Revista “A Gruta da Poesia”

 

Número 007- Maio 2005  

Editora: Iara Melo

 

Caros Leitores,
Chegamos ao mês de maio,
mês das noivas, mês das mães, mês de Maria...
Primavera em Portugal, outono no Brasil,
saudemos as novas estações!!!

Primavera Bem-Vinda - Iara Melo


Vê-se no ar,
O vento a levar o pólen,
Fino pó das anteras
Das flores que eclodem,
Ressurgindo após um período invernoso,
nebuloso, frio e cinzento
Fecundação natural
Ciclo da natureza
Trazendo-nos,
Paisagem esplêndida!
A vegetação florida
É o sorriso da natureza
É o ressurgir do rei sol
Emanando raios purpúreos
A iluminar,
A aquecer águas que cintilam...
Toda a natureza reverencia
O seu chegar
Pássaros a cantar
Olhos a luzir
Aplausos
Comemorando o seu estar
Desviando saudade sentida
Necessário é o seu calor,
A sua cor, o seu vigor,
Abolindo cores escuras
Das nossas vestimentas...
Reenergizando
Aquecendo corações,
Almas debilitadas,
Frias...
É hora de cantar mais alto
Saudar a primavera,
Dizendo-lhe:
Seja Bem-Vinda Primavera,
Vem, VIDA!!!!

OUTONO - Mário Osny Rosa


Quando o outono chegar,
Elas começam a cair.
Na certa vão secar,
Logo vão sucumbir.

O solo está a forrar,
Folhas secas e amarelas.
Ninguém pode ignorar,
Que uns dias eram belas.

Enfeitavam a natureza,
Com toda sua beleza.
Nesse mundo dá o mote,
Tudo nasce, tudo morre.

Florianópolis, 13 de março de 2005.

          Nesta edição contamos com mais dois trabalhos de pesquisa de Carlos Leite Ribeiro, no primeiro fala-nos sobre Formigais, terras próximas a Mira de Aire e no segundo dá seguimento a pesquisa sobre a formação das Grutas (Cavernas).
          Vários poetas prestigiam a nossa revista nesta edição:
          Elane Tomich - Meu Olhar
          Fanny - A Flor de Uma Lágrima
          "ferool" (Fernando Oliveira) - Povoado Despovoado
          Luiz Poeta - " ILUMINOITE "
          Marcia Prata - Agora Sou Uma Mulher
          Rosélia Martins - Papagaio das Mil Cores

          Na seção Entrevista tivemos a honra de entrevistar uma excelente escritora muito conhecida de todos nós, pertencente a família CEN e que recentemente revelou mais um dos seus talentos, deixando não só a mim, mas a todos que tiveram a honra de ver os seus trabalhos como pintora, extasiados diante da beleza revelada, "reapresento-lhes" TecaMiranda.
* * *
BOA LEITURA!!!!

Formigais
Vila perto de Mira de Aire
Colaboração de Carlos Leite Ribeiro

          "Junto da povoação, outrora vigararia da Ordem de Cristo, encontrava-se o castro seu homónimo, morada de mouras prisioneiras de encantos ancestrais em subterrâneos plenos de mirificas riquezas, alvo da cobiça de grande número de pesquisadores, que, muito frequentemente, apareciam munidos do "Livro de São Cipriano, manual muito divulgado entre os caçadores de tesouros e aprendizes de feiticeiro. Ainda nesta freguesia, próximo do Penedo da Águia, existe uma abundante nascente que rebenta em Borbotões de entre as rochas no sítio chamado Fonte do Agroal, origem principal do Rio Nabão, afluente do Rio Zêzere que banha Tomar. A sua água bicarbonatada e sulfatada cálcica, cloretada, é excelente para as moléstias de estômago e intestinos, razão essa por que o lugar foi extraordinariamente concorrido em tempos ainda não muito distantes".

Urqueira

          "No lugar de Estreito existe uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora do Testinho. Para proveito e exemplo de presentes e vindouros, eis as razões: "D. Luís de Sousa e Vasconcelos, Conde de Castelo Melhor, e ministro de D. Afonso 6º, após ter perdido o valimento junto do novo rei, D. Pedro 2º, irmão do anterior, a quem depôs, fugiu disfarçado, tendo encontrado guarida nesta aldeia. Decorrido algum tempo, três cavaleiros provenientes de Lisboa, de passagem por ali, surpreenderam-no quando acompanhava um lavrador que conduzia uma carrada de mato. Ao notar o interesse que os cavaleiros mostravam pela sua pessoa, afastou-se discretamente, seguido pelo lavrador, que descarregou sobre ele todo o mato que transportava, frustando assim os intentos dos cavaleiros, que, em face do insucesso das suas diligências, acabaram por se afastar. Saído do seu esconderijo, o conde atribuiu o caso à intercessão de Nossa Senhora do Testinho, de cuja imagem, oferecida pelas freiras albertas de Lisboa, nunca se apartava. É essa a imagem que se vê entronizada na ermida que mandou construir,. Colocando sobre a porta uma inscrição evocativa em latim".

Formação das Grutas (cavernas)

Continuação...

          CONGLOMERADOS
          As águas carbonatadas que circulam pela superfície e pelas camadas superiores do solo da caverna são ainda responsáveis pela cimentação de seixos, areias e argilas em blocos e camadas ditas conglomeráticas.
          Tais camadas são importantes depósitos que permitem um estudo mais profundo da evolução morfológica das cavernas. O exemplo mais corrente é o das camadas deste tipo formadas pela cimentação de seixos de antigos leitos de rios subterrâneos que, pela sua consolidação, ficam presos às paredes e tetos da caverna a testemunhar a passagem anterior da água por aquele local.
          Estas camadas conglomeráticas são comuns em grande parte das cavernas conhecidas.
         
         
CONCREÇÕES
          São agregados sedimentares, geralmente de calcita que revestem ou anglobam pequenos núcleos existentes na superfície do solo das cavernas. Tais núcleos podem ser pequenos grãos de areia, fragmentos de rocha ou de outros espeleotemas, fragmentos vegetais, ossos, conchas de moluscos e inúmeros outros suportes.
          O aspecto final dessas concreções é variável em função da forma do núcleo recoberto e da textura do revestimento que pode ser rugosas, ásperas ou perfeitamente lisa.
          As formas mais comuns são as de pequenos bastonetes, as elipsoidais e as perfeitamente esféricas, sendo normalmente estas últimas concreções, pela sua especial estrutura, denominadas "pérolas de cavernas".
         
         
PÉROLAS DE CAVERNAS
          Também denominadas pisólitos ou oólitos (do grego oon = ovo e lithos = pedra), são um dos únicos espeleotemas que não se prendem ao teto, paredes ou pisos das cavernas. São geralmente formados em pequenas cavidades do piso denominadas "ninhos" a apartir de núcleos diversos (areia, quartzo etc.), sob fluxo constante de água que goteja dos tetos.
          Suas dimensões variam de pouco milimetros a 20 cm de diâmetro, sendo raras as formas que ultrapassem os 3 cm de raio. Outras peças encontradas com dimensões semelhantes apresentam formas irregulares e superfícies "enrigadas".
          O corte de uma pérola mostra a existência de suas partes: o núcleo e o envoltório.
          O envoltório é formado pela superposição de camadas concêntricas de calcita, cujos cristais se apresentam perpendiculares à superfície de crescimento do espeleotema.
         
          Tais variações implicam igualmente na variação da deposição da calcita ao longo do tempo, o que dificulta os estudos relativos à velocidade de crescimento do espeleotema.
          Levando-se em conta pesquisas realizadas em diversas partes do mundo, poderíamos considerar que o crescimento médio dessas pérolas se situa entre 0,2 a 2 mm por ano.
          As camadas iniciais têm suas formas comprometidas com a forma do núcleo que recobrem, sendo aos poucos sucedidas por outras mais regulares e geralmente mais esféricas.
          Para a formação destas estruturas esféricas parece, segundo vários autores, ser necessária a agitação e rotação constantes da pérola. Tal requisito é discutível e polêmico.
          Em casos de pérolas como a de 20 cm, dadas as suas dimensões e o peso, a rotação seria dificilmente explicada pelos gotejamentos ou escorrimento. Já em pérolas com cerca de 2,5 cm é visível o movimento de rotação sob o fluxo do gotejamento.
          Outra teoria que tenta explicar o revestimento total da pérola e sua correspondente esfericidade é a que apela para a "força de cristalização" da calcita que seria, em alguns casos, capas de "levantar" o espeleotema, desde que existisse entre o cristal (na superfície inferior da pérola) e o suporte sólido (ninho) uma lâmina de solução capaz de fornecer o composto para a precipitação da calcita.

         
COUVE-FLOR
          São depósitos de calcita de superfície rugosa e porosa que recobrem os núcleos, paredes, pisos e outros espeleotemas existentes nas cavernas.
          Segundo a teoria mais difundida e polêmica, sua formação se dá a partir do gotejamento de água dos tetos e corresponde borrifamento da gota em seu choque contra o piso.
          Este borrifamento faz com que a calcita dissolvida nas gotículas d'água se precipite de forma irregular e dispersa sobre os suportes vizinhos.
          Assim, grandes áreas dos pisos e das paredes são recobertas por estes espeleotemas, geralmente pouco consistentes, cuja aparência final, ramificada e irregular, lembra o vegetal de onde se originou seu nome.
         
         
CÁLICE
          Quando o gotejamento ocorre sobre os solos não compactados e pouco consistentes (caso de depósitos de areias ou argilas nas margens dos rios), escava pequenos orifícios no piso da caverna. A continuidade do processo vai aprofundando tais orifícios ao mesmo tempo que, pela precipitação da calcita (à semelhança da formação das estalagmites), vai cimentando as paredes internas deles e, pelo borrifamento, vai criando uma borda (lábio) superior.

(Continua na próxima edição)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

Meu Olhar - ElaneTomich


Era noite e era dia
nos meus olhos, a vigília,
brincava de não sonhar,
apesar de todo encanto
do sabiá e seu canto
lastimava o acordar.

Meu olhar rasgou o espanto.

Era dia de argumento
de andar, ganhar sustento
mas o triste amanhecia
apesar do sol, seu manto
da lágrima a acrobacia.

Meu olhar rasgou o espanto.

Lavei do olho vigília
meu olhar bebeu a lágrima
e vi a ordem do dia.
No horizonte uma página
pra falar do desencanto.

Meu olhar rasgou-se em pranto.

A FLOR DE UMA LÁGRIMA - *Fanny*


Ainda ontem colhia ramos de violetas
em tuas perfumadas poesias de encantar...
Inebriava-me com o teu sorriso de borboleta
a esvoaçar pelo horizonte azul do meu olhar...

Nas pétalas acetinadas de teus lábios de jasmim
vislumbrava o infinito em acordes de sinfonia,
regatos de carícias secretas só para mim...
Tua voz ainda entoa o amor em tua melodia,
suave harmonia... tonalidades de alegria.

O mesmo jardim... as mesmas emoções sem fim,
sentimentos emoldurados pela luz amorosa
de um misterioso arco-íris que nos envolvia
com as cores calorosas da paixão...
Palco de nossos infindos sonhos e fantasias
jardim de profundos desejos...
jardim de perfeitas quimeras.

Mas, hoje o desalento despiu o desabrochar
dos beijos e abraços em flor...
O sonho de violetas transformou-se em dor!
E os versos que iamos colher à Primavera
das resplandecentes estrelas...
cristalizaram-se em lágrimas de saudade.
Lágrimas soltas numa aurora triste...amargurada...
orvalhada em nossas lembranças sonhadas.

A flor de uma lágrima desliza ainda na madrugada
solitária do meu coração ávido em te amar...
Lágrima suspensa em enigmas por desvendar,
nas avenidas floridas da tua ausência, derramada

povoado despovoado - ferool (Fernando Oliveira)


a aldeia cheia de absorto
não suporta o silêncio
e rui no vento despovoada

a memória é a última a murchar
um manto de mato irracional
cobre as pegadas fundadoras

em maio florescem saudades
que um fogo lambe sem piedade
a aldeia hiberna no feio olvidar

" ILUMINOITE "

Luiz Poeta ( SBACEM - rj ) - Luiz Gilberto de Barros
Às 15 h e 29 min do dia 30 de abril de 2005 do io de Janeiro
( tempo chuvoso, nublado e estranhamente alpino )


Tu anoiteces em mim quando me evitas,
Mas te iluminas em mim quando me abraças...
Se te aproximas de mim, tu me palpitas,
E se te afastas de mim, tu só me matas.

Tu ensombreces o amor, quando te negas
A iluminar meu olhar com teu olhar
E se eu me entrego inteirinho e não te entregas,
Sou como luz sem brilhar... onda sem mar.

Se a solidão me envolve, eu anoiteço
E há nos meus olhos vazios, escuridão
Mas quando penso em teus olhos e adormeço
Volta, espontânea, a luzir minha paixão.

Se o meu amor apagar-se... apaga tudo:
O teu olhar, tua luz, teu corpo ausente,
E se eu olhar teu olhar e ficar mudo,
Minha emoção fica fria... e não mais te sente.

Agora sou uma Mulher - Marcia Prata


Agora sou uma Mulher,
que sabe o que quer,
e você me fez Mulher,
ainda guardo comigo a cena de nós dois,
um olhando para o outro...
Seu carinho,
sua compreensão,
seu máximo cuidado
no auge da noite...
Fui sua como eu tanto desejava,
e sei que você também queria isso,
senti suas mãos me abraçando,
me tocando com suavidade,
carinhosas, e ao mesmo tempo fortes,
me emociono quando lembro dos nossos beijos...
Nunca irei esquecer,
nem poderia,
ainda guardo seu cheiro comigo,
nós dois abraçados, bem juntinhos,
sua pele na minha pele...
Você, meu Desejo,
me transformou numa Mulher Plena,
terás sempre meu Amor, meu Carinho,
meu orgulho,
por ter me tornado Mulher em seus braços
e estará sempre em meus pensamentos,
nos mais lindos e belos...
Em meus sonhos... em meus devaneios...

PAPAGAIO DAS MIL CORES - Rosélia Martins


papagaio de papel voando nas alturas
por entre as brancas nuvens
que escondem as minhas ilusões
voas ao vento
alegras corações
sempre em movimento
neste céu de ondulações
soprado pelo vento
levas as minhas ilusões
diluídas no pensamento
percorres o sonho e fantasia
qual corcel alado
e além da ventania
voltas sempre para o meu lado
papagaio das mil cores
és a minha bola de cristal
onde vejo sem medo
um amor forte
sem igual
papagaio colorido
de mil cores pintado
és o eco dos meus amores
neste céu azul desenhado

Reapresento-lhes a talentosíssima:



Teca Miranda

 

          A Gruta da Poesia: Por favor Teca, diga-nos o seu nome, qual a sua profissão, onde você mora e se possível fale-nos um pouco da terra onde vive?
         
TecaMiranda: Na minha certidão de nascimento consta Terezinha de Jesus Miranda Carvalho, ninguém me conhece por esse nome somente por Tereza Miranda Carvalho, mas na net uso TecaMiranda: Nasci em Leopoldina, Minas Gerais e com dois anos de idade mudei para o Rio de Janeiro onde passei toda a minha infância e parte da adolescência. Mudei para Juiz de Fora aos 16 anos e amo essa cidade. Situada na Zona da Mata do estado de Minas Gerais, suas origens vinculam-se ao trânsito de tropas e tropeiros no Caminho Novo - Estrada Real que ligava a região das Minas ao Rio de Janeiro no século XVIII. Construções em estilo Art Nouveau, próprias da primeira década do século XX, se unem àquelas de estilo Art Déco, predominantes em meados do século XX, bem como às obras do arquiteto Niemeyere dos pintores Di Cavalcanti e Cândido Portinani. A criação da Universidade Federal de Juiz de Fora, na década de 1960, traz uma contribuição fundamental: além de pólo econômico, a cidade reafirma-se como maior pólo cultural da região a congregar pessoas das cidades vizinhas e a fomentar projetos e iniciativas de desenvolvimento regional. Nessa Universidade cursei na década de 80 a faculdade de Ed. Física, mas trabalhei muito pouco na área passando a me dedicar em 1989 às artes plásticas. Nos últimos anos, a cidade retomou seu dinamismo industrial. Hoje, com uma população de aproximadamente meio milhão de habitantes, é a segunda maior cidade de Minas Gerais, caracterizada por uma excelente qualidade de vida, reconhecida e vivenciada por todos os seus habitantes.
         
         
A Gruta da Poesia: Como foi a sua infância, Teca, o convívio com os seus pais, irmãos, colegas de escola, as brincadeiras que gostava; enfim, considera que teve uma boa infância?
         
TecaMiranda: Minha infância foi maravilhosa e por isso custei a sair dela. Meu pai, o meu herói, foi fundamental nessa época. Tenho só uma irmã e o nosso pai era a outra criança entre nós. Inventava brincadeiras, nos ensinou o gosto pelos esportes, pela dança e pela música. Eu estudei em colégio de freiras, uma endiabrada no meio delas. Hoje tenho até pena do quanto azucrinei a vida daquelas irmãs. A brincadeira que marcou minha infância e deixou saudades acontecia nos dias de chuva. Em Juiz de Fora morei em uma casa muito grande e meus filhos desfrutaram de toda a liberdade de brincadeiras na casa do avô. No Rio morávamos em apartamento e quando chovia não podíamos descer para brincar no pátio então minha mãe pegava lençóis e fazia uma cabana imensa dentro do quarto e imaginávamos que estávamos acampadas numa floresta. O apartamento na nossa imaginação era a floresta, saíamos para caçar, nadar no lago (a banheira) e o melhor de tudo acontecia quando a brincadeira já estava terminando, minha avó (mãe de minha mãe) batia nata de leite com açúcar (ficava parecendo chantilly) passava em biscoitos de maizena e levava numa bandeja dentro da cabana pra gente. Enche minha boca e meus olhos d'água só de pensar...
         
         
A Gruta da Poesia: E a sua adolescência?
         
TecaMiranda: Não foi tão boa, para dizer a verdade foi um saco. Meu pai era muito sistemático e conservador. Tudo era proibido. Aproveitei muito pouco essa fase da minha vida, ainda mais porque comecei a namorar meu marido aos 16 anos e como dizem que a menina procura alguém igual ao pai, me apaixonei por um rapaz com idéias conservadoras e retrógadas. Acho que nasci para ser mimada, cuidada e dependente de alguém. Fui imensamente feliz ao lado do meu pai e o sou ao lado do meu marido.
         
         
A Gruta da Poesia: Você é muito jovem e já tem filhos adolescentes, percebe-se através das fotos que temos visto com os seus filhos o entrosamento que há entre vocês, como tem sido para você Teca, educar?
         
TecaMiranda: Dia 29 de maio de 2006 estarei comemorando bodas de prata. Meu filho faz 23 anos em julho e minhas gêmeas fizeram 21em abril. Ter tido meus filhos jovem foi muito bom e também complicado. Quando meu filho entrou na adolescência era muito difícil olhar para aquele homem alto e ter que chamar a sua atenção, era muito estranho pra mim e eles sentiam a minha insegurança talvez porque eu não concordasse com a rigidez de meu marido. Então fiquei sendo o elo de comunicação entre filhos e pai. E até hoje é assim, intercedo com o pai os pedidos dos filhos. Eu e meus filhos temos uma relação de irmãos, minha filha Carol faz aula de dança comigo, eu e as meninas jogamos volei toda semana. O Rafa vem sempre me trazer as novidades sobre música, trocar idéias sobre a faculdade. Por incrível que possa parecer eles me incluem nos programas com a turma de amigos. As festas temáticas que eles organizam a única presença mais velha sou eu porque eles fazem questão da minha participação.
         
         
A Gruta da Poesia: No Brasil, infelizmente o "futuro" dos jovens está cada vez mais "incerto", as perspectivas de emprego são difíceis, não só no Brasil, mas propague-se pelo mundo o desemprego, há uma preocupação sua com o futuro profissional dos seus filhos?
         
TecaMiranda: Muito. Principalmente com meu filho que faz Direito, uma área que está saturada. Minha esperança é que ele consiga passar em um bom concurso. Minhas filhas seguiram a mãe (nenhum deles seguiu a profissão do pai: médico, bem mais fácil de se conseguir bons empregos) e fazem Ed. Física. A Ju já está trabalhando na prefeitura como recreadora de um projeto muito bacana. Como eu sou hiper positiva, tenho certeza que eles conseguirão se realizar profissionalmente.
         
         
A Gruta da Poesia: Você é muito conhecida na internet, como boa poetisa que é e não me venha com falsa modéstia, todos sabem da qualidade poética dos seus textos, mas há pouco tempo você nos mostrou uma outra façanha, você é pintora também, tem atelier, dança, toca piano, por favor, fale-nos sobre estes seus múltiplos talentos?
         
TecaMiranda: O amor pela dança acho que nasceu comigo. Andei com 9 meses de idade e aos 11 eu já estava fantasiada de bailarina pulando carnaval em um clube do RJ. Fiz balé clássico por mais de 10 anos e depois passei para o Jazz. Faz uns 12 anos que parei com o Jazz e estou fazendo aulas até hoje de Mix Dance e de uns 4 anos pra cá junto com a minha filha. A música também começou cedo, meu pai amava acordeon e me colocou aos 7 anos para estudar o instrumento. Como ele era pernambucano seu grande prazer era quando os amigos iam visitá-lo e ele me pedia: Tereza, pega o acordeon e toca asa branca para eles ouvirem. Aos nove anos comecei a estudar piano que eu realmente gostava. Não me formei, mas continuei estudando por conta própria. Sempre gostei de desenhar e escrever. A pintura surgiu em minha vida em 1989 e nunca mais parei. Soltei minhas palavras há quatro anos quando perdi meu pai.
         
         
A Gruta da Poesia: Como é o seu dia a dia, ou seja, você passa o dia no atelier pintando, escreve, recebe e-mails dos grupos de poesias, é afiliada do Portal CEN, como administra tudo isso?
         
TecaMiranda: Fui uma criança hiper-ativa e vou ser uma idosa hiper-ativa. De acordo com uma amiga de minha mãe sou um mosquitinho elétrico. A vantagem é que trabalho em casa, meu pc fica ligado o tempo todo que estou no atelier, entre umas pinceladas e outras dou uma olhadinha nos e-mails, leio os poemas que são enviados aos grupos e respondo na medida do possível. Mas na hora que bate inspiração para escrever... para tudo! É só eu e o teclado...
         
         
A Gruta da Poesia: Se fosse para optar, o que escolheria, do que gosta mais ou gosta de tudo o que faz?
         
TecaMiranda: Amo tudo o que disse aqui e algumas outras coisas que não disse...
          Mas não sei como será quando eu tiver que parar de dançar, vai ser muito difícil!
         
         
A Gruta da Poesia: Suas inspirações literárias nascem no atelier?
         
Teca Miranda: Em qualquer lugar. O texto que escrevi "Criando" em que enviei minha foto no atelier, surgiu enquanto eu tomava banho. Assim que terminei corri para o micro e ele foi fluindo. Outro dia estava assistindo ao DVD do Yanni quando a inspiração veio. A maioria das vezes a inspiração surge através da visualização de uma imagem. Pedaços de mim, um poema muito sofrido surgiu a partir da imagem de uma taça quebrada em cima das teclas de um piano. Eu estava ótima, sem nenhum tipo de problema, mas quando vi a imagem parece que incorporei uma alma desesperada e as palavras foram saindo.
         
         
A Gruta da Poesia: Teca, daria para você sobrevir no Brasil, da arte?
         
TecaMiranda: Muitos artistas em JF vivem da sua arte, no meu caso não. Eu pinto pelo prazer, meus quadros são vendidos não como obra de arte e sim como objeto de decoração. Vendo a preços baixos para poder continuar comprando minhas tintas, telas, pincéis e poder pintar sempre.
         
         
A Gruta da Poesia: Tem livros publicados, e-books, home page?
         
TecaMiranda: Tenho participação em vários e-books de coletâneas. Escrevi a História de sua vida em que narro a sensacional história de vida de meu pai e um outro com meus escritos. Meus livro virtuais estão no site:
www.tecamiranda.ebooknet.com.br e tenho um blog: www.palavrassoltasdetecamiranda.zip.net .
         
         
A Gruta da Poesia: O que o Portal CEN tem feito por si, tem ajudado na divulgação dos seus trabalhos, tem lhe incentivado, quando filiou-se certamente esperava algo do Portal, estas perspectivas foram alcançadas?
         
TecaMiranda: Só de estar recebendo os informes do portal já valeu de mais e ainda ter meus escritos viajando o mundo ao lado de tantos excelentes escritores e poetas é coisa que nunca imaginei.
         
         
A Gruta da Poesia: Em nome do Portal CEN, agradeço a sua ilustre participação na nossa Revista Literária e gostaria que as pessoas tivessem o prazer que tive de conhecer, infelizmente não todos, mas alguns dos seus quadros.
          Pediria que enviasse uma tela sua e se possível escrevesse algo inspirada neste seu trabalho.
         
Teca Miranda
: Iara foi uma honra e alegria imensa pra mim esse seu convite. Agradeço de coração as suas palavras.

Além dessa janela


TecaMiranda


Do lado de dentro, estou.
A liberdade que corre lá fora
e que meu coração sempre buscou
nesse momento deteriora.

Não tenho mais ânsia pela vida
estou mais comedida.
Tudo que era superlativo passou a subjetivo,
isso me incomoda.

Quero me tornar um fugitivo,
pular essa janela que me separa
de um mundo de aventuras.

Viver a emoção sem antepara
e de ninguém ouvir censuras.

Agradeço a colaboração de todos!!!
Um grande abraço carinhoso aos
queridos amigos leitores e
até a próxima edição.

Iara Melo

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