
O dengue é uma doença
febril aguda, de etiologia viral, que vem afetando bastante
a população dos países tropicais e subtropicais, tanto no
verão quanto após os períodos chuvosos. Essa doença
constitui-se em um sério problema de saúde pública, uma vez
que o clima e os hábitos urbanos criam condições favoráveis
ao desenvolvimento e à proliferação dos mosquitos que a
propagam.
O dengue é transmitido por duas espécies de mosquitos – o
Aëdes aegypti e o Aëdes albopictus - que picam somente
durante o dia, contrariamente ao mosquito comum, o Culex,
que pica durante a noite.
Os insetos transmissores criam-se em águas limpas,
proliferando-se dentro ou nas proximidades das habitações ou
de recipientes coletores de água - caixas d'água, cisternas,
latas aberta, pneus velhos, ou vasos de plantas. Os
depósitos de pneus usados, em particular, bem como as
bromélias - plantas que formam uma espécie de cálice, e que
acumulam água em sua parte central - costumam servir como
excelentes criadouros de mosquitos. Apesar da transmissão da
doença ser mais comum nas cidades, ela pode ocorrer, também,
em áreas rurais. Entretanto, é bastante rara em localidades
com altitudes superiores a 1.200 metros.
Primeiramente, as fêmeas põem seus ovos dentro de qualquer
container que possa acumular água, e eles aderem às suas
paredes, ao mesmo tempo em que permanecem próximos da água.
Ainda que o recipiente seque, os ovos não morrem. Portanto,
não adianta, apenas, substituir a água contaminada por outra
limpa. Mesmo que se faça isso, dos ovos aderentes sempre
surgem as larvas que, depois de certo tempo, vão dar origem
a novos mosquitos.
De acordo com os registros oficiais, o dengue foi relatado,
pela primeira vez, em 1779, na ilha de Java; e, em 1782, em
Cuba. No Brasil, há referências sobre essa doença desde
1846. A primeira epidemia documentada clínica e
laboratorialmente, porém, ocorreu em Boa Vista/Roraima, no
ano de1981. Uma outra epidemia de grande magnitude ocorreu
no Rio de Janeiro, em 1986, estendendo-se para os Estados de
Alagoas e Ceará. Um ano após disso, o dengue propagou-se
muito, tornando-se endêmico na Bahia, em Pernambuco, em
Minas Gerais e em São Paulo.
Existem no mundo quatro tipos diferentes de vírus do dengue:
1, 2, 3 e 4. No Brasil, circulam apenas os tipos 1, 2 e 3.
Este último foi encontrado em dezembro de 2000, e isolado,
em janeiro de 2001, no Rio de Janeiro.
Cabe ressaltar que as pessoas infectadas pelo dengue (não
importando o tipo de vírus) apresentam a mesma
sintomatologia. Por outro lado, não há necessidade de se
tentar determinar o tipo de vírus que ocasionou a doença:
dengue é dengue, e todas as pessoas contaminadas sofrem dos
mesmos males. E, a maneira mais eficaz de se evitar a
contaminação, é através da eliminação dos insetos
transmissores.
Na grande maioria dos casos, o dengue causa desconforto e
transtornos físicos, mas não põe em risco a vida das
pessoas. Em se tratando dos sintomas da virose, observa-se
que os doentes são acometidos por febre alta, dores de
cabeça e no corpo e, por vezes, vômitos. Três ou quatro dias
após o início dessas manifestações, pode ocorrer pequenos
sangramentos no nariz e nas gengivas, bem como pruridos e
manchas vermelhas na pele, semelhantes àquelas do sarampo e
da rubéola.
Em média, os sintomas melhoraram entre cinco e dez dias. Em
uma minoria de casos, porém, depois que a febre começa a
baixar, é possível que ocorra uma diminuição acentuada da
pressão sangüínea, o que pode levar à forma mais grave da
virose – o denominado dengue hemorrágico – e levar ao óbito.
Esse tipo grave de dengue, ainda que bastante raro, pode
ocorrer mesmo junto àqueles que adoecem pela primeira vez.
Os indivíduos se recuperam, em geral, sem maiores problemas,
ficando imunizados contra o tipo de vírus (1, 2, 3 ou 4) que
os contaminou. Entretanto, podem vir a ser contaminados,
novamente, com os demais tipos de vírus do dengue.
Explicando melhor, se alguém adquiriu o vírus tipo 3, pode
ser contaminado, também, pelos vírus 1, 2 ou 4. E, por
ocasião de uma segunda ou terceira contaminação, apesar de
ser bem maior o risco de a doença evoluir para o dengue
hemorrágico, isso não significa que a forma grave da virose
deva, obrigatoriamente, vir a ter lugar.
O Aëdes aegypti está presente em cerca de 3.600 municípios
brasileiros e, dependendo da existência de outros focos, os
mosquitos transmissores podem propagar, inclusive, a febre
amarela e a malária.
Presentemente, cerca de dois bilhões de habitantes vivem em
áreas onde a transmissão do dengue pode se dar. Tais áreas
de risco são as seguintes: América Central, América do Sul
(exceto Chile, Paraguai e Argentina), América do Norte
(México), África, Austrália, Caribe (exceto Cuba e Ilhas
Caymam), China, Ilhas do Pacífico, Índia, Sudeste Asiático e
Taiwan. As cifras da doença têm sido estimadas entre 50 e
100 milhões de casos por ano. Em 1995, no Continente
Americano, em particular, foram notificados 250 mil casos de
dengue, e 7 mil casos da forma mais grave da doença.
No Brasil, na década de 1930, a erradicação da febre amarela
fez desaparecer também o dengue. Mas, a epidemia retornou ao
país, chegando a atingir 570.148 casos, em 1998. Um ano
depois disso, houve uma redução significativa da epidemia,
que passou para 210 mil casos. No ano 2000, por outro lado,
houve uma certa elevação (passou para 240 mil casos) e, em
2001, a doença atingiu a marca dos 370 mil casos. A maior
parte dos doentes, vale lembrar, habitam no Nordeste do
Brasil.
É importante salientar que uma pessoa não transmite o dengue
diretamente para outra. Para haver contaminação, é preciso:
primeiro, que o Aëdes aegypti pique alguém que esteja
infectado; segundo, que o vírus do dengue se multiplique
dentro do organismo do mosquito; e, terceiro, que o inseto
portador do vírus pique um indivíduo são, contaminando-o
dessa maneira.
No país, o combate ao dengue tem sido feito através das
seguintes maneiras: a) o extermínio dos mosquitos adultos;
b) a eliminação dos criadouros de larvas; e, c)
investimentos em educação ambiental. Portanto, vem-se
fazendo uso de inseticidas, mediante o fumacê. Este
procedimento não acaba, porém, com os criadouros de larvas
(as fontes principais), e precisa ser sempre repetido, para
exterminar os insetos que porventura sobrevivam. Sendo
assim, todos os recipientes passíveis de serem preenchidos
com água – tais como as caixas d'água e cisternas - devem
ser protegidos com tampas ou descartados, já que se
constituem em ótimos criadouros de insetos. Por fim, o
Ministério da Saúde tem investido em educação, esclarecendo
a população sobre as formas de se combater o dengue no meio
ambiente.
Registra-se, abaixo, algumas medidas importantes que foram
difundidas para evitar a propagação do Aëdes aegypti.
Deve-se, entre outros:
1. eliminar todas as plantas que vivem em vasos com água,
substituindo-as por outras que vivem em vasos com terra, e
manter secos os pratos coletores d´água;
2. utilizar a água tratada com cloro (40 gotas de água
sanitária a 2,5% para cada litro), duas vezes por semana,
para regar as plantas passíveis de acumular água, a exemplo
das bromélias;
3. desobstruir, sempre, as calhas do telhado para que,
nelas, não haja qualquer acúmulo d´água;
4. evitar deixar pneus, ou outros utensílios que possam
acumular água, expostos à chuva;
5. manter sempre tampadas as cisternas, os filtros, os
barris, e as caixas d'água; e
6. juntar o lixo em sacos plásticos fechados, ou em latões
com tampas.
Ainda não existe um tratamento específico para o dengue.
Quando há certeza sobre a presença da virose, recomenda-se
que o doente faça uso de remédios à base de paracetamol
(como o Tylenol), para aliviar a dor e a febre alta, e que
faça também uma reidratação oral. Cuidados adicionais, por
sua vez, devem ser tomados. Entre eles, o de evitar a
ingestão de drogas que contêm o ácido acetil-salicílico (os
conhecidos AAS, Aspirina ou Melhoral), uma vez que seus
efeitos colaterais permitem o agravamento da doença.
Por outro lado, é interditado o uso de medicamentos à base
de dipirona (como Novalgina e Dorflex) e, qualquer tipo de
antiinflamatório (como Scaflan, Voltaren e Profenid), pois
eles podem causar hemorragia no aparelho digestivo, além de
erupções na pele, advindas de reações alérgicas.
Muito embora as pesquisas na área da saúde estejam bastante
avançadas, ainda não se obteve uma vacina contra o dengue.
Em áreas mais endêmicas, recomenda-se à população que use
calça comprida, camisa de manga longa, e passe repelente na
pele, para evitar a aproximação dos insetos transmissores.
Fontes consultadas:
O DENGUE. Súmula, Rio de Janeiro, n. 87, mar. 2002.
A SAÚDE no Brasil: avanços, impasses, retrocessos.
Súmula, Rio de Janeiro, n. 86, fev. 2002.
COSTA, Eduardo de Azeredo. Histórico do dengue. Disponível
em:
Acesso em: 27 fev. 2005.
MARTINS, Fernando S. V.; CASTIÑEIRAS, Terezinha M. P. P.
Dengue. Disponível em:
Acesso em: 27 fev. 2005.
UFMG contra o dengue. Disponível em:
Acesso em: 27 fev. 2005.
UNICAMP sem dengue. Disponível em:
Acesso em: 27 fev. 2005.