GRANDES ENTREVISTAS

PACCELLI JOSÉ MARACCI ZAHLER

CARLOS LEITE RIBEIRO

Carlos Leite Ribeiro entrevistando

 

PACCELLI JOSÉ MARACCI ZAHLER

          Só uma única vez tínhamos ido, (virtualmente)a Brasília, aquando da entrevista da nossa querida companheira, a Nalú. Nova oportunidade surgiu para entrevistar o PACCELLI JOSÉ MARACCI ZAHLER 
          Desde 1891, aquando da primeira Constituição Republicana Brasileira, ficou determinado que a capital se situaria no centro geográfico do Brasil. Tal ideia tem as suas primeiras manifestações no século XVlll, também adoptada em 1822, por alguns participantes no Movimento de Independência do Brasil. José Bonifácio de Andrada e Silva, propôs a sua criação à Assembleia Constituinte, no ano de 1823. Pouco depois, com o historiador Francisco Varnhagem, ganha força, mas só em 1891, se consagra oficialmente no artigo 03 da Constituição. Sua área foi delimitada em finais do século XlX. Em 1922, aquando das comemorações do 1º Centenário da Independência, foi lançada a 1ª pedra, mas, só em 1956, por proposta feita ao Congresso pelo então Presidente da República do Brasil, Dr. Juscelino Kubitschec de Oliveira, se iniciou a construção de Brasília.
         Tínhamos combinado o encontro para a entrevista, nas escadarias da Catedral Dom Bosco. Assim, à hora marcada, lá estávamos para dar início à entrevista: - Paccelli, quando você era criança ... ?: -"Olha Carlos, gostava de brincar na rua, principalmente, nos dias de chuva". - Para você deus existe ...?: -"Acredito que sim e nos protege sempre". - O dia começa bem se... ?: -"Se me levanto cedinho e pratico ioga". - Que influência tem em si a queda da folha e a chegada do frio ... ?: -"Ficava muito feliz. Em Brasília, como o clima é tropical, a queda da folha significa a chegada da estação seca e o clima aproxima-se ao do deserto do Saara". - De que mais se orgulha ... ?: -"Ter conseguido o que consegui até agora". - Uma imagem do passado que não quer esquecer no futuro ... ?: -"A minha infância". - Que vício gostaria de não ter ...: - "Nenhum". - Para o Paccelli, o arrependimento mata ... ?: -Não. Não se pode mudar do destino". - Quais seus passatempos preferidos ... ?: -"Cinema, televisão, xadrez, leitura, viagens turísticas e fotografia". - Qual a sua melhor qualidade, e, seu maior defeito ... ?: -"Qualidade, gostar de escrever; defeito, querer um mundo perfeito". - Em qual a característica que mais aprecia em si, e, nos outros ... ?: -"Em mim e nos outros a sinceridade". - Qual foi o maior desafio que aceitou até hoje ... ?: -"Passar cinco semanas no México e Guatemala em área de guerrilha". - Para você, qual o cúmulo da beleza, e, da fealdade ... ?: -"Beleza, Catherine Deneuve; da fealdade, Woody Alen, Mick Jagger, Michael Jackson, Osama bin Laden, Sadam Hussaeim, George Busch, Henry Kissinger, Príncipe Charles - enfim, a lista é longa". Qual a personagem que mais admira ...?. -"Charles Darwin". - Diga-nos: as piadas às louras são injustas ... ?: -Às vezes, não". Como vai o Paccelli de amores ... ?: -"Vivo bem com a minha esposa". - Que género de filme daria sua vida ... ?: -"A Cruz de Ferro". - Como é que você se auto-define ... ?: -"Um buscador de luz e conhecimentos". - Olhe, e se, de repente, uma senhora lhe oferecer flores, isso é ... ?: -"Carlos ! uma tremenda homenagem !".
         Uma tremenda homenagem recebemos nós quando o nosso entrevistado nos convidou para o almoço, no Centro de Brasília, bem perto da Torre de Televisão. O manjar encomendado foi, carne grelhada com arroz e salada de alface, regado com bom vinho tinto, de uma marca bem conhecida pelo Paccelli. Durante o almoço, o nosso entrevistado foi-nos falando da sua cidade adoptiva : -"Desde 1982 estou aqui radicado em Brasília, DF, Capital do Brasil. Foi quando aqui cheguei para fazer o Mestrado em Ecologia na Universidade de Brasília. Esta, é uma cidade planejada pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeuer. Hoje, é considerada um dos patrimônios culturais da Humanidade. Foi fundada em 21 de Abril de 1960 pelo Presidente Juscelino Kubischek de Oliveira. Sua arquitetura é original sendo que algumas delas assemelham-se a pirâmides, por essa razão, acredita-se que seu fundador seja uma das reencarnações do faraó Akneton, que também fundou uma cidade planejada no Egito. Dentre seus monumentos destacam-se a Catedral Metropolitana, a Catedral Dom Bosco, a Ermida Dom Bosco, a Torre de Televisão que marca a centro da cidade, o Memorial JK, onde estão os restos mortais do fundador, o Teatro Nacional (em formação de pirâmide), a Praça dos Três Poderes, o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto. Segundo a lenda, Dom Bosco havia sonhado com uma nova cidade no centro de um país na América do Sul, daí tantas referências a ele".
         Depis do saboroso almoço, fomos tomar café num bar a caminho da Ermida Dom Bosco, onde continuámos a entrevista: - Paccelli, para você, o que é o termo Esoterismo ... ?: - Bom. É um conhecimento execrado pela cultura ocidental". - Acredita na reencarnação ... ?: -"Só vamos aber no momento certo. Não é questão de acreditar, simplesmente nunca teremos a certeza". - Acredita em fantasmas ou em "almas do outro mundo" ... ?: .-"Não. Podem ser reflexos de nossas mentes ou culpas". - O Imaginário será um sonho da realidade ... ?: -"Não. Pode ser a captação da energia que nos cerca". - Acredita em histórias fantásticas ... ?: -"Depende da fonte". - Que livro anda você a ler ... ?: -""Crítica da Razão Pura", de Immanuel Kant". - Quais os seus autores e livros preferidos ... ?: -"Gosto de autores nacionais clássicos como Castro Alves, Lima Barreto, José de Alencar e Machado de Assis; contemporâneos como Érico Veríssimo, Luís Fernando Veríssimo, Mário Quintana e Fernando Morais; portugueses como Eça de Queirós, Manuel Maria du Bocage, Fernando Pessoa e José Saramago. Atualmente, tenho voltado minha leitura para religiões orientais como o taoísmo, o budismo tibetano, o islamismo e o hinduísmo". - E música e autores preferidos ... ?: -"Gosto de música clássica como Mozart e Beethoven, música popular brasileira, música latina e new age. Atualmente, tenho preferido música indiana representada por Ravi Shankar e Meeta Ravindra e música celta, em particular, Enya". - O filme comercial que mais gostou... ?: -"Olha Carlos, são muitos, uma vez que desde os três anos de idade vou ao cinema. Marcaram-me, porém, "A Cruz de ferro" - "O Nome da Rosa" - "A Noviça Rebelde" - e "Tudo o Vento Levou" - "Os Eleitos" e o "Matador". - Você tem alguma Home Page (página Web) ... ?: - Tenho, em
www.paccellimzahler.portalcen.org  e na www.academialiteraria.com.br ". - Falando agora na sua obra literária ... ?: -"Olha, escrevo desde os 15 anos. Já participei de vários concursos de poesia, contos e crônicas, tendo sido premiado em todos eles. Porém, somente em 1993, consegui publicar o meu livro de poesias "Amaryllis", com recursos próprios. Tenho também trabalhos técnicos publicados em revistas científicas e trabalhos de divulgação em revistas e jornais voltados para o agricultor".

          E assim falámos de: PACCELLI JOSÉ MARACCI ZAHLER

          Nasceu a 07 de Abril de 1958, em Bagé, RS, Brasil. Profissionalmente é engenheiro agrônomo, hoje exercendo a função de fiscal federal agropecuário no Ministério da Agricultura, em Brasília, DF, onde está radicado desde 1982. É membro da Associação Nacional de Escritores - ANE, da União Brasileira de Escritores - UBE, da Academia Virtual Brasileira de Letras - AVBL, da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias - ABPL, da International Writers and Artists Association - IWA e da Família "Cá Estamos Nós".
          Páginas pessoais:

www.paccellimzahler.portalcen.org
www.geocities.com/paccelli.

O ANIVERSÁRIO DA RÁDIO DIFUSORA

          A Rádio Difusora, a voz de Bagé, foi inaugurada em 27 de fevereiro de 1956. Nessa data, era tradição na cidade a apresentação de bandas e fanfarras em frente aos estúdios da empresa em homenagem ao aniversário daquele importante veículo de comunicação que, juntamente com a Rádio Cultura e a Rádio Clube, facilitava a integração e difundia notícias de interesse da Região da Campanha do Rio Grande do Sul.
         Se minha memória não me engana, tudo aconteceu lá pelo ano de 1973, quando eu era integrante da Banda Marcial do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora que, por sua vez, tinha a regência do Padre Lino Fistarol.
         Na Semana da Pátria, havíamos estreado os nossos novos uniformes. Calça branca, luvas brancas, polainas brancas sobre sapato preto, túnica vermelha com galonas douradas, quepe com penachos de náilon, acrescidos de uma afinação primorosa.
          Fomos convocados durante as férias escolares para os ensaios visando a apresentação em frente aos estúdios da Rádio Difusora. Iríamos tocar o "Parabéns a Você" em ritmo de valsa e nada podia dar errado.
         O capricho foi tanto que alguns músicos da Banda da 3a. Brigada de Cavalaria Mecanizada iam freqüentemente aos nossos ensaios para nos ensinar algumas técnicas e ajudar o Padre Lino Fistarol no aperfeiçoamento das nossas evoluções.
         Para uma apresentação impecável, passamos mais de mês ensaiando todos os dias.
         No dia marcado, nos concentramos em frente ao Colégio, fizemos a volta na Praça de Esportes em formação, nos posicionamos próximos à Farmácia Rio Branco e, a um sinal do trompete do Padre Lino Fistarol, começamos a desfilar na Avenida Sete de Setembro em direção ao prédio da Rádio Difusora, tocando um trecho da obra "Aída" de Verdi, nossa peça de abertura.
         Em fevereiro, pleno verão, as temperaturas em Bagé são bastante elevadas. Como o sol batia diretamente no prédio, por uma questão de conforto para os convidados, o palanque havia sido posicionado do outro lado, à sombra, na calçada oposta ao edifício sede da Rádio Difusora.
         O mestre de cerimônias era o Prof. Frederico Petrucci, nosso professor de geografia e apresentador de um programa radiofônico dominical de música erudita naquele veículo de comunicação.
         Quando chegamos ao prédio da Rádio Difusora, permanecemos virados para o sul, na direção da Praça Silveira Martins, enquanto o mestre de cerimônias fazia as apresentações, ressaltando o trabalho da Rádio Difusora e a tradição da presença da Banda Marcial do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora no evento.
         No momento de tocar o "Parabéns a Você", o Padre Lino Fistarol ficou preocupado porque havíamos ensaiado para ficarmos de frente para o prédio da homenageada. Sinalizou, então, com o seu trompete, para virarmos para o palanque. Alguns de nós não entenderam o sinal, eu inclusive, e viraram para o prédio da Rádio Difusora. Foi o maior vexame! Metade dos membros da Banda ficaram voltados para o prédio e a outra metade para o palanque.
         A coisa piorou quando os que estavam virados para o palanque viraram para o prédio e os que estavam virados para o prédio voltaram-se para o palanque.
         Ficamos paralisados, ouvindo o roçar dos sapatos nos paralelepípedos virando para cá e para lá.
         Quando acertamos a posição, com todos virados para o palanque, o Padre Lino Fistarol estava mais vermelho que a nossa túnica.
         Houve um momento de silêncio, seguido de uma tremenda vaia do público, especialmente dos nossos arqui-rivais da Banda do Colégio Estadual Dr. Carlos Kluwe que haviam se apresentado momentos antes.
         O Padre Lino Fistarol respirou fundo, deu o sinal para tocarmos o "Parabéns a Você" e tocamos. Tocamos e tocamos com garra, com a alma. Fizemos algumas evoluções e retornamos ao Colégio Nossa Senhora Auxiliadora mortos de vergonha.
         No outro dia, não se falava em outra coisa a não ser o vexame da Banda Marcial do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, orgulho do Padre Lino Fistarol.
         Lembro-me do Chico comentando que seu pai estava na platéia, feliz da vida, falando para todo mundo que tinha certeza que a nossa apresentação seria a melhor de todas pois tínhamos no repertório trechos de várias peças clássicas.
         No momento do episódio, ele teve vontade que o chão se abrisse, contudo ficou repleto de alegria quando a homenagem à aniversariante foi, no mínimo, impecável. E teria repetido, praticamente em transe, para os que o cercavam:"Eu disse que eles tocavam bem! Eu disse que eles tocavam bem!"

(Publicado na Revista Acadêmica, nº 7, nov/dez 2001, p.60-61)