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GRANDES
ENTREVISTAS
JOÃO DE OLIVEIRA JUNIOR |
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CARLOS LEITE RIBEIRO |
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Carlos Leite Ribeiro entrevistando
JOÃO DE OLIVEIRA JUNIOR

Palmas Paraná |
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Família Feliz |
Mais uma vez no Estado do Paraná e, quando passo a Curitiba, não posso deixar de visitar a
Janice. Depois rumei a Palmas, uma cidade deste Estado brasileiro, para entrevistar o JOÃO de
OLIVEIRA JUNIOR. O locar combinado para a entrevista, foi a casa da amiga Lucy Salete. Depois,
fomos para um bar perto da casa da casa da Lucy, onde começámos a entrevista: - Amigo
Junior, quais os seus passatempos preferidos ... ?: -"Amigo Carlos, ler, tocar violão,
assistir a filmes e ouvir música. Gostaria de gostar de praticar esportes, mas sou um pouco
preguiçoso para isso". Qual a característica que mais aprecia em si, e, nos
outros ... ?: - "Em mim, uma capacidade de ler as entrelinhas da realidade de uma forma
desvendadora; nos outros, admiro, naqueles que podem, o direito de se ouvirem e de ouvirem os
outros, sem prepotência, ou de, pelo menos, se esforçarem para tal". Qual foi o
maior desafio que aceitou até hoje ... ?: -"Quando comecei a fazer análise tive de
romper certas barreiras de ordem pessoal, conceitos profundamente enraizados e que me
permitiram discutir, eliminar ou reformular aspectos de minha vida". De que mais
se orgulha ... ?: -"De ter rompido estas barreiras que hoje me permitem ter uma vida mais
calma e serena". Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ... ?:
-"Talvez a lembrança de meu irmão, falecido há alguns anos". Quando o
Junior era criança ... ?: -"Brincava de Forte Apache e passava os finais de ano na
praia, na casa da minha avó. Botas ortopédicas e aparelho no dente. Chorão demais,
principezinho demais. Mas os tapas que a vida me deu me endireitaram, ou pelo menos, estão
tentando". Qual a sua melhor qualidade, e, seu maior defeito ... ?:
-"Qualidade, tenho ouvido para os outros ...; Defeito, sou mais nervoso do que o normal.
Como defeito poderia dizer também que não sou complacente nem altruísta, mas, no fundo,
acho que isso é uma qualidade". Para você, o arrependimento mata ... ?:
-"Deixa tonto. Apesar de que a vida está aí para ser levada adiante. Certos
acontecimentos, tomadas de decisões podem fazer o sujeito gastar muitas horas depois se
auto-torturando. Porém, olhando por um outro enforque, é melhor se arrepender de ter feito
algo do que se arrepender por nem ter tentado". Qual o cúmulo da beleza, e, o da
fealdade ... ?: -"Da beleza, a natureza, sem a intervenção destrutiva do homem. Ou um
insight quando o sujeito pode, por alguns momentos, ter contato com a sua verdade; Da
fealdade, a ignorância, a cegueira e a prepotência de um povo". Que vício
gostaria de não ter ... ?: -"Submissões". Qual a personagem que mais admira
... ?: -"Admiro Freud pelo que disse e descobriu, principalmente se levando em conta os
conceitos da época em que disse o que disse". Diga-me se considera as piadas às
louras injustas ... ?: -"Deixe-me rir ! Digamos que toda a piada tem um fundo de verdade,
mas creio que as louras destas piadas correspondem a um tipo especial de loura. A estas, as
piadas são justas". Para o Junior, o dia começa bem se ... ?: -"Se acordo
bem. Infelizmente, não conheço uma fórmula para se acordar bem, mas, quando acordo bem,
até o temporal, com raios e trovões, fica mais belo". Que influência tem em si
a queda da folha e a chegada do frio ... ?: -"Nunca parei para pensar nisso. Me alegro na
primavera, com o fim do frio. O frio é melancólico, mas tem seus momentos agradáveis".
Como é que você se auto-define ... ?: -"Tolerância zero em muitas coisas, coisa
que trabalho para melhorar, mas, para contra balancear, sou um bom ouvinte, quando sou
procurado. Me esforço para manter os olhos abertos, por mais que a realidade da vida lute
contra, sempre nos forçando a ficar cegos". Como vai de amores ... ?: -"Uma
filha de doze anos e uma esposa que tem a melhor das qualidades entre todas: é companheira. A
minha esposa está grávida e logo logo a Pedrita, minha nova filha, estará entre nós".
Que género de filme daria sua vida ... ?: -"Humor negro". E se, de
repente, uma senhora lhe oferecesse flores, isso era ... ?: -"Estranho. Não estou
habituado pela beleza dos poetas. Estou mais próximo à crueza de Kafka". Uma
última pergunta antes do almoço: para o Junior, Deus existe ... ?: -"Me utilizarei das
palavras de Einstein para responder: " Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na
harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações
dos seres humanos"; para Einstein, Deus e o universo uma mesma substância. Enfim, não
acredito em Deus".
Saímos do bar e fomos para um
restaurante no centro de Palmas e, enquanto esperávamos pela amiga Lucy Salete que nos honrou
com a sua presença, o João de Oliveira Junior da sua cidade de Palmas: - "Esta cidade
é muito antiga, onde até poucas décadas atrás, era caracterizada pelos latifúndios
praticamente improdutivos. Infelizmente, graças a algumas péssimas administrações, esta
cidade ficou muitos anos parada no tempo, quando perdemos a oportunidade de nos consolidarmos
como a "Capital do Sudoeste do Paraná". Atualmente, a cidade é a maior exportadora
de Compensado de Pinus Elliotis do Brasil". Entretanto, a nossa querida amiga chegou e o
almoço foi pedido. Para entrada uma salada bem fornida, camarões fritos e queijos da
região. Em seguida, "Uma bacalhoada em homenagem à Portugal". Acompanhado por um
bom vinho tinto seco, do Sul do Brasil. Enquanto esperávamos pela refeição, continuámos
com a entrevista: - Junior, a Cultura será uma botija de oxigénio ... ?: - "Não vejo a
cultura como algo onde se possa se salvar. Vejo como algo para ser usufruída. Não seria
então de oxigénio, para respirar, mas de perfume, para se deliciar". Para você
o que é o termo Esoterismo ... ?: -"Me abstenho dessa, por estar voltado para outra
área". Acredita na reencarnação ... ?: -"Não". Acredita em
fantasmas ou em "almas do outro mundo" ... ?: -"As únicas coisas que acredito,
são os fantasmas internos, que nos atacam nos pesadelos, oriundos de uma estrutura psíquica,
mas estes não são sobrenaturais". O Imaginário será um sonho da realidade ...
?: -"Uma metáfora / metonímica de nossas histórias inconscientes".
Acredita em histórias fantásticas ... ?: -"Acredito que são criadas através dos
delírios humanos". Mudando de assunto:- Que livro anda você a ler ...?: -
"Leio vários ao mesmo tempo. Terminei "Sobre Meninos e Lobos", que deu origem
ao filme que, inclusive, concorre ao Oscar deste ano. Li uma série de livros de Dalton
Trevisan para encontrar inspiração para terminar o livro que estou escreven, li
"234", "Ah, é!", "A Polaquinha", "Encontros
Conjugais", dentre outros. Li também "O Homem dos Ratos", um caso clínico de
Freud e "Budapeste" de Chico Buarque Diga-nos o nome de autores e livros
preferidos ... ?: - "O meu grande inspirador e ídolo atual é Dalton Trevisan. Sempre
gostei também de Luiz Fernando Veríssimo. Gosto da subtileza de suas crônicas. Meu livro
preferido é "Uma temporada com Lacan", de Pierre Rey. Gosto também de "Nunca
lhe Prometi um Jardim de Rosas" de Hannah Greem, "Palavras por Dizer", Marie
Cardinal. Música e autores preferidos ... ?: -"Cresci escutando Chico Buarque de
Holanda. Depois, na adolescência, entrei no rock. Gosto de Black Sabbath e Led Zepellin,
além de Titãs, Supertramp, Rush e Rollig Stones. E hoje, não dispenso um Edson Cordeiro,
Shakira e, de volta às origens, um bom Chico Buarque. Atualmente a minha banda preferida é
Pelebrói Não Sei, e gosto também de coisas fora do comercial, como Mulheres Negras e Tangos
& Tragédias". O filme comercial que mais gostou ... ?: -"O Poderoso
Chefão l" é, na minha opinião, o melhor filme já feito. "Laranja Mecânica"
também faz parte do meu acervo".
Para terminar, vamos falar da sua obra
literária ... ?: -"O meu primeiro livro TENSÃO é uma coletânea de contos
e tem uma versão resumida dele à disposição na Biblioteca Virtual. Estou presenteando
todos os amigos que visitarem a minha página
www.jroliveira.com.br
com um exemplar, é só entrar lá e me enviar um e-mail. Estou para lançar em Março o livro
PARA DALTON Mini-contos e Outras Histórias. Este será labnçado junto com
um livreto chamado JUVENAL, que narra a história de um paranóico coitado que
se tem certeza estar sendo perseguido em função de um assalto seguido de morte que
presenciou.
E assim falámos de:
JOÃO de
OLIVEIRA JUNIOR
www.scampos.com.br/junior
Nasceu a 16 de Janeiro de 1966. É
industrial no ramo madeireiro, escritor por hobby e tem uma coluna semanal no jornal
"Correio Regional".
Sinal Vermelho
Ele pára no sinal vermelho. A
menina, doze anos, moreninha, cheinha, peitinhos duros sob a camiseta rota outrora branca, se
aproxima do vidro.
- Quer chiclete, tio?
Um real!
Ele faz sinal que
não e ela retorna à calçada. Por trás, olha a bundinha que insiste escapar pela bermuda
apertada de pequena.
Ao sinal verde,
avança. Com a cabeça formigando de desejos, dá voltas pelas quadras de Curitiba.
No mesmo semáforo, a
mesma moreninha.
- Quer chiclete, tio?
Um real!
- Não, mas dou cem
para você entrar no carro diz afrouxando a gravata da gola suada de aflição.
- Vou pedir pra mãe.
Da outra esquina, a
mãe consente.
- Só por duzentos!
- Entre.
No motel se lambuza.
Mordisca os peitinhos encardidos e se baba beijando no pezinho o esmalte vermelho descascado
da unha do mindinho. Lambe as gotículas de suor da testa e aspira o cheiro ocre das axilas de
anteontem. Acaricia a penugem escura. Machuca com estocadas violentas cada vez mais excitado
pelo choramingo de ais. Está apaixonado, perdido de amor profundo, até que goza. Daí sente
nojo. Daí não deixa mais ela se aproximar. Daí deseja que ela morra. O cheiro denso, que
antes excitava, agora repugna e não desgruda do seu corpo. Corre para a privada. Vomita.
Debaixo do chuveiro vomita novamente. A garota sentadinha no pequeno sofá perto da porta
espera a hora de ir embora. Ao lado, uma garrafa de coca-cola.
De volta ao
semáforo, ela salta pulandinho do carro duzentos reais mais rica. Ele abre todas as janelas
para o cheiro sair, tonto de náusea.
Em casa, as duas
filhas pequenas correm abraçá-lo. Mais um banho. Esfrega apertada a esponja por todo o
corpo. O mau cheiro que só ele sente não desgruda.
Na cama, a esposa
pergunta por que às vezes, geralmente uma vez por semana, toda semana, ele fica estranho,
deprimido, distante. Problemas no trabalho! Ela o abraça por trás, apertado, para dormir
juntinho fazendo conchinha.
O pesar traz
pesadelos. Nunca mais!, jura enojado.
Semana seguinte, todo
perfumado, outro semáforo, outra adolescente. Agora uma polaquinha.
- Dá um trocado,
tio?

Contra capa de PARA DALTON
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