Revista “A Gruta da Poesia”

 

Número 011- Setembro 2005  

Editora: Iara Melo

 

Amigos Leitores,
     Nesta edição de setembro, contamos mais uma vez com a preciosa colaboração de Carlos Leite Ribeiro, que desta vez conta-nos a história de Torres Novas, cidade do Distrito de Santarém - Portugal e dá continuidade ao seu trabalho de pesquisa sobre a formação das Grutas (Cavernas);

     Em "Poesia", contamos com a participação de renomados poetas do nosso Portal CEN

Elane Tomich
Maria Angélica Fontes Pereira de Mello 
Nadir A D'Onofrio

     E finalmente na  seção entrevista, teremos o prazer de conhecer a escritora mineira Imaculada T. Campos (ImaCampos).

Uma Boa Leitura!

A Editora

Torres Novas (cidade do Distrito de Santarém - Portugal)

        Remonta a mais de um milénio o interesse suscitado a muitas civilizações por esta morada cujos atributos nunca deixaram de ser cobiçados. Atestam-no o inúmero e variado património cultural e monumental existente. Deslumbra o verde dos campos de milho, nos vinhedos e na reserva do Paul do Boquilobo, um reserva de riquíssimo valor ornitológico onde, pelo final da Primavera, nidificam milhares de garça, confirmando que tudo se mantém, como outrora, em perfeita ordem natural, com um número de plantas diferentes mas de igual beleza, que emanam um aroma saudável que apetece partilhar. Ao longe, a silhueta da soberba Serra de Aire, beijada pelos laranjais da Chancelaria a atoalhada por extensos olivais e pequenos campos de centeio, que completam este belo quadro natural.
          A cerca de 2 Km da cidade, encontra-se a Vila Cardílio, uma estação romana que encerra interessantes quadros de moisaco e vestígios de estrutura da antiga quinta romana. Também a esta distância, encontram-se as Grutas de Lapas, que são caracterizadas por formações labirínticas, desde sempre dadas a interpretações fantasiosas. São tidas como testemunho da acção do homem neolítico. A 6 Km, encontra-se a Gruta da Nascente do Almonda, inserida no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, e esta gruta é considerada a maior cavidade natural existente em Portugal. Tem sido palco de actividades espeleológicas e campanhas arqueológicas. A 7 Km fica o Parque Jurássico, em plena Serra de Aire, onde se encontra a maior extensão de pegadas de dinossáurios. A sucessão de estratos rochosos remonta a um passado de cerca de 170 milhões de anos.

 

 

O Castelo

 

          "Com uma construção que remonta a épocas distantes, o castelo de Torres Novas foi uma fortaleza árabe antes do início da reconquista cristã. Em 1147/48 foi conquistado aos mouros por D. Afonso Henriques, para, passado algum tempo, voltar a ser tomada pelos muçulmanos. A fortaleza é definitivamente reconquistada por D. Afonso, filho de D. Sancho I, em 1190.  Os inúmeros ataques inimigos, tanto por parte dos mouros como durante o período de guerra com Castela, provocaram a destruição desta antiga fortaleza e da sua cerca. As muralhas e torres do castelo foram, por isso, mandadas reconstruir, em 1374, por D. Fernando. Mais tarde, com o terramoto de 1755, o castelo foi também uma das construções da vila que mais danos sofreu. O recinto do Castelo foi cedido à Câmara Municipal por carta de lei datada de 3 de Abril de 1839, mas o Cemitério Municipal já aí estava instalado desde 1835, onde permaneceu até 1935. Quanto às muralhas da cerca, passaram para posse da Câmara só em 1923, por despacho do Ministro da Guerra. Na alcaidaria funcionou, até 1961, a cadeia comarcã de Torres Novas.
          Por decreto de 16 de Junho de 1910, o castelo de Torres Novas foi classificado monumento nacional."
In "Memórias da História - Roteiro"


          O Rio Almonda bordeja a Norte, no ser percurso sinuoso, o núcleo histórico de Torres Novas e desenha-lhe, de certo modo, a configuração. Com o Almonda, as edilidades dos anos 30 fizeram o parque da vila. Construiu-se uma avenida elegante, uma latada e foi represado o afluente do Rio Tejo. Cresceram depois os choupos e os chorões e deslocou-se o Centro da vila de praça do Rossio para um novo centro de convívio e lazer. Neste local tiveram lugar, antes da poluição do rio, concursos internacionais de pesca. É do parque que o Castelo de Torres Novas deve ser admirado. É um castelo do século XlV, senhorial, morada de alcaides, que impunha o seu perfil à povoação, a qual, em redor da mansão do senhor, cresceu para Sul e Nascente. Contudo, naquele lugar outro castelo deveria existir, já que foi achada uma celada de peão datável do século Xll no recinto muralhado, que está exposta no Museu Municipal. Mas se o castelo é um monumento de prestígio, tal como igrejas e capelas do burgo. O Ria Almonda tinha outrora um complicado sistema de aproveitamento agrícola e industrial. Levadas, açudes, moinhos, azenhas, tarambolas, constituíam o sistema tecnológico de aproveitamento da água e sua transformação em energias cujas origens remontam à Idade Média. Um conjunto de pontes – Pontes do Moinho de Pau, da Ribeira, dos Pimentéis, do Ral, da Levada – punha em contacto a zona agrícola com a área urbana.

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal

http://leiteribeiro.portalcen.org

   

Formação das Grutas (cavernas)

Continuação... 

A BIOLOGIA NAS CAVERNAS

Bioespeleologia: a ciência da vida nas cavernas
          A bioespeleologia é a ciência que estuda os organismos e sua relação com o ambiente cavernícola, bem como o meio externo ao qual a caverna está associada. A parir deste princípio podemos citar algumas subdivisões de estudos.
          O ambiente cavernícola: Em qualquer região natural, os organismos e o meio ambiente inter-relacionam, para promover uma troca de matérias (Orgânicas e inorgânicas). Assim, a uma mata tropical corresponde uma flora e fauna diferente da existente em um cerrado, em um deserto, nas profundezas do mar ou em uma caverna.
Uma subdivisão da Biosfera (fina camada em torno de nosso planeta onde existe vida) são os domínios que definem os vários habitats.
          Estes domínios são o Paraepígeo, o Epígeo, o Endógeo, o Proepígeo e o Hipógeo, correspondente a uma divisão descendente dos habitats, que vão desde os topos das grandes matas até as profundezas das cavernas, acima e abaixo do lençol freático.
          O Domínio Hipógeo, que inclui as cavernas, as fraturas das rochas, as minas artificiais e o meio intersticial, é, portanto, o que interessa aos bioespeleólogos, apesar de que, só por meio de um estudo mais abrangente e comparativo, é possível entender a especificidade do ambiente das cavernas.

A comunidade cavernícola
          A comunidade, no sentido ecológico, inclui todas as populações de uma dada área: população de organismos tanto da espécie vegetal como a da animal.
          Comunidade e ambiente inerte estão interrelacionados e interatuam para promover uma troca de materiais entre si, funcionando como um sistema: o ecossistema.

          Espeleotema conhecido como bacia de travertino, formada em uma das galerias da Caverna dos Paiva Para uma compreensão da função e estrutura de um ecossistema, tomemos uma plantação como exemplo:
          A luz, fonte de energia, é introduzida no sistema vivo por intermédio dos produtores (organismos autótrofos, principalmente as plantas verdes), que sintetizam carboidratos (glicose) pela fotossíntese.
          Estas plantas vão servir de alimento a pequenos roedores denominados consumidores primários (organismos heterótrofos que conseguem energia por meio dos produtores). Os roedores vão servir de alimento para cobras, que são consumidores secundários (animais que obtêm energia indiretamente dos produtores), que por sua vez servirão de alimento para as aves de rapina (consumidores terciários).
          Fungos e bactérias (decompositores) que vivem no solo descompõem a matéria orgânica das plantas e dos animais mortos, devolvendo-a ao meio ambiente.
          O arranjo produtor-consumidor-decompositor é denominado cadeia alimentar, e a cada passagem alimentar (ou nível trófico) há uma diminuição e perda de energia para o meio ambiente.
          Nas cavernas, no entanto, pela ausência de luz, não sobrevivem as plantas clorofiladas, que são a base da cadeia alimentar. Algumas bactérias conseguem produzir alimento no escuro, contribuindo para o suprimento alimentar da comunidade cavernícola. Assim, no interior dessas cavidades existe um tipo de cadeia alimentar que se inicia pela matéria vegetal ou animal morta e parcialmente decomposta e cujos consumidores primários são denominados saprófagos.
          O ambiente das cavernas se caracteriza por um pequeno suprimento de alimentos que são geralmente importados do meio externo por animais ou correntes d'água.
    

(Continua na próxima edição)

Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org
  

FINÓRIO
Elane Tomich
 

 Sobre a barba escanhoada
 um perfume de Água Velva
  gumex nos meus cabelos
 irresistível, amada!
 Faremos amor sobre a relva
pelo verde, verdes pelos.
 
Sobre a serra entrecortada
 cipós de circo e de selva
apelo aos teus cachos belos
teias  amaranhadas
 tranças de tantas evas
 dentre coxas, escaravelhos.
 
Sinto-me lobo de esquina
rodopiando a corrente
 patec fhilipe  quebrado
marcando um beijo de quina
a chacoalhar qual serpente
veneno em teus lábios rosados.
 
Escavarei  estas minas
d'onde jóia  és premente
num querer  cristalizado
que fluído não termina
mesmo mentindo o que sentes,
açude desembestado
 

AMOR PARASITA - MARIA ANGÉLICA FONTES PEREIRA DE MELLO

          Quero expulsar da minha boca, o sabor silvestre dos teus lábios molhados.
          Arrancar do coração o amor parasita de raízes profundas, que envolve e me suga a razão. Apagar para sempre a paixão secreta que em beijos selvagens esconde do mundo um amor vampiro que me devora.
          Esquecer o néctar doce e amargo que como um veneno, impregna meu corpo até à exaustão e num domínio suave maneja os sentidos sem precisar pedir nada.
          Destruir as páginas escritas pela nossa história para fugir do perigo de as voltar a ler.
          Quero aprender a lutar na invisível batalha da alma, que me ensinará a te encontrar e num sussurro de amor, não me entregar novamente!

SUA ETERNA MENINA

Nadir A D’Onofrio

Menina... assim me chamas
Assim que sou...
A mulher que você diz amar
Que feliz te faz
Companheira de longa jornada...

Deusa que te inspira
A luz do luar que te acaricia
Sou a brisa que te arrefece
O sol que sempre te aquece
O ar que você respira...

Hoje ainda interrogativa
Vejo nos teus olhos
O mesmo brilho de amor
Pergunto...ainda me amas?
Afinal...a mocidade há muito se foi
Meu rosto... perdeu o brilho da porcelana....

Encontro a resposta
No toque de tuas mãos
Teus suspiros de desejos
Nos beijos que você me dá!
Como não me sentir novamente menina...
Com todo dengo que você me dá !

Praia Grande
01/05/2004

Apresento-lhes:

ImaCampos

A Gruta da Poesia: Qual o seu nome, em que data você nasceu, que profissão você exerce e onde você mora?
ImaCampos: Maria Imaculada Teixeira Campos, moro em Belo Horizonte - MG, nasci em 06/04. Sou pedagoga e psicóloga. Trabalho em Universidade em Belo Horizonte - MG.

A Gruta da Poesia: Gostaria de falar da terra em que vive?
ImaCampos: Belo Horizonte foi uma cidade projetada para corresponder aos anseios do Brasil República.  Foi um espaço-aberto para novas linguagens e estilos arquitetônicos.
A localização de Belo Horizonte foi escolhida por seus idealizadores. Integrando a bacia do rio São Francisco, Belo Horizonte tem sua malha hidrográfica composta principalmente, pelos ribeirões Arrudas e do Onça, ambos afluentes do rio das Velhas.
A maior parte do município, com uma área de 335Km2, SITUA-SE A 852,19 metros de altitude. Em alguns pontos, como o topo da Serra do Curral, atinge 1.500 metros. O clima é  ameno, com temperatura média anual em torno de 20, 50C e regime sazonal de chuvas: estações úmidas, chuvosas e secas.
A arquitetura dos anos 80 reflete o período de grande efervescência cultural. Foram erguidos obeliscos de mármore, igrejas modernas e edificações com novos materiais, que podem ser vistos em diversos pontos da cidade, incluindo a Praça da Liberdade. Neste espaço encontram-se os três grandes monumentos da arquitetura da cidade.
Na Praça da Liberdade  e em vários outros pontos da cidade podem ser vistos belos e imponentes exemplares do ecletismo, com fortes traços do bolo neclássico. Estilo predominante do século XIX, oferecia a liberdade estética almejada pelos republicanos. Era a transição entre o velho e o Novo, entre a Arte e a Técnica.
A Praça da Liberdade abriga um dos mais belos prédios : O Palácio da Liberdade, sede do Governo do Estado de Minas Gerais.

A Gruta da Poesia: Lembra-se de quando começou a escrever? Teve a influência de alguém para começar a escrever ? Lembra-se do seu 1º trabalho literário?
ImaCampos: A influência para escrever veio de meu pai que escrevia tudo.Um auto-didata.
Se é que posso chamar de primeiro trabalho foi um pseudopoema escrito em 8 de março de 2003 e publicado por aqui num site. Mas antes escrevia só pra mim mesma.

A Gruta da Poesia: Você tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? Tem livro (s) electrónico (e-book) ? Quais os seus projectos literários para este ano ?
ImaCampos: Não tenho livro publicado, tampouco livro eletrônico. Tenho um projeto de escrever um livro, mas ainda não sei para quando, pelo meu trabalho em Universidade.

A Gruta da Poesia:  Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? Como Escritor (a) ? Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? Tem prémios literários ?:
ImaCampos: Falar de mim. Difícil, mas falarei o que considero mais forte.
Sou uma pessoa muito sensível, amável, de bem com a vida . Amo as pessoas e amo ajudá-las no que posso. Até pela profissão que exerço, tenho um carinho muito grande com crianças, idosos e pessoas de uma forma geral. Adoro música, poemas, a boa literatura. Tenho estado em contato com poetas brasileiros, portugueses através da Internet.
Considero a escrita uma forma de falar de sentimentos em geral e não sinto que é fácil (pelo menos para mim), escrever seja tão fácil. É preciso inspiração, muita mesmo.
Às vezes escrevo ouvindo uma música marcante, mas atualmente tenho tido pouco tempo para isto e dificuldades. O trabalho acadêmico tira-me esta possibilidade, mas irei investir ainda este ano.
Tenho apenas artigos científicos publicados em revistas da área educacional e nenhum prêmio.

A Gruta da Poesia: Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ?:
ImaCampos: Leia bastante e não pare nunca, pois escrever é terapia e sabedoria não ocupa espaço.

A Gruta da Poesia: Para terminar esta agradável "conversa", queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:
ImaCampos: Tenho alguns pequenos poemas que poderia enviar. Mas enviarei escaneado, são grandes.
Obrigado Iara pela oportunidade e espero logo poder contribuir muito e quem sabe enveredar pelo caminho da Literatura.
Parabéns pel
a Gruta da Poesia, pelo seu trabalho especialmente. E pelo PORTAL CEN MIL.

Agradecida e beijos
Imaculada T.Campos

Minha Sensibilidade

ImaCampos


Sinto fluir minha sensibilidade
Salta aos meus olhos uma energia
que se multiplica ao sabor do tempo
Trazendo para fora marcas de meu conhecimento

Reajo com prazer ao movimento
que faz com que eu perca neste meu momento
sinto  uma necessidade de imaginar
aquilo que para mim foi um sofrimento

Nada a temer, nada a explicar
sinto-me solta , numa criação que mal percebo
o que dizer
mas digo de uma forma tão real
que às vezes penso que o que digo
pode fazer  mal à mim e àqueles a quem me dirijo
Interlocutores que se envolvem
esperando encontrar ali
algo que os toque, que os leve a refletir.

Entrego! Não tenho medo
pois tudo que para mim
parece um vazio, sem solução
pode transformar-se em algo
produtivo, cheio de  questionamentos
ou simplesmente uma confirmação daquilo que já vi ou que verei
se por acaso um dia deter-me
Novamente neste tom

O meu muito obrigada aos colaboradores
e a você leitor amigo.
Até a próxima edição.

Abraços.

Iara Melo

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