Revista “A Gruta da Poesia”

 

Número 001 - Dezembro 2004  

Editora: Iara Melo

 

Olá!
Eu sou a Editora de uma revista do CEN e, para me conhecerem melhor, junto uma pequena biografia.
Conto com vocês, queridos amigos e Autores do CEN, assim como vocês podem contar sempre comigo.
Beijos no coração.

Iara Melo

     Nasceu num dia 02 de Abril, na cidade de Garanhuns, Estado de Pernambuco, Brasil. Filha de Josias Bezerra da Silva e de Sebastiana Mélo Bezerra.     
     Contabilista e Bacharel em Administração, mora em Portugal na pacata vila de Mira de Aire, onde se situam as maiores grutas de Portugal. A paisagem é linda e, quando acorda, tem diante de si a belíssima Serra de Santo António.     
     É luso brasileira, adorando seu Brasil e amando Portugal. Em sua opinião, é fundamental que todos nós evoluamos como seres humanos. Gosta de escrever, mas considera que ainda tem muito aprimorar.

A GRUTA DA POESIA

INTRODUÇÃO
    
     «Imagina uns homens numa morada subterrânea em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende ao longo de toda a fachada; eles estão ali desde a infância, as pernas e o pescoço presos a correntes, de forma que não podem mudar de lugar, nem olhar para outro lado senão em frente; porque os grilhões impedem-nos de virar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe sobre uma elevação de terreno brilha atrás deles; entre o fogo e os prisioneiros há um caminho elevado; ao longo deste caminho imagina um pequeno muro, semelhante aos tabiques que os manobradores de marionetas levantam entre eles e o público e em cima dos quais mostram as suas proezas». PLATÃO, República, VII.     
     Estes prisioneiros apenas vêem as sombras dos objectos projectadas nas paredes: são a única realidade que conhecem. Mas eis que um dos prisioneiros consegue escapar: primeiro apercebe-se que há objectos para lá das sombras e que pode percepcioná-los através dos sentidos. A sua opinião sobre os objectos é agora diferente da que tinha anteriormente. Mais adiante, na saída da caverna, a luz do dia começa por ofuscá-lo mas depois vai-se habituando à claridade e começa a percepcionar ainda melhor a realidade do mundo que se estende ao seu redor. Já fora da caverna, depara-se-lhe um Sol radioso, permitindo-lhe agora observar com nitidez toda a realidade que o envolve: tem finalmente uma Ideia clara sobre o real. E a sua inteligência, agora amplamente desperta, fá-lo descobrir a ideia de Bem. Seduzido, volta então ao interior da caverna (ou da gruta) e fala aos ex-companheiros do Real e do Bem. Será facilmente compreendido? Talvez não, correndo o risco de poder ser combatido ou mesmo assassinado.     
     Nesta Alegoria da Caverna reside a pedra filosofal da Vida.     
     O Poeta, como todo o artista, é verdadeiramente um prisioneiro que não se acomoda, que emerge da Caverna e que, contemplando o Sol, volta para junto dos outros para distribuir com eles os frutos da sua descoberta.     
     A Gruta da Poesia pode — e deve — ter a mesma função: despertar criadores inconformados com o silêncio dos infelizes e, servindo-se da poesia, percutir a espoleta do conhecimento do Bem, ou tanger as cordas da harpa do Belo adormecida no mais íntimo da sensibilidade de cada um de nós.     
     Só assim o criador cumpre a sua missão de partilha e de dádiva solidária.     
     A poesia, como qualquer outra forma de arte, é sempre uma brisa de libertação. Por isso, a criação só assume a sua plenitude quando encontra um receptor para a sua mensagem.
     A Gruta da Poesia é, pois, a ponte de diálogo entre o Sol e os prisioneiros, a aragem vivificadora de quem crê, convictamente, que as Palavras envoltas no veludo do sorriso, estilhaçando os negros muros do Silêncio, são o Caminho para o Éden do Amor e da Fraternidade.     
     Título feliz, sem dúvida, pelo menos tão feliz quanto a ideia de fazer brotar esta compilação poética que une mulheres e homens num mesmo percurso, caminhando rumo ao horizonte onde brilha o Sol da Vida.     
    
FERNANDO PEIXOTO

    A Caminho de Sião

    
     Embarcastes na nau de uma promessa     
     Que navega ondulante sobre a vida     
     Na viagem dos anos, que começa     
     No momento preciso da partida,     
     Quando um sonho ansioso se atravessa     
     Em direcção à Terra Prometida.     
     Como nautas partis nesta aventura.
     Carregados de sonhos e ternura.     

     Na viagem dos anos, que começa     
     No momento preciso da partida,     
     Quando um sonho ansioso se atravessa     
     Em direcção à Terra Prometida.     
     Como nautas partis nesta aventura     
     Carregados de sonhos e ternura.     

     Tormentos e procelas surgirão,     
     Alguns ventos virão para anular     
     Os caminhos que a vossa decisão     
     Vos dita como rumo p'ra alcançar,     
     Onde se ergue a montanha de Sião     
     Na qual, por fim, haveis de repousar.     
     E podeis crer que nem a Tempestade     
     Tem mais poder que a força da Vontade.     

     Quando assim se navega, na certeza     
     Que há um porto de abrigo à nossa espera,     
     O leme é mais seguro e há mais firmeza     
     Na nau que sulca as águas da quimera:     
     Extingue-se o Inverno, ante a beleza     
     Com que, súbito, irrompe a Primavera.     
     E finalmente o sol se sentará     
     No trono fulgurante da Manhã!     

     E se o mar vos parece mais bravio     
     Dobrai o vosso Cabo da Esperança:     
     Que o mar pouco mais é que um largo rio     
     Onde sobram correntes de bonança.     
     O mar da vida é sempre um desafio     
     Que tem de se enfrentar como uma herança     
     E que a todos atinge por igual.     
     No amor... não há pecado original!     

 
    Fernando Peixoto

     Lendas de Fátima – Carlos Leite Ribeiro

     Estávamos a 24 de Junho de 1158, em plena planície alentejana, mais propriamente dito em Alcácer do Sal, que nessa data se encontrava cercada pelas tropas de D. Afonso Henriques.     
     Dentro do castelo e nos seus aposentos, um sherife mouro, falava à sua bela filha Fátima:     
     " ... já é madrugada. Tu e as tuas servas, vão agora tentar sair do castelo, pela porta da traição. Depois dirigem-se a Sevilha, onde tens de procurar a casa do teu tio Marec, que mora no Alcácer. Conta-lhe que teu pai morreu a defender este castelo a também por Alá !".     
     — "Mas meu pai, eu não me quero ir embora, quero ficar convosco !" — implorou-lhe a filha. Mas o pai não concordou: "Despacha-te, minha filha. Não vês que não tarda que o rei cristão, D. Afonso Henriques (o "Ibnerrik") está preste a tomar o castelo ?! ... e que depois é impossível a tua fuga ...".     
     — "Vou cumprir o teu desejo. Que Alá te proteja, meu pai !".     
     — " E a ti também, minha bela filha !".     
     — " Um beijo, meu pai ...".     
     Momentos depois, quatro jovens montadas a cavalo, partiram rumo a Sevilha.     
     Perto do castelo de Alcácer do Sal, numa curva do caminho, um jovem e belo cavaleiro da Ordem dos Templários, estava entre um grupo de amigos, também cavaleiros como ele, e o jovem falava assim aos companheiros:     
     — "... já meu pai era também cavaleiro Templário. Chamava-se Hermígio Gonçalves, e era conhecido pelo "Lutador" ...".     
     — "Curioso, o teu pai era conhecido pelo "Lutador", e tu, Gonçalo Hermígues, és conhecido por "Traga — Mouros" ! estes, só de pronunciarem o teu nome, tremem dos pés à cabeça " — acrescentou um dos companheiros, que continuou: "Eu não sabia que tinhas uma ilustre descendência Templária ...".     
     Gonçalo Hermígues, sorriu, encolheu os ombros e continuou a sua história:     
     — Como ia a dizer, meu pai, o "Lutador", morreu em 1139, na Batalha de Ourique, juntamente com Gonçalo Mendes da Maia, o "Lidador", o qual morreu com 95 anos, a combater os infiéis".
     Outro cavaleiro interrompeu, ao dizer:     
     — "Vamos falar em coisas mais alegres. Olha lá, "Traga — Mouros", além de bravo guerreiro, também és poeta. Ora canta lá um dos teus poemas ...".     
     — "Somos todos ouvidos" — concordaram os outros companheiros.     
     O jovem não se mostrou nada interessado naquilo que os companheiros lhe pediam: "Pois é, amigos, hoje não estou nada inspirado ..." — e pondo-se em pé, alertou os outros: "Atenção ! escutem, que vem aí gente a cavalo — devem de ser Mouros, por isso escondam-se depressa ... ... Quem vem lá ?! ... Faça alto ...".     
     Momentos depois, apareceram quatro cavaleiros mouros ...     
     Saindo dos seus esconderijos, logo os cavaleiros cristãos cercaram os cavaleiros mouros. Altivamente, Gonçalo Hermingues perguntou ao grupo inimigo:     
     — "Quem são vocês, e para onde se dirigem ?! ... respondam !...".     
     — "Senhor cavaleiro cristão, sou Fátima e estas são minhas servas ...".     
     Logo os companheiros exaltadamente se expressaram:     
     — "São quatro mulheres, Gonçalo HerminIgues ! São quatro mulheres que nos caíram do céu ... são um verdadeiro achado ! ...".     
     Mas o jovem cavaleiro manteve a postura e, calmamente, aconselhou os amigos:     
     — "Fiquem de vigia, pois podem aparecer mais mouros" — e voltando-se para as jovens, convidou-as: "E vós, donzelas, acompanhem-me à presença do nosso Mestre. Fátima, venha aqui para o meu lado !".     
     — "Às suas ordens, cavaleiro cristão !" — respondeu-lhe altivamente a bela jovem.     
     Ao iniciarem a marcha, todas as mouras clamaram: "Que Alá esteja connosco, que Alá esteja connosco ! ...".     
     Naquela tarde abrasadora do mês de Julho, encontravam-se ainda nos campos de Alcácer do Sal, o carcereiro e a prisioneira, ou seja, Gonçalo Hermígues e a bela princesa moura — a Fátima.     
     — "Tens um lindo nome, Fátima. Por acaso sabes qual é a origem dele ?" — perguntou-lhe Gonçalo Hermígues.     
     — "Sei. Fátima era filha de Moomé e esposa de Ali, o que para vós, cristãos, pouco ou nada diz" — respondeu-lhe meigamente a jovem.     
     Encarando a Princesa, o cavaleiro cristão, comovidamente, disse-lhe: "Sabes, Fátima ... tu és tão linda ... fica-me mal dizer-te o que vou dizer, mas estou apaixonado por ti !. Habituei-me à tua companhia, à tua doçura, à tua beleza, que, quando nos separarmos decerto que irei sofrer muito !".     
     Fátima corou e, apelando para toda a sua coragem, meigamente respondeu-lhe: "Eu também gosto muito de ti, Gonçalo Hermígues. Também te amo muito, e muito te aprecio. Mas tu és cristão e eu sou moura ! ... sinto-me tão infeliz !".
     — "Minha querida Fátima, renuncia à Lei da Mofona, e baptiza-te pela Lei de Cristo !. Pois assim podíamos casar, pois eu amo-te muito !" — implorou-lhe o jovem, ajoelhando-se a seus pés.     
     — "Por Amor a ti, tudo farei, meu querido Gonçalo Hermígues !" — respondeu-lhe a Fátima, apertando-lhe as mãos — quero-me baptizar na tua religião, pois quero ser tua esposa !".     
     — "Serás a Oriana, a minha querida esposa Oriana !. Depois iremos viver muito felizes para as minhas terras de Ourém, junto onde repousa meu pai ...".     
     Oriana morreu poucos anos depois, o que provocou tamanha dor em Gonçalo Hermígues, o "Traga — Mouros", que renunciou ao Mundo, entrando para o Mosteiro de Císter, em Alcobaça.
    
    
CARLOS LEITE RIBEIRO — Marinha Grande — Portugal
    
    
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

     ENTREVISTADA:
    
     * ROSENNA *
    
    

     Uma agradável "conversa" com Rosenna, nossa entrevistada desta edição:
    
    
1 — A Gruta da Poesia: Rosenna, por favor, diga-nos qual o seu nome, o ano do seu nascimento, a sua profissão, onde reside e fale-nos da cidade onde mora?     
     Rosenna: Rosa G. de Fabbro (Rosenna), nasci em 1 de julho, sob o signo de Câncer, em Buenos Aires, Capital.     
     Sou dona de casa, esposa, mãe de uma filha.     
     Moro na cidade de Quilmes, Buenos Aires — Argentina.     
     Apesar de não ter nascido na cidade onde moro, gosto dela, fica a 17km. da capital.  
     Na cidade fica a maior cervejaria do país e temos "nossa festa da cerveja", mas a Argentina tem lugares muito bonitos para visitar.
    
    
2 — A Gruta da Poesia: Quando você começou a escrever? Teve a influência de alguém para começar?
    

     Rosenna: Comecei na adolescência, logo deixei por um tempo e logo comecei novamente no ano 94, após da morte de Ayrton Senna de quem eu ainda sou fã, daí meu pseudónimo ROSENNA, o ano passado comecei a escrever semanalmente na "poesia on line" criação de meu amigo-irmão Marcelo Romano.     
     Não tive influência de ninguém.
    
    
3 — A Gruta da Poesia: Tem algum livro impresso ou (e) livro electrónico (e-book) e quais são seus projectos literários para este ano de 2004/05?     
     Rosenna: Não; meus planos, escrever, escrever e escrever, sem parar.
    
    
4 — A Gruta da Poesia: Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana, como escritora; para se inspirar literalmente, precisa de algum ambiente especial? Tem prémios literários?     
     Rosenna: Fiz estudos de desenho de publicidade e pintura artística, além disso estudei português, talvez meu português atual não seja do melhor, peço desculpa.     
     Sou romântica, criativa, perceptiva e sensível, gosto de animais, adoro viajar, conhecer lugares bonitos e ter muitos amigos sinceros, eu faço um culto da amizade e sofro quando não sou correspondida da mesma maneira, eu amo demais a meus amigos, odeio a falsidade e a mentira.     
     Eu me inspiro na vida, nas coisas do dia a dia, nas próprias vivências ou as dos outros, não escrevo com palavras difíceis, apenas escrevo o que meus sentimentos me ditam e meu coração sente.    
     Sim, preciso de um ambiente com música suave se for possível, tranquilidade, e de um cafezinho, geralmente cedo, pela manhã, mas se a inspiração aparece à madrugada numa noite de insônia escrevo igual, no silêncio.     
     Não tenho prémios literários.
    
    
5 — A Gruta da Poesia: Você tem Home Page própria? Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação)? Que conselho você daria a uma pessoa que começasse agora a escrever?
          
     Rosenna: Tenho Home Page, algo que jamais imaginei ter, senão fosse pela intervenção de um anjo.     
     Também tenho inumeráveis trabalhos em diversas páginas de amigos.     
     Não.     
     Que não duvide e que escreva o que realmente sente, é bonito mostrar os sentimentos.

     Sombra
    
    
     Cobres minha noite triste e fria...    
     te vejo agonizante,     
     entrando em meus sonhos,    
     por instantes comigo morres...     
     renasces...    
     com a luz de um novo dia.    
     Te fazes mais intensa...    
     te vejo crescer,    
     aproximas e te distancias,    
     te projetas em formas e cores...    
     vives minha alegria e minha tristeza.    
     Te conto as penas,    
     fazes parte de meus amores,    
     tomas do sol sua fraqueza    
     criatura indolente     
     ninguém te chama.    
     Jamais de ti poderei separar-me    
     porque é parte de minha vida...    
     és minha sombra!..

     Os meus sinceros agradecimentos a todos os amigos que participaram desta primeira edição da nossa revista literária e a vocês amigos leitores o meu muito obrigada.
    
     Até a próxima.
    
     Beijos.
    
     Iara Melo

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