

ARACY ALVES DE SOUZA

Aracy nasceu na cidade do Recife. Casou-se com um político e desempenhou,
por muitos anos, o papel de primeira dama de Caruaru, município da Região
Agreste de Pernambuco. Elegante e bastante discreta, acompanhava o marido em
cerimônias e inaugurações.
Quando decidiu se candidatar ao cargo de deputada estadual, muitos
questionaram o que iria fazer, no Recife, a esposa de um prefeito. Iracy
filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), na época, um partido
comprometido com o Golpe Militar de 1964, tendo sido eleita, em 1967, com
10.766 votos. Durante o mandato, mostrou-se batalhadora por muitos
municípios e povoados do Litoral e das Zonas da Mata, do Agreste e do
Sertão.
Segundo as Atas dos Trabalhos Legislativos, Aracy atuou como membro da
Comissão de Finanças e Orçamento; e da Comissão de Educação, Saúde, Trabalho
e Assistência Social. Em 1968, foi suplente da Comissão de Administração e
Segurança Pública. No ano de 1970, as Comissões de Finanças e Orçamento,
Saúde, Educação, Trabalho e Assistência Social tiveram-na, como membro, mais
uma vez.
A deputada se empenhou em assuntos relacionados a atividades femininas.
Congratulou-se, por exemplo, com a Associação Nordestina de Crédito e
Assistência Rural (ANCAR), por haver criado meios de preparar melhor as
"curiosas" (as mulheres parteiras leigas) para o desempenho de suas funções,
no meio rural em torno de Caruaru. Sugeriu a Emenda ao Projeto de Lei n.
316, demandando a construção de casas de parto em dois bairros daquele
município; e congratulou-se com o ministro da Saúde, pela doação de uma
ambulância para a casa de partos de Riacho das Almas.
No segundo mandato, Aracy obteve 13.396 votos, bem mais que no primeiro. De
1971 a 1975, através da leitura do Diário do Poder Legislativo, pode-se
observar que ela trabalhou em prol de povoados, municípios e arruados, tais
como, Riacho das Almas, Pau Santo, Xique-Xique, Malhada da Pedra, Serrote
dos Bois, Sairé, entre outros. Como membro e presidente, eleita por seus
pares, participou da Comissão da Área das Secas e Negócios Municipais, e foi
suplente das Comissões de Constituição, Legislação e Justiça, Finanças,
Orçamento e Economia.
A deputada solicitou à Assembléia que encaminhasse um apelo, ao governador
do Estado e ao secretário de Saúde, para a construção de um novo hospital de
Alienados, no Recife. Argumentou que o Hospital da Tamarineira só podia
abrigar trezentos pacientes, mas, alojava um mil e quinhentos; que era
assistido por, apenas, dezoito médicos e doze acadêmicos; e que, ali, os
doentes conviviam com ratos, com a falta de alimentos e de colchões.
Demandou, ainda, que o Governo fizesse melhorias nas instalações de vários
cartórios e delegacias do agreste e do sertão.
A partir de 1971, Aracy engajou-se, diretamente, com as causas femininas.
Cada destaque das mulheres, em algum setor da sociedade, mereceu sua
atenção: das religiosas Mercedárias de Garanhuns, àquelas que participavam
da Campanha Pernambucana Pró-Infância, como ajuda ao Hospital do Câncer.
Realizou conferências sobre a participação feminina na vida pública
nacional, e compareceu a vários congressos.
Entre algumas de suas demandas, requereu à Mesa, junto ao Conselho Nacional
de Mulheres, pelo Dia Nacional da Mulher, que inserisse um voto de
congratulação junto aos Diários Associados pelo ingresso, de Thais Notare,
no jornalismo pernambucano. Congratulou-se com a vereadora Claudianete Cruz
de Vasconcelos, por sua posse na Câmara Municipal de Rio Largo (Estado de
Alagoas); e com a Academia Nacional de Farmácia, pela posse de Haydée
Teixeira, como coordenadora do Centro Rural de Treinamento e Ação
Comunitária da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), já que foi a
primeira representante do sexo feminino a ingressar naquela entidade. A
deputada elaborou discursos, em favor das mulheres que trabalhavam na área
pública, que produziam e que se integravam nos problemas políticos e
socioeconômicos do Brasil.
Em 1972, Aracy foi coagida pelo cônjuge (através de violências físicas,
atestadas por um médico) a assinar um documento pedindo demissão do mandato
parlamentar. Ela deu entrada em um processo de desquite litigioso, mudou de
endereço, de nome de casada, e tornou públicos os bilhetes e as cartas
enviados pelo ex-marido, onde provava ter sido esposa e parlamentar
ultrajadas.
A partir daí, juntou-se às vozes que batalhavam em prol do divórcio.
Aproveitando o momento de novas reformas sociais e da reforma do Código
Civil Brasileiro, solicitou à Assembléia que encaminhasse, ao Congresso
Nacional, uma alteração do artigo 153 da Constituição, que tratava da
indissolubilidade do casamento.
A deputada apontou a importância de a mulher trabalhar fora do lar e ganhar
seu próprio dinheiro. Se isso ocorresse, ela dizia, nenhuma iria admitir que
se fizesse um proveito indevido dela, porque finalmente o marido não era um
Pupilo e, sim, um Meeiro.
Ela se ocupou, ainda, com duas questões concernentes à família e às
mulheres: o planejamento familiar e a ordenação de proteção
materno-infantil. Alegava ser um direito do casal, o poder de planejar o
número de filhos, para criá-los e prepará-los para a vida individual e
social. Desse modo, deviam lhe ser dados os meios para tal finalidade.
Argumentava que, eram as mulheres, as principais prejudicadas da falta de
planejamento familiar. Neste sentido, apoiou as atividades da Sociedade
Civil de Bem Estar Familiar (BEMFAM), e sugeriu que a entidade criasse, em
Caruaru, um Centro de Planejamento Familiar.
Em 1994, Aracy tentou se eleger deputada federal, desta vez, pelo Partido do
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mas, não conseguiu o número
suficiente de votos para atingir aquele objetivo. Ela se destacou no cenário
político de Pernambuco, de 1967 até 1974, por ter sido a primeira
pernambucana a se eleger, duas vezes, deputada estadual; bem como a primeira
a disputar, no Estado, um mandato federal.
Durante algum tempo, Aracy decidiu ser empresária e atuar no comércio de
vendas, chegando a ser proprietária de três butiques de moda feminina. No
ano de 1997, durante o mandato do amigo e colega Newton Carneiro, para a
Prefeitura de Jaboatão, a pernambucana, mais uma vez, retomou o exercício de
funções políticas, indo trabalhar como assessora de gabinete da Secretaria
de Indústria e Comércio e, posteriormente, como secretária de Ação Social
daquele município.
Fontes consultadas:
ARACY de Souza – uma trabalhadora incansável. Disponível em:
http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/perfil/presencafeminina/AracySouza.html
Acesso em: 8 jun. 2010
PERFIL Parlamentar Século XX, Assembléia Legislativa do Estado de
Pernambuco, Presença Feminina, Aracy de Souza, uma trabalhadora incansável.
Disponível em:
http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/perfil/presencafeminina/AracySouza.html
Acesso em: 11 maio 2010
SCHUMAHER, Shuma; BRAZIL, Érico Vital (Orgs.). Dicionário mulheres do
Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
SILVA, Maria Ladjane C. da; CARMO, Maria Marli da Silva. Participação das
mulheres: gênero e política na Assembléia Legislativa de Pernambuco.
Universidade de Pernambuco – UPE, Faculdade de Ciências, Educação e
Tecnologia de Garanhuns – FACETEG, Curso de Pós-Graduação em Gestão Pública
e Legislativa. Disponível em:
http://www.alepe.pe.gov.br/downloads/escola/monografias/MariaLadjaneCavalcanteDaSilvaMariaMarliDaSilvaCarmo.pdf
Acesso em: 3 maio 2010
ZIRBEL, Ilze. As mulheres do Brasil. Disponível em:
http://www.unicruzeiro.org.br/1378/367967.html Acesso em: 22 maio 2010