

TEREZA COSTA RÊGO

Filha de uma família tradicional da
aristocracia rural, Tereza Costa Rêgo nasceu na cidade do Recife, no dia 28
de abril de 1929. Era a única menina dentre cinco irmãos e, ainda criança,
começou a pintar. Na adolescência, estudou pintura na Escola de Belas Artes.
Em sua exposição inicial, no Museu do Estado de Pernambuco, a jovem ganhou o
primeiro prêmio (uma viagem) oferecido pela Universidade Federal de
Pernambuco. Ela participou, também, da Sociedade de Arte Moderna do Recife,
e de vários Salões daquele Museu, tendo sido premiada três vezes.
Tereza ficou casada durante quatorze anos e teve duas filhas - Maria Tereza
e Laura Francisca. Em 1962, apaixonou-se pelo engenheiro Diógenes Arruda
Câmara, dirigente do Partido Comunista do Brasil, e com ele se casou. Em um
período de grande perseguição política, o casamento com um líder comunista
acarretou o seu afastamento de suas filhas e familiares. Ela chegou a ser
perseguida pelo regime militar, por causa da militância política, porém,
jamais parou de pintar: assinava seus quadros com o nome Joanna, para não
ser identificada.
Por motivos políticos, o casal migrou para São Paulo e, até 1969, viveu na
clandestinidade. Tereza estudou na Universidade de São Paulo (USP), onde se
formou em História. Para complementar a renda familiar, dava aulas de
História do Brasil para vestibulandos, e trabalhava como paisagista em um
escritório de planejamento urbano.
Diógenes foi preso e permaneceu encarcerado de 11 de novembro de 1969 até 22
de março de 1972. Neste período, foi submetido a torturas bárbaras, por
parte dos algozes do DOI-CODI e do DOPS, e essas torturas arruinaram sua
saúde. Em 1972, o casal se exilou no Chile; mas, com o advento do Golpe
Militar, teve que fugir para Paris, onde permaneceu durante seis anos. Nessa
cidade, Tereza concluiu um doutorado em História, na Escola de Altos Estudos
da Sorbonne. Sua monografia discorreu sobre a trajetória do proletariado
brasileiro. Na França, Diógenes já apresentava sérios problemas de saúde,
sofrendo do coração, da visão, e de tuberculose em ambos os pulmões.
A artista e seu marido retornaram ao Brasil, em 1979, por ocasião da
Anistia. Dois meses após a chegada ao País, Diógenes faleceu de um ataque
cardíaco, deixando Tereza arrasada. Foi através da arte, mais uma vez, que
ela conseguiu levar a vida adiante. Continuou a pintar e voltou a assinar as
obras com seu nome completo.
A artista adotou a Rua do Amparo, na cidade alta de Olinda, para residir;
fez um Mestrado em História, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e
foi contratada para trabalhar na Prefeitura de Olinda. Durante doze anos
foi, ainda, diretora do Museu do Estado. Em 1982, foi convidada para ser
Secretária de Cultura e, desde então, não parou mais de se envolver com a
cidade de Olinda.
Tereza realizou várias exposições individuais:
Pintura - Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1981;
Pintura e Gravuras, Palácio dos Governadores, Olinda, 1984;
Pintura - Galeria Carmita Brito, Recife, 1985;
Pintura - Atelier do Artista, Olinda, 1985;
Gravuras - Vila do Conde, Portugal, 1985;
Pintura e Gravuras - Oficina Guaianases de Gravura, Olinda, 1988;
Pintura, Galeria Officina, Recife, 1988;
Pintura, Atelier do Artista, 1990;
Pintura, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1992;
Gravuras - Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda, 1992;
40 Anos de Arte - Atelier do Artista, Olinda, 1997;
Sete Luas de Sangue - Museu de Arte Moderna, Recife, 2000;
Sete Luas de Sangue - Espaço Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2001; e
Sete Luas de Sangue - Museu de Arte de São Paulo, 2002.
Ela realizou, ainda, uma série de exposições coletivas:
Coletiva de Artistas Brasileiros, Galeria Vila Rica, Recife, 1980;
Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Museu do Estado de Pernambuco,
Recife, 1981;
Coletiva de Artistas Brasileiros, Galeria Vila Rica, Recife, 1981;
Pintura e Poesia - Geração 65, Oficina 154 - Edições Piratas, Olinda, 1981;
1º Salão de Arte Erótica de Pernambuco, Vivencial Diversiones, Olinda, 1982;
Coletiva de Artistas Brasileiros, Avivarte, Olinda, 1983;
Exposição Mulher/Dez Artistas Pernambucanas, Shopping Recife, 1984;
As Novas Imagens do Nordeste, Rio Design Center, Rio de Janeiro, 1984;
Exposição Comemorativa dos 450 anos de Olinda, Museu de Arte Contemporânea
de Pernambuco, Olinda, 1985;
Artistas Olindenses, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda,
1985;
Mostra de Arte do Recife, Teatro Santa Isabel, Recife, 1985;
Coletiva Guaianases, Oficina Guaianases de Gravura, Olinda, 1985, 1986, 1987
e 1988;
Galeria Oficina, Recife, 1986, 1987 e 1988;
Pintores Brasileiros, Portugual, 1987;
Cor de Pernambuco, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, 1989;
O Gato Pintado, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, 1989;
O Gato na Pintura, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, 1989;
Seis Pintores de Olinda, Vila do Conde, Portugal, 1990;
O Circo, Galeria Ranulpho, Recife, 1990;
Fernando de Noronha, Eco 92, Três Visões MAC, 1992;
Viagem ao ano 2000, Passaporte Para O Futuro, São Paulo, 1994;
A Batalha dos Guararapes, Museu do Estado, 1994;
Cumplicidades, Lisboa, 1995;
Olhar Sobre Os Trópicos, Lisboa, 1995;
Arte Brasileira, UNESCO, Paris, 1995;
Arte Brasileira, Estúdio A, São Paulo, 1997;
Artistas Pernambucanos, Cuba, Santiago de Cuba, 1997; e
Artistas Pernambucanos, Portugal, 2003.
Durante toda a infância e juventude, ouvindo as conversas dos irmãos e dos
seus amigos, Tereza “penetrou” em bordéis, e foi criando uma realidade de
cores e formas. Ela declarou que, muitas vezes, entrara nos prostíbulos do
Bairro do Recife, sem nunca ter atravessado, sequer, as suas portas.
Meu irmão Aluísio sempre prometia me mostrar o Bar do Grego, mas eu nunca
entrei em um bordel. Não por preconceito ou censura, mas, ao contrário, para
não matar o encanto que tanto fascinou as noites de minha infância.
No segundo semestre de 2004, visando lançar o Projeto Pernambuco Cultural, o
Instituto Ricardo Brennand (IRB) promoveu uma exposição coletiva de
desenhos, pinturas, gravuras e esculturas, com trabalhos de vários artistas
plásticos, tais como Cícero Dias, Lula Cardoso Ayres, Vicente do Rêgo
Monteiro, Tereza Costa Rêgo, Guita Charifker, Mirella Andreotti, Marianne
Peretti, Maria Carmem, João Câmara, Abelardo da Hora, Gil Vicente, Samico,
José Cláudio, Luciano Pinheiro, entre outros.
Ao completar oitenta anos de idade, ela ganhou o livro Tereza Todos os
Tempos, uma publicação bilíngue (em português e espanhol) onde se encontram,
entre outras, fotografias relacionadas à pintora, além de um texto
biográfico redigido pelo artista plástico e curador Raul Córdula.
Na mesma época, ela realizou a exposição Tereza de Todos os Tempos, no
Palácio dos Governadores (sede da Prefeitura) e, posteriormente, no Museu do
Estado. A mostra reuniu catorze trabalhos, trazendo a série intitulada Sete
Luas de Sangue. Uma das obras - Apocalipse de Tereza - retrata uma cobra
muito grande, pintada em um painel de doze metros de comprimento. Eis
algumas obras criadas por Tereza:

Na década de 1990, a artista acabou se envolvendo com pessoas que
trabalhavam com mamulengos, tais como Fernando Augusto, criador do Mamulengo
Só-Riso. E, desde o ano 2009, assumiu a direção do Museu do Mamulengo -
Espaço Tiridá. Tereza Costa Rêgo é, hoje, uma das artistas plásticas mais
importantes do Estado de Pernambuco.
Fontes consultadas:
AFOGADOS da Ingazeira – ontem & hoje. Disponível em:
http://www.afogadosdaingazeira.com/paginas/pessoas/personagens/diogenesArruda%20Camara.html
Acesso em: 4 jan. 2010.
IMAGINÁRIO do bordel – O parto do porto – Tereza Costa Rego. Disponível em:
http://www.culturalbandepe.com.br/Galeria/bordel/pagina05.html Acesso em: 7
jan. 2010.
LIVRO “abre” a vida de Tereza Costa Rego. Disponível em:
http://www.folhape.com.br/edicoes-anteriores/index.php/component/content/article/38-entreteniemento-livros/1249-livro-abre-a-vida-de-tereza-costa-rego
Acesso em: 10 jan. 2010.
O pecado de Tereza. Disponível em:
http://www.continentemulticultural.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1219&Itemid=130
Acesso em: 6 jan. 2010.
PERNAMBUCO Cultural. Disponível em:
http://www.institutoricardobrennand.org.br/pinacoteca/pernambucocultural/index.html
Acesso em: 16 jan. 2010.
PREFEITURA de Olinda recebe exposição de Tereza Costa Rego. Disponível em:
http://www.olinda.pe.gov.br/cultura/prefeitura-de-olinda-recebe-exposicao-de-tereza-costa-rego
Acesso em: 19 jan. 2010.
TEREZA Costa Rêgo. Disponível em:
http://www.pe-az.com.br/subsecao_ler.php?id=ODY5 Acesso em: 18 jan. 2010.
TEREZA Costa Rêgo. Disponível em:
http://www.hotlink.com.br/galeria/galeria-show.php?id=63 Acesso em: 7 jan.
2010.