Revista “A Gruta da Poesia”

 

Número 004- Fevereiro 2005  

Editora: Iara Melo

 

Prezados Amigos Leitores,
Nesta quarta edição da nossa revista,
terão o prazer de apreciar,
duas excelentes pesquisas do nosso querido diretor
Carlos Leite Ribeiro:
Na primeira fornece-nos importantes informações
sobre a região de Porto de Mós - PORTUGAL;
Na segunda dá seguimento a pesquisa iniciada no número anterior
desta revista, sobre a formação das grutas.
* * *
Em seguida contamos com dois belíssimos
poemas de autores do CEN:
Marcos Woyames de Albuquerque e
Umbelina Marçal Gadelha
***
Na nossa seção de entrevistas
teremos o prazer de conhecer,
Gisley Maria Monteiro Vilela Frota
***
Esperamos que os assuntos aqui
abordados, sejam-lhes úteis.
Iara Melo

Alvados e Juncal
(Região de Mira de Aire)

     No ambiente agreste, que é sempre aquele a que o calcário serve de fundamento geológico, a meio de um vasto maciço dessa origem, característico de uma extensa região estremenha, diferencia-se uma zona a que a existência de grutas artificialmente exploradas deu recente e invulgar fama. Ficou assim como ofuscada a presença humana, mais rica quanto ao seu passado e presente em Porto de Mós, cujo pequeno castelo reage, impondo-se pela sua originalidade e beleza.
     É uma região dominada por esse ambiente próprio da presença do calcário, a subordinar-lhe a vegetação, hoje reduzida a mato com raros vestígios da floresta que tanto embelezava, conferindo-lhe a amenidade que actualmente não possui, substituída pela aridez agora dominante.
     Em vez da Natureza, embora agreste e alterada pelo homem no seu reflexo vegetal, o artifício do aproveitamento desses tesouros escondidos no âmago rochoso oferecidos à      curiosidade humana.

     Alvados
     Aqui, como noutros locais da região, dada a sua origem geológica, calcária, é possível apreciar esses pequenos mundos misteriosos das entranhas da rocha, onde por milénios se construíram verdadeiros monumentos enriquecidos por estalactites e estalagmites e por pequenos lagos, abrigos de seres vivos a que o ambiente imprimiu carácter tão particular. O recolhimento natural próprio foi perturbado pela luz artificial e pela presença dos visitantes, que se deleitam na contemplação da obra da Natureza agora devassada pelo turismo.
     Quem visitar as grutas de Alvados e apreciar a arte religiosa deve descer ao fundo do vale, à sede da freguesia; na Igreja de Nossa Senhora da consolação há altares de talha dourada da centúria de Seiscentos.
     A planície, envolta nos montes da Serra dos Candeeiros e nas faldas da Serra de Aire, forma outro panorama digno de se ver.

(Continua – a seguir :Juncal)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

Visite as Grutas de Mira de Aire
Umas das mais belas da Europa !
Formação das grutas (cavernas)
(Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro)

Continuação...

     O número de minerais que ocorrem em cavernas segundo Moore (1970) e Broughton (1972) atinge a casa dos 80, dentre os quais aproximadamente 20 são comumente encontrados neste ambiente, como a calcita - carbonato de cálcio romboédrico -, gipsita - sulfato de cálcio monoclínico -, calcedônia - sílica amorfa ou microcristalina -, aragonita - carbonato de cálcio ortorrômbico.
     Apesar da ocorrência destes e de outros minerais, a calcita, a aragonita e a gipsita, provavelmente nesta ordem, são os constituintes básicos da quase totalidade das ornamentações que recobrem o interior das cavernas.
     A calcita é um mineral branco ou transparente, quando puro, que cristaliza no sistema romboédrico (cristais com a forma semelhante a um paralelepípedo meio achatado), sendo responsável por talvez mais de 90% dos depósitos de caverna.
     A aragonita, que forma alguns dos mais belos e delicados espeleotemas, tem a mesma formula química da calcita, mas diferente hábito de cristalização (sistema ortorrômbico). Este material, é muito mais solúvel que a calcita e, portanto mais difícil de se precipitar nas cavernas. Para que haja a precipitação da aragonita, é necessário que algum mecanismo impeça a deposição de calcita até que o nível de supersaturação da solução aquosa que chega à caverna seja atingido. Os principais inibidores da precipitação da calcita nestas soluções são íon magnésio, íon estrôncio e, algumas vezes o chumbo.
     A gipsita ou sulfato de cálcio, por sua vez, apesar de bastante comum em nas cavernas brasileiras, dá origem a poucos e diversificados tipos de espeleotemas, apresentando-se normalmente como "flores" de "pétalas" alongadas e retorcidas ou na forma de finíssimos e transparentes cristais.
     Pela presença maciça destes minerais de coloração branca, esta é a cor predominante nas ornamentações de caverna. No entanto, pela presença de várias impurezas e outros minerais nas soluções aquosas que lhes dão origem, várias delas se mostram com tonalidades diversas.
     Assim, a presença de cobre dá ao espeleotema uma coloração verde, como se nota em estalactite de algumas cavernas de São Paulo e Mato Grosso. Às vezes, este mineral é o principal componente do espeleotema, como no caso das espetaculares estalactites verdes de malaquita.
     Da mesma forma, óxido de ferro dá à calcita uma coloração entre o amarelo e o marrom e o óxido de manganês dá origem a um revestimento de coloração negro-brilhante, ambas muito comumente encontradas em nossas cavernas.
     Estes minerais atingem as cavernas trazidos por soluções aquosas que, aciduladas pelo anidrido carbônico coletado na atmosfera e no solo, atravessam e dissolvem a rocha envolvente, normalmente calcário.
     Espeleotema conhecido como bolo-de-noiva, na Caverna do Diabo
Ao atingir as extremidades de escape de seu conduto, a solução torna-se supersaturada de calcita pela liberação do anidrido carbônico e o carbonato original volta a precipitar-se num processo inverso daquele que o gerou.
     Têm-se assim duas fases definidas na formação dos espeleotemas: a dissolução e a deposição (precipitação ou, em alguns casos, a floculação).
     Vários fatores condicionam o desenvolvimento da primeira fase. Dentre eles destacam-se:
     - a espessura da capa envolvente de calcário
     - o grau de pureza da rocha
     - seu fraturamento
     - a solubilidade da rocha
     - a composição química do ar
     - a composição química do solo que recobre a rocha assim como sua cobertura vegetal
     Outros fatores climáticos, como a temperatura média e o índice pluviométrico regional, também são fundamentais no desenvolvimento da fase de dissolução.
     A deposição desses minerais em cavernas, por sua vez, se dá por meio de vários mecanismos como gotejamento, os escorrimentos, e a evaporação, a precipitação em águas estagnadas etc., e vários fatores condicionam a conformação, as dimensões e a intensidade desses depósitos.
     Entre eles destacam-se o nível de saturação, a velocidade de escoamento e a vazão da solução aquosa, a temperatura, a umidade e a circulação do ar na caverna, assim como suas características morfológicas.
     De forma geral, podemos dizer que os mecanismos de deposição definem os tipos de espeleotemas e os demais fatores condicionam seus estilos, suas dimensões, sua coloração etc., que estão também intimamente relacionados com o mineral depositado. Baseada nestes diversos condicionantes, estabelece-se uma classificação para os vários espeleotemas.
     Tais espeleotemas recobrem tanto os tetos e paredes da caverna, como seu piso, sendo formados pelos dois mecanismos de deposição básicos: o gotejamento e o escorrimento.
     As formas desse grupo são as mais frequentes em cavernas de todo o mundo, sendo encontradas também em diversos ambientes urbanos onde predominam as construções de concreto armado. Dessa forma, são comuns estalactites, cortinas, estalagmites e diversos escorrimentos em pontes e viadutos, túneis, galerias do metrô e em inúmeros edifícios.

Os espeleotemas (Depósitos de águas circulantes)
(Continua na próxima edição)


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

Nós poetas!
Marcos Woyames de Albuquerque

poetas de encantos!
poetas de cantos!
poetas com tantos
amores e prantos.

poetas de letras,
poetas de tretas,
poetas que as vezes
rabiscam em filipetas.

poetas que choram,
poetas que amam
tocando corações
nas letras que tramam.

somos todos poetas
por nossas palavras e frases.
poetas que as vezes
se perdem em amores vorazes.

poetas de folhas e livros
ou apenas internautas.
poetas que no papel
rabiscam pelas pautas.

somos poetas sim,
poetas de coração,
escrevemos por amor
e vivemos por paixão.

somos poetas da vida,
somos poetas da verdade.
do peito arrancamos a ferida,
pelo verso... seremos eternidade.

FÊNIX - Umbelina Marçal Gadelha

Eis que surge pulsando no peito,
um coração batendo surdinamente.
Bate em ritmo descompassado,
Acelerado... a gente o sente bater.

Um eco profundo responde ao apelo
Em descontínua cadência.
Pulsação misteriosa mostra a voz
Da remanescente paixão –
sentimento que foge
E sempre escapa à razão.

Pulsação violenta arrebenta fundo
o nível do ser, revelando d’alma;
o seu eflúvio. Coração bate
mesmo depois de haver sofrido,
e o tom é o mesmo da primeira vez
quando um silêncio forte se fez...

Coração teimoso. Teimoso coração.
Ressurge das cinzas como fênix,
alimentando o fogo no peito,
flamando a fraga sem
F
     R
          E
               I
                    O

Nossa Entrevistada

Apresento-lhes:

Gisley Frota

A Gruta da Poesia - Gisley, por favor diga-nos qual o seu nome completo, a data do seu nascimento, qual a sua profissão e onde você mora? E se possível, fale-nos um pouco da terra onde mora?

Gisley - Gisley Maria Monteiro Vilela Frota, nasci em 10/09/74, sou odontóloga, consultora de benefícios empresariais e colunista social, moro na Rua José Carlos Pedro Grande - 425 - Araxá - MG - BRASIL- CEP: 38182372.
Apesar de não ter nascido em Araxá, eu a adotei como minha pois é uma cidade bonita, tranquila e turística onde fica o famoso balneário do Grande Hotel do Barreiro, terra de Dona Beja, e principalmente onde nasceu minha filha Myriam Victória.

A Gruta da Poesia - Quando você começou a escrever, teve a influência de alguém para começar a escrever, você lembra do seu primeiro trabalho literário, foi divulgado na época?

Gisley - Desde criança, por volta de 7 anos, eu adorava fazer redações, a minha primeira redação foi a primeira vez que uma professora (Sandra Neves) se emocionou ao ler uma dessas redações, essa redação foi baseada em uma figura, no caso um casal de passarinhos com seus filhotes em um ninho. Como resposta a professora se emocionou e me disse que um dia eu seria uma grande escritora.
Influência? Não, acho que é da minha natureza mesmo.
Escrevia muitas mensagens e poemas, não me lembro mais o primeiro poema.
Foi divulgado no Jornal Correio de Araxá, a convite da redação do jornal. o título era: DESÍGNIOS.

A Gruta da Poesia - Quais são os seus projectos literários para este ano de 2005 e como vão ser editados?

Gisley - Sempre tive projetos de fazer um livro de poemas, mensagens... ainda não sei.

A Gruta da Poesia - Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana, como escritora, para se inspirar literariamente você precisa de algum ambiente especial ?

Gisley - Sou bastante sonhadora, imagino que "tudo vai dar certo", que tudo tem uma solução. Me preocupo muito, para não decepcionar as pessoas, e às vezes realmente exagero, e me esqueço um pouco de mim, mas por outro lado, gosto de ser assim. Me apresento muito calma mas sou internamente ansiosa, gosto que tudo aconteça rápido. Sou uma pessoa que valoriza muito as atitudes, e me preocupo muito com as minhas próprias atitudes, sou muito exigente comigo mesma , principalmente no trato com as pessoas, acho que a amizade é a base para qualquer relacionamento, adoro fazer amizades, conversar, dialogar, gosto muito de ouvir as crianças, seus pensamentos e sua pureza, os idosos pela sua vivência e sabedoria. Quando criança eu era muito tímida, daquelas que ficava ruborizada, muito sensível...Tenho uma fé inabalável em Deus e nos anjos, acho que sempre todas as forças são oferecidas por Deus e Seus Anjos... acredito sempre que os momentos ruins irão passar depressa...Não gosto de pessoas radicais, que não mudam de ponto de vista, na vida sempre tem que haver transformações e acho que toda pessoa colocada em seu caminho é um instrumento de Deus para te ensinar alguma coisa, e acho que as oportunidades na vida temos que agradecer a Deus e aproveitá-las muito bem. E sou muito romântica também, tenho muitas inspirações em sonhos.
Sempre gostei de escrever, escrevia em qualquer papel, sem horário e momento certo, quando vinha a inspiração escrevia...
Não necessariamente o ambiente, mas prefiro que o ambiente esteja com músicas instrumentais, ou sons de água, uma paisagem...ou as vezes até em sonhos que me inspiram à noite quando acordo e sinto vontade de escrever, ou após um diálogo com Deus...

A Gruta da Poesia - Tem Home Page própria, conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) e que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ?

Gisley - Tenho,
http://www.gisleymonteiro.s2w.com.br
Não conheço.
Que guardasse tudo o que escreve, todas as inspirações colocadas num papel, não deixasse passar nada, que todas as mensagens fossem divulgadas de alguma maneira.

A Gruta da Poesia
- Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de nos presentear com um pequeno e original trabalho seu em prosa ou em verso:

MENSAGEM DE NATAL
Gisley Frota

          Quando acordei o céu estava estrelado, deveria ser mais ou menos vinte e três hora e cinquenta e cinco minutos, vinte e quatro de dezembro... de qual ano?
          Simplesmente não sei...
          Acordei em algum ano do passado ou do futuro, só sei apenas que vi um tapete estrelado, a estrela maior e mais brilhante me lembrou que o aniversário do menino Jesus estava para chegar...
          Assim surgiu, um anjo lindo, nada dizia apenas me olhava fixamente com uma imensa paz, mas poderia entender sua linguagem de anjo ao fitar os meus olhos estaria eu no céu, na terra onde estarei eu meu Deus? Seria um sonho?
          O anjo me perguntou:
          — Sentes paz?
          — O seu coração está encharcado de amor?
          — O que sentes? Sentes saudade?
          — Estás aflita?
          — O que você sente? — Perguntou insistente o anjo.
          — Ah! Meu querido anjo, você sendo um anjo não preciso falar, basta sentir no meu olhar.
          O anjo abriu suas asas imensas, caminhou de um lado para o outro, e de repente gotas de orvalho perfumadas, saíram em forma de luzes douradas vindas de um coração vermelho pulsando fortemente.
          Insistentemente o anjo perguntou:
          — Entendeu o que vistes?
          Ficando em silêncio, olhando aquele coração pulsando fortemente, fui ouvindo suas respostas:
          — É a voz da alma, mais forte que suas palavras, mais exuberante que as minhas asas; é o amor latente de um só coração, de um só Deus, único, que nasceu agora e está assim encharcado de amor pelas pessoas. É o verdadeiro amor na sua essência mais pura.
          E olhando mais uma vez com um olhar doce e suave me desejou um feliz natal apenas com o seu olhar.

Os meus sinceros agradecimentos a
preciosa colaboração e participação de:
Carlos Leite Ribeiro
Marcos Woyames de Albuquerque
Umbelina Marçal Gadelha
Gisley Maria Monteiro Vilela Frota
* * * * * *
Aos leitores mais uma vez os meus
sinceros agradecimentos e caso desejem que
algum assunto do vosso interesse seja abordado,
entrem em contato conosco,
para nós será um prazer
atendê-lo e informá-lo.
Abraços fraternos.
Iara Melo
iarameloportalcen@sapo.pt

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