BIBLIOTECA PÚBLICA DE PERNAMBUCO
Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
A Biblioteca Pública de Pernambuco foi criada
durante a administração do Conde da Boa Vista, em 1841, mas só teve
a sua inauguração, na sala de desenho do Liceu Pernambucano, no dia
5 de maio de 1852.
A biblioteca passou por várias mudanças, desde então. Ela foi
instalada no Colégio das Artes (na rua do Hospício), depois mudou-se
para o convento do Carmo, em Olinda, e veio depois para um prédio
situado na praça da República.
Em 1930, a biblioteca foi transferida para o prédio de número 371 da
rua do Imperador, onde, desde 1731, funcionava a Cadeia Nova, a
segunda cadeia do Recife, e que, posteriormente, abrigou a sede do
Senado da Câmara - o Fórum de Pernambuco.
Cabe registrar, a título de informação, que, na segunda cadeia do
Recife, estiveram presos grandes patriotas brasileiros de 1817 e
1824, como o frade carmelita Joaquim do Amor Divino Caneca,
conhecido como Frei Caneca. De lá, o frade foi levado pelas ruas do
Recife, a pé, com destino ao Forte das Cinco Pontas, onde foi
executado a tiros de arcabuz.
Em março de 1975, por não conseguir mais comportar os seus 70.000
volumes, a Biblioteca Pública mudaria novamente. Da rua do
Imperador, dessa vez, ela veio para um novo prédio situado no parque
13 de Maio, no bairro de Santo Amaro, local onde se encontra até o
presente. No lugar da antiga biblioteca, instalou-se o Arquivo
Público Estadual.
Desde 1975, a Biblioteca Pública passou a se chamar Biblioteca
Estadual Presidente Castelo Branco. Hoje, o seu acervo conta com
cerca de 100.000 livros, 15.000 folhetos, 430 mapas e 1.450 volumes
de jornais, mas tem capacidade para abrigar 250.000 volumes.
Em se tratando de jornais, é possível se encontrar o Diario de
Pernambuco desde o dia 15 de janeiro de 1828; o Jornal do Commercio,
com exemplares anteriores à Revolução de 1930; e os primeiros
exemplares dos jornais do Estado mais antigos surgidos em 1821, como
Aurora Pernambucana, Segarrega, e Relator Verdadeiro.
No que se refere à seção de manuscritos, o acervo contém cartas e
ordens régias, sesmarias, ofícios do Governo, patentes e atos de
Câmaras Municipais desde a segunda metade do século XVII (época da
Capitania ou Província). E, presentes na seção de raridades, existem
livros raros, em suas edições originais, concernentes à História do
Brasil colonial e à Geografia.
A Biblioteca possui seções de Coleções Especiais (periódicos,
manuscritos, iconografia, obras raras), Referência, Atividades em
Grupos, Extensão, Audiovisuais e Música, Biblioteca Circulante e
Biblioteca Infantil.
Pela Biblioteca Estadual Presidente Castelo Branco passaram
renomados pesquisadores e estudiosos, a exemplo de Gilberto Freyre,
Pereira da Costa, José Antônio Gonsalves de Mello, Alfredo de
Carvalho, Paulo Cavalcanti, entre outros expoentes da cultura
brasileira.
Fontes consultadas:
FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de
Educação e Cultura, 1977.
ROCHA, Tadeu. Roteiros do Recife. Recife: Mousinho, 1959.