SÍTIO DA TRINDADE

Situado no bairro de Casa Amarela, no Recife, o Sítio da Trindade
representou um espaço importante no período da invasão holandesa
(1630 – 1654). Ali, naquela área de terreno elevado, existiu o Forte
Arraial do Bom Jesus, também chamado de Arraial Velho, que foi
construído em taipa de pilão pelo general Matias de Albuquerque,
entre 1630 e 1635. O Forte funcionou como um foco de resistência
luso-brasileira contra os flamengos. Estes bombardearam e tomaram o
Forte no ano de 1635.
Logo após o surgimento do Arraial Velho, o exército montou o seu
acampamento nas redondezas, e uma população de cerca de mil pessoas,
antigos habitantes de Olinda - que abandonaram as suas casas durante
a presença batava – migraram para lá temerosos do que poderia vir a
ocorrer. Dentre os residentes, por sua vez, havia um elevado número
de eclesiásticos – franciscanos, em particular – que no Arraial
erigiram um oratório, para celebrarem missas e empreenderam outros
atos religiosos.
Por outro lado, rapidamente também surgiram barracas com vivandeiros,
que montaram os seus negócios e, depois, erigiram estabelecimentos
comerciais ao redor da fortaleza. Aquele local, para os portugueses,
representava um ponto estratégico no sentido de impedir a entrada
dos holandeses para o interior, rumo aos engenhos e às plantações de
cana-de-açúcar que, na época, representavam as maiores riquezas da
capitania de Pernambuco.
Com o aumento da população refugiada, e das crescentes dificuldades
para se receber os gêneros alimentícios, todos os bois, cavalos,
cães, gatos, entre outros, foram consumidos pelas pessoas famintas.
Os especuladores aproveitaram a oportunidade e elevaram tanto o
preço dos alimentos que os soldados só podiam consumir uma pequena
porção de açúcar, uma espiga de milho e um pouco de farinha de
mandioca, por dia.
Há registros, inclusive, de que, por ordem do comandante – o capitão
André Marim - alguns comerciantes foram enforcados, uma vez
comprovado o fato de que eles estavam tirando proveito daquela
situação. No entanto, em decorrência dos ataques sofridos por parte
dos inimigos, da falta de armamentos e de uma alimentação adequada,
o Forte Real do Bom Jesus, apesar de todos os esforços empreendidos,
capitulou em 1635.
Os portugueses levantaram, então, um novo forte, nas imediações da
Madalena, que foi denominado de Forte Real do Bom Jesus, mas ficou
sendo chamado de Arraial Novo, para se distinguir do anterior. Esse
Arraial foi o quartel-general dos restauradores de 1646 a 1654, e,
as suas ruínas ainda podem ser observadas na Avenida do Forte, no
bairro de Torrões.
Em se tratando do Arraial Velho, alguns moradores voltaram depois
àquele lugar, trataram de reparar as casas que haviam sido
bombardeadas e construíram outras. Com o passar do tempo, porém, as
terras foram divididas em diversos sítios e propriedades, surgindo
novas ruas e estradas, assim como novas casas de vivenda.
Posteriormente, as terras do Arraial passaram às mãos da família
Trindade Paretti. Por essa razão, o espaço ficou sendo chamado de
Sítio da Trindade. Este Sítio possui um chalé com 600 metros
quadrados de área construída, e abrange 6,5 hectares de área verde.
Nele, algumas placas podem ser observadas. Em uma delas, lê-se:
Caminhando pelas terras deste sítio, estais pisando o solo em que se
moveram Matias de Albuquerque e tantos outros heróis da luta contra
o invasor.
Na frente de um obelisco de granito, com dois metros de altura - um
marco comemorativo que foi inaugurado no dia 30 de janeiro de 1922 –
percebe-se uma outra placa:
Aqui existiu o Forte Arraial do Bom Jesus (Arraial Velho) 1630 –
1635. Instituto Archeologico, 1922.
Existe ainda um monumento singelo de cimento, com um medalhão e uma
placa, onde se encontra gravado:
Ao eminente naturalista José Pedro de Faria Neves, homenagem do povo
do Recife.
Em 1952, o Sítio da Trindade foi desapropriado e declarado como um
bem de utilidade pública. E, em reconhecimento à sua importância
histórico-social, no dia 17 de junho de 1974, o local foi
classificado como um conjunto paisagístico e tombado pelo Instituto
Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Fontes consultadas:
COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Arredores do Recife. Recife:
Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1981.
FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Secretaria de Educação
e Cultura, 1977.
RECIFE. Prefeitura da Cidade. O Recife, histórias de uma cidade. In:
A CONQUISTA flamenga. Recife, 2000. Fascículo 2.