Revista “A Gruta da Poesia”

 

Número 008- Junho 2005  

Editora: Iara Melo

 

Amigos Leitores,
Nesta edição do mês de junho,
contamos mais uma vez com a preciosa colaboração
de Carlos Leite Ribeiro, que desta vez faz-nos viajar pela
Bela Cidade de Leiria (Capital do Distrito);
Damos continuidade a pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
sobre a formação das Grutas (Cavernas);
Na seção Poesias destacamos os trabalhos
de amigos autores do Portal CEN:
Celito Medeiros
Ligia A. Leivas
Lucy Salette
Osvaldo Pastorelli
 
Por fim, tivemos a honra de entrevistar Kondor
 
 Boa Leitura!

 

Distrito de Leiria

Cidade de Leiria – Capital do Distrito

          Uma paisagem suave, mimosa de verde. Os campos do Lis gabados pela sua fertilidade, verdura e beleza. O Pinhal de Leiria fresco, denso, intensamente puro e triunfante na Epopeia dos Descobrimentos. O repouso e as Termas de Monte Real. O encanto da idílica da Lagoa da Ervideira. As areias douradas da Praia de Pedrógão e o mar propício às emoções do surf. E em altaneiro morro, o medievo Castelo de Leiria, senhor da cidade, do Sol e dos séculos.
          Leiria, foi elevada à categoria de cidade em 1545, por influência de D. Frei Brás de Barros, reformador do Mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, e primeiro bispo da diocese. Recebeu forais de D. Afonso Henriques em 1142 e de D. Sancho 1º em 1195 e foi doada por D. Dinis, com a alcaidaria castelã, a Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel). Foi cenário de diversas vicissitudes da História de Portugal, preservando uma série de monumentos artísticos, que atestam um passado esplendoroso. Infelizmente, as invasões francesas, prejudicaram bastante, em 1808 e 1810, o património leiriense, subsistindo, no entanto, amplos vestígios que documentam os períodos artísticos, desde o românico da Igreja de São Pedro até ao barroco da de São Francisco ou da Misericórdia, passando pelo belíssimo gótico da Igreja de Nossa Senhora da Pena e pelo maneirismo da Sé, esta última bastante obliterada. Na Leiria quatrocentista esteve instalada uma das primeiras oficinas tipográficas que imprimiram os mais antigos incunábulos portugueses. O conjunto citadino, ergue-se emoldurado pelo sinuoso Rio Lis, de um sereno bucolismo, e pelo morro altaneiro do velho Castelo, do Paço de D. Dinis e da Igreja da Pena.

Cidade da Batalha

          Um mosteiro sublime. Uma criação única, já considerada maravilha do Mundo. Obra de homens que, na imponência das cantarias góticas, comemoram a independência ganha para sempre na Batalha de Aljubarrota e, nos maravilhosos lavrados manuelinos, cantam a Epopeia dos Descobrimentos Portugueses. No horizonte, corrido por vales deslumbrantes de pomares e vinhedos, descobrem-se os encantos do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros e muitas grutas de incomparável beleza.
          A quem vem de Leiria a caminho de Lisboa, o Mosteiro da Batalha surge de súbito, após uma curva, como que afrontosamente afundado do lado esquerdo da estrada. Batalha nasceu com a construção de Santa Maria de Vitória, comemorativo da Batalha de Aljubarrota, no cumprimento de um voto, feito por D. João 1º à Virgem, de erigir e lhe dedicar um mosteiro se derrotasse os castelhanos (espanhóis). A sua elevação a vila só se verificou em 1498, depois do povoado, construído pelos primeiros obreiros aqui reunidos, ter atingido uma importância que o justificou. Parece que não terem passado sequer três anos sobre a vitória sobre os castelhanos quando o Mosteiro começou a ser construído, tendo D. João 1º chegado ainda a ver pelo menos a cabeceira da igreja, a sua capela e talvez parte das dependências do claustro. O Panteão Real, onde repousam os iniciadores da dinastia, é já obra de D. Duarte. Construção que se prolongou até ao reinado de D. João 3º, está à vista de todos o que vem do tempo de D. Manuel 1º e o que lhe é posterior, o que reflecte o Renascimento Português e o que traduz a epopeia dos Descobrimentos. Deixaram a sua marca neste grandioso mosteiro Afonso Domingues, Huguet, Martim Vasques, Boitaca, Mateus Fernandes e tantos outros, que contribuíram com o seu talento para a feitura de tão bela obra. Vale a pena parar diante do portal principal para apreciar o trabalho de Huguet,e, no interior, convém recordar que se está sob uma cobertura gótica que deve alguma da sua técnica à da igreja do Mosteiro de Alcobaça. Depois da 1ª Guerra Mundial, que abalou a Europa entre 1914 a 1918, e na qual Portugal tomou parte activa, passaram a repousar na Sala do Capítulo os restos mortais de um soldado desconhecido. Importante será também visitar, por detrás do edifício da Câmara Municipal, a igreja matriz, onde o arquitecto Boitaca deixou em 1532 um esplêndido portal de sabor renascença, com decoração manuelina. Algumas casas antigas e típicas também merecem atenção.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

Formação das Grutas (cavernas)

Continuação...
         Origem dos espeleotemas (Depósitos de águas de exudação)
São os espeleotemas formados a partir das soluções aquosas que por capilaridade, circulam lenta e descontinuamente pelos poros da rocha envolvente da caverna.
Diversos fatores, como a diferença de temperatura e pressão entre os poros da rocha e o vazio das cavernas, fazem estas soluções emergirem das paredes, depositando a calcita até então dissolvida.

          Como não se formam gotas, a força da gravidade (representa no caso pelo peso das gotículas d'água) não chega a afetar o crescimento do espeleotema, que, então, se direciona em função da disposição dos cristais inicialmente depositados afastando-se normalmente da verticalidade.
          Tomam formas por vezes bizarras, geralmente belas e delicadas, sendo em sua maioria de pequenas dimensões e de coloração quase sempre branca.
          São espeleotemas tipicamente "cavernícolas", sendo formados apenas naquelas cavidades e, mesmo assim, restritos a certos amabientes internos com especiais de microclima (pressão, temperatura e umidade), de composição da rocha envolvente no local e inúmeros outros fatores.

Os espeleotemas (Depósitos de águas de exudação)

CORAIS

          São formações nodosas com aspecto de cachos que ocorrem tanto nos pisos e paredes rochosas da caverna como, e principalmente, sobre escorrimentos e outros espeleotemas.
          Seus componentes, em forma de esferas, pipocas ou cogumelos (nomes pelos quais também são conhecidos), são de pequenas proporções, alcançando em média cerca de 1 cm de diâmetro. Sua estrutura, mostrada em corte, é bandeada com cristalização radiada, não possuindo conduto central. A coloração varia entre o branco-amarelado e o marrom-escuro pela presença de impurezas na calcita.

ESCUDOS OU DISCOS
          São espeleotemas planos de forma circular ou semicircular que se projetam ora oblíqua ora perpendicularmente às paredes da caverna.
          Estas estranhas estruturas planas têm poucos centímetros de espessura e comumente mais de 1 m de diâmetro e, apesar de raramente encontradas, quando o são geralmente ocorrem em grupo.
          A gênese e formação destes espeleotemas foi estudada por J. Kunsky (1950), Kunder (1952) e Moore (1962).
          Kunsky os classifica como "o análogo bidimensional da estalactite" e Kunder demonstrou que a orientação dos escudos (segundo suas pesquisas nas Lehman caves) segue a orientação das juntas existentes no calçario encaixante. A água existente nas juntas da rocha movimenta-se por pressão hidrostática e, atingindo a borda, deposita ali uma primeira película de calcita.
          A deposição prossegue formando duas placas paralelas de calcita, separadas por uma fratura plana que se orienta segundo o plano da junta do calcário.
          Quando à junta, ela devidamente alargada, ou quando a pressão hidrosrática se torna muito alta, alâmina d'água capilar aumenta, formando gotas que, cruzando a placa inferior do escudo, irão dar origem às ornamentações como as anteriores citadas.

HELICTITES
          Apesar de serem normalmente encontradas nos tetos e nas partes das grutas, ocorrem freqüentemente em meio a outros espeleotemas, especialmente estalactites e cortinas. Também são encontradas sobre escorrimentos de calcita que recobrem os pisos de lagumas cavernas.
          Sua gênese é uma das mais conhecidas. Seu crescimento ocorre geralmente a partir do empilhamento sucessivo de camadas cônicas de calcita que são depositadas em sua extremidade livre.
          Apresentam um canal central semelhante às estalactites mas de diâmetro muito menor (cerca de 0,01 mm), pelo qual, supõe-se, a água carbonatada proveniente dos porcos de cálcario circula lentamente sob pressão hidrostática, não chegando a formar gotas.
          Na extremidade deste conduto (e do espeleotema), a deposição se daria na forma de cones interligados (e do espeleotema), a deposição se daria na forma de cones interligados por forças de cristalização, que, no caso (dada a quantidade ínfima de água e correspondentemente da calcita a depositar), é maior que a gravidade. Crescem assim nas mais variadas direções afastando-se geralmente da verticalidade.
          As helictites de calcita (mais comuns) têm sua superfície lisa e branca enquanto as de aragonita geralmente apresentam superfícies ásperas com cristas pontiagudos, dispostos radialmente, sendo via de regra transparentes.
          Os "estilos" das helictites são inúmeros, no entanto, as formas mais comuns são as "espiculares", as "vermiformes", as "espiraladas" e as "anelares".

FLORES DE CALCITA (ANTODITES OU FLORES DE CAVERNA)
          Com o nome de flores de caverna ou antodites são reunidos três tipos distintos de espeleotemas: as flores de calcita, as de aragonita e as de gipsita. No caso das flores de calcita, elas assemelham-se a conjuntos de helictites, cujas bases divergem de um centro comum de irradiação. Noutros, apresentam-se como um emaranhado de espeleotemas do mesmo tipo, que se alinham ao longo de fraturas da rocha nos tetos das cavernas. Neste caso, são costumeiramente chamadas de "espaguete".
          Seus componentes, a exemplo das helictites, são geralmente brancos, opacos e de donformação retorcida. A deposição de calcita, porém, segundo se crê, não se dá na extremidade livre de cada componente, mas sim na base de irradiação deles.
          Apesar de também ocorrerem sobre outros espeleotemas, as flores de calcita são normalmente fixadas diretamente na rocha encaixante.

FLORES DE ARAGONITA (ANTODITES OU FLORES DE CAVERNA)

          Estes espeleotemas se incluem inquestionávemente entre as mais espetaculares ornamentações de caverna. Sua distribuição é restrita a poucos locais, mas geralmente ocorrem em grupos.
          Apresentam-se como conjuntos de feixes de cristais alongados pontiagudos que divergem de um centro puntiforme nas paredes e tetos da caverna ou de eixos de radiação quando ocorrem recobrindo estalactites. Sua coloração vai do branco-puro ao transparente e desenvolvem-se por exsudação (sem formação de gotas), sendo os novos cristais depositados no contato do feixe cristalino com a rocha. Não possuem condutos centrais como as helictites.
          Cristais de aragonita deste tipo são comumente encontradas crescendo sobre espeleotemas de calcita. Da mesma forma, pequenos cristais de calcita formados sobre outros de aragonita sugerem que soluções circulando por eles perderam a supersaturação (necessária para a precipitação da aragonita) e começaram a precipitar calcita.
          Baseado nas observações anteriores e em diversas outras pesquias, White (1976) resume as condições para a formação de flores de aragonita da seguinte forma: "É necessária a percolação lenta de soluções supermineralizadas e supersaturadas em um ambiente úmido.

FLORES DE GIPSITA (ANTODITES OU FLORES DE CAVERNA)

          Estes espeleotemas formados de sulfato de cálcio têm muito em comum com as flores de aragonita. O processo químico de formação é diferente, mas os mecanismos de crescimento são semelhantes. É simplesmente a diferença de hábito de cristalização entre a aragonita e a gipsita a responsável pelos cristais finos e pontiagudos da primeira e os cristais curvos e retorcidos da segunda. Uma classificação mais precisa, segundo White (1976), provavelmente as agruparia como duas variedades do mesmo espeleotema.
          As flores de gipsita apresentam-se como conjuntos de cristais estriados e retorcidos, de coloração branca ou amarelada.
          Suas dimensões são normalmente reduzidas ocorrendo excepicionalmente peças com até 5 cm de comprimento. Belos exemplos destes são encontrados na Gruta Alambari de Baixo (Petar).

CABELO-DE-ANJO
          A gipsita dá origem ainda a um dos mais raros e notáveis espeleotemas. Finíssimos cristas (da ordem de micros de milímetros) de comprimentos variados criam, por vezes, um delicado emaranhado cristalino que se dependura nos tetos das cavernas.
          Esta estrutura de fios entrelaçados, cujo aspecto lembra teias irregulares ou por vezes delicadas mechas de cabelo branco e lustroso (de onde se oroginou seu nome), é extremamente frágil e chega a balançar sob a ação de leves brisas.

(Continua na próxima edição)


Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org  

Do poeta para os poetas - Celito Medeiros
 

Meus caros, a vida é um barato, depois do parto.
Estou aqui, muitas vezes estive! Se partir, ainda volto.
De fato, quanto mais luz, mais sombras são projetadas
nas paredes de uma vida de ensinamentos impostos, vagos.
O pior do que aquilo que nos ditam, é aquilo que aceitamos
fazer. Muitas vezes sem perceber! Nossas conquistas não podem
apenas tocar as areias, mas é preciso transformá-las nos oceanos.
A natureza à volta, assim como este universo, tão magnífica,
dificulta a nossa volta (religar) ao começo de tudo!
Muitos pensam nunca terem tido condições de criar,
tão belas maravilhas, por isto, pensam ser criaturas!
Fazem com que os outros acreditem, impondo medos...
Sim, houve um dia para tantas coisas e coisas para tantos.
Porém hoje, não mais nos entendemos sem palavras e palavras faltam
para nosso bom entendimento, dantes telepático (sem torre de babel).
O belo é a flor do nascente para o despertar do oculto, do incompreendido.
O homem cansado é aquele que não pode voar, está sem esperança e enganado.
Depois quiçá aconteça, como uma abelha sorva o mel e pouse na flor da liberdade.
Assim, não fiquei vendo sem nada fazer, mas o que poder para quem nada quer?!
Não, os homens não estão cegos, apenas estão impedidos de poderem enxergar.
A ilusão do olhar ou do conceber, é o fator que nos tira da realidade.
Isto parece muito fácil de perceber, mas de fato é chave.
Nada podemos compreender se não for real.
Para ser real, precisamos estar afim.
Sim, pode ser o jogo da vida.
Não, ainda não vai terminar.
Teremos anda muito a jogar.
Até criar novos jogos.
O infinito ir buscar
liberdade,
prazer e
amor.
 
A quem escrevi neste 17/02/2005
pintando as poesias de todos!

Rapsódia de um Coração Feminino - Ligia A Leivas
 
 
... do pó?
... do barro?
... da costela de Adão?
Que importa? Há alguma diferença?
       ... surgia a Mulher tão-somente.
À sombra do homem ela deveria ficar
       para sempre... sem cessar
       qual Sísifo sacrificado.
O tempo passou;
a resignação sucumbiu.
E a Mulher buscou a luz,
buscou a própria essência.
Houve lástimas, lamentos.
No contraponto, porém,
vislumbrou o céu inteiro,
a noite total.
Hoje ainda há limites,  
há fronteiras demarcadas...
mas a luta continua.
Mesmo que se algemem alguns pulsos,
o resgate foi feito:
mostramo-nos sem máscaras... — Somos Mulheres!

PROFANO
Lucy Salete Bortolini Nazaro (Palmas-Paraná)*


 
Profano sou, nunca fui santo e vôo por ares não permitido aos inocentes.
Fui movido pelo vento dos audazes e ousei.
Tal como fera, te espreito e tal como águia, pairo no teu ar.
Como um feiticeiro de culto pagão, projetei-me no espaço
E ousei rugir como os leões longe de você
Fui mais que o básico, tornei-me um elemental
Quase um deus, como Apolo ou Zeus
E fui mais que isso, por ser de carne e de sangue
Por ter alma e sentidos,
Alma e carne...
Ousei traçar meu destino, cruzá-lo com o de outros seres,
Misturar minha vida a outras vidas
Tornei-me luz do fogo, soltei-me nas chamas
Me entreguei à vida de outros seres e tornei-me fera
Que aplacou a sede de fêmeas, rasgou vestes etéreas e efêmeras
Das falsas inocências que pedem beijos
E soltam bocas e corpos, pensando sacralizar a vida
Enquanto o menino tem que assumir o leão
Das amadas, das amigas, das gatinhas, das docinhas, das não tão doces...
E tal como um totem amaldiçoado, tornei-me marco de mim mesmo
Enquanto que, sobrevoando águas revoltas me soltei e o menino se foi.
Careceu a idéia de alguém estar presente, quando abrupta e precocemente
Meu sonho deixou de ser segredo, caiu em ferrolhos, prisões, dúvidas prementes
Insultou-se e fez-se degredo.
Pode ser que um legado do eterno medo
Me acesse novo sonhar, caminhar, jornadear e que o poeta, em mim,
Deixe de ser obscuro
Cujo reverso escandalizado, despudorado, indesejado
Perdeu-se entre os corpos de palha para sempre.
Que me acesse novo sonhar, caminhar, jornadear e
Que o poeta em mim deixe de ser obscuro
E preso entre labirintos, cordas e malhas,
Que sinta apenas a cor cinza das cinzalhas
Que por certo, feito tralhas, queriam invadir minha alma e o ar
Onde o sentido de beleza poderia ser apenas
O da disponibilidade para a pinga no meio da semana
Dos porres e ressacas jovens, que fazem o riso frouxo, a alegria vazia,
Das bocas sedentas que pedem e mandam beijar ao acaso
Não  incentivam poesia, só ajudam a passar o tempo.
Que ninguém mais alcance meu corpo oculto,
Saltimbanco, profano, desconhecido, fera sem mata, sem mote
Que ninguém descubra que o que importa é apenas correr pelas estradas,
Por pegadas, recordações amalgamadas em mim
De teus beijos suaves, teus abraços instantes, tua presença sempre pouca,
Tudo, fazendo descaso do próprio fim.
Como sou profano, nunca fui santo e vôo por ares não permitido aos inocentes.
Deixo-me mover pelos ventos dos audazes e continuo ousando
Tal como fera, te espreito e tal como águia, pairo no teu ar.
Um pressentimento: teu vulto sempre renascerá expulsando o medo
E o poeta jamais será obscuro, tampouco uma estrutura lítica
Mas um cantador de versos que já não se alcança mais porque você me fez prisioneiro.
Sim, sou alma errante, perdida no meio da escuridão
Quando não encontro teu rosto a me fitar, teus olhos a me iluminar
Quando vago angustiado a procura de você na amplidão.
 
*Professora de Literatura do Centro Universitário Católico do Sudoeste do Paraná - UNICS

Para Toninho e Ana - Osvaldo Pastorelli

 
Atenta à vida
Com seus intensos destinos
Com seus estranhos desígnios
 
Atenta à vida
Que ora à subida
Que ora à descida
Está sempre a nos levar
Entre vidas desiguais
Entre atos banais
 
Atenta à vida
De olhares furtivos
De gestos expressivos
Onde o invisível amor
Nos faz sofrer de dor
 
Atenta à vida
Não a vida risível
Que nos rodeia
Mas a interior
Cuja força superior
As vezes se mostra alheia
E nos joga na maré cheia
 
Atenta à vida
De misteriosa trama
Que nos faz calar
Que nos faz chorar
Que nos faz odiar
Neste violento drama
 
Atenta à vida
Que nos joga
De um lado pro outro
Feito pião a rodar
Sem se importar
Com nosso lamento
 
Atenta à vida
Tua vida corrida
Tua vida desiludida
Que lhe deu três vidas
Pra esquecer a vida sofrida
 
Atenta aos pormenores
Da vida agora
Pra no futuro de glória
Colher os frutos
Quando chegar a hora

Apresento-lhes Kondor

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :

a) - : Kondor- 57 anos
b) - : Faço quadros no computador
c) - : São Paulo
d) - : Cheia de vida e amada
 
2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?;
 
a) - :Comecei aos 13 anos quando estive 5 anos acamado com ostiomelite. Hoje escrevo pouco. Preguiça, acho eu.
b) - : Não
c) - : Não. Faz 45 anos. Fiz a besteira de não os guardar
d) - : Não
 
3º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prémios literários ?:
 
a) - : Não gosto de falar de mim. Sou um cara super honesto, bom caráter, carinhoso, e solitário por opção
b) - : Com já afirmei, sou preguiçoso. Escrevo pouco. Quando escrevo vem num repente, pronto.
c) - : Não
d) - : Não
 
5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:
 
a) - :Não
b) - :Não
c) - :Que se preocupasse menos com o formato e mais com o conteúdo
d) - :

Nossa Dança
   Kondor


Sussurrando ao teu ouvido
Sentindo teus pés ligeiros
Essa música que encanta
O perfume que inebria
Na carícia do teu cheiro

Rodando pelo salão
Meus olhos dentro dos teus
Palpitando o coração
Ouvindo teu murmurar
Teus olhos comendo os meus

É tudo como em um sonho
Quadril com quadril colados
Sentindo a excitação
Contendo todo o tesão
A entrega do amor, fadados

Se existe alguém à volta
A bruma esvaeceu
O som rodando a cabeça
As mãos nessa dança intensa
O meu coração no teu

Que dança é essa, Deus
Que espero por toda vida
Dança de um amor enlaçado
Singelo e esfomeado
Só chegada, sem partida...

Agradeço a colaboração de todos!!!
Um grande abraço carinhoso aos
queridos amigos leitores e
até a próxima edição.

Iara Melo

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