
Nossa
Senhora Aparecida

Padroeira do Brasil
Comemoração a 12 de Outubro |

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil
Foi em 1717 que, nas
águas benditas do rio Paraíba, três pescadores encontraram a imagem milagrosa de Nossa
Senhora da Conceição Aparecida, que viria a ser constituída Rainha e Padroeira do
Brasil. Sua festa, atualmente celebrada no dia 12 de outubro, é desde 1988 feriado
nacional. Não há brasileiro digno desse nome que não se comova profundamente ao ouvir
as estrofes despretensiosas mas cheias de unção do velho hino mariano: "Viva a Mãe
de Deus e nossa / Sem pecado concebida / Viva a Virgem Imaculada / A Senhora
Aparecida" .
Em 1717, na cidade de
Guaratinguetá, Estado de São Paulo, Brasil, após várias horas pescando sem resultados,
três pescadores retiraram do rio Paraíba o corpo de uma imagem sem cabeça.
Em seguida, lançada a rede
novamente, encontraram a cabeça da imagem. Surpresos, lançaram a rede pela terceira vez
e a pescaria foi tanta que puderam encher suas canoas.
Esses três pescadores, Domingos
Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se
tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.
A imagem foi levada, a princípio,
ao oratório de sua humilde casa, e diante dela realizavam suas orações. E desde aquele
tempo Nossa Senhora começou a fazer milagres ali devido à crescente devoção do povo.
Em 1745 foi construída uma capela
no morro dos coqueiros, que margeia o Paraíba e uma missa foi celebrada. A imagem passou
a ser chamada de Aparecida e deu origem à cidade de mesmo nome.
Em 1888 a antiga capela foi
substituída por outra maior. Em 8 de setembro de 1904 foi realizada a solene coroação
da imagem de Nossa Senhora Aparecida, e em 1908, o santuário foi elevado à dignidade de
Basílica pelo Papa.
Em 1930, o Papa Pio XI, proclamou
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Em 1967, no aniversário de 250 anos de
devoção, o Papa Paulo VI ofereceu a Rosa de Ouro ao Santuário Nacional inteiramente
dedicado à Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
A partir de 1950 já se pensava na
construção de um novo templo mariano devido ao crescente número de romarias. O
majestoso templo foi consagrado pelo Papa, após mais de vinte e cinco anos de
construção, no dia 4 de julho de 1980, na primeira visita de João Paulo II ao Brasil.
Há duas fontes sobre o achado da
imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida, Brasil, e no
Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma.
A história de Nossa Senhora da
Conceição Aparecida tem seu início pelos meados de 1717, quando chegou a notícia de
que o Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, Governador da então Capitania de
São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila
Rica, hoje cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais.
Convocados pela Câmara Municipal
de Guaratinguetá os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves saíram à
procura de peixes no rio Paraíba do Sul. Desceram o seu curso e, depois de muitas
tentativas infrutíferas, chegaram a Porto Itaguaçu, a 12 de Outubro. João Alves lançou
a rede nas águas e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a
cabeça. Lançou novamente a rede e apanhou então a cabeça da imagem. Daí em diante os
peixes encheram em abundância as redes dos três humildes pescadores.
Durante 15 anos a imagem permaneceu
na residência de Felipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para rezar. A
devoção foi crescendo entre o povo da região e muitas graças foram alcançadas por
aqueles que rezavam diante da imagem. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora
foi se espalhando pelas regiões do Brasil. A família construiu um oratório, que logo se
mostrou pequeno. Por volta de 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no
alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de Julho de 1745. Diante
do aumento no número de fiéis, em 1834 foi iniciada a construção de uma igreja maior -
a atual Basílica Velha.
Em 6 de Novembro de 1888, a
Princesa Isabel visitou pela segunda vez à basílica e ofertou à santa uma coroa de ouro
cravejada de diamantes e rubis, juntamente com um manto azul.
No ano de 1894, chegou a Aparecida
um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para
trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da imagem para rezar com a
Senhora "Aparecida" das águas.
A 8 de Setembro de 1904, a imagem
foi coroada, solenemente, por D. José Camargo Barros. No dia 29 de Abril de 1908, a
igreja recebeu o título de Basílica Menor. Vinte anos depois, a 17 de Dezembro de 1928,
a vila que se formara ao redor da igreja no alto do Morro dos Coqueiros tornou-se
Município. E, em 1929, Nossa Senhora foi proclamada Rainha do Brasil e sua Padroeira
Oficial, por determinação do Papa Pio XI.
[Editar]Descrição da Imagem
A imagem de Nossa Senhora da
Conceição Aparecida, retirada das águas do rio Paraíba em 1717, é de terracota e mede
40cm de altura. Em estilo seiscentista, como atestado por diversos especialistas que a
analisaram (Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do Mosteiro de São
Salvador, na Bahia, Dom Clemente da Silva-Nigra e Dom Paulo Lachenmayer), acredita-se que
originalmente apresentaria uma policromia, como era costume à época, embora não haja
documentação que o comprove. A argila utilizada para a confecção da imagem é oriunda
da região de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo.
Quando foi recolhida pelos
pescadores, o corpo estava separado da cabeça e, muito provavelmente, sem a policromia
original, devido ao período em que esteve submersa no rio.
A côr de canela com que se
apresenta hoje deve-se à exposição secular à fuligem produzida pelas chamas das velas,
lamparinas e candeeiros, acesas pelos seus devotos.
Em 1978, após sofrer um atentado
que a reduziu a quase duzentos fragmentos, foi encaminhada ao Prof. Pietro Maria Bardi (à
época diretor do Museu de Arte de São Paulo - MASP), que a examinou, juntamente com o
Dr. João Marinho, colecionador de imagens sacras brasileiras. Foi então totalmente
restaurada, no MASP, pelas mãos da artista plástica Maria Helena Chartuni.
Embora não seja possível
determinar o autor ou a data da confecção da imagem, através de estudos comparativos
concluiu-se que ela pode ser atribuída a um discípulo do monge beneditino frei Agostinho
da Piedade, ou, segundo Silva-Nigra e Lachenmayer, a um do seu irmão de Ordem, frei
Agostinho de Jesus. Apontam para esses mestres as seguintes características:
forma sorridente dos lábios;
queixo encastoado, tendo, ao
centro, uma covinha;
penteado e flores nos cabelos em
relevo;
broche de três pérolas na testa;
e
porte corporal empinado para trás.
COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA
DA CONCEIÇÃO APARECIDA (2004)
Comemora-se, neste ano (2004) , o
centenário da coroação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, sinônimo de fé, de
devoção, de perseverança e de religiosidade.
A fé crescente dos cristãos
católicos teve origem na graça recebida por três humildes pescadores, que, após um dia
inteiro de trabalho infrutífero, apanharam em suas redes o corpo, sem a cabeça, de uma
imagem de Nossa Senhora da Conceição. Lançando novamente as redes, apanharam a cabeça
da imagem. A partir deste momento, a pesca daqueles homens foi abundante.
Por cerca de 15 anos, a imagem
permaneceu em um pequeno oratório na casa de um dos pescadores, onde ganhou a fama de
milagrosa e passou a ser venerada por centenas de pessoas. Como o local da devoção se
tornou pequeno para tantos peregrinos, em 1743, foi construída uma capela no alto do
Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública, em 26 de julho de 1745. Como o
número de fiéis continuava a aumentar, em 1834, foi iniciada a construção de uma
igreja maior, a atual Basílica Velha.
Muitos são os milagres atribuídos
a Nossa Senhora Aparecida, após o da pesca milagrosa. A comprovação dessas graças foi
de suma importância para que a Igreja obtivesse o título de Basílica, em 1908. Em
razão desses milagres, dia após dia, centenas de pessoas, principalmente as mais
necessitadas e excluídas, como os escravos, procuravam a imagem para rezar e receber as
bênçãos e proteção da Virgem milagrosa.
Como nos primeiros tempos de
devoção a Nossa Senhora Aparecida, o número de romeiros e devotos cresceu bastante e a
Basílica Velha tornou-se pequena para tão grande multidão; em novembro de 1955,
iniciou-se a construção da atual Basílica Nova, que, em 1980, ainda em construção,
foi consagrada pelo Papa João Paulo II, que, de moto-próprio, outorgou-lhe o título de
Basílica Menor.
Mas não somente os humildes e
necessitados se dirigiam à Capela onde ficava a Santa. Membros da aristocracia também
visitavam a Capela para orar. Conforme anotações em livros, feitas por historiadores, a
coroa na imagem de Nossa Senhora Aparecida foi doada pela Princesa Isabel, em 1868.
Trata-se de uma riquíssima coroa de ouro 24 quilates, com 300 gramas e, aproximadamente,
14 centímetros de altura, ornada com 24 diamantes maiores e 16 menores. Com essa coroa, a
imagem de Nossa Senhora Aparecida foi solenemente coroada em 8 de setembro de 1904, e com
ela permanece até hoje. Por determinação do Papa Pio XI, em 1929, Nossa Senhora da
Conceição Aparecida foi proclamada, ao mesmo tempo, Rainha e Padroeira Oficial do
Brasil.
Decorridos cem anos, no dia 8 de
setembro de 2004, nova coroação será realizada para assinalar a data, com a coroa
comemorativa ao centenário, resultado de um grande concurso realizado pelo Santuário
Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em parceria com a AJORESP
(Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Noroeste Paulista) e SEBRAE-SP (Serviço
Brasileiro de Apoio ás Micro e Pequenas Empresas de São Paulo).
A devoção a Nossa Senhora
Aparecida está intimamente ligada à cultura brasileira e já faz parte da vida da
maioria dos católicos do país, revelando a identificação de um povo com a simplicidade
de Maria, Mãe de Jesus Cristo. Com esta emissão, os Correios homenageiam, juntamente com
o Santuário Nacional de Aparecida e todos os devotos da Santa, os cem anos de sua
coroação, que revelam expressivas manifestações de fé popular.
Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo Metropolitano de
Aparecida

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro - Marinha Grande - Portugal
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