IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA
(Olinda, PE)
Semira Adler Vainsencher
semiraadler@gmail.com
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

Situada no
morro do Seminário de Olinda e anexa ao
ex-Seminário, a Igreja de Nossa Senhora da Graça
foi construída em taipa, pelo donatário Duarte
Coelho, no ano de 1551. O templo e as terras ao
seu redor foram doados aos padres jesuítas, a
fim de que pudessem dar início à catequese dos
índios e à edificação do Colégio de Olinda.
Em 1567, a primitiva igreja foi substituída por
um prédio de maiores dimensões. Neste sentido,
Duarte Coelho contou com a ajuda do padre
Antônio Pires, pedreiro e carpinteiro, que
nivelou o terreno e deu os trabalhos por
concluídos quatro anos mais tarde.
Cabe salientar que os religiosos da Companhia de
Jesus instalaram no terreno um jardim botânico,
no sentido de aclimatar as mudas de árvores
frutíferas que foram trazidas pelos
colonizadores de outros continentes para o País.
Entre os anos 1584 e 1592, o padre Luiz Grã
empreendeu novas obras no prédio do templo, nele
construindo uma nave única, um frontão
retangular e um telhado em duas águas,
baseando-se em um projeto arquitetônico da
Igreja de São Roque, presente em Lisboa. Foi
esse padre quem estabeleceu, na sede da
capitania de Pernambuco, as primeiras classes de
alunos. O Colégio de Olinda seria fundado oito
anos mais tarde.
Com a invasão holandesa, toda a prataria e
demais riquezas pertencentes à igreja foram
enterradas em um lugar seguro e colocadas fora
do alcance do inimigo. A igreja e o Colégio
ficaram bastante danificados com o incêndio
ocorrido em Olinda, em 1631.
Após a expulsão dos flamengos, essa riqueza foi
resgatada e levada para Lisboa pelo padre
Francisco de Vilhena, que veio especialmente de
Portugal com o objetivo de acompanhar o
transporte desses bens. Contudo, o navio que
conduzia tais riquezas foi assaltado por piratas
turcos e levado para Argel. Entre os objetos
perdidos, encontravam-se uma magnífica lâmpada
de prata e uma urna de ouro.
Depois que os batavos deixaram Pernambuco, a
Igreja de Nossa Senhora da Graça e o Colégio de
Olinda passaram por uma outra restauração, entre
1661 e 1662. Cabe ressaltar que, nesse colégio,
o Padre Antônio Vieira, com dezoito anos de
idade, já ensinava Retórica. Ainda hoje é
possível observar a cátedra de onde o religioso
adolescente discursava para os seus discípulos.
No dia 3 de setembro de 1759, o Marquês de
Pombal bania a Companhia de Jesus de todo o
Reino de Portugal, e mandava fechar todos os
colégios jesuítas do Brasil, bem como as
residências e missões destinadas a catequizar os
indígenas.
Em se tratando dos detalhes arquitetônicos do
templo, pode-se apreciar a sua feição rústica, a
composição renascentista, as colunas e o
entablamento coríntios, bem como a presença das
tradições românico-portuguesas - arco cruzeiro,
óculo, nicho arrematando o conjunto - existentes
em inúmeras construções lusas, a exemplo da
Igreja de São Pedro, em Leria, Portugal.
A nave do templo é simples. Os seus altares
laterais, monumentos feitos em pedra, são os
mais antigos do País. O santuário se encontra
cercado por dois nichos de altares secundários.
Na fachada há um óculo, localizado sobre a única
porta existente – a de entrada – que é
responsável pela iluminação da nave.
Fruto de uma reforma empreendida no século XVII,
o campanário da Igreja de Nossa Senhora da Graça
foi colocado na parte posterior da capela-mor.
As janelas do coro e as outras capelas do
templo, entretanto, foram construídas bem mais
recentemente.
No cemitério da igreja encontram-se sepultados
os restos mortais de Beatriz de Albuquerque
(conhecida como Brites), esposa de Duarte
Coelho.
Fontes consultadas:
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Paulo: Editora Fundo Educativo Brasileiro, 1983.
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