
Amália
Rodrigues

Morreu
no dia 06 de Outubro de 1999 |

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, fadista e actriz, nasceu em Lisboa em 1920.
Estreou-se como fadista em 1939 e, logo no ano seguinte actuou em Madrid, dando início a
uma carreira jamais igualada por algum outro artista português, tendo-se feito ouvir e
aplaudir em quase todo o mundo. Além de fadista, Amália Rodrigues protagonizou a peça
"Severa", em 1954. Actuou ainda nos filmes "Capas Negras 1946"
+ "Fado 1947" + "Sol e Touros 1949" + "Amantes do
Tejo 1954" + "Sangue Toureiro 1958" + "Fado Corrido
1964" + "As Ilhas Encantadas" + "Via Macau 1965" e
"Véronique 1966".
Em 1961, Amália casou-se, no Rio
de Janeiro, com o engenheiro César Seabra, e chegou a anunciar que iria abandonar a
carreira artística e viver no Brasil. Um ano depois, contudo, Amália regressou para
Lisboa, onde viveria com o esposo até o falecimento deste, em 1997. As ligações de
Amália com o Brasil, em verdade, sempre foram muito estreitas, e, além de seu casamento
com um brasileiro, por diversas vezes a cantora portuguesa veio ao Brasil em turné,
sempre com enorme sucesso. Alguns de seus melhores registros ao vivo foram feitos no
Brasil, como "Amália ao vivo no Canecão", registro de um grandioso
espectáculo realizado na década de 1970 na famosa casa de espectáculos carioca, com
orquestra e coro. Além disso, Amália foi retratada no palco por Bibi Ferreira, em 2001,
em um espectáculo no qual a grande actriz brasileira "incorporava"
magistralmente a eterna rainha do fado. Em vida, a própria Amália chegou a dizer a Bibi
Ferreira, depois de assistir ao espectáculo da brasileira sobre Edith Piaf, que
"adoraria ser vivida por ela no teatro".
Passos e degraus da vida de
Amália Rodrigues: -
1920 - Amália da Piedade Rodrigues nasceu na Rua Martim Vaz, na freguesia da Pena,
próximo da Mouraria, em Lisboa. Os pais eram naturais da Beira Baixa mas radicados em
Lisboa durante alguns anos. É a quinta de nove filhos. A data certa do nascimento é
desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou
que nasceu no primeiro dia desse mês.Não é o que ficou declarado no Registo Civil. Para
ela o que importava é que foi no tempo das cerejas e no signo do Leão.
1921- Os pais de Amália, por
dificuldades de subsistência, regressam para a Beira Baixa deixando Amália em Lisboa a
cargo dos avós maternos.
1929- Inicia a escola primária em
Lisboa, na Escola Primária da Tapada da Ajuda. É numa festa da escola que canta pela
primeira vez em público. Os pais de Amália voltam novamente para Lisboa, mas Amália
continua a viver com os avós.
1932 - Arranja emprego como
bordadeira depois de terminar a escola primária.
1933 - Emprega-se nas fábricas de
bolos da Pampulha, em Lisboa.
1934 - Passa a morar com os pais e
os irmãos na zona operária junto ao Tejo.
1935 - Vai trabalhar com a irmã
Celeste, dois anos mais nova, numa loja de souvenirs no Cais da Rocha, acompanhadas pela
mãe, vendedora de fruta. Sai na Marcha de Alcântara, depois de os seus responsáveis a
ouvirem cantar na rua, como era seu hábito, cantando como solista ;Fado de Alcântara;.
As marchas populares ficarão para sempre no reportório de Amália. Numa festa de
beneficência, Amália canta pela primeira vez em público acompanhada à guitarra pelo
tio, João Rebordão.
1938 Concorre ao Concurso da
Rainha do Fado dos Bairros, no qual não chega a participar pois as outras concorrentes
ameaçam desistir se ela concorrer, e Amália acaba por desistir da participação. Neste
concurso conhece Francisco da Cruz, um jovem de 23 anos, torneiro mecânico e guitarrista
amador, com quem se casará em 1940, casamento que dura dois anos. Nos ensaios do Concurso
da Rainha do Fado dos Bairros, Amália é notada por um assistente que a recomenda a Jorge
Soriano, director da casa de fados Retiro da Severa. A audição foi um sucesso, mas para
não contrariar a família, acaba por não aceitar o convite. Como fadista amadora
exibe-se em vários locais com o nome de Amália Rebordão, devido ao seu irmão Filipe
Rebordão, pugilista relativamente conhecido.
1939 - Estreia-se no Retiro da
Severa, como fadista profissional. O êxito no Retiro como artista exclusiva é um
sucesso, e espalha-se por toda a Lisboa pela boca do público. Imediatamente passa a
cabeça de cartaz.
1940 - Canta no Solar da Alegria,
Café Mondego e Retiro da Severa, como artista exclusiva e já com reportório próprio.
É no Solar da Alegria que José de Melo passa a ser seu empresário. É José de Melo que
afasta Amália da gravação de discos, com o argumento de que os discos iriam afastar o
público das casas de fado. Inicia a sua colaboração com o poeta Linhares Barbosa, e com
Frederico de Brito e Gabriel de Oliveira. Amália e Francisco da Cruz casam, mudando-se
para casa da família dele, em Algés. Estreia-se nos palcos no Teatro Maria Vitória na
revista Ora Vai Tu!. Amália é atracção convidada. Inventa a fadista vestida de negro
com xaile negro.
1941 - O realizador António Lopes
Ribeiro convida-a para integrar o elenco do filme O Pátio das Cantigas, mas o maquilhador
António Vilar aponta-a como pouco fotogénica e o seu papel acaba por ser atribuído a
Maria Paula. Canta na Cervejaria Luso, recebendo um conto de réis por actuação, quantia
nunca antes paga. É atracção da revista do Teatro Variedades Espera de Toiros, onde
Amália interpreta três fados. Do elenco fazem parte Mirita Casimiro e Vasco Santana.
1942 - Estreia a revista Essa É
Que É Essa no Teatro Maria Vitória, onde Amália é primeira figura e onde cria ;Maria
da Cruz;. Aqui encontra o compositor Frederico Valério que compreende toda a beleza da
sua voz, escrevendo-lhe grandes êxitos. Do elenco fazem parte Alberto Ribeiro, Laura
Alves, Costinha e Luísa Durão. Estreia no Teatro Variedades da revista Boa Nova, onde
Amália interpreta quatro fados e cuja canção-título é mais um êxito. Do elenco fazem
parte Hermínia Silva, Erico Braga e Costinha. 1943 Primeira actuação no estrangeiro. O
embaixador Pedro Teotónio Pereira convida-a a actuar em Madrid, onde assistiu a grandes
espectáculos de flamenco, música com a qual se identifica. É a esta viagem que Amália
atribuía o seu prazer em cantar canções espanholas e flamenco. Estreia no Teatro Apolo
da revista Alerta Está!, onde Amália actua ao lado de Mirita Casimiro e Vasco Santana,
interpretando quatro temas. Amália e Francisco da Cruz separam-se, regressando Amália
para casa dos pais.
1944 - Na opereta Rosa Cantadeira,
onde cria o ;Fado do Ciúme;, de Frederico Valério, Amália tem já um papel de destaque,
ao lado de Hermínia Silva. Estreada no Teatro Apolo, a opereta fica dois meses em cartaz.
Amália canta três fados na nova montagem da opereta A Senhora da Atalaia, onde tem o
papel principal. Estreia da revista Ó Viva da Costa no Teatro Apolo onde Amália é já
primeira figura. Viaja pela primeira vez para o Brasil, onde actua no Casino de
Copacabana, o mais famoso casino da América do Sul, num show para ela concebido (Numa
Aldeia Portuguesa), em festas e na rádio. O sucesso é tão grande que a sua estada de
seis semanas é prolongada por três meses, e Amália só regressa a Portugal com a
promessa de voltar no ano seguinte.
1945 - Regressa ao Brasil onde
permaneceu dez meses, com a Companhia de Revistas Amália Rodrigues. No Teatro República,
no Rio de Janeiro, Amália será a vedeta, primeiro, da revista Boa Nova e, depois, da
opereta Rosa Cantadeira. Ao mesmo tempo actua no Casino de Copacabana no dia de folga da
companhia. Estreia no Teatro República, no Rio, de Boa Nova, onde Amália interpretará
seis canções. É o ;Fado Carioca; de Frederico Valério, mais conhecido por ;Fado Xu
Xu;, que ficará como momento alto da revista. Estreia de Rosa Cantadeira, onde Amália
interpreta seis fados. Três ficarão como clássicos: ;Fado do Ciúme;, ;Perseguição;
(o ex-libris de Amália no Brasil) e ;Ai Mouraria;. Amália grava os seus primeiros
discos, oito 78 RPM com um total de 16 gravações, para a editora brasileira Continental.
1946 - Regressa a Lisboa, onde é
atracção da revista do Teatro Apolo Estás na Lua!, com Laura Alves e Costinha. Inicia
as filmagens de Capas Negras, sendo substituída por Ercília Costa no elenco de Estás na
Lua! É a vedeta de uma nova montagem da opereta Mouraria, no Teatro Apolo,
propositadamente feita para ela, onde aparece de vestido negro comprido, com um grande
xaile negro, que seria o protótipo dos seus futuros trajes de cena.
1947 - Gravação de Se Aquilo que
a Gente Sente (última revista em que participou), com Irene Isidro, Vasco Santana e
António Silva. Estreia-se o filme de Armando Miranda Capas Negras, um enorme sucesso
comercial que marca a estreia no cinema de Amália e bate todos os recordes de exibição
até então, com 22 semanas consecutivas em cartaz no cinema Condes, em Lisboa e onde cria
;Não Sei Porque Te Foste Embora;, de Frederico Valério. Contracena com Alberto Ribeiro,
que cria aqui ;Coimbra; sem grande sucesso; só mais tarde, na voz de Amália, a canção
correrá mundo. Filma, em Madrid, 10 Fados, complementos curtos que depois serão exibidas
num sem-número de cinemas portugueses entre 1947 e 1949, onde cria Fado Malhoa, Fado
Amália, Só à Noitinha. Estreia-se, no Coliseu do Porto, o filme de Perdigão Queiroga
Fado História de Uma Cantadeira, com Virgílio Teixeira, fortemente publicitado
como inspirado pela vida de Amália (o que não corresponde à verdade), e que é um novo
êxito comercial. Estreia no Cinema Eden o primeiro dos 10 Fados filmados em Espanha, Fado
da Rua do Sol.
1948 - Estreia em Lisboa, no Teatro
da Trindade, de Fado - História de Uma Cantadeira. Recebe o Prémio do SNI para a Melhor
Actriz de Cinema pela sua interpretação em Fado História de Uma Cantadeira.
1949 - Divorcia-se de Francisco da
Cruz. Canta no Café Luso e Casino Estoril. Canta pela primeira vez em Paris (no Chez
Carrère), Londres (no Ritz), Rio de Janeiro e S. Paulo. Estreia de Sol e Toiros, filme de
José Buchs onde Amália canta, como convidada, o ;Fado do Silêncio;, de Raul Ferrão.
Regressa ao Brasil, mas uma doença de voz impede-a de assumir na íntegra os contratos
celebrados. Estreia em Portugal do filme de Leitão de Barros Vendaval Maravilhoso, uma
co-produção luso-brasileira narrando a vida do poeta brasileiro Castro Alves. Amália
interpreta o papel da musa do poeta, Eugénia Câmara.
1950 - Actua nos espectáculos do
Plano Marshall para a Europa (Berlim, Dublin, Paris, Berna), como única intérprete
ligeira no meio de um elenco predominantemente clássico. Cria Foi Deus, de Alberto Janes.
Durante um espectáculo em Dublin, Amália canta ;Coimbra;, que fica no ouvido da cantora
francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como Avril au Portugal.
1951 - Grava pela primeira vez em
Portugal, para a editora Melodia (Rádio Triunfo). Primeira grande tournée por África:
Moçambique, Angola e Congo Belga. Canta em Biarritz, San Sebastian e Madrid.
1952 - Canta pela primeira vez em
Nova Iorque, na boite La Vie En Rose, onde ficará quatro meses em cartaz, recebendo
convites para actuar na Broadway, cantando em inglês. Actua em Genebra, Lausana e Madrid.
Assina contrato com a Valentim de Carvalho, fazendo as suas primeiras gravações para a
companhia nos estúdios da EMI inglesa, estúdios de Abbey Road, em Londres. Esta
colaboração só foi interrompida, no final dos anos 50, por uma passagem breve pela
editora francesa Ducretet-Thomson, após o que Amália regressou à Valentim de Carvalho
de vez.
1953 Actuações no México,
começando a cantar rancheras. Foi a primeira artista portuguesa a actuar na televisão,
no programa Eddie Fisher Show, na cadeia NBC, em Nova Iorque.
1954 - Em Hollywood, actua no
Mocambo, sendo convidada para o cinema. É convidada para um pequeno papel no filme de
Henri Verneuil Os Amantes do Tejo, produção francesa rodada em Lisboa e Paris, com
Daniel Gélin e Trevor Howard. No filme Amália canta ;Canção do Mar; e ;Barco Negro;,
que se tornam bastante conhecidas arrastadas pelo sucesso do filme. É editado o seu
primeiro LP: Amália Rodrigues Sings Fado from Portugal and Flamenco from Spain, pela
Angel Records, EUA. Álbum que nunca foi editado em Portugal, mas teve edições em
Inglaterra e França.
1955 - Estreia em Portugal de Os
Amantes do Tejo. No Teatro Monumental estreia-se a nova montagem do drama de Júlio Dantas
A Severa, numa produção do empresário Vasco Morgado, que constitui a estreia de Amália
no teatro declamado, no papel da Severa e Paulo Renato como Marialva. Estreia em Londres e
Paris do filme Os Amantes do Tejo. Amália muda-se para a Rua de S. Bento, onde morou até
à sua morte. Filma na Cidade do México o documentário Musica de Siempre, com Edith
Piaf, onde Amália interpreta ;Lisboa Antiga;. Filma duas canções para a curta-metragem
britânica April in Portugal, estreada ainda em 1955 na Royal Film Performance de Londres,
onde canta ;Coimbra;, de Raul Ferrão. Edita o seu primeiro LP em França, através da
Pathé-Marconi. Canta no Brasil, México e Espanha.
1956 - Canta pela primeira vez no
Olympia, em Paris, na festa de despedida de Josephine Baker. Estreia-se no Olympia como
«vedeta», encerrando a primeira parte do show. O sucesso é tal que, terminadas as três
semanas do contrato, Amália é convidada para o prolongar mais outras tantas semanas.
Actua na Côte d'Azur, Bélgica, Argélia, México e Brasil. Estreia em Portugal da
curta-metragem April in Portugal.
1957 - Estreia-se no Olympia de
Paris como primeira vedeta absoluta, começando a cantar em francês, criando ;Aie, mourir
pour toi;, escrito expressamente para ela por Charles Aznavour. Actua no documentário
mexicano Canções Unidas, onde filma ;Uma Casa Portuguesa;. Canta em França, Suécia,
Suíça e Venezuela.
1958 - Assina contrato com a
editora francesa Ducretet-Thomson, para a qual gravará dois álbuns e cinco EP antes de
regressar à Valentim de Carvalho definitivamente. Estreia o filme de Augusto Fraga Sangue
Toureiro, onde Amália é protagonista e interpreta cinco fados de Frederico Valério. É
condecorada por Marcelo Caetano, Ministro da Presidência, na Feira de Bruxelas, com a
Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de cavaleiro. Canta pela primeira vez na
televisão portuguesa, onde também representa o papel principal da peça O Céu da Minha
Rua, de Romeu Correia.
1959 - Recebe a Medalha de Honra de
Prata da Cidade de Paris das mãos do presidente da Câmara. Actua no Olympia de Paris e
por toda a França, Espanha, Tunísia, Argélia, Grécia e Israel. Estreia em Portugal de
Musicas de Siempre.
1961 - Casa, no Rio de Janeiro, com
o engenheiro César Seabra, que conhecera seis anos antes no Brasil, anunciando abandonar
a vida artística. Vive dez meses no Brasil. Estreia em Portugal de Canções Unidas. 1962
Canta no Festival de Edimburgo, Angola, Espanha, e no Théâtre ABC e na boite La Tête de
l'Art de Paris. É editado o LP Asas Fechadas, também conhecido como Busto, grande
viragem na sua vida artística. Nele canta o seu próprio poema ;Estranha Forma de Vida;,
;Povo Que Lavas no Rio;, de Pedro Homem de Mello, poemas de David Mourão-Ferreira e, pela
primeira vez, músicas de Alain Oulman. Os 12 temas do álbum serão publicados, no
início de 1963, divididos por três EP.
1963 - Faz grande temporada no La
Tête de l'Art de Paris, Savoy, de Londres, França e Líbano. É editado o EP Marchas de
Lisboa.
1964 - É-lhe atribuído o papel
principal do filme As Ilhas Encantadas, de Carlos Vilardebó, baseado numa novela de
Herman Melville. É durante as filmagens nos Açores que Amália conhece Augusto Cabrita,
que se transformará, até à sua morte, no fotógrafo oficial de Amália. Volta a gravar
alguns dos seus maiores clássicos, como ;Estranha Forma de Vida; e ;Ai Mouraria;. Volta a
gravar marchas populares, agora com a orquestra de Ferrer Trindade, para edição num EP
ainda durante o mês de Junho. Estreia de Fado Corrido, filme de Jorge Brun do Canto
baseado num conto de David Mourão-Ferreira, onde Amália tem um dos papéis principais e
cria ;Cantiga da Boa Gente;. Actua no La Tête de l'Art de Paris, Itália, Bélgica,
França, Holanda e Espanha.
1965 - No meio de grande polémica,
canta poemas de Luís de Camões, com música de Alain Oulman, a que se seguiram outros
grandes poetas de língua portuguesa. Do LP, intitulado Fado Português, destacam-se 3
temas com poemas de Luís de Camões, que serão editados, separadamente, em Fevereiro no
EP Amália Canta Luís de Camões, que inclui ;Lianor;, ;Erros Meus; e ;Dura Memória;.
Estreia em Portugal de As Ilhas Encantadas. O filme é mal recebido pela crítica e pelo
público, e Amália não voltará a aceitar um papel principal no cinema, apesar da
insistência de amigos como Anthony Quinn, que chegou a acordo com os herdeiros de
Federico Garcia Lorca para filmar a sua peça Bodas de Sangue com Amália. Canta no
Bobino, em França, Espanha, Bélgica e Holanda. Pelo terceiro ano consecutivo, Amália
grava marchas populares para edição num EP. Recebe o Prémio do SNI para a Melhor Actriz
do Ano por As Ilhas Encantadas.
1966 - Grava um EP com quatro dos
seus fados clássicos dos anos 40, que gravara pela primeira vez no Brasil, com a
orquestra de Joaquim Luís Gomes e o conjunto de guitarras de Raul Nery: ;Fado do Ciúme;,
;Não Sei Porque Te Foste Embora;, ;Só à Noitinha; e ;Maria da Cruz;. Actua no Lincoln
Center em Nova Iorque com o maestro André Kostelanetz, num concerto de temas folclóricos
portugueses acompanhados a orquestra. O concerto será posteriormente repetido no
Hollywood Bowl, em Los Angeles. Estreia em Paris de As Ilhas Encantadas. Estreia em
Portugal do filme de Jean Leduc Via Macau, onde Amália interpreta ;Le premier jour du
monde;. Simultaneamente, é editado um EP com o tema. Inspirada pelos concertos americanos
do Verão, com André Kostelanetz, Amália grava nos estúdios da Valentim de Carvalho
temas do folclore português com orquestra, com arranjos dos maestros Joaquim Luís Gomes
e Jorge Costa Pinto. Recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco ;Fandangueiro;. Faz parte
do júri do Festival da Canção do Rio de Janeiro, escolhendo igualmente Simone de
Oliveira como representante de Portugal no Festival. Canta em Israel, Brasil, África do
Sul, Angola e Moçambique. Canta na festa da inauguração da ponte sobre o Tejo.
1967 - Em Cannes, recebe das mãos
do actor Anthony Quinn, o prémio MIDEM 1965/66, destinado a premiar o artista que mais
discos vende no seu país, proeza só alcançada pelos Beatles. Amália voltará a receber
este prémio em 1968 e 1969. São editados três EP com gravações de folclore: Folclore
1 - Amália Canta Portugal, Malhão de Cinfães e Tirana. Inicia uma temporada no Olympia
como figura central de um espectáculo denominado ;Grand Gala du Music-Hall Portugais;,
dedicado a Portugal com um elenco português do qual fazem parte Simone de Oliveira, Duo
Ouro Negro e Carlos Paredes, entre outros. Grava com o conjunto de guitarras de Raul Nery
uma série de fados clássicos que serão publicados num álbum com o título Fados 67.
Grava o ;Concerto de Aranjuez;, de Joaquín Rodrigo, com uma letra em francês, ;Aranjuez,
mon amour;, acompanhada pela orquestra de Joaquim Luís Gomes. A Enciclopédia Larousse
considerou-a a maior artista de música ligeira, situando-a a par de Sammy Davis Jr. Serge
Reggiani considerou-a alguém que pertence aos portugueses mas, também, pertence ao
mundo.
1968 - Grava alguns EP de marchas
populares. É editado pela primeira vez, em single, ;Vou Dar de Beber à Dor;, uma
composição do estreante Alberto Janes que se tornará num dos maiores êxitos de
Amália, estabelecendo o recorde absoluto de vendas em Portugal, imediatamente com
versões em italiano, espanhol e francês. O tema será editado mais tarde em EP.
interpreta, na televisão, a protagonista de A Sapateira Prodigiosa, de Federico Garcia
Lorca. Volta ao Lincoln Center com a orquestra de André Kostelanetz. Actua na Roménia,
Espanha, França e Canadá. É condecorada pelo Estado espanhol com a Ordem de Isabel, a
Católica, laço de dama.
1969 - Efectua uma grande tournée
pela União Soviética, onde actua pela primeira vez. Pouco tempo depois da edição do
seu quinto EP de marchas populares, é lançado o álbum Marchas de Lisboa, reunindo uma
selecção das melhores marchas gravadas entre 1963 e 1968. Recebe o Prémio Pozal
Domingues pelo disco ;Vou Dar de Beber à Dor;. É convidada de honra do Festival do
Marais, em França, e das Olimpíadas da Canção, em Atenas. Canta em Nova Iorque,
França, Moçambique, Rodésia e África do Sul. É editado o álbum Vou Dar de Beber à
Dor, primeira de uma série de compilações lançadas ao longo dos anos 70, reunindo
material publicado anteriormente em singles e EP avulsos.
1970 - Actua pela primeira vez em
Itália, no Teatro Sistina, em Roma, não parando mais de actuar em Itália. Recebe do
estado francês a condecoração Ordem das Artes e das Letras, grau de cavaleiro. É
editado o duplo-álbum Amália e Vinicius, gravado ao vivo em casa de Amália e composto
por fados interpretados por Amália, à guitarra e à viola, e poemas declamados pelo
poeta brasileiro da ;Bossa Nova;, Vinicius de Moraes e por José Carlos Ary dos Santos,
David Mourão-Ferreira e Natália Correia. É publicado Com Que Voz, um dos seus álbuns
mais aclamados, onde canta os grandes poetas portugueses, com música de Alain Oulman. Com
Que Voz será galardoado com o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), com o
Grand Prix du Disc da Acádemie Charles Cross (1975) e o Grand Prix de la Ville de Paris
(1975). Actua pela primeira vez no Japão, em Osaka, passando a fazer actuações
regulares no Japão, onde tem uma grande legião de admiradores. O seu concerto em
Tóquio, no Sankei Hall, foi gravado para edição em disco, com o título Amália no
Japão, publicado em 1971. Actua em nos EUA, França, Bélgica e Holanda. É condecorada
pelo estado português com a Ordem Militar de Santiago da Espada, grau de oficial. São
reeditados os álbuns Busto e Fado Português.
1971 - É publicado o álbum
Amália Canta Portugal II, onde grava folclore com orquestra, dirigida pelo maestro
Joaquim Luís Gomes. Foi escolhido este título devido ao primeiro EP de folclore se
intitular Folclore 1 - Amália Canta Portugal. Inicia-se a exibição, pela TV Record de
São Paulo, da telenovela ;Os Deuses Devem Estar Mortos;, onde Amália desempenha um dos
papéis principais. É editado o LP Oiça Lá ó Senhor Vinho, uma nova compilação de
material publicado em singles e EP, incluindo como tema principal ;Oiça Lá Ó Senhor
Vinho;, uma nova criação do autor de ;Vou Dar de Beber à Dor;, Alberto Janes, que fora
publicada em EP em Maio. Canta em Itália, Reino Unido, França, RFA, Espanha, Líbano e
Angola. É condecorada pelo governo libanês com a Ordem dos Cedros do Líbano. É editado
em Portugal Amália no Japão, álbum gravado no Sankei Hall, em Tóquio. Edita o LP
Cantigas de Amigos, onde Ary dos Santos e Natália Correia participam declamando poesia
medieval portuguesa e Amália canta ;cantigas de amigo; acompanhada à guitarra e à
viola.
1972 - É editado Amália Canta
Portugal III, ou Folclore à Guitarra e à Viola, onde Amália grava folclore, mas agora
acompanhada à guitarra e à viola. Canta no La Tête de l'Art, Itália, Austrália,
França, Líbano, Tunísia, Angola, Moçambique, África do Sul e Rodésia. No Canecão,
Rio de Janeiro, apresenta o espectáculo ;Um Amor de Amália;, idealizado para si por Ivon
Curi. É editado em Portugal o LP Amália em Paris, gravado ao vivo no Olympia.
1973 - Reedição do álbum
Fados'67, com o título Maldição. É editado o álbum Amália Canta Portugal,
constituído pelos três EP de folclore com orquestra, publicados em 1967. O álbum
Amália Canta Portugal III é publicado em três EP - Fadinho da Ti Maria Benta, Cana
Verde do Mar e Valentim. Retoma ;Um Amor de Amália; no Canecão. Grava em italiano o
álbum A Una Terra Che Amo. Actua em França, Espanha, Itália, Brasil, Líbano e Suécia.
1974 - É publicado o álbum
Encontro - Amália e Don Byas, onde é acompanhada por aquele sax tenor americano. São
editados dois singles com reportório relacionado com o 25 de Abril: ;Meu Amor É
Marinheiro;; ;Trova do Vento Que Passa;, criação de Adriano Correia de Oliveira, gravada
por Amália em 1969 para o álbum Com Que Voz; ;Fado Peniche (Abandono); já incluído no
álbum Busto, fado polémico nos tempos da censura; ;Grândola Vila Morena;, em versão
inédita gravada originalmente para um dos discos de folclore, antes de ser escolhida para
senha do 25 de Abril. É editado o duplo-álbum Amália no Café Luso, com o registo até
aqui inédito de uma apresentação ao vivo de Amália naquele recinto de Lisboa nos anos
50.
1975 - Participa na Gala UNICEF 75
no Olympia de Paris, canta no Carnegie Hall, em Nova Iorque, Itália, França, Bélgica e
Holanda. Grandes tounées por Portugal.
1976 - É editado Amália no
Canecão, álbum ao vivo que regista parte do show de Amália naquele recinto. É
publicado o álbum Cantigas da Boa Gente, compilação de temas lançados em singles e EP.
Canta no Théâtre des Champs Elysées, em Paris, Roménia, Itália, Japão, Brasil e
Espanha. É publicado pela UNESCO o disco La Cadeau de la Vie, onde figura ao lado de
Maria Callas, John Lennon, entre outros.
1977 - É publicado o álbum
Fandangueiro, compilação de material já editado. É editado o single ;Caldeirada -
Poluição;, de Alberto Janes. Edição do LP Anda o Sol na Minha Rua, compilação de
temas já lançados em singles e EP. Edição do álbum Cantigas numa Língua Antiga,
álbum de temas originais e outros já editados, gravados em novas versões. Actua no
Carnegie Hall, em Nova lorque, Bélgica, França, Espanha, Itália e Israel.
1978 - Participa no duplo-álbum de
Frei Hermano da Câmara, O Nazareno. Canta na Bélgica, França, Itália, Suíça, África
do Sul, Zimbabwe, Canadá, Venezuela, Argentina e Brasil.
1979 - Actua em Itália, RFA,
Holanda, Bélgica, França e Brasil.
1980 - Canta no Newport Music
Festival, nos EUA, acompanhada pela Rhode Island Philharmonic Orchestra, sob a direcção
do maestro Álvaro Cassuto. É editado o álbum de temas inéditos Gostava de Ser Quem
Era, composto totalmente por poemas da própria Amália. Recebe do Presidente da
República, Ramalho Eanes, a Ordem do Infante D. Henrique, grau de grande oficial. Recebe
a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.
1981 - Canta em Itália, Suíça,
Holanda, Bélgica, Brasil, Argentina, Chile e RFA.
1982 É editado o single O
Senhor Extra-Terrestre, com duas canções originais de Carlos Paião. Edita Fado -
Amália Volta a Cantar Frederico Valério, composto exclusivamente por novas gravações
de composições de Frederico Valério.
1983 - É convidada de honra do
Festival da Canção de Atenas. Canta em Itália, África do Sul, Brasil, Holanda e
Bélgica. É publicado o álbum Lágrima, todo com poemas seus.
1984 - É editado Amália na
Broadway, que reúne oito canções em inglês gravadas em 1965 nos estúdios da Valentim
de Carvalho em Paço d'Arcos acompanhada por uma orquestra dirigida pelo maestro inglês
Norrie Paramor, e nunca antes editados.
1985 - Dá o seu primeiro grande
concerto a solo em Portugal, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Actua no Coliseu do
Porto. É editado o duplo álbum O Melhor de Amália Estranha Forma de Vida, que
atinge o 1º lugar de vendas de álbuns, mantendo-se oito meses no top e vendendo para
cima de 100 mil exemplares. Regressa ao Olympia de Paris. Amália recebe de Jack Lang,
Ministro da Cultura de França, a Ordem das Artes e das Letras, grau de comendador. Canta
em Itália. Na cidade canadiana de Toronto, o dia 6 de Outubro passa a ser o Dia Oficial
de Amália Rodrigues. É editado um segundo álbum compilação, O Melhor de Amália
volume II - Tudo Isto é Fado, que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2º
lugar do top oficial de vendas.
1986 - Grande homenagem no Casino
de Paris. Canta em Itália, Bélgica, Japão, Turquia e Reino Unido.
1987 - É editada a biografia
oficial de Amália, Amália. Uma Biografia, de Vítor Pavão dos Santos. É editado o
primeiro CD de Amália em Portugal: Sucessos. É editado o triplo-álbum Coliseu 3 de
Abril de 1987, com a gravação integral do concerto de Amália no Coliseu de Lisboa
naquela data. É Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil cópias e atinge o 13º
lugar dos tops. Canta no Olympia, em Paris, Itália, Suíça, Bélgica, Holanda e RFA.
1988 - É editado em CD Com Que
Voz. É editado em CD Folclore à Guitarra e à Viola. É editado em CD Encontro com Don
Byas. Canta em Itália, Japão, Suécia, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
1989 - É editado em CD Asas
Fechadas (Busto). É editado em CD Amália Canta Portugal. São comemorados os 50 anos de
actividade artística de Amália: Amália. 50 Anos, retrospectiva de toda a sua carreira,
no Museu Nacional do Teatro; Retrospectiva de todos os seus filmes, na Cinemateca
Portuguesa; Espectáculos de homenagem nas Termas de Caracala, em Roma. Recebe a Grande
Medalha de Vermeil da Cidade de Paris, de Jacques Chirac, presidente da Câmara de Paris.
É recebida em audiência privada pelo Papa João Paulo II, no Vaticano. É convidada de
honra do Estado francês para as Grandes Comemorações do Bicentenário da Revolução
Francesa. A EMI-Valentim de Carvalho edita Amália 50 Anos, uma colecção de oito
duplos-álbuns ou CD temáticos, comemorando os 50 anos de carreira de Amália.
1990 - Grande espectáculo de
homenagem no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde recebe, no palco, do Presidente da
República, Mário Soares, a Ordem Militar de Santiago da Espada, Grã-Cruz. Homenagens em
Madrid, Paris, Tóquio, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Lisboa (Teatro Nacional de S. Carlos)
e no Coliseu do Porto. Amália actua no Town Hall de Nova Iorque, num concerto que é
filmado pelo realizador português radicado nos EUA, Bruno de Almeida. É editado
Obsessão.
1991 - É editada a cassete de
vídeo ;Amália Live in New York City;, registo do concerto do Town Hall de Novembro de
1990. Recebe de François Miterrand, Presidente da República de França, a Legião de
Honra.
1992 - É editado em CD Cantigas da
Boa Gente. É editado em CD Fado Português. É editado em CD Oiça Lá ó Senhor Vinho.
É editado em CD Amália no Café Luso. É editado em CD Amália Fado. É editado em CD
Maldição. É editado em CD Cantigas numa Língua Antiga. É editado o CD Abbey Road
1952, que reúne a totalidade das primeiras gravações realizadas por Amália para a
Valentim de Carvalho nos estúdios de Abbey Road, em Londres. É publicado Amália. Uma
Estranha Forma de Vida, fotobiografia, por Vítor Pavão dos Santos.
1993 - Grava dois duetos com o
cantor napolitano Roberto Murolo, para inclusão no álbum deste, Anima i Cuore, editado
em Itália em 1994 pela PolyGram.
1994 - Actua no Coliseu dos
Recreios, num espectáculo integrado na Lisboa 94.
1995 - É editado em Portugal o
álbum de Roberto Murolo Anima i Cuore que inclui dois duetos com Amália. É editada pela
primeira vez em CD a compilação Estranha Forma de Vida O Melhor de Amália. A RTP
transmite, ao longo de uma semana, a série documental ;Amália - Uma Estranha Forma de
Vida;, cinco episódios de uma hora, dirigidos por Bruno de Almeida, incluindo muitas
imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em
Portugal, entre as quais a estreia de Amália na TV americana, no programa de Eddie
Fislier. Amália é homenageada num espectáculo na Gare Marítima de Alcântara, exibido
em directo pela RTP. São editados pela primeira vez em CD Gostava de Ser Quem Era e
Lágrima, completando a disponibilização em CD de todos os álbuns publicados por
Amália na Valentim de Carvalho. Amália é a convidada inaugural do programa de
variedades da RTP-1, ;Noite de Reis;, que pretende homenagear personalidades públicas
nacionais. É editado Pela Primeira Vez - Rio de Janeiro 1945, CD que reúne as 16
gravações que Amália realizou no Rio de Janeiro em 1945 para a editora Continental. A
Valentim de Carvalho edita em vídeo a série documental ;Amália - Uma Estranha Forma de
Vida;, numa tiragem limitada a mil exemplares vendidos exclusivamente ao balcão das lojas
Valentim de Carvalho.
1996 - Pausa por doença grave.
1997 - A EMI-VC edita o álbum
Segredo, com um conjunto de gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975. Depois de
36 anos de casamento, morreu o seu marido César Seabra.
1998 - Segredo é galardoado com um
disco de platina por vendas superiores a 40 mil cópias.
1999 - Amália Rodrigues faleceu no
dia 6 de Outubro, com 79 anos.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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