Amigos Leitores,
Nesta edição de setembro, contamos mais uma vez com a preciosa
colaboração de Carlos Leite Ribeiro, que desta vez conta-nos a história de
Torres Novas, cidade do Distrito de Santarém - Portugal e dá continuidade ao seu
trabalho de pesquisa sobre a formação das Grutas (Cavernas);
Em "Poesia", contamos com a participação de
renomados poetas do nosso Portal CEN
Elane Tomich
Maria Angélica Fontes Pereira de Mello
Nadir A D'Onofrio |
E
finalmente na seção entrevista, teremos o prazer de conhecer a escritora
mineira Imaculada T. Campos (ImaCampos).
Uma Boa Leitura!
A Editora

Torres Novas (cidade do
Distrito de Santarém - Portugal)

Remonta a mais de um milénio o
interesse suscitado a muitas civilizações por esta morada cujos atributos nunca deixaram
de ser cobiçados. Atestam-no o inúmero e variado património cultural e monumental
existente. Deslumbra o verde dos campos de milho, nos vinhedos e na reserva do Paul do
Boquilobo, um reserva de riquíssimo valor ornitológico onde, pelo final da Primavera,
nidificam milhares de garça, confirmando que tudo se mantém, como outrora, em perfeita
ordem natural, com um número de plantas diferentes mas de igual beleza, que emanam um
aroma saudável que apetece partilhar. Ao longe, a silhueta da soberba Serra de Aire,
beijada pelos laranjais da Chancelaria a atoalhada por extensos olivais e pequenos campos
de centeio, que completam este belo quadro natural.
A cerca de 2 Km da cidade,
encontra-se a Vila Cardílio, uma estação romana que encerra interessantes quadros de
moisaco e vestígios de estrutura da antiga quinta romana. Também a esta distância,
encontram-se as Grutas de Lapas, que são caracterizadas por formações labirínticas,
desde sempre dadas a interpretações fantasiosas. São tidas como testemunho da acção
do homem neolítico. A 6 Km, encontra-se a Gruta da Nascente do Almonda, inserida no
Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, e esta gruta é considerada a maior
cavidade natural existente em Portugal. Tem sido palco de actividades espeleológicas e
campanhas arqueológicas. A 7 Km fica o Parque Jurássico, em plena Serra de Aire, onde se
encontra a maior extensão de pegadas de dinossáurios. A sucessão de estratos rochosos
remonta a um passado de cerca de 170 milhões de anos.

O Castelo

"Com uma construção que remonta a épocas distantes, o castelo de Torres Novas foi
uma fortaleza árabe antes do início da reconquista cristã. Em 1147/48 foi conquistado
aos mouros por D. Afonso Henriques, para, passado algum tempo, voltar a ser tomada pelos
muçulmanos. A fortaleza é definitivamente reconquistada por D. Afonso, filho de D.
Sancho I, em 1190. Os inúmeros ataques inimigos, tanto por parte dos mouros como
durante o período de guerra com Castela, provocaram a destruição desta antiga fortaleza
e da sua cerca. As muralhas e torres do castelo foram, por isso, mandadas reconstruir, em
1374, por D. Fernando. Mais tarde, com o terramoto de 1755, o castelo foi também uma das
construções da vila que mais danos sofreu. O recinto do Castelo foi cedido à Câmara
Municipal por carta de lei datada de 3 de Abril de 1839, mas o Cemitério Municipal já
aí estava instalado desde 1835, onde permaneceu até 1935. Quanto às muralhas da cerca,
passaram para posse da Câmara só em 1923, por despacho do Ministro da Guerra. Na
alcaidaria funcionou, até 1961, a cadeia comarcã de Torres Novas.
Por decreto de 16 de Junho de 1910,
o castelo de Torres Novas foi classificado monumento nacional."
In "Memórias da História - Roteiro"
O Rio Almonda
bordeja a Norte, no ser percurso sinuoso, o núcleo histórico de Torres Novas e
desenha-lhe, de certo modo, a configuração. Com o Almonda, as edilidades dos anos 30
fizeram o parque da vila. Construiu-se uma avenida elegante, uma latada e foi represado o
afluente do Rio Tejo. Cresceram depois os choupos e os chorões e deslocou-se o Centro da
vila de praça do Rossio para um novo centro de convívio e lazer. Neste local tiveram
lugar, antes da poluição do rio, concursos internacionais de pesca. É do parque que o
Castelo de Torres Novas deve ser admirado. É um castelo do século XlV, senhorial, morada
de alcaides, que impunha o seu perfil à povoação, a qual, em redor da mansão do
senhor, cresceu para Sul e Nascente. Contudo, naquele lugar outro castelo deveria existir,
já que foi achada uma celada de peão datável do século Xll no recinto muralhado, que
está exposta no Museu Municipal. Mas se o castelo é um monumento de prestígio, tal como
igrejas e capelas do burgo. O Ria Almonda tinha outrora um complicado sistema de
aproveitamento agrícola e industrial. Levadas, açudes, moinhos, azenhas, tarambolas,
constituíam o sistema tecnológico de aproveitamento da água e sua transformação em
energias cujas origens remontam à Idade Média. Um conjunto de pontes Pontes do
Moinho de Pau, da Ribeira, dos Pimentéis, do Ral, da Levada punha em contacto a
zona agrícola com a área urbana.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro Marinha Grande
Portugal
http://leiteribeiro.portalcen.org

Formação das Grutas
(cavernas)
Continuação...
A BIOLOGIA NAS CAVERNAS
Bioespeleologia: a ciência
da vida nas cavernas
A bioespeleologia é a ciência que
estuda os organismos e sua relação com o ambiente cavernícola, bem como o meio externo
ao qual a caverna está associada. A parir deste princípio podemos citar algumas
subdivisões de estudos.
O ambiente cavernícola: Em
qualquer região natural, os organismos e o meio ambiente inter-relacionam, para promover
uma troca de matérias (Orgânicas e inorgânicas). Assim, a uma mata tropical corresponde
uma flora e fauna diferente da existente em um cerrado, em um deserto, nas profundezas do
mar ou em uma caverna.
Uma subdivisão da Biosfera (fina camada em torno de nosso planeta onde existe vida) são
os domínios que definem os vários habitats.
Estes domínios são o Paraepígeo,
o Epígeo, o Endógeo, o Proepígeo e o Hipógeo, correspondente a uma divisão
descendente dos habitats, que vão desde os topos das grandes matas até as profundezas
das cavernas, acima e abaixo do lençol freático.
O Domínio Hipógeo, que inclui as
cavernas, as fraturas das rochas, as minas artificiais e o meio intersticial, é,
portanto, o que interessa aos bioespeleólogos, apesar de que, só por meio de um estudo
mais abrangente e comparativo, é possível entender a especificidade do ambiente das
cavernas.
A comunidade cavernícola
A comunidade, no sentido
ecológico, inclui todas as populações de uma dada área: população de organismos
tanto da espécie vegetal como a da animal.
Comunidade e ambiente inerte estão
interrelacionados e interatuam para promover uma troca de materiais entre si, funcionando
como um sistema: o ecossistema.
Espeleotema conhecido como bacia de
travertino, formada em uma das galerias da Caverna dos Paiva Para uma compreensão da
função e estrutura de um ecossistema, tomemos uma plantação como exemplo:
A luz, fonte de energia, é
introduzida no sistema vivo por intermédio dos produtores (organismos autótrofos,
principalmente as plantas verdes), que sintetizam carboidratos (glicose) pela
fotossíntese.
Estas plantas vão servir de
alimento a pequenos roedores denominados consumidores primários (organismos heterótrofos
que conseguem energia por meio dos produtores). Os roedores vão servir de alimento para
cobras, que são consumidores secundários (animais que obtêm energia indiretamente dos
produtores), que por sua vez servirão de alimento para as aves de rapina (consumidores
terciários).
Fungos e bactérias
(decompositores) que vivem no solo descompõem a matéria orgânica das plantas e dos
animais mortos, devolvendo-a ao meio ambiente.
O arranjo
produtor-consumidor-decompositor é denominado cadeia alimentar, e a cada passagem
alimentar (ou nível trófico) há uma diminuição e perda de energia para o meio
ambiente.
Nas cavernas, no entanto, pela
ausência de luz, não sobrevivem as plantas clorofiladas, que são a base da cadeia
alimentar. Algumas bactérias conseguem produzir alimento no escuro, contribuindo para o
suprimento alimentar da comunidade cavernícola. Assim, no interior dessas cavidades
existe um tipo de cadeia alimentar que se inicia pela matéria vegetal ou animal morta e
parcialmente decomposta e cujos consumidores primários são denominados saprófagos.
O ambiente das cavernas se
caracteriza por um pequeno suprimento de alimentos que são geralmente importados do meio
externo por animais ou correntes d'água.
(Continua na próxima edição)
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Marinha Grande Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

FINÓRIO
Elane Tomich
Sobre a barba escanhoada
um perfume de Água Velva
gumex nos meus cabelos
irresistível, amada!
Faremos amor sobre a relva
pelo verde, verdes pelos.
Sobre a serra entrecortada
cipós de circo e de selva
apelo aos teus cachos belos
teias amaranhadas
tranças de tantas evas
dentre coxas, escaravelhos.
Sinto-me lobo de esquina
rodopiando a corrente
patec fhilipe quebrado
marcando um beijo de quina
a chacoalhar qual serpente
veneno em teus lábios rosados.
Escavarei estas minas
d'onde jóia és premente
num querer cristalizado
que fluído não termina
mesmo mentindo o que sentes,
açude desembestado

AMOR PARASITA - MARIA
ANGÉLICA FONTES PEREIRA DE MELLO
Quero expulsar da minha boca, o sabor silvestre dos teus lábios molhados.
Arrancar do coração o amor
parasita de raízes profundas, que envolve e me suga a razão. Apagar para sempre a
paixão secreta que em beijos selvagens esconde do mundo um amor vampiro que me devora.
Esquecer o néctar doce e amargo
que como um veneno, impregna meu corpo até à exaustão e num domínio suave maneja os
sentidos sem precisar pedir nada.
Destruir as páginas escritas pela
nossa história para fugir do perigo de as voltar a ler.
Quero aprender a lutar na
invisível batalha da alma, que me ensinará a te encontrar e num sussurro de amor, não
me entregar novamente!

SUA ETERNA MENINA
Nadir A DOnofrio
Menina... assim me chamas
Assim que sou...
A mulher que você diz amar
Que feliz te faz
Companheira de longa jornada...
Deusa que te inspira
A luz do luar que te acaricia
Sou a brisa que te arrefece
O sol que sempre te aquece
O ar que você respira...
Hoje ainda interrogativa
Vejo nos teus olhos
O mesmo brilho de amor
Pergunto...ainda me amas?
Afinal...a mocidade há muito se foi
Meu rosto... perdeu o brilho da porcelana....
Encontro a resposta
No toque de tuas mãos
Teus suspiros de desejos
Nos beijos que você me dá!
Como não me sentir novamente menina...
Com todo dengo que você me dá !
Praia Grande
01/05/2004

Apresento-lhes:

ImaCampos
A Gruta da Poesia:
Qual o seu nome, em que data você nasceu, que profissão você exerce e onde você mora?
ImaCampos: Maria Imaculada Teixeira Campos, moro em Belo Horizonte - MG,
nasci em 06/04. Sou pedagoga e psicóloga. Trabalho em Universidade em Belo Horizonte -
MG.
A Gruta da Poesia:
Gostaria de falar da terra em que vive?
ImaCampos: Belo Horizonte foi uma cidade projetada para corresponder aos
anseios do Brasil República.
Foi um espaço-aberto para novas linguagens e estilos arquitetônicos.
A localização de Belo Horizonte foi escolhida por seus idealizadores. Integrando a bacia
do rio São Francisco, Belo Horizonte tem sua malha hidrográfica composta principalmente,
pelos ribeirões Arrudas e do Onça, ambos afluentes do rio das Velhas.
A maior parte do município, com uma área de 335Km2, SITUA-SE A 852,19 metros de
altitude. Em alguns pontos, como o topo da Serra do Curral, atinge 1.500 metros. O clima
é ameno, com temperatura média anual em torno de 20, 50C e regime sazonal de
chuvas: estações úmidas, chuvosas e secas.
A arquitetura dos anos 80 reflete o período de grande efervescência cultural. Foram
erguidos obeliscos de mármore, igrejas modernas e edificações com novos materiais, que
podem ser vistos em diversos pontos da cidade, incluindo a Praça da Liberdade. Neste
espaço encontram-se os três grandes monumentos da arquitetura da cidade.
Na Praça da Liberdade e em vários outros pontos da cidade podem ser vistos belos e
imponentes exemplares do ecletismo, com fortes traços do bolo neclássico. Estilo
predominante do século XIX, oferecia a liberdade estética almejada pelos republicanos.
Era a transição entre o velho e o Novo, entre a Arte e a Técnica.
A Praça da Liberdade abriga um dos mais belos prédios : O Palácio da Liberdade, sede do
Governo do Estado de Minas Gerais.
A Gruta da Poesia: Lembra-se de quando começou a escrever? Teve a
influência de alguém para começar a escrever ? Lembra-se do seu 1º trabalho
literário?
ImaCampos: A influência para escrever veio de meu pai que escrevia
tudo.Um auto-didata.
Se é que posso chamar de primeiro trabalho foi um pseudopoema escrito em 8 de março de
2003 e publicado por aqui num site. Mas antes escrevia só pra mim mesma.
A Gruta da Poesia:
Você tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? Tem livro (s) electrónico (e-book) ?
Quais os seus projectos literários para este ano ?
ImaCampos: Não tenho livro publicado, tampouco livro eletrônico. Tenho
um projeto de escrever um livro, mas ainda não sei para quando, pelo meu trabalho em
Universidade.
A Gruta da Poesia:
Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? Como Escritor (a) ? Para se inspirar
literariamente, precisa de algum ambiente especial ? Tem prémios literários ?:
ImaCampos: Falar de mim. Difícil, mas falarei o que considero mais
forte.
Sou uma pessoa muito sensível, amável, de bem com a vida . Amo as pessoas e amo
ajudá-las no que posso. Até pela profissão que exerço, tenho um carinho muito grande
com crianças, idosos e pessoas de uma forma geral. Adoro música, poemas, a boa
literatura. Tenho estado em contato com poetas brasileiros, portugueses através da
Internet.
Considero a escrita uma forma de falar de sentimentos em geral e não sinto que é fácil
(pelo menos para mim), escrever seja tão fácil. É preciso inspiração, muita mesmo.
Às vezes escrevo ouvindo uma música marcante, mas atualmente tenho tido pouco tempo para
isto e dificuldades. O trabalho acadêmico tira-me esta possibilidade, mas irei investir
ainda este ano.
Tenho apenas artigos científicos publicados em revistas da área educacional e nenhum
prêmio.
A Gruta da Poesia: Que conselho daria a uma pessoa que começasse
agora a escrever ?:
ImaCampos: Leia bastante e não pare nunca, pois escrever é terapia e
sabedoria não ocupa espaço.
A Gruta da Poesia: Para terminar esta agradável "conversa",
queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso)
?:
ImaCampos: Tenho alguns pequenos
poemas que poderia enviar. Mas enviarei escaneado, são grandes.
Obrigado Iara pela oportunidade e espero logo poder contribuir muito e quem sabe enveredar
pelo caminho da Literatura.
Parabéns pela
Gruta
da Poesia, pelo seu trabalho especialmente. E pelo PORTAL CEN MIL.
Agradecida e beijos
Imaculada T.Campos

Minha Sensibilidade
ImaCampos
Sinto fluir minha sensibilidade
Salta aos meus olhos uma energia
que se multiplica ao sabor do tempo
Trazendo para fora marcas de meu conhecimento
Reajo com prazer ao movimento
que faz com que eu perca neste meu momento
sinto uma necessidade de imaginar
aquilo que para mim foi um sofrimento
Nada a temer, nada a explicar
sinto-me solta , numa criação que mal percebo
o que dizer
mas digo de uma forma tão real
que às vezes penso que o que digo
pode fazer mal à mim e àqueles a quem me dirijo
Interlocutores que se envolvem
esperando encontrar ali
algo que os toque, que os leve a refletir.
Entrego! Não tenho medo
pois tudo que para mim
parece um vazio, sem solução
pode transformar-se em algo
produtivo, cheio de questionamentos
ou simplesmente uma confirmação daquilo que já vi ou que verei
se por acaso um dia deter-me
Novamente neste tom

O meu muito obrigada aos
colaboradores
e a você leitor amigo.
Até a próxima edição.
Abraços.
Iara Melo
