
Em 22 de outubro de 1872, no
engenho Tentugal, em Barreiros, Estado de Pernambuco, nasce Estácio
de Albuquerque Coimbra. É o primeiro filho de João Coimbra - membro
de uma modesta família de lavradores portugueses que veio morar no
Brasil, no começo do século XIX, mas que se torna advogado, senhor
de engenho e deputado estadual - e de Francisca de Albuquerque Belo
Coimbra - integrante de uma família aristocrática, tradicionalmente
relacionada à lavoura e proprietária do engenho Tentugal.
Estácio Coimbra ingressa na Faculdade de Direito do Recife, e se
forma em 1892 com apenas vinte anos de idade. Junto a seu pai,
começa a exercer a advocacia em Barreiros, Rio Formoso e Água Preta.
Casa-se bem jovem com Joana de Castelo Branco Coimbra, cuja família
é proprietária do engenho Morim. O casal tem quatro filhos. Neste
engenho, como representante da nobreza rural pernambucana, Coimbra
passa os fins de semana. Posteriormente, o local se transforma na
Usina Central de Barreiros: um dos pontos de referência da indústria
açucareira do Estado.
Em 1894, após ter colaborado para a organização do Partido
Republicano de Barreiros, Estácio Coimbra substitui o seu tio-avô
materno (cujo mandato havia expirado), e se elege prefeito daquele
município. Poucos meses depois (em 10 de janeiro de 1895), é eleito
deputado estadual, tornando-se líder e componente das Comissões de
Justiça e Finanças. Por ser um excelente orador e um líder
combativo, ele consegue consolidar o seu prestígio político e, em
1899, elege-se como o mais jovem deputado federal da época. Vale
ressaltar que a rapidez de sua trajetória é fruto da ascensão e
dominação da oligarquia "rosista", aquela comandada pelo conselheiro
Francisco de Assis Rosa e Silva, o mesmo que se tornou
vice-presidente da República, no governo Campos Sales (1898-1902), e
que muito apoiou o jovem deputado.
O prestígio de Estácio Coimbra é tamanho que, em 1907, ele acumula
as funções de deputado estadual e federal. Nestas funções, ele
conseguiu alguns melhoramentos para a região de Barreiros: a
instalação de uma linha férrea para o Recife, e a construção de uma
ponte metálica sobre o rio Una.
Em 1911, ocorre uma acirrada disputa pelo poder, com a utilização de
uma propaganda eleitoral das mais violentas, e as forças militares
são convocadas a interceder. Nesse momento, Herculano Bandeira
renuncia, passa o cargo para Antônio Pernambucano - seu substituto
legal -, mas o mesmo alega motivos de saúde para não tomar posse; e
Estácio Coimbra então, como Presidente da Assembléia, assume o
governo do Estado de Pernambuco.
Dentro de sessenta dias, conforme a constituição pernambucana, são
efetuadas novas eleições e Rosa e Silva, possuidor de um grande
controle da máquina eleitoral, se torna o vitorioso. Naquela época,
contudo, muitos alegam a ocorrência de fraude. Há uma segunda
intervenção das tropas do Exército, ocorrem saques, depredações e
mortes, e o governador provisório Estácio Coimbra (juntamente com a
maior parte dos senadores e deputados), não encontrando alternativa,
procura refúgio em lugares mais seguros.
Na ocasião, o General Dantas Barreto é reconhecido como o novo
governador de Pernambuco; a partir daí, persegue bastante os seus
adversários e, por fim, consegue neutralizar a dominação da
oligarquia "rosista".
Durante um certo período, Estácio Coimbra fica afastado da política.
Com o suporte da nova oposição, no entanto, ele é eleito (novamente)
deputado federal em 1915, consegue a renovação do seu mandato por
mais dois períodos, e permanece no poder até 1922. Cabe salientar
que Estácio Coimbra exerceu, ainda, os cargos de Ministro da
Agricultura, na gestão de Epitácio Pessoa, e Vice-Presidente da
República, no governo de Artur Bernardes (1922-1926), e assumiu
também a presidência do Senado e do Congresso Nacional.
Após a passagem pela Vice-Presidência, Estácio Coimbra (apoiado
sempre por Rosa e Silva) empreende negociações no sentido de se
tornar o próximo governador do Estado. Isto vem a ocorrer no dia 1º
de maio e sua posse tem lugar no final do ano. Desta feita, porém,
aumentam as dissidências em Pernambuco, e o governador é acusado,
publicamente, de não cumprir vários itens do acordo assinado.
Na Paraíba, paralelamente, surge em Princesa (hoje chamada Princesa
Isabel), um forte movimento de oposição ao governo de João Pessoa.
Estácio Coimbra é acusado de favorecer os rebeldes, uma vez que as
primeiras armas e munições usadas advinham da polícia pernambucana.
Nesse período turbulento, João Pessoa é assassinado no Recife pelo
advogado João Dantas Duarte, instigado por adversários políticos do
governador e contando, inclusive, com a cumplicidade de Estácio
Coimbra. Tais acontecimentos culminam com a eclosão da Revolução de
1930, no Rio Grande do Sul, e o governador de Pernambuco é informado
de que os Estados da Paraíba e de Minas Gerais tinham sido obrigados
a aderir à Revolução.
Os rebeldes encontram uma forte resistência, no quartel do 21º
Batalhão de Caçadores de Pernambuco, e são obrigados a recuar. Em
contrapartida, tentam destruir a central telefônica do Recife. Os
integrantes do Tiro de Guerra 333 - mediante ordens - tomam de
assalto, então, o depósito de armas e munições do Exército. Diante
do desequilíbrio de forças, a Polícia Militar do Estado é obrigada a
se render, e o seu quartel se vê ocupado pelas forças
revolucionárias.
Do Palácio do Campo das Princesas, Estácio Coimbra tenta resistir
aos ataques que vêm da ponte Princesa Isabel, de Santo Amaro e da
rua da Aurora, ainda enfrenta as tropas do exército, mas não obtém
sucesso. Finalmente, embarca em um rebocador com os seus assessores
e ruma para o litoral sul de Pernambuco. Vai para Maceió depois e,
de lá, para Salvador. Nesta cidade, toma conhecimento do triunfo da
revolução e da demissão de Washington Luís, o Presidente da
República. Sem maiores alternativas, o governador embarca para
Lisboa, onde se exila por quatro anos, acompanhado de seu fiel amigo
Gilberto Freyre.
Somente em 1934, em decorrência de uma anistia, Estácio Coimbra
abandona o exílio. Ele retorna ao engenho Morim, em Barreiros, mas
se mantém afastado da política até a data do seu falecimento: 9 de
novembro de 1937. Renato Carneiro Campos, escritor e crítico
literário pernambucano, disse que Estácio Coimbra foi, ao mesmo
tempo, um conservador e um reformador.
Dentre suas realizações mais importantes na vida política constam: a
fundação da Escola de Agronomia, em Barreiros; a transformação da
Escola Normal e do ensino em Pernambuco (sob a condução do educador
Antônio Carneiro Leão); o estímulo à agricultura; e o início do
zoneamento econômico do Estado e do cadastramento rural.
Fontes consultadas:
SILVA, Jorge Fernandes da. Estácio Coimbra. In: _____. Vidas que
não morrem. Recife: Secretaria de Educação, Departamento de
Cultura, 1982.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Dicionário histórico-biográfico
brasileiro 1930-1983. Rio de Janeiro: Forense-Universitária,
1984. p. 829-832. v. 1.