraram
pacificá-los e fixá-los em núcleos de povoamento (talvez daqui venho a expressão
favela), onde colectavam as "drogas do sertão" e plantavam café e tabaco.
Muitos deste núcleos deram origem a cidades como Silves (há uma cidade Silves em
Portugal), Uapés e Itapiranga. Também havia povoamentos de Jesuítas espanhóis dos
quais originaram São Paulo de Olivença, Coari, Tefé, Amatuará e outras. Algumas
povoações formaram-se em redor de posições fortificadas, como em redor do forte de
São José do Rio Negro, construído em 1671 pelo capitão Francisco da Mota Falcão, na
confluência dos Rios Negro e Amazonas, formou-se a povoação do Lugar da Barra, depois
Barra do Rio Negro (hoje Manaus). Pelo Tratado de Madrid em 1750, Portugal assegurou o
direito definitivo sobre este território, que passou a constituir a Capitania de São
José do Rio Negro. A comissão de limites, chefiada pelo general Francisco Xavier de
Mendonça Furtado, instalou-se na antiga Missão de Mariuá, tornada capital da nova
capitania com o nome de Barcelos (em Portugal há uma cidade com este nome). Em 1759, com
a expulsão dos Jesuítas, acusados de explorar o trabalho dos índios em proveito
próprio e de controlar o comércio prejudicando os colonos, as missões passaram a ser
administradas pelos Directórios dos índios. Os primeiros governadores da capitania
mandaram explorar e levantar o mapa das comunicações entre o Rio Solimões e seus
principais afluentes da margem esquerda. Introduziram a criação de gado nos campos do
Rio Branco e instalaram fábricas de tecidos, embarcações e de tijolos. No século XlX
começaram a surgir novos produtos, como couros, anil, algodão em caroço e peixe seco. A
borracha, conhecida desde o início do século XVlll, era só aproveitada para fazer bolas
e sapatos. Em 1799,a capital foi transferida para Barra do Rio Negro. Os anseios de
autonomia total da população sofreram um rude golpe com a Independência do Brasil, que
a tornou uma comarca da Província do Grão-Pará. Em 1832, uma revolta proclamou a
criação da província do Amazonas, mas foi violentamente sufocada pelas forças
Imperiais. Entretanto, a comarca continuou agitada, participando da Cabanagem, que se
estendeu até 1840. Em 1850, atendendo às reivindicações do Deputado João Batista de
Figueiredo Tenreiro Aranha, preocupado com a decadência da comarca, D. Pedro 2º
sancionou a criação da Província do Amazonas. Em 1856, Barra do Rio Negro teve seu nome
mudado para MANAUS.
O progresso acelerou-se com a
abertura dos portos amazonenses aos navios estrangeiros (1866) e com a valorização da
borracha, já no fim do século XlX, no mercado internacional, ficando em terceiro lugar
nas exportações brasileiras. Houve grande imigração de nordestinos para trabalhar nos
seringais. Viajantes e cientistas estrangeiros que desde o século XVlll percorriam a
Província, continuaram a estudar as belas naturezas da região. Na Primeira
República, o principal chefe político foi Eduardo Ribeiro, responsável pela
urbanização de Manaus e pela construção do Teatro Amazonas. Entretanto, com o início
da produção dos seringais das colónias inglesas e holandesas no Oriente, a partir de
mudas levadas da Amazónia, iniciou-se a partir de 1913, a decadência deste Estado. A
partir de 1930, imigrantes japoneses começaram a plantar juta, mas só na década de 1950
houve um esforço significativo do Governo Federal para estimular a economia. Foram
instaladas uma refinaria de petróleo em Manaus, pequenas termoeléctricas a óleo e uma
tecelagem de juta. Em 1967, o Governo criou em Manaus uma Zona Franca que contribuiu para
estimular o comércio e a indústria. Com novas vias que ligam o Estado da Amazonas ao
Nordeste e a outras regiões do Brasil, deu-se uma imigração de nordestinos.
Dia da Amazônia
(05/09/2004) - Fonte Brazil Nature
Quando falamos em Amazônia
lembramos de densa floresta tropical, biodiversidade incrível, riqueza de matéria-prima.
Todos esses fatores positivos contribuem para que ela seja o que é hoje: alvo de
especulações e inveja de grande parte das nações do mundo, principalmente das
poderosas, cujo grande objetivo é apoderar-se de uma dávida que veio florescer em pleno
território brasileiro.
Em 1990, foi iniciado um trabalho
na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia para determinar a distribuição da
diversidade vegetal na Amazônia. Hoje, existe uma base de dados com a distribuição de
mais de 3.500 espécies, capaz de gerar mapas por gênero, família ou total. Somando
todas as áreas recobertas pela floresta, temos o incrível número de 6 milhões de
quilômetros quadrados. A parte brasileira é calculada em 3 milhões e meio de
quilômetros quadrados, o que representa mais de 50% da floresta e 42% do território
nacional.
Segundo o geógrafo Aziz Ab'Saber,
a Amazônia tem características marcantes que tornam sustentável tamanha vastidão
verde. Ab'Saber nos chama atenção a extraordinária continuidade das florestas , e da
grandeza de sua rede pluvial, ressaltando ainda que apesar desta vastidão apresenta pouca
variedade de ecossistemas, mesmo analisando regiões e altitudes diversas. Algo que nos
salta aos olhos é a mesmice encontrada nas terras amazônicas, sempre com altas e densas
florestas, bem servidas de rios e animais.
A Amazônia é um intrincado
ecossistema, que abriga uma riqueza de fauna e flora inestimáveis, podendo, caso seja
usada de forma correta, trazer um avanço para o ser humano inimaginável. Mas a
imensidão esconde a fragilidade desta massa viva perante a uma única espécie.
Fonte: Brazil Nature
Da: Profª. Drª. Isabel Cristina
Martins Guillen: -
Euclides da Cunha escreveu sobre a
Amazônia alguns textos esparsos, onde sobressai o tom de denúncia social das condições
de vida dos migrantes nordestinos nos seringais. Seus artigos e ensaios foram publicados
essencialmente em À margem da História, cuja primeira edição é de 1909, e também em
Contrastes e Confrontos, de 1907. Esses textos, e outros não publicados, foram reunidos
por Leandro Tocantins num volume intitulado Um Paraíso Perdido. Tal qual o título do
grande livro que Euclides desejava escrever sobre a Amazônia.
Desses textos não se pode passar
ao largo quando se pretende discutir a história da Amazônia, especialmente o período do
auge da extração da borracha. Euclides da Cunha foi para a região amazônica em 1904,
para chefiar a equipe brasileira da Comissão Mista Brasileiro-Peruana de Reconhecimento
do Alto Purus, que tinha como objetivo demarcar a fronteira entre o Brasil e o Peru. Era
já um escritor consagrado. O que o levou a embarcar nessa aventura, expondo-se aos muitos
perigos da floresta?
Encontramos algumas pistas em sua
correspondência. Euclides escreveu para o amigo José Veríssimo que sua proposição era
"um meio admirável de ampliar a vida, o de torná-la útil e talvez brilhantíssima.
(...) Que melhor serviço poderei prestar à nossa terra. Além disso, não desejo a
Europa, o boulevard, os brilhos de uma posição, desejo o sertão, a picada malgradada, a
vida afanosa e triste de pioneiro." O que transparece na correspondência que
Euclides envia para os amigos referindo-se aos preparativos da viagem é um imenso desejo
de se integrar na solidão desse imenso deserto, sinônimo que ele a todo momento emprega
para se referir à floresta.
Ao mesmo tempo, ao se confrontar
com a natureza e com os homens que na Amazônia viviam, a imagem um tanto quanto
romântica da floresta-deserto-sertão se desfaz. Que sociedade era aquela que se propunha
a ocupar a Amazônia? Quem eram aqueles homens e que vida tinham?
Refere-se, no Terra sem História,
que à entrada de Manaus existe uma ilha, de Marapatá, que é o "mais original dos
lazaretos - um lazareto de almas! Ali, dizem, o recém-vindo deixa a consciência..."
Na foz do Purus também há uma ilha que o povo costuma chamar de "Ilha da
Consciência". Assim, a exemplo de Dante, aquele que penetra pelas duas portas que
levam ao paraíso diabólico dos seringais, deve abdicar das melhores qualidades nativas.
Penetrado, o inferno se revela o lugar onde o homem "trabalha para
escravizar-se" (cf. Cunha, 1994, p.35)
Natureza e Civilização
O primeiro ponto a se observar
desses escritos euclidianos sobre a Amazônia é a idéia de que a região e seus
habitantes podem ser representados como um anfiteatro da história, da civilização, da
nacionalidade, que se abrigava potencialmente no deserto, no sertão. No qual, no entanto,
já podemos antever as ruínas, a destruição e a incompletude. O paraíso, que tanto
deseja encontrar, já tinha sido corrompido, e por isso se encontrava, talvez,
irremediavelmente perdido.
Só partindo do binômio natureza e
cultura é que se poderia delinear a forma que, para Euclides, toma a vida social na
floresta, especificamente a vida no seringal. Nessa natureza, ainda incompleta e em
expansão, o homem encontrou um poderoso adversário, e o embate com esse ambiente o
aproxima do mundo animal, distanciando-o da civilização. Falta "à vestimenta das
matas os recortes artísticos do trabalho."(cf. Cunha, 1994, p.53)
A civilização está presente na
floresta como moléculas, que aparecem repentinamente na vasta solidão selvagem: as
cidades. Essas moléculas de civilização, já corrompidas, corroboram uma imagem
fundamental que Euclides pincelou sobre a região: terra sem história. Nessa paisagem, o
homem é um "intruso impertinente" e a natureza encontra-se em "opulenta
desordem", e incompleta. A imagem da incompletude se delineia com a descrição do
rio que leva a terra para além mar, provoca desabamentos, constrói e destrói as ilhas.
Página do Gênesis, terra em se fazendo. "Tal o rio, tal a história: revolta,
desordenada, incompleta." (cf. Cunha, 1994, p.32). A história da Amazônia aparece
como um perpétuo construir e destruir.
Poderíamos concluir que Euclides
oscila entre as maravilhas que a natureza proporciona, e o horror das sociedades que nela
se estabelecem. Sob esse paradoxo, nada é harmonioso. O homem se animaliza, produz o
horror por não conseguir produzir uma cultura que se imponha ao ambiente. Euclides vive
num tempo em que a grandeza do homem consiste em domar a natureza. Nem por isso suas
observações sobre a sociedade que se estabelecia na floresta perderam a atualidade.
Expatriados dentro da
pátria.
A tarefa de conquistar a floresta
foi atribuída aos seringueiros. A extração da borracha teve seu auge no período de
1880 a 1915, e a mão-de-obra dos seringais era constituída principalmente de
trabalhadores oriundos da região nordeste do Brasil. No percurso migratório, o
trabalhador chegava aos seringais endividado com o patrão, processo esse que se
completava quando era obrigado a comprar os víveres no barracão a preços exorbitantes,
e recebia pela borracha que coletava preços ínfimos. Desse modo não podia abandonar os
seringais, acorrentado que estava ao sistema que ficou conhecido como "escravidão
por dívidas".
É nesse sentido que Euclides da
Cunha considera o migrante um "expatriado dentro da pátria". Referindo-se à
seca de 1877 no Ceará, afirma que os migrantes foram embarcados nos navios por
preocuparem os poderes públicos quanto aos estragos que poderiam provocar nas cidades, e
nunca foram acompanhados por médicos ou agente oficial. "Os banidos levavam a
missão dolorosíssima e única de desaparecerem. E não desapareceram."(cf. Cunha,
1994 p.57)
O que provoca a grande mortalidade
dos migrantes, segundo Euclides, não era o clima da Amazônia, mas o estado social, a
instabilidade e fraqueza com que chegavam, o processo de trabalho no seringal que, além
de extremamente solitário, gera "a decadência orgânica" pela falta de uma
alimentação adequada. Cada seringal é a "conservação sistemática do deserto, e
a prisão celular do homem na amplitude da terra." (cf. Cunha, 1994, p.60)
O seringueiro é sobretudo um
solitário, perdido no deserto da floresta, trabalhando para se escravizar. Cada dia num
seringal corresponde a uma empreitada de Sísifo - partindo, chegando e novamente partindo
pelas estradas no meio da mata, todos os dias, sempre, num "eterno giro de
encarcerado numa prisão sem muros." (cf. Cunha, 1994, p.59)
No texto Entre os seringueiros,
publicado na revista Kosmos, Euclides caracteriza as estradas dos seringais como
"tentáculos de um polvo desmesurado." Esta é a "imagem monstruosa e
expressiva da sociedade torturada que moureja naquelas paragens". O cearense que lá
chega, "numa desapoderada ansiedade de fortuna" passa por um processo de
aprendizagem, de bravo a manso, que para Euclides nada mais significa do que adquirir a
apatia necessária diante da realidade inexorável. Preso nos tentáculos do dono do
seringal, vai percorrer a estrada pelo resto de sua vida, "indo e vindo, a girar
estonteadamente no monstruoso círculo vicioso da sua faina fatigante e estéril"
."(cf. Cunha, 1994, p.215)
Desse modo, a sociedade se detém
"sem destino, sem tradição, sem esperança" e, tal qual os passos dos
seringueiros pelas estradas, as mudanças nada mais são do que um "avançar
ilusório que volve monotonamente ao ponto de partida."
Vemos aqui o escritor de Os
sertões exercendo novamente, com toda a força das palavras, a crítica social a esse
Brasil indiferente com o destino dos brasileiros mais pobres, desses que precisam
trabalhar para viver, e nem sempre conseguem emprego. Dos excluídos, ou como Euclides se
refere, dos que foram banidos para a floresta, postos à margem.
Para que ler Euclides da Cunha
hoje? Não temos mais na Amazônia esses seringais, sinônimo de escravidão e desrespeito
aos direitos humanos, pode-se objetar. Não temos? Talvez não mais os seringais, porque
muitos deles foram desmatados para dar lugar aos pastos, e os seringueiros expulsos para
as cidades. E nessas cidades, engrossam as favelas, marginais. Mas, e a escravidão?
Também esta não desapareceu de todo, sendo vez por outra empregada pelos fazendeiros que
se julgam imunes à legislação trabalhista. Ler hoje esses textos de Euclides da Cunha
repõe a dimensão social que deve perpassar qualquer discussão sobre a Amazônia.
Isabel Cristina Martins Guillen -
doutora em História pela Unicamp e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Recife -
PE)
A Lenda de Yara
É uma linda mulher morena, de
cabelos negros e olhos castanhos. Ela encanta qualquer homem, e, todos que a vêem tomar
banho no rio não conseguem ficar sem falar com ela e se atiram ao rio. Alguns homens
morrem; os outros que sobrevivem ficam assombrados, contando coisas maravilhosas,
mas que não existem. É preciso rezar muito e pajelança para tirá-los do encantamento.
Alguns dizem que Yara tem uma brilhante estrela na testa, que serve para atrair e
hipnotizar os homens. Dizem também que ela tem forma de peixe na parte inferior, outros
dizem que é apenas um vestido, ou espécie de saia, que ela veste por vaidade e para dar
a ilusão de ser metade mulher e metade peixe
...

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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