Caros Amigos Leitores,
Nesta edição de novembro, contamos mais uma vez com a
preciosa colaboração de Carlos Leite Ribeiro, que desta vez conta-nos a
história da bela cidade de Tomar.
Benedita Azevedo, vencedora do 1º lugar do
grande desafio do 17º Encontro Brasileiro de haicais, despertou a
atenção para o tema e nos enviou um valioso texto explicativo sobre
haicais.
Em "Poesia", contamos com a
preciosa participação dos ilustres poetas:
Lucia Trigueiro
Roberto Lacerda
Selma Amaral
E
finalmente na seção entrevista, teremos o prazer de receber no nosso Portal a já
conhecida e excelente escritora alagoana Lêda Yara.
Uma Boa Leitura!
A Editora

Tomar (cidade)



Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro
Parece que o nome de Tomar, se não é propriamente árabe, foi, pelo menos resultante de
uma arabização e por intermédio dos árabes o recebemos. Também segundo parece, foi a
vegetação local e nas águas do rio Nabão, o motivo da escolha do nome, que
anteriormente tinha sido potamónio, o que não prejudica o parecer, pois bem aceitável
é a hipótese de os mouros terem dado ao rio um nome provocado pela abundância da tal
planta - o tomilho que se encontra em abundância neste rio. O tomilho, planta
labiada, era conhecida dos gregos; mais tarde os romanos trouxeram o nome para a
península (THYMUS), os mouros nacionalizaram-na segundo a sua índole da sua língua e
foi assim nacionalizado, isto é, arabizado, que deu a forma "thomar" mais tarde
Tomar. Esta cidade, sede de um concelho cujos limites se aproximam daqueles que
constam da doação do Castelo de Cera aos Templários, em 1159, conserva ainda inviolados
os mistérios da sua origem e simbolismo arquitectónico.
No local da actual Tomar já existiram as cidades romanas
de Nabantia e Sellium.
Depois da conquista da região aos mouros pelo Rei Afonso I
de Portugal, a terra foi doada como feudo à Ordem dos Templários. O Grão-Mestre desta
Ordem, Dom Gualdim Pais, iniciou em 1160 a construção do Castelo e Convento que viriam a
ser a sede dos Templários em Portugal. O Foral foi concedido por D. Gualdim em 1162. De
Tomar os Templários governavam vastas possessões do centro de Portugal, que estavam
obrigados a defender dos ataques vindos dos estados islâmicos a sul. Como muitos senhores
das então pouco povoadas regiões da fronteira, aos vilões foram concedidos muitos
direitos que não tinham os habitantes do Norte do país. Aqueles que podiam sustentar um
cavalo estavam obrigados ao serviço militar em troca de privilégios. As mulheres também
podiam ingressar na Ordem, mas não combatiam.
Em 1190 a cidade foi cercada pelo Rei Almóada Yakub de
Marrocos, mas os Monges Cavaleiros tiveram sucesso em defendê-la sob comando de Guladim
Pais.
Em 1314, sob pressão do Papa, que queria abolir a Ordem
Templária de toda a Europa, o Rei D. Dinis, persuadiu antes o Vaticano a criar a nova
Ordem de Cristo e transferir todas as propriedades e pessoal dos Templários para esta.
Este Ordem foi sedeada primeiramente em Castro Marim em 1319 mas em 1356 regressou a
Tomar. No Século XV o clérigo Grão-Mestre passou a ser nomeado pelo Papa, enquanto o
leigo Mestre ou Governador passava a ser indicado pelo Rei, em substituição de serem
ambos eleitos pelos freires. O Infante Dom Henrique foi designado mais tarde Governador da
Ordem, e acredita-se que os recursos e conhecimentos desta lhe foram cruciais para o
sucesso das suas expedições para Africa e o Atlântico. A Cruz da Ordem de Cristo era
pintada nas velas das caravelas que partiam, enquanto todas as missões e igrejas cristãs
além-mar permaneceram sob jurisdição do Prior de Tomar até 1514. A ainda existente
Igreja de Santa Maria do Olival, com os seus símbolos místicos Templários foi
construída como igreja-mãe de todas as novas igrejas construídas nos Açores, Madeira,
Africa, Brasil, Índia e Ásia.
O Infante Dom Henrique foi o primeiro depois de Gualdim
Pais a renovar todo o complexo do Convento de Cristo. Além disso desviou o rio Nabão,
permitindo drenar pântanos e prevenindo cheias. Deste modo a cidade conseguiu aumentar
significativamente de tamanho. As novas ruas foram desenhadas na forma geométrica de hoje
segundo as suas orientações.
Em 1438, o Rei Dom Duarte, fora de Lisboa devido à Peste
Negra, morreu em Tomar.
Com a expulsão dos Judeus de Espanha em 1492, a cidade
acolheu grande numero de artesãos, profissionais e mercadores refugiados. A muito
significativa população judaica deu novo ímpeto à cidade, com a sua experiência nas
profissões e no comércio. Estes foram vitais para o bom êxito da abertura das novas
rotas comerciais em Africa na época dos Descobrimentos. A sinagoga original, mandada
construir pelo Infante Dom Henrique, ainda existe. Durante o Reinado de Dom Manuel II o
Convento tomou a sua forma final no novo estilo Manuelino. Com a crescente importância da
cidade enquanto mestre do novo império comercial português, o próprio Rei pediu e
recebeu do Papa o titulo de Mestre da Ordem. Depois do estabelecimento de um Tribunal da
Inquisição na cidade, iniciou-se a perseguição dos judeus e cristão-novos, que chegou
a um máximo por volta de 1550. Muitos conseguiram fugir para a Holanda, Império Otomano
ou Inglaterra. Centenas de outros foram presos, torturados e executados em Autos-de-Fé.
Muitos mais foram expropriados pois como os bens expropriados revertiam para a própria
Inquisição, a esta bastava apenas uma denuncia anónima e a ascendência judaica para
expropriar qualquer rico mercador, fosse este Cripto-Judeu ou Cristão-Novo. Com os
distúrbios económicos que esta perseguição fanática provocou, a cidade perdeu grande
parte do seu dinamismo económico. Ainda hoje são muito comuns os nome cristão-novos
entre os habitantes de Tomar.
Em 1581 a cidade acolheu as Cortes que aclamaram o Rei
Filipe II de Espanha como Filipe I de Portugal.
Durante o Século XVIII Tomar tornou-se numa das cidades
industrialmente mais vibrantes de Portugal. O Marquês de Pombal abre em 1789 a Real
Fábrica com um mecanismo hidráulico inovador. No Reino de Maria I foi fundada outra
Fábrica de Fiação por Jácome Ratton. O fluxo do rio era usado para produzir trabalho
nesta e em muitas outras industrias, com as do papel, vidro, sabões, sedas, metalúrgicas
e outras.
Tomar esteve sob ocupação militar durante as Invasões
Francesas ordenadas por Napoleão Bonaparte, contra a qual se revoltou. Foi liberada pelas
tropas luso-inglesas de Wellington.
Em 1834 foi abolida a Ordem de Cristo juntamente com todas
as outras ordens religiosas em Portugal.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro Marinha Grande Portugal
http://carlosleiteribeiro.portalcen.org

Dentro do balaio,
enroscados uns nos outros...
Filhotes de gato.

Benedita Azevedo
1º lugar no 17º Encontro Brasileiro de Haicai 05 11 2005
Mas... O que é haicai?
Haicai é uma "Pequena composição poética japonesa, em que se cantam as
variações da natureza e a sua influência na alma do poeta. Consta de dezessete
sílabas, divididas em grupos de cinco, sete, cinco."
Michaelis: Moderno
Dicionário da Língua Portuguesa;
1998; Companhia Melhoramentos, p. 1068.
Exemplo:
Um corvo pousado
sobre um galho ressecado:
É tarde de outono.
( Bashô )
Mas, Segundo Harold G. Henderson, em Haiku in English, o
haicai clássico japonês obedece a quatro regras:
. Consiste em 17 sílabas japonesas,
divididas em três versos de 5, 7 e 5
sílabas.
. Contém alguma referência à natureza
(diferente da natureza humana).
. Refere-se a um evento particular (ou seja,
não é uma generalização).
. Apresenta tal evento como "acontecendo
agora", e não no passado.
Sob uma visão prática, o haicai é a menor descrição
que existe. Temos que descrever uma cena com 17 sílabas métricas, de tal forma que o
leitor a visualize como se visse uma fotografia.
Está ligado aos termos de estação. Para que o poemeto
seja um haicai, precisa se referir a aspectos da natureza ligados às 04 estações.
Outono, Inverno, primavera e Verão. Ou eventos que aconteçam no decorrer de cada uma.
Os livros de haicai costumam ser impressos no formato
15X15, usando um haicai no centro da página. Hoje temos muitos escritores de haicai, no
Brasil. Atualmente, já temos muitos livros no formato 14 X 21, geralmente com três
poemas por página.
O haicai é de origem japonesa, mas está inserido na
Literatura Brasileira, com características próprias desde Guilherme de Almeida. Assim
como o soneto foi introduzido à Literatura Portuguesa por Sá de Miranda, vindo da
Itália, e está incorporado às nossas literaturas: Portuguesa e Brasileira, assim,
também, o haicai faz parte da Literatura Brasileira desde 1919.
Muito em breve estarei publicando em livros eletrônicos
meus 500 haicais, acompanhados de uma monografia básica, para quem quiser praticar essa
forma sintética de descrever a natureza.
Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2005.
Benedita Silva de Azevedo

Mãe Natureza
Essência Universal
Lucia Trigueiro
Venha com todos seus fenômenos
forças ativas em todo o Universo
irrefletida muitas vezes pela nossa consciência
incapazes de alcançarmos
intelectualmente a sua essência
que seja captado pela nosssa sensibilidade.
Concede-nos a chuva em pequenas partículas
jorrando sobre nós
energias transmitidas por ondas
eletromagnéticas positivas
trazendo substância ou recurso utilizado
para combater a cura de todos os males.
Que seja o sol grande Astro Rei
a essência necessária cuja expressão
seja de alívio trazendo claridade
brilho... esplendor de luz
emitindo súbito... intensamente raios luminosos
para aqueles que caminham na escuridão.
Lua desloca-se de posição
tornar-se visível no céu noturno
dando-nos direção ao nosso destino
afastando... desviando o conjunto de tendências
ou instintos de ofensa que regem
o nosso comportamento.

CECÍLIA - O MAR E A ILHA

ROBERTO DE LACERDA
Acaso eu fosse o mar minha CECÍLIA
Nas minhas águas ia navegar
Mas eu não sou o mar sou uma ilha
Cercado de angústia a lamentar
Das minhas profundezas cantaria
Um choro de alegria a soluçar
E o verde da esperança sorriria
Num sonho que jamais ia acordar
É pena eu não ser mar amor-menina
Somente uma ilha o que fazer?
Longe do Continente na neblina
Não vejo o sol dos dias florescer
Mas a maré da vida nos ensina
Que a terra pode virar mar meu bem
Depois da tempestade que alucina
No abismo a ilha vai ser mar também
CECI a vida é um grande barco errante
Que parte antes mesmo de aportar
Os sonhos de amor: maré montante
As lágrimas de dor: fundo do mar
(13/10/2005)

AMOR E PAZ
Selma Amaral Barbosa Leite
A qui, ali e acolá
M ais hoje do que ontem
O utrora menos que agora
R einam em meu coração
E ternamente
P orque vêm do Ser Maior e
A ntes de qualquer outro sentimento
Z elo para que habitem sempre em meu coração.
Arcoverde/PE/Brasil |

Conosco:

Lêda Yara
A Gruta da Poesia:
Qual o seu nome, em que data você nasceu, que profissão você exerce e onde você mora?
Lêda Yara: Lêda Yara Motta Mello / Data de nascimento:
13.07.1954 / Profissão: Terapeuta e Consultora de Empresas, na área de Crescimento
Pessoal.
A Gruta da Poesia: Gostaria de falar da terra em que vive?
Lêda Yara: Sou alagoana. Aqui nasci e tenho vivido. Alagoas é o
"Paraíso das Águas" e este cognome tem razão de ser. As praias são lindas,
de um mar azul-turquesa e céu limpinho. O Velho Chico, também, passa por aqui para se
encontrar com o mar. É um lugar bonito e bom de se viver. Gosto da simplicidade e
acolhida do nosso povo. Enfim, amo este pedacinho de chão.
A Gruta da Poesia: Lembra-se de quando começou a escrever?
Lêda Yara: Tenho um caderno de folhas amareladas pelo tempo. Nesse
caderno, estão anotados os meus sonhos da puberdade. Pela data do primeiro texto, eu
tinha 12 anos quando o escrevi. Mas, os "repentes" nordestinos sempre foram a
minha paixão e lembro que, ainda criança, gostava de brincar com versos nesse
estilo, embora não os tenha anotados.
A Gruta da Poesia: Você teve a influência de alguém para começar a
escrever ?
Lêda Yara: Acredito que, a princípio, fui influenciada pelos
"repentistas" nordestinos. Depois, vejo a influência de Vinícius de
Moraes no meu gosto pelos sonetos.
A Gruta da Poesia: Lembra-se do seu 1º trabalho literário?
Lêda Yara: Lembro, sim. Eu cursava o ginasial (no meu tempo era
ginasial!). Fiz um poema para as mães, e o apresentei no grêmio estudantil.
Depois, o poema foi para o mural e daí para o jornal do colégio.
A Gruta da Poesia: Você tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? Tem
livro (s) electrónico (e-book) ? Quais os seus projectos literários futuros ?
Lêda Yara: No momento tenho, apenas, um livro impresso: MEUS SONHOS,
publicado em 2003, pela Editora Imprima. É um livro de poesias. Não tenho e-books
publicado. Pretendo continuar publicando meus poemas. Tenho poemas guardados, o
suficiente para mais de dois livros. Preciso, no entanto, encontrar uma editora.
Ultimamente, tenho escrito, também, muitos textos na área de crescimento pessoal, em
razão das palestras e cursos que ministro. É um dos meus sonhos vê-los publicados.
A Gruta da Poesia: Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana, como
escritora, para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ?
Lêda Yara: Quem sou? Esta é uma das grandes perguntas existenciais!
Aprendi a ver a vida com simplicidade, a me aceitar e aceitar os outros do jeito que são.
Assim, considero-me uma pessoa de bem com a vida, comigo mesmo, com os irmãos de
caminhada, com o Universo e com o Divino. Como escritora, não sei... Apenas, escrevo.
Escrevo o que penso e o que sinto. A inspiração vem da própria vida e da
observação do cotidiano. Às vezes, preciso de um ambiente tranqüilo para escrever.
Outras vezes, os textos nascem em qualquer lugar.
A Gruta da Poesia: Você tem prêmios literários ?
Lêda Yara: Ainda não.
A Gruta da Poesia: Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a
escrever ?
Lêda Yara: Antes de tudo, humildade. Para penetrar na beleza do universo
e da vida é preciso despojamento. Depois, é preciso cuidar bem da Criança que há em
todos nós. É essa Criança quem cuida da nossa criatividade e guarda os nossos
sonhos.
A Gruta da Poesia: Para terminar esta agradável "conversa",
queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso)
?
VEM COMIGO!
Lêda Mello
Vem comigo!
Pousa teus pertences
na carruagem do amor
e embarquemos leves,
rumo ao país do encanto,
onde o sonho e a realidade
fundem-se no calor
do encontro de duas almas.
Junta aos meus sonhos
os teus sonhos mais bonitos.
Celebraremos a dois
os milagres da vida em amor
e do amor em nossas vidas.
No acalanto do abraço
adormeceremos o cansaço
das lidas e percalços
que o viajor encontra
ao longo do caminho
na estrada do viver.
Acariciaremos sem medo
a criança que há em nós.
Deixaremos que sorria, livre,
descobrindo a vida,
crescendo em afetos.
Juntos colheremos
as flores que brotarem
da vida partilhada,
espargindo seu perfume
no nosso leito de amor.
Vem comigo!
E terás contigo a glória
de sentir-se amando e amado.
Compreenderás, então,
que uma vida é pouco
para quem ama tanto assim.
Arapiraca(AL), 26.06.2004 |

O meu muito obrigada aos
colaboradores
e a você leitor amigo.
Até a próxima edição.
Abraços.
Iara Melo
