
Carlos Leite Ribeiro entrevistando

Elizabeth Misciasci
Luciane Makkário
Mais uma vez na gare do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Para nós, é sempre enorme
prazer visitar, embora virtualmente, a bela cidade de São Paulo, capital do Estado do mesmo
nome. Ainda não conhecíamos as nossas queridas amigas, Elizabeth Misciasci (Beth) e a
Luciane Makkário (Lu), daí a nossa hesitação à saída do aeroporto: - Como é que ela nos
iam conhecer ? ... Mas a dúvida demorou pouco, pois, logo avistámos um letreiro que tinha
escrito: "Somos do CEN !!! Estamos aqui Carlos !". Sorrimos e logo nos dirigimos ao
encontro de duas encantadoras jovens : "Eu, sou o Carlos !". Alegremente as duas
jovens voltaram-se para nós e, uma dela apresentou-se logo: - "Oi Carlos, eu sou a
Luciane. E de seguida, a outra jovem também se apresentou: - "E eu sou a Elizabeth
!". Alegremente respondemos: - "Olha uma bela loiraça ! E que olhos , Minha
Nossa!". Sempre sorrindo, logo me interpelou : "O Carlos tem alguma coisa contra as
loiras ...): . Claro que não tinha nem tenho, pois até gosto das loiras ... Naquele ambiente
alegre e descontraído, a Luciane perguntou-nos se "tinha algo contra as morenas ?".
Nestas situações, qualquer homem fica um pouco embaraçado, mas logo respondemos: "As
morenas até são as minhas preferidas ..". As duas deram enorme gargalhada e quiseram
saber que tipo de mulher gostávamos menos?!. Costuma-se dizer que: "o peixe (meu signo)
morre pela boca". Claro que inventámos logo que as mulheres que gostávamos menos,
seriam as que tinham o cabelo pintado de vermelho, ou azul, ou mesmo verde, etc. Talvez as
tivessem ficado convencidas, mas não ficámos com a certeza ... Entretanto, chegámos junto
ao carro da Luciane, que nos ia transportar até à Cidade, que dista cerca de 40 minutos.
Pelo caminho perguntámos à Beth se ela era natural de São Paulo:
Lu: - Bem, já moro em São Paulo á 13
anos, no bairro da Penha de França (*), lugar lindo e próximo ao lendário Largo Nossa
Senhora da Penha. Como vim de Vitória da Conquista interior da Bahia, gostaria de falar
brevemente sobre ela, uma vez que temos uma rica história e lindas paisagens. Vitória da
Conquista é uma cidade serrana, com uma altitude de aproximadamente 943,23 metros a cima do
nível do mar, tem um clima que favorece ao plantio de café e da soja, cultivos esses que
enriqueceu a cidade de 300 mil habitantes; ainda temos a famosa serra do massal, uma estrada
sinuosa e muito antiga, que marca a grande escalada da altitude da cidade, e que também serve
para alguns alpinistas se deliciarem com boas e seguras escaladas, assim como eu já
participei. o museu da cidade trás a história da pequena aldeia dos índios mongóis, que
após sofrer a guerra para a colonização, fora batizado de Vitória da conquista, conquista
esta sendo o mérito do bandeirante João da Silva Guimarães, historia datada em 1/07/1891.
Contamos ainda com teatros e com cinemas incentivando assim a cultura na cidade, muitos
eventos também são promovidos um deles é a Exposição Agropecuária aonde os grandes
criadores leiloam os seus animais valiosos tendo destaque atualmente o gado da raça Gir entre
outros, nestas exposições ainda temos cavalos maravilhosos como os da raça Quarto de Milha
que é um bom cavalo para rodeios e o lindo cavalo Andaluz. como a Bahia é um Estado de festa
a Micareta é a luz da cidade, carnaval fora de época que leva centenas de foliões de outros
estados e até mesmo de outros países para pular atrás dos trios elétricos.
Vitória da Conquista é a cidade natal
de muitas celebridades entre elas o saudoso cineasta Glauber Rocha e o grande compositor e
atual ministro da cultura do Brasil Gilberto Gil. (*) Lisboa um Bairro Popular que tem o nome
Penha de França. Quando chegámos ao Bar Brahma, onde íamos iniciar a entrevista, a Luciane
Macário, teve uma chamada telefónica e teve que se ausentar para fazer uma notícia
jornalística, daquelas chamadas "em cima da hora". Ficámos com a companhia
(simpática) da Elizabeth (Beth), à qual pedimos que nos falasse um pouco do livro
"Presídio de Mulheres e do projeto zaP! Beth: Olha Carlos, vamos chamar-lhe : Mulheres x
Criminalidade.
Hoje, podemos presenciar diariamente mais
mulheres envolvidas em Crimes, onde umas atuam com Liderança, outras com a frieza que permite
que todo o qualquer requinte de crueldade seja exercido contra vítimas, sem demonstração
alguma de sentimentos, ou remorsos, umas que após a conclusão do crime, se desvincula de
culpas, algumas que notoriamente enxerga o tamanho da "encrenca" que se meteram e
descobrem que é tarde para o arrependimento e assim por diante, sabemos que cada caso é um
caso isolado e que nada do que se tem falado ou mostrado é novidade, pois casos como os que
ultimamente estão sendo divulgados e muito abalam a opinião pública, são novos casos, mas
nunca os primeiros.
Natural, óbvio que não é, ainda
mais, quando se percebe que os números aumentam e as idades das acusadas diminuem.
Motivos têm de sobra para TENTAR
entender e buscar soluções...
Muitas vezes indagadas, pelo interesse
de muitos amigos em querer saber do por que abordarmos tema tão polêmico e cada vez mais
discriminado, nos limitávamos a responder com duas ou três frases no máximo, para não
estendermos o assunto ou nos desgastarmos em explicações que em nada nos acrescentaria,
muito contrariamente.
Porém, após avalanches de opiniões,
chegamos a seguinte conclusão:
Duas Mulheres se unem para efetuarem um
trabalho de pesquisas, tendo por final objetivo a elaboração de uma Obra Literária.
O tema: Sistema Penitenciário, este
seria o ponto de partida para a aquisição de descobertas e conhecimentos mais minuciosos
sobre o assunto, no entanto, após a avaliação de uma série de critérios, resolvemos
descentralizar a matéria de que se trata e expandi-la, voltando a atenção a uma
proposição mais específica, ou seja, Mulheres e cárceres.
Ora,
Ninguém passa 06 (seis) anos
praticamente da vida, andando por Presídios diversos no Brasil todo por puro laser, ou para
servirmos de receptoras de comentários desagradáveis ou opiniões de pessoas que querem
falar sobre algo que desconhecem e que com toda a certeza, não tem a menor intenção de
entender, pois algumas pessoas, fogem de problemas, até dos próprios quem dirá do seu
semelhante, assim sendo, definitivamente, resolvemos transformar um trabalho muito difícil em
Uma Obra Literária e na sequëncia o Projeto zaP! que tem por objetivo não só prestar uma
contribuição á sociedade, como também servir de referencia, para muitos que sem
percepção, tiram conclusões perigosamente inversas das realidades que nossa sociedade
vivencia.
Quantos não foram os casos de homens
"galanteadores" e até mesmo ingênuos que caíram nos famosos golpes das belas
Mulheres que serviam de isca, para "arrasta-los, a um assalto, um seqüestro e até mesmo
a Morte?"
Quantas vezes, apavoradas pela
violência, deixamos de dar uma informação na Rua, achando que aquela pessoa, mal vestida e
desprovida de "tudo" pode ser um grande risco?
Ainda vivemos numa sociedade, que
avalia as pessoas pelo que elas possuem financeiramente e não pelo que são. Pessoas que
ainda conseguem avaliar o caráter de outra, baseada na beleza da roupa, do cabelo, das unhas,
do carro, da casa... e às vezes acaba sendo vítimas de atrocidades, e o pior é que uma
pessoa com esse Perfil consegue transmitir suas noções de valores aos filhos, filhos esses,
que se tornam vítimas da falta de informações e ainda arrastam suas "turmas" que
acompanhando o modismo, comportam-se como verdadeiros crápulas diante não só de
meninas ou rapazes da sua geração, mas sim sem nenhum respeito "aos mais velhos"
quem dirá aos idosos... fazem um show de sadismo para "aparecer" necessita ser o
maioral da sua "galera", arrancado gargalhadas num ato "fútil", mas
perigoso, pois sem piedade, sem amor e principalmente sem Respeito, {esse garoto sem noção,
afinal, foi o que aprendeu a vida inteira:- exercitar a descriminação} consegue destruir um
ser humano, que já com as marcas dos anos e do sofrimento para sobreviver honestamente,
vendo-se como objeto direto das chacotas se afunda num estado depressivo com conseqüências
dolorosas.
Enquanto isso {o Jovem que ainda não
sabe nada da vida,} chega a rolar de rir cada vez que atinge mais uma de suas vítimas, sem
saber o mal que proporcionou a alguém que desconhecia, mas que pelas vestes simples,
tornou-se um alvo em potencial.
São estes mesmos jovens que precisam
ser moldados, ensinados, orientados, para que as novas gerações não venham a sofrer, pois
se os valores Morais e Financeiros, não forem devidamente repassados aos nossos filhos,
podemos prever que muitas Suzanes e muitos Almirs estão por vir.
Foi analisando casos como esses, que
resolvemos não só repassar em forma de Livro o quanto é fácil entrar e cair na vida errada
porém, não tão fácil sair...
Tivemos a oportunidade de conhecer
inúmeras pessoas, umas completamente realizadas com o rumo que suas vidas tomaram, outras
portadoras de infelicidades indescritíveis, muitas donas de dores, vergonhas, traumas e
remorsos irreversíveis.
A cabeça do "ser humano" é
complicada, cada um tem uma forma diferente de analisar um fato ou de sobreviver a uma
circunstancia, porém no geral, em determinadas situações quase todo mundo é igual.
Descrever alternativas para acabar com
a violência é fácil, difícil mesmo é entender os motivos e circunstâncias que levam uma
pessoa a cometê-la e coibir definitivamente o ato.
Por mais difícil que seja abordar
naturalmente este assunto, ele necessita estar constantemente em evidência, pois a violência
é real e fruto de um meio social que atinge a todos.
Neste trabalho, conseguimos penetrar
nas mais diferentes mentes de um contexto cruel, cada história, cada crime, cada pessoa se
mostrou de uma maneira diferente.
A maioria das mulheres que conversamos
diariamente, foram incentivadas entre tantos motivos, pelo amor doentio; algumas delinqüiram
por conveniência, ganância ou até mesmo pelas "conhecidas" necessidades
financeiras, prevendo que um ato ilícito seria a solução para muitos problemas sem nem
vislumbrar o precipício em que estariam se atirando.
Deixamos de narrar algumas histórias
que ouvimos, por achar que seria um desrespeito muito grande com seres humanos que certamente
foram às vítimas destas histórias podendo notoriamente ao ler o relato identificar o fato
á pessoa.
Milhares de relatos pelo País...
selecionamos alguns casos que de certa maneira, nos marcaram.
Aprendemos muitas coisas que, são
totalmente alheias ao mundo fora das grades, descobrimos que cigarros, selos de carta e até
mesmo um bife, podem ser motivos que levem alguém a morte.
Mergulhamos em um universo onde a
precariedade, a escassez, a falta de perspectivas, o desamor, a violência e o abandono são
latentes.
Presídio de Mulheres é um trabalho
que serve também para orientar, pois seu contexto tem um forte e exemplar valor educacional e
moral.
De todo um trabalho para a realização
de Presídio de Mulheres, tivemos a ousadia de investir no Projeto
zaP! Que embora seja um trabalho de risco (Pois nunca sabemos o que nos espera
atrás das Muralhas no Mundo entre as grades) nos proporcionou até hoje muitas emoções e se
tornou um sucesso rápido. A repercussão, talvez tenha se dado pela necessidade de
atendimento ás crianças (filhas dos cárceres) e familiares, que acabam sendo literalmente
arrastados para os cárceres, junto com as reeducandas que ingressam no sistema prisional
feminino e posteriori a difícil reintegração social.
.
Quando a Luciane voltou ao Bar Brahma, iniciámos então a entrevista, fazem as perguntas para
as duas, as quais responderam individualmente. Elizabeth Misciasci é a "Beth" e a
Luciane Makkário é a "Lu"):
CEN: - Qual a característica que mais
aprecia em si, e, nos outros ... ?: -
Beth: - Em mim, a persistência e a
credibilidade que tenho pelo ser humano, nos outros, a fidelidade sem dúvidas.
Lu: - Em mim, a Fidelidade; nos outros,
a sinceridade e a pureza de coração.
CEN : - De que mais se orgulha ... ?: -
Beth: - Das minhas duas obras-primas:
meus filhos, Victor de 16 anos e o Thiago de 09; das Obras Literárias Presídio de Mulheres,
Filhos do crime, A Difícil Arte de Recomeçar e Vale dos Condenados em lançamento próximo;
e as meninas dos meus olhos: PROJETO zaP!
Lu: - De ter uma família maravilhosa,
de ter escrito os livros "Presídio de Mulheres" "Filhos do crime"
-"A difícil Arte de recomeçar"- "Vale dos Condenados" que me
proporcionaram experiências inusitadas e enriquecedoras que deram vida ao projeto social zaP!
que trabalho hoje em companhia desta grande amiga e colega que admiro demais, a Elizabeth
Misciasci.
CEN: - Uma imagem do passado que não
quer esquecer no futuro ... ?: -
Beth: - Do último Natal com meu pai e
um grande amigo, isto em 1985.
Lu: - O nascimento de minhas sobrinhas,
o olhar de meus pais e a conquista pela democracia em meu país.
CEN: - Sua melhor qualidade, e, seu
maior defeito ... ?:
Beth: - Qualidade, acreditar na
Reabilitação de um ser humano; defeito, tenho Muitos ! Mas o pior é me magoar facilmente e
demonstrar minha mágoa.
Lu: - Bondade e o amor que sinto por
minha mãe Iromar Macário, em melhor qualidade; defeito, querer atingir a perfeição sempre,
e exigir a perfeição no semelhante.
CEN: - Qual a personagem que mais
admira ... ?: -
Beth: - Uma mulher magnífica,
personagem real que entrou para a história PAGU (Patrícia Galvão).
Lu: - Koffi Anan (real e necessário
hoje para a contribuição e propagação da paz no mundo)
CEN: - Qual foi o maior desafio que
aceitou até hoje ... ?: -
Beth: - Cuidar de um garoto soro HIV
positivo até o último segundo, quando fechei o caixão. E o projeto zaP!
Lu: - Sair do interior da Bahia para
morar sozinha na Metrópole São Paulo com 17 anos, mas já emancipada. E com certeza o
Projeto zaP!
CEN: - Qual o cúmulo da beleza, e , da
fealdade ... ?: -
Beth: - Beleza, o mar em dia quente ao
entardecer; fealdade, indubitavelmente a Fome.
Lu: - Beleza, uma criança sorrindo com
um lar estruturado, uma família feliz, uma nação em paz; fealdade, pessoas morando nas
ruas, violência uma verdadeira guerra urbana, nações guerreando, filhos assassinando os
pais geralmente estando sobre efeitos de drogas e por fim os entorpecentes ...
CEN: Duas perguntas: - O dia começa
bem se ... ? e - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio ... ?:-
Beth: - Começa bem se não acordar com
o telefone tocando; a influência, é que desperta angustia e tristeza, pois não consigo
esquecer daqueles que não possuem um lar e muito menos um agasalho.
Lu: - Começa bem se, todos que amo
estão bem e os meus projetos andando; no cair da folha sinto nostalgia ...
CEN: - Que vício gostaria de não ter
... ?:
Beth: - Da minha indisciplina com
horários para dormir. Sou viciada em manter os olhos abertos forçando a natureza e
prejudicando a minha saúde.
Lu: - De dormir e de viajar.
CEN: - O arrependimento mata ... ?:-
Beth: - Pior... mutila.
Lu: - Sim, principalmente quando
magoamos alguém e fazemos uma pessoa que amamos chorar ...
CEN: - As piadas às louras são injustas ... ?: -
Beth: - Carlos, isso que pergunta é
uma afronta ! (rs) Totalmente injustas, sou loira (pretenciosa eu não ?!).
Lu: - Claro que sim (rs) ... Tão
injustas quanto as piadas sobre as mulheres no trânsito...
CEN: - Passatempos preferidos ... ?:-
Beth: - Ler revistas femininas e
arrumar minha colecção de CDs (ouvindo as músicas, claro).
Luci: - Andar a cavalo, passear na auto
estrada, ler ou jogar xadrez (mas não gosto que me dêem xeque-mate) ...
CEN: - Quando era criança ... ?: -
Beth: - Tinha responsabilidades de
adulto.
Luci: - Amadureci cedo e achava uma
perca de tempo brincar, logo ajudava em casa, e mesmo contra vontade de meus pais com 13 anos
comecei a trabalhar, como vendedora em uma pequena loja no bairro onde morava nas horas livres
da escola.
CEN: - Como vai de amores ... ?: -
Beth: - Todos os amores vão bem. (Meus
filhos, meus familiares, meus amigos...rs...enfim!)
Lu: - Como sou viúva, ainda tento esquecer o meu 1º e grande amor
... estou só com minha família, meus amigos, meus trabalhos e meus livros.
CEN: - Que género de filme daria sua
vida...?
Beth: - Dormindo com o Inimigo.
Lu: Ghost ou Amor Além da Vida.
CEN: - Como se auto-define ... ¿: -
Beth: - Sou uma pessoa perfeccionista,
super protetora, audaciosa, sensível, inconformada com a desigualdade social, ousada, adoro
comprar brigas pelo que acredito valer a pena, dificilmente perco a paciência, chegando a ser
exageradamente calma e passiva, mas quando saio do sério, se precisar "subo e desço o
morro sem saltos e de peito aberto pra o que der e vier" ... não tenho nenhuma espécie
de preconceitos, sei nadar nas enchentes como mergulhar de um iate, por fim sou uma pessoa DO
BEM, sofro com problemas alheios. Sinto necessidade de ser útil, procurando contribuir como
uma fagulha que seja por algo ou por alguém, detesto gente inerte e invejosa, e mesmo que for
pra errar tento. Sou uma personagem atuante na vida, e se sigo em frente, não recuo jamais.
Lu: - Uma pessoa simples, pura de
coração, fiel sempre, dada a causas nobres e à justiça, ligada à família ao extremo,
corajosa e firme, enérgica em demasia (ás vezes) que luta por aquilo que acredita, e quando
quer algo vai buscar sempre, enfim uma peregrina no caminho estreito da vida.
CEN: - A cultura será uma botija de
oxigénio ... ?: -
Beth: - Se soubermos incentivá-la,
divulgá-la e abrirmos espaços para que as novas gerações se alimentem dessa fome, será
sim um alimento essencial para a sobrevivência da espécie humana.
Lu: - Se não incentivarmos os jovens a
trocarem os vídeos games por livros maravilhosos e não dermos condições de alfabetização
e de cultura para a população das camadas mais baixas. Temos que lutar para todos os povos
de todas as nações de classes proletárias tenham direito à cultura.
CEN: - Queridas amigas, a última
pergunta antes do almoço: E se, de repente, lhe oferecerem flores, isso é ... ?: -
Beth: - Uma deliciosa surpresa de quem
é Especial.
Lu: - Uma prova de carinho muito
grande.
Fomos almoçar ao Restaurante "O
Roma", que fica na Alameda Maranhão, uma travessa da Avª. Angélica, em São Paulo, em
pleno Higienópolis. Depois de um debate bem acesso, por fim chegámos a consenso geral:
íamos comer uma bacalhoada, de bacalhau "mesmo bacalhau" que não é pescado no
Porto ! Acompanhado por vinho branco gelado de casta do Sul do Brasil, "batido de
H2o" e Coca-Cola Light. Enquanto esperávamos pela refeição, a Elizabeth foi falando da
sua "São Paulo" : -
Beth :"-Nasci, cresci e vivo até
hoje em São Paulo/ Capital-Brasil.
São Paulo é uma Cidade extremamente
agitada, o transito é uma loucura e infelizmente vivemos em constante medo, fato este
proveniente da Violência cada vez maior, suspeita sou para falar da Minha Terra, pois mesmo
com todos os lados negativos, estando entre uma das tres maiores capitais mundiais, estranho
seria se não existissem problemas, já que nossa população é extensa. A necessidade do
povo é tamanha que temos milhares de empresas atuando vinte e quatro horas, independente do
bairro ou dos serviços que prestam, acredito que seja uma forma de unir o útil ao
agradável, pois ao mesmo tempo que uns ganham com suas portas abertas, outros podem se
beneficiar dos préstimos que se assim não fosse impediriam ou adiariam muitas atividades que
são executadas em qualquer horário.
Moro próximo de dois hipermercados e
se temos vontade de tomar um sorvete ou mesmo comprarmos um daqueles doces que só nos aguçam
em horários impossíveis do consumo, não temos qualquer problema, pois duas ou tres horas da
madrugada não há falta de movimentos, nem tão pouco a cidade dorme, muito pelo contrário,
são horários em que as filas dos caixas são maiores.
Temos o Masp na Paulista que exibe
eventos diversos, muitas vêzes gratuitos, exposições maravilhosas que enriquecem nossos
conhecimentos, pela versatilidade dos artistas e das obras expostas. O Masp ALÉM DE SER UMA
FORTE ATRAÇÃO TURÍSTICA é belo em construção, uma obra de arte fixa, que abriga obras de
artes diversas.
O anhembi, fica situado na Marginal do
Tietê uma das vias de acesso mais movimentadas se São Paulo, no centro de convenções, há
uma programação anual de feiras e eventos, aonde recebemos pessoas do Mundo todo, como a UD,
a fenavem, o salão do automóvel, a feira de informática, enfim. Atrás do Anhembi, temos o
SAMBÓDROMO, por onde as escolas de samba de DESFILAM NO CARNAVAL. Falando em exposições,
temos o Ibirapuera, que também atua na área de exposições entre elas uma das mais
conhecidas a Abrinque, feira de brinquedos que também reune empresários do Mundo todo.
O museu do Imigrantes, este é um local
imperdível, parte da novela terra Nostra, foi rodada lá. O museu, possue um espaço para
consultas, aonde o visitante pode buscar a origem de seus antecedentes se forem estes
imigrantes.
Parques imensos como o Playcenter é a
coqueluche das crianças. No Playcenter, temos uma das rodas gigantes maiores do mundo. Não
longe daqui mais fora da metrópole, esta situado o Hoppi Hari, que é o ponto de encontros de
artistas e celebridades que resolveram eleger o parque como ponto para comemoração de festas
não só infantis. É monumental, não deixando nada a desejar em vista do Play Center, mas
diferenciando pelo parque aquático que é imenso.
São Paulo é rico em teatros, cinemas
e pontos culturais. Assim sendo, impossível o é, relatar as numerosas casas de espetáculos
que compõe nossa cidade. Temos o Direct, O Cred Card Hall, o Night Club do Macksoud Plaza,
entre vários outros, que trazem atrações do Mundo todo.
O museu do Ipiranga, aonde D. Pedro
proclamou a Independencia é outro ponto turistico visitado e que passa por uma breve
benfeitoria, tombado pelo patrimônio histórico. A região central, é decorada pela
belíssima Catedral da Sé. Mais abaixo, temos a Rua 25 de março, que recebe milhares de
" sacoleiros" que buscam lá mercadorias para serem revendidas em outras cidades,
estados e países, o mesmo ocorre com o Brás, famoso pelas milhares de lojas que vendem seus
produtos (a maioria roupas de cama mesa banho e vestuarios normais) a preços bem baixos.
São duas regiões que acolheram e nós
Paulistas agradecemos: os milhares imigrantes que aqui chegando, trouxeram a mão de obra, a
criatividade e a vontade de crescer, com esta finalidade, muitos enriqueceram e ao nosso
Estado, proporcionaram oportunidades, melhorias, e crescimento.
Aqui esta centralizada várias
emissoras de TV, como O SBT, a Record, a TV Cultura que é do Estado, a TV Bandeirantes no
Morumbi e parte do sistema de jornalismo da Globo, tendo um dos mais modernos estudios que é
exatamente aonde é fixado o Programa do Jô Soares, que além de possuir o que há de mais
modernos em tecnologia televisiva é lindo o local de suas instalações.
Temos o Aeroporto Internacional de
Guarulhos< Cumbica> que é muito próximo da Penha, região em que moro. Já o Aeroporto
de Congonhas que também esta situado em São Paulo não chega a ser grande o bastante como o
Internacional, mas antes era apenas ele, sendo que alguns vôos eram taxiados para Viracopos
que é no interior do Estado, ou para Bauru, também interior. Hoje Congonhas é utilizado
para vôos rápidos e domésticos, é mais demorada uma ida minha da minha casa até lá, do
que uma ponte aérea São Paulo - Rio {rs}. Mas isso se dá em função do caótico transito
que tanto nos toma o tempo.
O Zoológico é enorme, outro ponto
turístico e muito movimentado, próximo temos o Simba safari, que permite que entremos com
nossos veículos e os animais soltos ficam próximos sem qualquer risco para os visitantes.
O memorial da América Latina é o
mantenedor de todo o acervo da América Latina, resumidamente completo e de necessario
conhecimento para quem quer aprender mais. Temos um outro lado também, que é o arquivo do
Dops, e que mantem os registros dos exilados políticos e todas as informações referentes a
infeliz época da Ditadura também conhecida como ANOS DOURADOS.
O Carandiru, que acabou de ser
implodido em novembro de 2002, ficava na av Cruzeiro do Sul -BAIRRO DE SANTANA, vizinho da
Rodoviaria do Tiête, a maior de SÃO PAULO. Falar do Carandirú é desnecesário e
desaconselhável, uma vez que temos recordações amargas demais do local.
São Paulo por fim, tem bares,
restaurantes, lanchonetes, hipermercados em funcionamento interrupto, e por ser um polo
industrial e econômico ativo é uma cidade fantástica, cheia de dificuldades e problemas
como em qualquer outro lugar do mundo, mas faz juz a fama: SÃO PAULO É UMA CIDADE QUE NÃO
PARA".
Ainda no restaurante, continuamos a
entrevista.
CEN : - O que é para você o termo
Esoterismo ... ?
Beht: - Uma doutrina para poucos
adeptos.
Lu: - É uma forma de buscar a
evolução espiritual de algumas pessoas, pessoas essas que muito respeito.
CEN: - Acredita na reencarnação ...
?: -
Beth: - Mesmo sendo um pouco cética em
alguns assuntos ligados à respectiva pergunta, confesso que lá no fundinho acredito sim.
Lu: - Acredito que exista algo depois
da morte, não quero acreditar que tudo se acaba em uma lápide fria.
CEN: - Acredita em fantasmas ou em
"almas do outro mundo" ... ?: -
Beth: - Do outro mundo não. Acredito
em almas sem luz e encarnadas neste mundo mesmo.
Lu: - Em fantasmas não, mas nas almas
sim.
CEN: - O Imaginário será um sonho da
realidade ... ?: -
Beth: - Com certeza.
Lu: - Na maioria das vezes sim,
sonhando com um mundo melhor, em perfeita harmonia, igualdade social, sem descriminação
racial ou de qualquer outro tipo e por fim um mundo em paz eterna.
CEN: - Acredita em histórias
fantásticas ... ?: -
Beth: - Dependendo de quem narra
acredito e adoro conhecer.
Lu: - Quero acreditar que em algum
tempo o mundo será fantasticamente maravilhoso.
CEN: - Deus existe ... ?: -
Beth: - Sem dúvidas e reside dentro de
cada um de nós.
Lu: - Sim, sim eu creio.
Saímos do restaurante e, como faltavam
ainda umas horas para apanharmos o avião de regresso a Portugal, as simpatiquíssimas
entrevistadas convidaram para um passeio de carro pela enorme Cidade de São Paulo. Foi dentro
do carro da Beth que fizemos a parte final desta entrevista.
CEN: - Que livro anda a ler ... ?: -
Beth: Estou lendo:- "A Iha dos
anjos" das queridas amigas e escritoras brilhantes:- Henriette e Maria Dulce-Acabei de
ler "Autópsia do Medo", de Persival de Souza e "Abusado", de Caco
Barcellos.
Lu: Estou lendo:-"Tertúlia Na Era
de Aquários" dos grandes escritores e amigos do Luna & Amigos- Acabei de ler"O
Código da Bíblia" , de Michael Drosnin (editora Cultrix), mas já estou a começar um
outro que se chama "A Verdade por Trás do Código da Bíblia", de Jeffrey Satinover
(editora Pensamento).
CEN: - Autores e livros preferidos : -
Beth: - Dividirei em duas a resposta,
os "Precursores" e os "Atuais". Precursores: Macunaíma (Mário de
Andrade) "Vidas Secas" (Graciliano Ramos) "Os Lusíadas"
(Camões) . Atuais: "Capitães de Areia" (Jorge Amado) "Crime com
Elas" (Dr. Artur Varatojo) "Feliz Ano Velho" (Marcelo Rubens Paiva
"Quem Ama Educa" (Içami Tiba) "Estação Carandiru" (Dr.
Drauzio Varella) "Rota 66 (Caco Barcellos) Abusado (Caco Barcellos)
"Autópsia do Medo (Persival de Souza).
Lu: - São tantos que gosto e admiro,
vou citar alguns: João Cabral de Melo Neto Camões Carlos Drumon de Andrade
Paulo Coelho Graciliano Ramos, Jô Soares - dr. Arthur Varatojo Jorge
Amado, Zélia Catai Cora Coralina dr. Drauzio Varella e muitos mais.
Livros são muitos também, mas vou falar alguns: "Alquimista" e "Diário de Um
Mago" (Paulo Coelho) "Os Lusíadas" (Camões) "Morte e Vida
Severina" (João Cabral de Melo Neto) "Crimes com Elas" (Dr. Arthur
Varatojo) "Capitães da Areia" (Jorge Amado) "Vidas Secas"
(Graciliano Ramos) "O Xangô de Baker Street" (Jô Soares) "Cora
Coragem" e "Cora Poesia" (Cora Coralina) "Anarquistas, Graças a
Deus" (Zélia Dattai) "Estação Carandiru" (Dr. Drauzio Varella) ... e
aí vai longe ...
CEN: - Música e Autores preferidos ...
?:
Beth: - Não daria neste espaço se
fosse mencionar todos. Não tenho preferência por um estilo único, observo a letra, melodia,
arranjo, interpretação, mixagem, enfim a Produção Executiva final. Seria mais fácil
descrever o que não gosto, como a "Éguinha Pocotó". Por atuar na área já há
muitos anos, se responder talvez eu venha a me enrolar (rs).
Lu: - "Bruta Flor" (Caetano
Velozo) "Vento no Litoral" (Renato Russo) Legião Urbana "Se eu
não te amasse tanto assim" (Ivete Sangalo "A cor dessa cidade sou eu"
(Daniela Mércure) "Dandalunda" (Margareth Menezes) "A
Máquina" (Fagner) "Vamos à Luta" (Gonzaguinha) "Asa
Branca" (Luis Gonzaga), e tenho ainda uma grande admiração por Amália Rodrigues grande
cantora dos fados portugueses ... mas gosto de outros grandes cantores nacionais e
internacionais ...
CEN: - O filme comercial que mais
gostou ... ?: -
Beth: - "Carandirú" de
Hector Babenco.
Lu: - "Violência contra a mulher
denuncie" "Diga não há pedofilia denuncie "Eu sou
da paz ... Se você anda armado, não te quero mais" . (Todos esses comerciais vincularam
na Rede Globo de Televisão / Brasil).
CEN: - Sua obra literária ... ?: -
Beth: - Concluída: "Presídio de
Mulheres. "Filhos do Crime" "A difícil Arte de Recomeçar" e
"Vale dos Condenados" EM LANÇAMENTO. Para mais informações, pode consultar os
seguintes sites:
http://www.livropresidiodemulheres.com.br/
http://www.revistazap.hpgvip.com.br/jornal_zap.htm
Lu: - "Presídio de Mulheres"
que é a menina dos meus olhos, "Filhos do Crime", "Vale dos Condenados",
"A difícil Arte de Recomeçar". Para mais informações, pode consultar os
seguintes sites:
http://www.informativoakkitemarte.com.br/
CEN: - Para terminar, diga o seu nome
completo, data nascimento e ocupação profissional ... ?: -
Beth: -
Elizabeth Misciasci,
nascida aos 15 dias de Janeiro de 1965 em São Paulo, Capital. Sou Jornalista, Escritora,
Compositora, Produtora, Humanista, Idealizadora do Projeto zaP! e Empresária.
Lu: -
Luciane Macário,
nascida a 27 de Julho de 1975, pelas 11:00 horas, no Hospital São Vicente de Paula, em
Vitória da Conquista (Bahia Brasil). Sou Compositora, Escritora e Crítica,
Co-Produtora Musical, Humanista, Idealizadora do projeto zaP! e Jornalista.
Novidades:- Em breve, um programa de
entrevistas on line.
Foi um dia bem passado com estas duas
queridas amigas, na situação, entrevistadas. Chegámos ao Aeroporto mesmo em cima da hora da
partida. A Luci ofereceu-nos o seu lindo chapéu, branco, redondo com uma aba acentuada. E
não contente, no meio daquela azáfama toda que é a partida de um avião, recitou (segundo
ela só para nós) o seguinte poema, que foi muito aplaudido pelos presentes:
Lamento sertanejo - Luciane Makkário
Sou as barragens secas do sertão,
que machuca e comovi uma nação.
Eu sou lua cheia, e alvorada,
Sou o cacto das estradas,
Plantação toda queimada.
Eu sou o amigo e o inimigo,
Deixo um coração ferido,
Se não sou chuva molhada.
Atinjo o esplendor todo o verão,
Açoito e até machuco o gavião.
Eu sou os brinquedos das crianças,
Ossos que mata a esperança,
De um pasto enverdecer.
Mas para que isso aconteça,
Tenho que usar minhas forças,
para o gado falecer...
Eu sou a dor de um castigo,
Sou solidão.
Mãos calejadas, sofrimento...
Sol do sertão.
Sou uma rede, carregada,
Morte e dor.
Sou despedida,
Pau de arara, fome eu sou.
Lamento Sertanejo foi inspirado na seca
do Sertão Nordestino do Brasil, que castigado pelo sol quente, chega a matar o pássaro
típico da região o "Gavião", secar os rios e os açudes obrigando assim, os
sobreviventes á tomarem a água de uma planta nativa da terra, fazer crianças brincar com
ossos de animais mortos, por não possuírem brinquedos, enquanto esperam o dia de sua
própria morte por falta de comida, assistindo á procissões que seguem carregando sobre os
ombros uma rede com um cadáver desnutrido, que some atrás da poeira vermelha criada pelo
"pau de arara" caminhão que leva o povo que foge da seca.
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