
Carlos Leite Ribeiro entrevistando

Mônica
Serra Silveira
Não tinha
avisado a nossa querida entrevistada, a Mónica Silveira, da hora de chegada ao Aeroporto
Internacional de Fortaleza. Quando cheguei, apanhei um táxi para o Hotel Praia Centro, na
Avª. Monsenhor Tabosa. Jantei no hotel e depois telefonei à Vilma Matos. Quando estava a
pensar que ia descansar, a Vilma convidou-se para assistir a mais uma festa, misto música e
poesia, no Bar Pirata, do português Júlio Trindade. Foi uma noite e madrugada muito
agradável, onde também tiveram presentes os nossos amigos, Sylvia Narrimann, Mário Santos,
William Alcântara, Francinete Azevedo, Eliane Arruda e Angélica Mello.
Escusado dizer que me deitei alta madrugada. Pouco passava da oito e meia, quando o telefone
tocou e do outro lado da linha, estava a Mónica Silveira: -
- Oi Carlos ! Tudo bem ? Ás nove em ponto estarei aí no átrio
do hotel, para a entrevista. Não está esquecido, pois não ? ...
Esquecer, não me tinha esquecido, mas estava completamente ensonado. Respondi-lhe que um
minuta antes da hora marcada, lá estaria à sua espera. Rapidamente levantei-me, tomei duche
e corri para o elevador. Quando a porta do elevador se abriu na recepção do hotel, logo
avistei a Mônica que estava acompanhada por um "câmara man". Surpreendido
pelo facto, aproximei-me e estão da entrevistada (neste caso apresentadora), que começou a
falar para a câmara: -
- "Contrariamente aos que os Senhores telespectadores estão
habituados, hoje, vou ser a entrevistada. O entrevistador, é o português Carlos Leite
Ribeiro, a quem vos apresento: - Olá Carlos, bem-vindo a Fortaleza! ...".
Na minha carreira de jornalista, por muitas situações passei, mas como esta, nunca me tinha
acontecido. Confesso que fiquei nervoso, pois há muitos anos que não fazia entrevistas
televisivas, já nem me lembrava como se entra e sai da "sombra" (termo técnico) ou
seja, quando nos afastamos ou aproximamos da câmara ao que estamos a apresentar ou a dar
realce ao repórter ... Quase me sentia colaborador da Tv Cidade de Fortaleza, da Rede Record
...
Convidei a Mônica e o moço que a acompanhava para comermos o pequeno almoço (café), e foi
no bar que começámos a entrevista: -
Carlos: - Qual a melhor qualidade da Mônica, e, também, o seu maior defeito ?: -
Mônica: - Qualidade ... Não sei bem, acho que a criatividade (excepto quando dou
entrevistas); defeito, talvez seja a teimosia...
C: - Seus passatempos preferidos ?: -
M: - Leitura, pintura, ir a livrarias e museus, assistir a novelas (principalmente no cinema),
fazer álbuns e agora o computador.
C: - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ?: -
M: - Dirigir o Departamento de Jornalismo da TV Ceará, pela responsabilidade.
C: - De que mais se orgulha: -
M: - Dos meus pais, do meu país e do meu trabalho.
Terminado o pequeno almoço, a convite da entrevistada, fomos fazer um tour pela linda cidade
de Fortaleza, sempre acompanhados pelo câmara man. E a entrevista continuou: -
C: - Mônica, o arrependimento mata ?: -
M: - É péssimo a gente se arrepender de algo. Principalmente quando envolve quem amamos.
C: - Quando você era criança?: -
M: - Minha mãe disse, que quando pequenininha, eu era um tanto indiscreta. Mas quando fui
crescendo me tornei tímida e sonhadora. Sempre gostei de criar histórias. Tinha medo de
crescer. Imaginava como seria o mundo sem as brincadeiras.
C: - Como vai de amores ?: -
M: - Esperando ...
C: - Hoje, como se auto-define ?: -
M: - Que coisa difícil me definir... Sou uma pessoa calma, comedida, determinada e
concentrada no trabalho, apaixonada pelo que faço, mas às vezes gostaria de ser um pouco
mais ousada, firme, inconsequente e independente.
C: - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ?: -
M: - Minha primeira viagem à Europa.
C: - Que género de filme daria sua vida ?: -
M: - Uma tragicomédia romântica de suspense.
C: - Que vício gostaria de não ter ?: -
M: - Que me lembre não tenho nenhum, por enquanto.
C: - As piadas às louras são injustas ?: -
M: - Muito, desde quando cabelo pensa? Por que ser "sex" é sinal de burrice? Mas
enfim... Piada é só piada. Louras também têm senso de humor, o que prova que elas são
inteligentes...
C: - Qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ?: -
M: - Beleza, um sorriso sincero; Fealdade, actos de intolerância.
C: - O dia começa bem para a Mônica se ... ?:-
M: - Se a terra está em paz.
C: - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio?: -
M: - Acho lindo o outono, aquelas folhas amarelas caindo e formando um tapete no chão. Os
galhos nus, uma nova etapa da vida, que passa. Não sei se é porque vivo num país
ensolarado, mas o inverno me agrada muito, é uma novidade, que faz as pessoas se
aconchegarem, se agasalharem e pensarem na vida.
C: - Qual a personagem que mais admira?: -
M: - Jesus.
C: - Deus existe ?: -
M: - Claro que sim. Deus é o Bem.
C: - O que é para você o termo Esoterismo ?: -
M: - A busca pelo desconhecido, através de uma mistura de crenças.
C: - Acredita na reencarnação ?: -
M: - Acredito que ocorra um dia, no juízo final.
C: - E em fantasmas ou em "almas do outro mundo" ?: -
M: - Não duvido nada nesse mundo. Nem no outro.
C: - E em histórias fantásticas ?: -
M: - Como já disse, não duvido de nada, até que me provem o contrário.
C: - O Imaginário será sonho da realidade ?: -
M: - Sim. Às vezes um sonho possível.

O passeio pela bela Fortaleza e
arredores esta muito agradável. Mas o corpo tem várias necessidades, um dos quais e muito
importante, é o da alimentação. O relógio não para e os nossos estômagos começaram a
dar horas. Fomos até à beira-mar e, em frente à praia do Mucuripe, onde as jangadas ficam
paradas, numa paisagem muito linda, entrámos no antigo restaurante do Alfredo. Escolhemos uma
"Peixada" acompanhada de arroz soltinho e pirão (estava uma delícia).
Enquanto esperávamos e durante a refeição, a Mônica foi divagando sobre a sua bela cidade:
-
"Carlos, como é bom morar numa linda e iluminada cidade chamada Fortaleza. Ela é a
capital do estado do Ceará. Quando digo iluminada, falo literalmente, porque nós temos uma
das maiores luminosidades do mundo. Aqui o céu tem um azul intenso e o sol brilha bem forte,
trazendo muito calor, felizmente amenizado pela brisa constante. Fortaleza tem esse nome por
ter nascido ao redor de um forte, como conta o nosso hino. Existem duas versões sobre a
fundação da cidade. Na primeira, em 1603, Simão Nunes, a mando de Pero Coelho, construiu o
Forte de São Tiago, na Barra do Ceará. Na segunda, Matias Beck teria fundado Fortaleza no
local, onde hoje existe a 10ª Região Militar, no Forte Schoonenborch, erguido na segunda
expedição holandesa, embora nossa colonização tenha sido mesmo portuguesa. A nossa cidade
litorânea tem verdes mares bravios de águas mornas. Os prédios mais valorizados ficam na
Avenida Beira-Mar, onde existem também dois lindos clubes: o Náutico e o Ideal. Na Praia de
Iracema temos a Ponte dos Ingleses, com uma vista deslumbrante, e o Centro Dragão do Mar de
Arte e Cultura, um complexo cultural com cinemas, teatros, museus, livraria, biblioteca e
planetário. Nessa Praia encontramos uma das estátuas de Iracema. Existem várias pela
cidade. Iracema é a mais famosa personagem feminina do escritor José de Alencar. No romance
com o mesmo nome, José de Alencar fala, de forma simbólica, do surgimento do povo cearense,
que se originou da índia Iracema e do português Martim Soares Moreno. No centro de
Fortaleza, estão as praças, monumentos e prédios mais antigos. O belo Theatro José de
Alencar e sua praça; a Estação Ferroviária João Felipe; o Passeio Público, antiga Praça
dos Mártires; o Palácio da Luz, onde funciona a Academia Cearense de Letras; a Catedral da
Sé; A Cidade das Crianças; a Praça do Ferreira, com o encantador cine São Luiz e tantos
outros pontos. O bairro mais chique de Fortaleza é a Aldeota. Mas temos outros bairros muito
interessantes também.
Saímos do restaurante "Alfredo" e fomos para uma esplanada ali perto, e foi aí na
sombra de coqueiros que fizemos a última parte da entrevista: -
C: - Mônica, qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros ?: -
M: - Em mim, o optimismo; nos outros, a bondade de coração e a coragem.
C: - Para si, a Cultura será uma botija de oxigénio ?: -
M: - Sem dúvida, a cultura é um tesouro precioso. Mas precisamos respeitar todas as culturas
e abrir nossas mentes para o novo.
C: - Que livro anda a ler ?: -
M: - "O pêndulo de Fucault", do Umberto Eco; "Calabouço para os Reis",
da Fernanda Quinderé e "A Paixão pelos Livros", uma coletânea de vários autores.
"O pêndulo de Fucault", do Umberto Eco; "Calabouço para os Reis", da
Fernanda Quinderé e "A Paixão pelos Livros", uma coletânea de vários autores.
C: - O filme comercial que mais gostou ?: -
M: - O filme comercial clássico que mais gostei foi "E o Vento Levou", por ser tão
longo e não cansar o público, por ter feito uma bela reconstituição de época, imagens
emocionantes e por ter personagens marcantes e envolventes. Já entre os filmes comerciais
mais atuais citaria "Amadeus", "Central do Brasil", "A Vida é
Bela", "A Hora da estrela", "Ghost" e "ET".
C: - E música e autores preferidos ?: -
M: - Adoro música, seja de que gênero for. Dos clássicos de Mozart, Beethoven, Bach,
Tchaykowisk, Strauss, Vivaldi; até a bossa nova de Tom; o samba de Noel, Cartola e Adoniran;
o tropicalismo de Gil e Caetano; o romantismo de Lupicínio, Dolores Duran e Evaldo Gouveia; o
baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; a multimúsica de Chico Buarque, a música
cearense de Belchior, Ednardo e Fagner, a música baiana de Cayme, a música americana de Cole
Porter e Gershwin e a música francesa de Edith Piaf. Já o tango, o bolero, o rock, o blue e
o jazz, gosto dos tradicionais. Também adoro música, seja de que gênero for. Dos clássicos
de Mozart, Beethoven, Bach, Tchaykowisk, Strauss, Vivaldi; até a bossa nova de Tom; o samba
de Noel, Cartola e Adoniran; o tropicalismo de Gil e Caetano; o romantismo de Lupicínio,
Dolores Duran e Evaldo Gouveia; o baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; a multimúsica
de Chico Buarque, a música cearense de Belchior, Ednardo e Fagner, a música baiana de Cayme,
a música americana de Cole Porter e Gershwin e a música francesa de Edith Piaf. Já o tango,
o bolero, o rock, o blue e o jazz, gosto dos tradicionais.
C: - Autores e livros preferidos ?: -
M: - Sou apaixonada por literatura. Gosto dos mais variados gêneros. Entre meus preferidos
estão Dostoievsk, Kafka, Balzac, Flaubert, Machado de Assis, Clarisse Lispector, Guimarães
Rosa, Graciliano, Eça, Toltoi, Alencar, Hemingway, Virginia Woolf, Stendal, Proust, Gorki,
Oscar Wilde, Adolfo Caminha, Jules Vernes, Lobato, Thomas Mann, Sommerset Maugham, Sartre e
porque não Agatha Cristie? Isso sem falar nos poetas, Vinicius, Pessoa, Drummond, Florbela,
Bilac, Casimiro de Abreu, Shakespeare, Álvares de Azevedo, Charles Dickens, Lorca, Raimundo
Correia, Emily Dickinson, Bandeira, Cecília Meireles e outros.
Quanto aos livros posso citar : "Metamorfose", "Noites Brancas", "O
Retrato de Dorian Gray", "A Cidadela","O Nome da Rosa","O Morro
dos Ventos Uivantes", "Nada de Novo no Front","O Grupo","Vidas
Secas","O Quinze","Mar Morto",Memórias Póstumas de Brás
Cubas","O Pequeno Príncipe", "Cem Anos de Solidão",
"Pierrette", "Mar Morto" e chega, se não nunca termino.
C: - Tem Home Page ?: -
M: - Não tenho. Tenho apenas um fotoblog ( monicawebsilveira.nafoto.net ), que aliás não é
muito aprimorado. Sou um desastre em informática.
C: - Para finalizar, vamos falar de sua obra literária ?: -
M: - Publiquei ao todo oito livros: "Eu Conto"(contos); "A Rainha da
Ambição"(romance); "Janela"(poesias);"Eu Conto 2"(contos);
"Quatro Estações"(poesias);"Versos de Amor"(poesias); "Sombra do
Passado"(romance) e "O Menino de Coração de Pedra"(literatura infantil).
Assim, falámos de: -
Mônica Serra Silveira
Nascida a 10 de Julho, em Fortaleza, no Ceará, Nordeste do Brasil
Jornalista, actuando hoje como repórter na TV Cidade de Fortaleza, afiliada da Rede Record
"A Gramática da
Poesia"
Poesia no fim
É igual à melodia
Tal qual sinfonia
Assim como a maresia
Ou o homem que partia
E a criança que sorria.
Poesia no fim
É igual ao dia
Que ensolarado se fazia.
Uma velha que fia.
Uma boa companhia
Numa noite fria.
Poesia não acaba
Só principia.
Não vai, não foi
Poesia termina com ia.
Formato de
Carlos Leite Ribeiro - Marinha Grande - Portugal