GRANDES ENTREVISTAS

Flóra A . Cavalcanti B .

CARLOS LEITE RIBEIRO

Carlos Leite Ribeiro entrevistando

Flóra A . Cavalcanti B .

          Conheci a Flóra Cavalcanti durante o 1º Encontro do Portal CEN – "Cá Estamos Nós", em Fortaleza CE. É uma pessoa excepcional, de categoria mas ao mesmo tempo muito simples.
          Quando resolvi fazer esta Grande Entrevista, telefonou-lhe para saber bem onde ficava Londrina PR. Descontraída como sempre, ela me indicou: - "Carlos, é muito simples ! Para chegar aqui em Londrina, pode-se utiliza a rodoviária vindo de ônibus, na qual somos servidos por diversas linhas executivas e leitos, vindo e voltando de grandes capitais como: Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis, Buenos Aires, Assunpcion (Paraguai) e muitas outras cidades importantes. Também pode chegar de avião, pois temos aeroporto que recebe voos de grandes Cia. aéreas nacionais. Também pode vir de carro particular, e chegar aqui vindo do Estado de São Paulo pela BR 369, ou de Curitiba no sul, pela PR 445, estando no Norte do Estado".
          Como vêem, foi muito elucidativa. Preferi viajar de avião.
          Pedi-lhe também que indicasse o ponto de encontro para começar esta entrevista, e logo a nossa entrevistada, respondeu-me: - "Que tal vir aqui em minha casa? Se o Carlos estiver de acordo, sai do aeroporto, pega a avenida Santos Dumont em direção ao centro da cidade, ao final dela, você vira a direita e entra na avenida Celso Garcia Cid, anda uma quadra e entra a direita novamente na Rua Brasil, vai entrar a esquerda na avenida Leste Oeste, no segundo semáforo, você desce a direita, é a rua Cuiabá, depois de algumas quadras ela se torna Atílio Scudeler e umas três quadra a seguir ela já é Pres. Xavier da Silva, no número 326, é a minha casa. Seja bem vindo!".
          Depois de uma enorme maratona, muito cansado, consegui chegar à casa da Flóra Cavalcanti.
          Depois das saudações, sentamo-nos no seu atelier para um breve papo e iniciámos a Grande Entrevista:
          Carlos: - Flóra, qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ?: -
          Flóra: - Foi adoptar um menino com 11 anos de idade que sofria de leucemia, sabendo que tinha pouco tempo de vida, e que tudo pela frente seria de muito sofrimento, eu aceitei em nome de algo que circula no meu sangue, caridade, fraternidade.
          Carlos: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ?: -
          Flóra: - São mesmo bons e grandes momentos que já vivi nesta vida e com certeza viverei muito mais, mas uma coisa me marcou muito. Foi um menino que adoptei, ele tinha 11 anos, e viveu comigo apenas um ano e um mês, e que morreu de leucemia. Fiquei muito marcada a presença dele em minha vida . Um mês e pouco antes dele morrer, mais precisamente no mês de maio, na semana do dia das mães, eu achei ele muito agitado, pensei que fosse dos remédios fortes que ele tomava por causa da quimioterapia. Ele encontrava-se no hospital. Só mais tarde vim a saber, que a causa, era que ele queria me dar um presente no domingo das mães, mas como estava internado e não podia escrever, pois sua mãozinha estava com problemas por causa do soro aplicado nas veias, ele me fez uma declaração e me entregou um beijo como presente, pedindo desculpas por não poder escrever, e que ele queria me dar um colar de pérolas de verdade, mas não dava ($). Foi a coisa mais linda que ouvi, e foi o colar mais valioso que ganhei em minha vida. São minhas verdadeiras pérolas. Nunca vou esquecer.
          Carlos: - Para você, qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?: -
          Flóra: - Beleza, é ver uma criança descobrindo a vida, e vendo uma adulto despertando seu lado criança; feladade, falar mal das pessoas e racismo, é simplesmente nojento.
          Carlos: - O dia começa bem se ... ?: -
          Flóra: Quando em primeiro lugar eu louvo a Deus por mais este dia, mesmo que eu tenha problemas, não serei derrotada por eles, não por eu ser forte, mas por que a fortaleza de Deus habita em mim.
          Carlos: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio ?: -
          Flóra: - As folhas caem para que se possa nascer as novas, é o ciclo da vida. O frio que se sente no corpo, não pode esfriar a alma, é apenas mais uma estação do ano, e que tudo se renovará com a chegada da primavera.
          Carlos: - Seus passatempos preferidos ?: -
          Flóra: - Navegar na Internet, ler livros dos amigos, entrar nos sites de literatura, coisa boa. E também rever amigos, andar no shopping, quando dá, pois a vida muda e os hábitos também.
          Carlos: - Quando a Flóra era criança ?: -
          Flóra: - Tenho muitas lembranças de minha infância que marcaram muito, acho até que já falei de várias, mas uma coisa que me deixa com saudades, é de subir no pé de "Manga Rosa" e colher aquelas mangas bem maduras e durinhas, com um colorido de encher os olhos, e um aroma que nunca esqueço, que delícia. Quantas vezes minha mãe me chamava para fazer algum serviço, eu lá, trepada feito uma macaca nos galhos da mangueira escondida nos meios das folhas...risos.
          Carlos: - E agora, como se auto-define ?: -
          Flóra: - Sou determinada, humana, acessível, criativa, e quero conhecer muitas coisas ainda.
          Carlos: - E como vai de amores ?: -
          Flóra: - Amores ? Amores ? Há ! entendi ! Só posso te dizer uma coisa bem certa, séria e bem positiva, o Amor me ama, muitooooo mesmo.
          Carlos: - Que género de filme daria sua vida ?: -
          Flóra: - Um filme cheio de romantismo, amor, criatividade, emoção, arte....risos, e eu lá feliz da vida!
          Depois desta primeira parte, fomos fazer um tour pela cidade de Londrina. Londrina é uma cidade aproximadamente 500 mil habitantes. Tem 70 anos, foi colonizada por ingleses, uma curiosidade é que a praça central ao lado da catedral, numa vista aérea é do formato da bandeira da Inglaterra, foram feitas várias reformas nos canteiros, mas o projecto original e por muitos anos, era a bandeira com seus risco formando canteiros e as calçadas.

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Cidade de Londrina

          Passámos pelo Museu Histórico, Casa da Cultura, Estádio do Café, Autódromo Ayrton Sena, Aeroporto com voos diários, e o complexo rodoviário também é muito bom.
          A Flóra Cavalcanti, durante o percurso, foi-nos dizendo: "Na parte de gastronomia temos uma variedade de restaurantes e churrascaria. Na área da medicina também a coisa por aqui é bem actualizada e avançada. Comercialmente, temos grandes redes de lojas de departamentos, um comércio bem diversificado, shoppings bem amplos e visitados, redes bancárias. Aqui a agricultura domina, nossa região é bem movimentada no sector do agro negócio. No campo de ensino médio e superior temos a UEL- Universidade Estadual de Londrina, a UNOPAR- Universidade Norte do Paraná, várias outras faculdades, colégios particulares e do estado e também municipal, prestando grandes serviços a sociedade. Eu nasci aqui, conheço outras cidades, outras capitais, mas minha Londrina, é para mim, tudo de bom".
          Aproveitei para lhe fazer mais uma perguntas para a entrevista:
          Carlos: - Flóra, qual a sua melhor qualidade, e , maior defeito ?: -
          Flóra: - Qualidade, ser bem directa e objectiva, não faço curvas quando vou esclarecer os pontos de vista. Procurando sempre não ofender as pessoas, e respeitar as diferenças. Isso faz muita diferença, se você gosta de branco e eu de vermelho, que viva as duas cores, não serei mais nem menos que ninguém; defeito... Perfeccionismo, hum??? isso judia! Imagine numa situação onde alguns chegam a 50% e você consegue 99% e se sente derrotado por causa dos tão sonhado 100%? Isso acaba prejudicando. Por isso que tem que estar com o bom senso funcionando 100% para não ser um defeito grave. E eu tenho feito o possível.
          Carlos: - O arrependimento mata ?: -
          Flóra: - Não sei, nunca me senti assim, por isso sempre faço tudo de melhor e mais um pouco, para quando colocar a cabeça no travesseiro, dormir sem remorsos por não ter feito mais.
          Carlos: - Qual a personagem que mais admira ?: -
          Flóra: - Scarlet Ohara de "E o Vento Levou".
          Carlos: - Que vício gostaria de não ter ?: -
          Flóra: - Não tenho vícios, nada que me tire o sono.
          Carlos: - De que mais se orgulha ?: -
          Flóra: - São tantas coisas. Por ter Deus em minha vida e viver diante Dele. De ter três filhos lindos e maravilhosos, de ter amigos que fazem parte da minha vida, mesmo os virtuais, são reais que o coração aperta.
          Carlos: - Que característica mais aprecia em si, e, também nos outros ?: -
          Flóra: - Em mim, respeitar os amigos e as pessoas em geral; nos outros, o respeito pelas pessoas.
          Com as nossas barriguinhas a dar horas, fomos almoçar ao Restaurante Galpão Nelore. Um picanha no ponto, com alho, acompanhado por sumo de graviola, foi o nosso almoço. Enquanto esperávamos pela refeição, a Flóra foi falando da sua amada Londrina. Inesperadamente, começou a cantarolar o Hino de Londrina - "

          Londrina!
          Música: Andrea Nuzzi - Letra: Francisco Pereira Almeida Jr.
         
          Londrina!
          Cidade de braços abertos / A todos os fllhos do nosso Brasil! / E a todos aqueles de PátriaS distantes,
          Que aqui, confiantes / Sob um pálio anil, / Seu lar construíram e aos filhos se uniram, / E aos filhos se uniram do nosso Brasil!
          Londrina!
          Cidade que sobe, que cresce, / Que brota e floresce, / Que em frutos se expande! / Que a Pátria enriquece,
          Que alta, e que grande, / O encanto oferece / De sempre menina!
          Londrina!
          Das matas e das derrubadas, / Londrina das roças de espigas dobradas! / Das filas cerradas de pés de café!
          Dos grandes poentes das tardes douradas, / De escolas ao longo das longas estradas! / Do arado, do livro, da indústria e da fé!
          De braços abertos, dá pouso e guarida, / A todos que a buscam, materna e gentil! / Porém, destemida, se os brios lhe ofuscam,
          Sói ser atrevida, impávida, hostil. / Seu solo fecundo, feraz, generoso / A quem, carinhoso, lhe deita a semente,
          Por uma dá mil! / Padrão de trabalho plantado na História!
          Londrina!
          Cidade que um povo viril / Ergueu para a / Glória
          Do nosso Brasil!

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Brasão e Bandeira de Londrina

          BRASÃO DE ARMAS
          O Brasão de Armas é usado nos documentos da Prefeitura e da Câmara Municipal. Seu criador foi Guilherme de Almeida. Foi alterado em 1981 pelo Professor Arthur Luponi. O Brasão traz no listel as datas de 3 e 10/12/1934, que representam a criação e a instalação do Município respectivamente.
          (Fonte: TUMA, Magda Madalena - Viver é Descobrir - 3ª série - Editora FTD, 1999)
          As torres identificam uma cidade de primeira grandeza. O escudo de prata reverencia os descobridores portugueses enquanto a cruz vermelha é homenagem aos empreendedores ingleses que deram início a Londrina. As estrelas de prata representam a constelação do Cruzeiro do Sul, o arado lembra o valor do trabalho na terra e os ramos de cafeeiro formam um registro histórico do produto que marcou o progresso da cidade.
          (Fonte:
www.londrina.pr.gov.br )

          BANDEIRA
          A Bandeira Municipal é formada por um retângulo vermelho, com quatro estrelas prateadas postas em cruz, simbolizando a constelação do Cruzeiro do Sul. Foi elaborada por Guilherme de Almeida e representa o município nos desfiles cívicos, festividades, escolas e em outros municípios e estados. É hasteada diariamente na Prefeitura e na Câmara Municipal.
          (Fonte: TUMA, Magda Madalena - Viver é Descobrir - 3ª série - Editora FTD, 1999)
          O vermelho cereja representa a cor da terra, a fertilidade e simboliza o entusiasmo, a coragem e o espírito de luta. Dispostas em cruz as estrelas de prata lembram o Cruzeiro do Sul, os quatro continentes de onde vieram os pioneiros e representam a inspiração, o caminho e o rumo. Eqüidistantes, as estrelas simbolizam ainda a expansão em todos os sentidos e direções, os braços abertos aos quatro pontos cardeais e o equilíbrio.
          (Fonte:
www.londrina.pr.gov.br )


Museu Histórico de Londrina

          O Museu Histórico de Londrina foi inaugurado em 18 de setembro de 1970, na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina e a partir de 1974 tornou-se órgão suplementar da Universidade Estadual de Londrina, vinculado academicamente ao Centro de Letras e Ciências Humanas. Desde 10 de dezembro de 1986, ocupa o prédio da antiga Estação Ferroviária de Londrina, que por suas linhas arquitectónicas constitui-se em marco histórico da origem inglesa da colonização de Londrina e do Norte Novo do Paraná.
          Durante o almoço, ainda tive tempo de continuar esta entrevista:
          Carlos: - O que é para a Flóra o termo Esoterismo ?: -
          Flóra: - Alguma coisa que as pessoas tem como fonte de conhecimento e de encontro com si mesmo, talvez a busca de uma espiritualidade, mas não conheço nada a respeito.
          Carlos: - Acredita na reencarnação ?: -
          Flóra: - Na minha fé, vivo a esperança da ressurreição, que viveremos um novo mundo na presença de Deus. Sobre esta coisa de uma pessoa morrer e voltar a viver, acho que isso é uma questão de fórum intimo, cada qual acredita naquilo que sabe, que vive e escolheu para viver, como eu não sei nada sobre este assunto, realmente não saberei falar sobre.
          Carlos: - E em histórias fantásticas ?: -
          Flóra: - Sim, às vezes as pessoas vivem histórias fantasticamente maravilhosas.
          Carlos: - Deus existe ?: -
          Flóra: - Sim, para mim Deus é tudo em minha vida, e infinitamente ONIPRESENTE, ONIPOTENTE E ONISCIENTE.
          Depois do almoço, fomos até ao Parque Artur Thomas, que segundo palavras da nossa entrevista, é um lugar aprazível : "Agora eles deram uma limpada boa, tem um lago bem calminho, dá uma paz muito grande a gente sentar na grama e ver crianças correndo brincando, é como se a vida desse um tempo, muito bom. Tem até um mirante lá numa das quedas d'água.
          E, foi neste lindo local que fizemos a última parte desta entrevista:
          Carlos: - A cultura será como um botija de oxigénio ?: -
          Flóra: - Tem que ser, sem cultura não se chega a lugar algum.
          Carlos: - Que livro anda a ler ?: -
          Flóra: - "Trabalho Escravo" de Nelson Ramos Barretto.
          Carlos: - Autores e livros preferidos ?: -
          Flóra: - Todos, amo a literatura literalmente, adoro ler crónicas, poemas, poesias, romances, a leitura é tudo de lindo para mim. Não importa o nome de quem escreveu, ele é super importante para mim, e eu vou ler. As pessoas criam algo de espectacular para nós, falam de alguma coisa, escrevem o que pensam, falam de amores e desamores, pode até ser algo que não edifica, mas que no fundo serve para você ver o quanto você cresceu, em alguns casos, e ler estas criações é fantástico.
          Carlos: - Música e autores preferidos ?: -
          Flóra: - A música faz parte de mim, acho até que sou música, risos. Compor uma música deve ser a coisa mais linda não? e como me encanto com a música. Eu adoro pintar ouvindo música, as vezes falo que pintei uma música, elas são uma leitura auditiva, pode isso? complicado não? Correctamente falando, música fala aos nossos ouvidos, e eu também amo música.
          Carlos: - Sua obra literária e sai Home Page ?: -
          Flóra: - Eu já montei um livro com poemas meus e de amigos, mas não fiz ainda aquilo que quero, que sempre sonhei, estou a caminho desta realização. Home Page ? :
www.floracavalcanti.com
          Assim, falámos de:
          Flóra A . Cavalcanti B .
          Pintora, escultora e faz decoração de ambientes, seja com arranjos florais,
          ou com pintura em painéis para algum evento especial
          Nascida a 03 de Novembro (diz que é da "Era de Aquário" séc. XXl

          "Apenas os fragmentos" – Flóra Cavalcanti
         

          Sigo as marcas na areia escaldante do deserto,
          Te encontro.
          Abraço teu corpo molhado.
          As ondas batem na praia
          O sol se intimida.
          Beijos, carinhos,
          Fragmentos de amor
          Se espalham pelo mar,
          Tudo se inicia novamente.
          Seus sussurros,
          Suas palavras,
          Seus beijos.
          O mundo não tem fim,
          Nem começo.
          Tudo é mágico e sensual.
          Sua beleza explícita
          Refletida em gestos de carinhos,
          Fazemos amor no nosso amor.
          Aperto suas mãos entrelaçadas as minhas,
          Sinto seu pulsar,
          O seu prazer,
          Sua doçura,
          O seu querer me querer.
          Sua fortaleza
          Me faz feliz,
          Deito em seus braços,
          Repouso.
          Sonho,
          Amanhã novamente aqui,
          Te amarei.

Formato de:
Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal