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GRANDES
ENTREVISTAS
Luiz Gilberto de Barros
Luiz Poeta (SBACEM –RJ – Nome
Artístico) |
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CARLOS LEITE RIBEIRO |
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Carlos Leite Ribeiro entrevistando

Luiz Gilberto de Barros
Luiz Poeta (SBACEM –RJ – Nome
Artístico)
Combinámos de véspera a entrevista e o
ponto de encontro seria o calçadão, junto à pedra do Leme. Ao avistar-me, o Luís
Poeta quase que correu ao meu encontro e, depois de me abraçar, exclamou em vos
alta: "Obrigado, Carlos Leite Ribeiro, por esse amor que tu cultivas e que
certamente manifesta a presença de Deus em nossas vidas. Deus te abençoe rica e
abundantemente e a todos que estiverem lendo mais este trabalho que vais
realizar. Um beijo no teu grandíssimo, nobre e generoso coração".
Quase que caí das nuvens com aquele elogio todo ! Era elogio demais
para um homem só !
Aproveitei para lhe fazer a primeira pergunta:
Carlos: - Amigo Luiz Poeta, para você, Deus existe ?: -
Luiz: - Olha Carlos, Deus é tão infinitamente poderoso, que jamais
dará ao homem a oportunidade de descrevê-lo. Há várias formas de ver Deus em
nossa vida; o amor é a principal delas.
Carlos: - Tu e a poesia, formam uma simbiose perfeita. Como se
manifestou essa tua condição de poeta?
Luiz: A poesia sempre bateu forte no meu coração. Comecei a realizá-la
aos 14 anos, quando ainda fazia o ginásio. A partir daí, não parei mais. No 2º
grau venci dois festivais de poesia (um deles com duas de minha autoria
empatadas em 1º lugar; já na faculdade, ganhei também o primeiro prémio do
Festival Universitário de Poesia (FTESM-RJ) coincidentemente com duas de minha
autoria também empatadas em 1º lugar. Tenho pelo menos 75 livros artesanais que
catalogam meus poemas, contos, crónicas e peças teatrais. Minhas agendas anuais
têm pouco espaço para os compromissos; servem mais às poesias; tenho uma
infinidade de agendas repletas de poesias aguardando digitação. Escrevo a
qualquer hora, em qualquer lugar; sou um poeta compulsivo, capaz de parar uma
conversa para escrever um verso. Tenho catalogados, mais de dez mil textos
escritos. Com a música é a voz da poesia, é a ela que me dedico também; já venci
pelo menos dois festivais estudantis de música e um universitário. Gravei dois
CDs e estou partindo para o terceiro. Adoro compor, cantar, tocar um
instrumento. Adoro música, músicos e pessoas sensíveis que possam ouvi-las ou
cantá-las junto comigo. Por curiosidade, indico aos leitores a minha HP
www.luizpoeta.com
Depois de termos saboreado um coco, iniciámos a marcha no sentido do
Forte de Copacabana. Admirando as beleza naturais da bela Baía de Guanabara, à
esquerda e, o grande movimento que A Avª Atlântica sempre tem. Continuámos a
entrevista:
Carlos: - A cultura será como um botija de oxigénio ?: -
Luiz: - Inevitavelmente. Como sou educador, acredito que quem não lê,
não fala, não ouve, não vê e nem pensa. Quando uma pessoa aprende a ler, a
sensação é a de aprender a nadar, a andar de bicicleta, a amar, a voar. Creio
que o mais aproxima as pessoas (além do amor) é a ignorância. Quando a gente não
sabe, o outro (que pode ser uma pessoa, um livro, um objecto de arte, etc) passa
a ser respeitado, valorizado e compreendido. Quem nos ensina não tem cor, não
tem corpo, não tem dinheiro; só tem espírito. Aprender é voar fora da asa.
Carlos: - Qual foi mo maior desafio que aceitaste até hoje ?: -
Luiz: - Não me lembro de ter sido desafiado muito seriamente pela
vida, pelo destino ou pelas pessoas. Acredito na esperança, mas luto pelos meus
sonhos sem muita pressa, porém com muita honestidade e fé no meu trabalho e na
minha capacidade de transformar em talento os dons que Deus tem me dado, com
segurança, humildade e fé.
Carlos: - Uma imagem do passado que não queres esquecer no futuro ?: -
Luiz: - A primeira vez que cantei em público, num concurso de músicas
e fui ovacionado pela multidão (eu tinha 17 anos).
Carlos: - Sua melhor qualidade, e, maior defeito: -
Luiz: - Defeito, apreciar a qualidade das pessoas (mesmo as que me
tenham como inimigo – graças a Deus rarissimas); maior defeito, a minha
sinceridade.
Carlos: - Quais os teus passatempos preferidos ?: -
Luiz: - Gosto de pescar, cuidar de plantas, pintar telas a óleo, fazer
artesanato, ler e principalmente escrever o que quer que seja, além de tocar
violão, fazer um barulhinho com os músicos que conheço, e conversar
principalmente sobre música e poesia.
Carlos: - De que mais te orgulhas ?: -
Luiz: - De ser uma pessoa honesta, que procura agir com dignidade,
optando sempre pelo respeito ao próximo, buscando sempre fazer o meu papel de
maneira correcta, pensada, reflexiva.
Carlos: - Qual a personagem que mais admiras ?: -
Luiz: - Carlitos é um belo exemplo para mim. Quanto a imagem
permite-nos ouvir as palavras, é o talento que superou as expectativas.
Carlos: - O arrependimento mata ?: -
Luiz: - O grau de arrependimento depende muito da extensão do que se
tenha feito de errado com alguém ou com a própria vida. Graças a Deus nunca tive
que me arrepender a ponto de pensar em me matar espiritualmente por falta que
tenha cometido, mas assumo que já errei algumas vezes e me senti muito
constrangido comigo mesmo por isso.
Mas como de só falar e passear não enche a barriga, fomos almoçar a um
restaurante de um português, que fica ao cimo da Rua Siqueira Campos. Mas de
comida portuguesa, só tem a que chama "batatas portuguesas" que não são mais do
que batatas fritas cortadas às rodelas.
Enquanto esperávamos pela refeição e durante esta, o entrevistado foi
falando do bairro onde mora:
"Moro orgulhosamente no Rio de Janeiro, num bairro-cidade chamado
Marechal Hermes. Trata-se de um lugar acolhedor, com algumas praças
interessantes, repletas de árvores e de vida social intensa. Temos um teatro (
Armando Gonzaga ), um campo de aviação ( Campo dos Afonsos ), um museu
aeroespacial, um campo de futebol profissional, um hospital estadual ( Carlos
Chagas ), uma maternidade municipal ( Alexander Fleming ), uma delegacia da
mulher, correios, pelo menos sete escolas municipais, uma escola técnica, um
colégio estadual, dois bancos privados, duas igrejas católicas ( Nossa Senhora
das Graças e Nossa Senhora de Fátima ), algumas igrejas evangélicas ( Batista,
Nova Vida, Assembléia de Deus etc ) e diversos "points" culturais ( Associação
Cultural Encontros Musicais, Cidadania em Movimento, Classe e Requinte, Disco
Voador, Marã Tênis Cube, Esporte Clube União e alguns bares onde ocorrem vários
eventos como rodas de chorinho, samba, pagode, bossa-nova, rock e afins )...
Marechal Hermes é um bairro eminentemente musical. Aqui moraram
diversos artistas como Luperce Miranda, Osmar do Cavaco, Cristóvão Bastos, o
poeta Luiz de Aquino e tantos outros. Em 2003 a Associação Cultural Encontros
Musicais produziu o CD " Marechal, 90 anos de Encontros Musicais, contando a
história do bairro através da música. Marcos Veiga é o Presidente da entidade;
Luiz Poeta é o seu Diretor Cultural. Uma de suas músicas está em uma das faixas.
UM POUCO DE PORTUGAL EM MARECHAL HERMES...
Os imigrantes portugueses que aqui se instalaram por conta da
realização das primeiras obras, criaram uma comunidade denominada Portugal
Pequeno. Com o decorrer do tempo, seus filhos, netos e bisnetos passaram a ter
seus próprios negócios ( açougues, vendas, padarias e afins ), que contribuíram
sensivelmente para o crescimento e socialização da região.
A Estação Ferroviária de Marechal Hermes, construída em 1912 e também
inaugurada em 1° de maio de 1913, tem uma elegante arquitetura em estilo inglês,
possui ainda tijolos vermelhos, quatro fachadas amplas, cobertura e detalhes em
azulejos alemães e arcos-de-ferro franceses, apresentando em seu projeto
original, um relógio de quatro faces.
Percorrê-la é fazer uma viagem no tempo e reviver uma época em que
Brasil e Inglaterra mantinham vínculos culturais.
. .
Da esquerda para a direita:
Luiz e Luiz Aquino -;- Escola onde lecciona -;- Luiz e Maurício Azedo
Saímos
do restaurante e descemos a Rua Siqueira Campos, até à praia, onde cortámos à
direita rumo ao Forte de Copacabana. Já no calçadão, demos continuidade à
entrevista:
Carlos: - Luiz, para ti, o que é o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?:
-
Luiz: - Beleza, uma lágrima rolando sobre um rosto que sorri para a
vida; fealdade, feia é a união da ganância, da indiferença, da hipocrisia, da
arrogância, do desrespeito, da falsidade, da mentira, da opressão, do orgulho e
do ódio em uma só pessoa. Costumo dizer que hipocrisia só tem um tratamento:
porradoterapia.
Carlos: - Que vício gostarias de não ter ?: -
Luiz: - Nenhum que fizesse mal ao meu semelhante e a mim mesmo.
Carlos: - Para ti, o dia começa bem se ... ?: -
Luiz: - Se ao acordar a gente agradece a Deus pela vida saudável que
temos, pela nossa abençoada família, parentes e amigos que fazem parte do nosso
tempo de planeta; o dia começa bem quando a gente agradece a Deus por ter uma
casa, um emprego e uma vida simples, digna, feliz e abençoada; o dia começa bem
quando a gente pede fervorosamente a Deus um belo dia.
Carlos: - Que influência tem em ti a queda da folha e a chegada do
frio ?: -
Luiz: - Há dois tipos de frio: o que pousa em nossa pele e o que se
filtra em nossa alma. Quando os dois se fundem, os sentimentos sublimam-se.
Quando as folhas caem, a poesia se solta na leveza da sua queda. Quando o sol
desponta, a música é canto acordando a primavera.
Carlos: - Acreditas na reencarnação ?: -
Luiz: - Há um pensamento que diz o seguinte: "Quando olhares
profundamente um precipício, ou tu penetrarás nele, ou ele penetrará em ti". Não
acho que me deva preocupar com vidas passadas ou futuras. Se a reencarnação
existe e é fruto das nossas acções na vida, tenho certeza de que Deus se
incumbirá de completar o ciclo; por isso, procuro ser uma
pessoa correta, digna e que tenha a humildade de pedir perdão pelos erros mais
banais ou mais graves que tenha cometido; não apenas pedir perdão, mas também
tentar corrigi-los.
Carlos: - E em fantasmas ou em "almas do outro mundo" ?: -
Luiz: - Não, mas sou capaz de ter alguns calafrios pela percepção de
uma sombra incómoda ou de um barulho estranho. Na minha casa, principalmente no
terceiro andar, o vento uiva constantemente, mas nós já nos acostumamos com ele.
Carlos: - E em histórias fantásticas ?: -
Luiz: - Acho-as interessantes, engraçadíssimas e atraentes; para mim,
são um exemplo vivo do que o imaginário pode realizar.
Carlos: - Então o Imaginário será um sonho da realidade ?: -
Luiz: - Imaginar é ser livre ... como já disse o poeta, ser livre é
voar fora da asa.
Carlos: - E o que é para ti o termo Esoterismo ?: -
Luiz: - Toda vez que alguém discute Esoterismo comigo, respeito as
opiniões, mas sempre volto meu pensamento para a base da vida: Deus. Acredito
que aqueles que segue muitos caminhos não segue caminho nenhum. O esoterismo
ficou em uma fase da minha vida juvenil em que a concepção de espiritualidade
ainda estava se formando na minha mente. Como todo jovem, eu via nos modismos
uma saída ou uma chance de descoberta. Já fui Rosa Cruz, mas hoje minha visão
disso tudo é muito mais definida, embora não abra mão de nenhuma das minhas
experiências (elas serve de base para minha formação e prática cultural).
Prefiro crer na frase que diz que "tudo é força, mas só Deus é poder". Confio e
acredito em Deus.
Carlos: - Que livro andas a ler ?
Luiz: - "As Brumas de Avalon", de Marion Zimer Bradley. Actualmente
tenho lido os fragmentos das almas dos meus irmãos poetas internautas, mas
costume ler-me também, (principalmente meus textos bem antigos) para lembrar um
pouco dos maiores momentos da minha vida.
Carlos: - Autores e livros preferidos ?: -
Luiz: - Há uma infinidade de autores pelos quais tenho uma profunda
admiração: Vinícius de Moraes, Jorge Amado, Florbela Espanca, Fernando Pessoa,
Gregório de Matos, Castro Alves, Manuel Bandeira, Artur da Távola, Luiz Fernando
Veríssimo, João Cabral de Melo Neto, Lima Barreto, Camões, Bocage, Cecília
Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Tiago de Melo, Gonçalves
Dias, Monteiro Lobato, Euclides da Cunha, Eça de Queiroz ... Augusto dos Anjos,
Cruz e Sousa, Padre António Vieira, Olavo Bilac, Rachel de Queiroz, Antero de
Quental ...
Carlos: - E música e autores preferidos ?: -
Luiz: - Gosto de toda música que me toque o coração, que mexa com
minha sensabilidade ou que me mostre algum conteúdo lírico, cultural,
intelectual: bossa-nova, samba, fado, baião, rock, forró, baladas românticas;
todas do Caetano, Djavan e Chico Buarque; muitas de Giberto Gil, Milton
Nascimento, Geraldo Vandré, Gonzagazinha, Luiz Gonzaga, Dorival Caymi, Leo
Jayme, Erasmo Carlos, Noel Rosa, Roberto Carlos, Paulinho da Viola, Carlota,
Beatles, Be Gees, James Taylor, Carola King, Quincy Jones,
Steve Wonder, Caren Carpente, Dionne Warwick, Carly Simon, Burt Bacharach ...
Joe Satrianni ...
Entretanto, tínhamos chegado à parada do Forte de Copacabana, depois
de passarmos pelo "Banco Carlos Drummond". E foi no interior do forte, junto às
muralhas e a um canhão, admirando as belezas da Baía de Guanabara, que
terminamos a entrevista:
Carlos: - Luiz, quando tu eras criança ?: -
Luiz: - Sonhava que voava por sobre as casas, como um
menino-passarinho; hoje, sobrevôo minha própria alma, tento entender meus
abismos.
Carlos: - Como vais de amores ?: -
Luiz: - Muito bem. Minha mulher atual foi a primeira que se casou
comigo. Estou com ela há 26 anos. Temos três filhos: Michelle, Louise, Luiz
Giberto de Barros Filho.
. .
Da esquerda para a direita:
Michelle -;- Luise -;- Luizinho
Carlos: - Luiz, para terminar, como é que te auto-defines ?: -
Luiz: - Sou uma pessoa sensível, reflexiva, honesta, fiel e feliz ...
mas meu voo é eterno.
Assim. falámos de:
Luiz Gilberto de Barros – Luiz Poeta (SBACEM-RJ – Nome artístico)
Professor de Língua Portuguesa, Literatura e Produção de Textos
O seu prato preferido é um saculento e molhado bife com batatas fritas
salgadinhas, temperadas ao alho e cebola semitostados, acompanhados de uma
saladinha de alface, agrião e tomates em rodelas finas ao azeite e vinagre,
sobre um arroz branco e bem temperado. De sobremesa, basta um pudim de leite com
calda de açúcar queimado. Bebida, uma cervejinha bem geladinha e com colarinho
para molhar o bigode (de preferência no calor) ou um vinho tinto doce bem
geladinho.
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LABAREDA - Luiz Gilberto de Barros
Luiz Poeta ( SBACEM - RJ )
Teu amor se chega quando te incendeias,
Quando quem tua amas se virtualiza,
Quando a paixão permite que tu creias
Que há mais que um desejo em tua pele lisa.
O amor é lágrima que não desliza
No espasmo da dor de vísceras latentes,
Quando um riso tênue surge e nem avisa
Que há mais amor na dor que só tu sentes.
Teu amor é filho dessa solidão
Tão silenciosa e sutil que te habita,
Que afaga a pele do teu coração
Quando a emoção sufoca a dor que grita.
Teu amor se chega como um invasor
De múltiplas faces, múltiplos desejos...
Quando ele se vai, já replantou a dor
Feita do prazer que existe em cada beijo.
O amor é teu riso, quando ele se solta,
Mexe em teus anseios e se alimenta
Dessa fantasia livre à tua volta...
O amor só volta... quando tu te ausentas. |
Formato de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
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