Revista “Sinfonia em Blu"

 6 ª edição

Ano 1 - Setembro de 2006

TEREZINHA MANCZAK

Blumenau SC - Brasil

 

 
NOTÍCIAS - ENTREVISTAS - PROSA E POESIA
 

Queridos amigos  de todas as letras!
Com prazer comunico que dia 1º de Outubro embarcarei juntamente com Isnelda Weise e Marcelo Steil, representando o grupo M.E.L., ( Movimento de Estudos Literários) para participar do XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA “Os Caminhos de Quintana”
Bento Gonçalves – RS – 2 a 7 de outubro de 2006

Envio anexo a programação completa para quem ainda não tem e que queira reunir-se conosco em Bento. Será uma semana inteira de pura poesia.
Na próxima edição, contarei detalhes do encontro.
Beijos e até lá!
Terezinha

POEMAS


 
Encontrei-te

Iara Melo
 

Digo-te que há tanto
Espero por este momento,
Quantas horas sonho em ter-te um dia
Busquei-te nos lugares mais longínquos
Naveguei tempestades em calmaria
Saciando minha sede a esperança
De que um dia chegarias
Digo-te sem receio
Que o desejo que invade-te,
É o mesmo que invade-me sem medo,
Nas curvas do meu corpo
Encontro tuas mãos macias,
Nos lábios sinto teu beijo alucinado
Na íris dos teus olhos encontro harmonia,
Todos os medos foram-se em desespero
Por mirarem a chama do amor que
Nos radia.
Minhas mãos procuram-te
Aconchego-te em meu peito
Tocas-me suave sinfonia,
Nossas almas arfam sem receio
Pelo desejo não ser somente um dia
 Digo-te que esta hora é mais
Que uma hora
Por nosso amor não ser mera ventania.

***
 
 
A Dança do Beijo

Iara Melo
 

Ao som da orquestra
Sob o cintilar das luzes da cidade
Nossos corpos envoltos
Bailam música suave
Nossas mãos envolvem-se
Num aconchego delirante
Somos só nós dois
Indiferentes, imperceptíveis
A coroar encontro de
Corpos e Almas
Rostos colados, suados
No calor do desejo aflorado
Nossas bocas não mais se contêm
Selam o nosso amor
Num ardente, febril desejo
Coladas permanecem
Bailando tal qual música
Envolvente
Línguas que vão ao céu da
Infinita boca
Arrepiando nossas peles
Certificando finalmente
Que nos encontraríamos. 


 ***
 
Negras memórias 
A José Bento Rosa


A pele é negra
A minha pele
Tem que ser negra
O olfato negro...
Ao fato negro
O fator negro
É sempre negro
O poder negro
Do mercado negro
Quer manchar nossa história
Que compõe nossa estória
Que é sempre negra
Como meu passado é negro
Que tem o tom da minha pele
Cor negra por todos os lados
Cor de ébano!
Como minha memória...
Negras memórias!
De um pobre negro...
Do negro pobre
Que é sempre negro
Como meu passado negro
Que não é negro
Mas é negro!
Tão negro como minha pele...
... negra
Pois tenho origem no velho continente
O velho mundo
Que é negro
Assim como minha pele
Que é negra
Pois somos!
Os braços!
As pernas!
A nação proletária
Com as costas marcadas
Das chibatas
Negra...
Que movimentaram
Que movimentam
Que movimentarão
O futuro...
Desta Terra
De novo mundo...
Sou negro
Assim como minhas...
...memórias
Que alguns tentam
Em vão apagar
Minha consciência é negra
Meu passado é negro
Meu futuro há de ser negro

Samuel Congo da Costa (poeta de Itajaí)



***


Da Série Animais no poeta - Cavalo para m.
ainda que não goste.


a inquietude comove
remove
galope

o olhar soslaia
medos e poros

sou
assédio
limpeza de cascos
sela

cavalo mesmo
que mais não quero


® Rubens da Cunha

Ontem:
Aguia perdida,
abismo inverso,
texto jogado fora.

O ontem não se recupera,
não retorna,
não permanece além da memória.

O ontem se definha em antesdeontem.

Costuma se agarrar nas rugas,
nas rusgas, no remorso, na raiva,
o ontem tem muita vida na vida humana.

Cada boca que pronuncia:
“no meu tempo é que era bom”,
“isso, se fosse no meu tempo não aconteceria”,
faz com que o ontem germine imperativo,
acredite-se necessário,

faz dele espécie de sustentação invisível do viver.

É como se fôssemos os verbos
que conjugamos no pretérito.

Melhores porque acontecidos.



® Rubens da Cunha

 

Transportes e escrita

Trabalho com transportes há anos. Vou tentar explicar como exerço duas atividades tão díspares: escrever e ser operacional em uma transportadora. Normalmente, acham que eu sou jornalista, funcionário de A Notícia, professor, redator, por isso quando falo de minha atividade profissional - aquela que paga o aluguel - olham-me de soslaio, e um "como é que pode?" nasce no rosto das pessoas.
Para os mais curiosos, explico: quando comecei a trabalhar em uma transportadora, a escrita ainda não era um processo tão forte em mim, e transportes, assim como a docência, a prostituição, a medicina, é meio que para a vida toda. Você pode até sair, mas sempre vão lhe apontar na rua, relembrar o passado, pedir uma receita, ou no caso dos transportes, falar de cargas, cubagem, pneus, o estado deplorável das estradas, o preço humilhante dos fretes.
No transporte, por mais planejado que seja, um horário é algo sempre maleável: acidente, pneu furado, nota fiscal que não sai e carga devolvida por não estar de acordo com o pedido servem de atrapalhamento para o planejado. Na escrita, não são poucos os casos de autores que alteram a rota de um texto no meio do processo criativo. Nas duas atividades é preciso dar espaço à imprevisibilidade. Aliás, o imprevisível é o principal estigma do escrever e do transportar.
Dentro dos transportes há uma classe de profissionais das mais peculiares: os carreteiros. Eles têm uma linguagem própria, alguns são tão entranhados nos caminhões que fica difícil distinguir onde começa um e termina outro. É um território ainda com a supremacia masculina. As raras mulheres carreteiras são tratadas quase como ponto turístico: todos olham, admiram, se espantam da pouca probabilidade que é ver uma mulher dirigindo uma carreta. Trata-se de mais um espaço a ser conquistado pelas mulheres. Há cem anos, escritoras também eram vistas como algo improvável.
Escritores e carreteiros são obcecados por viagens. Os motoristas seguem asfalto afora, entre cargas e descargas, buracos e pedágios. Apesar dos perigos, dos rebites, dos horários desumanos, da distância da família, todos são muito livres, por isso não largam o osso das estradas. Escritores seguem palavra adentro, entre vazios e contentamentos, inspiração e suor. Apesar da dificuldade em publicar, da quase impossibilidade de viver de literatura, também fazem do dia-a-dia um espaço para o ser livre.
Por isso, fui ficando, conciliando transporte e escrita que em essência são bem parecidos, que em essência estão pactuados com a liberdade.

Rubens da Cunha
 

NOTÍCIAS


'L A B I R Í N T I M O S'
de Tchello d'Barros
na
EBEC GALERIA DE ARTE
Salvador/BA


Tchello d'Barros, artista visual e escritor da cidade de Blumenau/SC, membro da SEB - Sociedade Escritores de Blumenau, apresenta a série de infogravuras "Labiríntimos', na mostra de exposições simultâneas Estesias, realizada pela EBEC Galeria de Arte, em Salvador/BA, integrando o 15º Encontro Nacional da ANPAP - Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas. Participam também do projeto a fotógrafa Ana Glafira e o escultor Fredy Correia. A coordenação está a cargo da crítica de arte Matilde Matos da ABCA - Associação Brasileira de Críticos de Arte.
 
***
Tchello apresentou em Blumenau/SC sua primeira individual: 'Corporificação', na FURB, em 1993, quando no mesmo evento lançou com o poeta Nassau de Souza, 'Hum Gibi Poético', revista onde ilustrou os poemas do poeta. De lá para cá foram mais de 10 mostras individuais e inúmeras exposições coletivas, sempre experimentando suportes, técnicas e linguagens diversas.

Os labirintos são uma temática recorrente na obra do autor. Expôs seus primeiros labirintos em 1994, com pinturas, numa mostra coletiva promovida pela Bluap - Associação Blumenauense de Artistas Plásticos. O mesmo tema apareceu posteriormente num poema concreto que integrou a coletânea Metafísica Cotidiana, em homenagem ao poeta Lindolf Bell. Depois de muita pesquisa, o tema reaparece agora no suporte das infogravuras, com as imagens finalizadas em computação gráfica.

Radicado por uns tempos na ensolarada Maceió/AL, o catarinense tem se dedicado a expor sua produção recente em infogravuras, instalações, fotografias, vídeos e performances, em diversos espaços culturais no Nordeste. Seu trabalho já foi mostrado na Pinacoteca da UFAL, no Museu da Imagem e do Som e no Centro Cultural e de Exposições de Maceió. Em Recife/PE apresentou trabalhos na Galeria Capibaribe na UFPE e no SPA 2006 entre outros, como a histórica biblioteca de Olinda/PE. Em João Pessoa/PB participou da Bienal da Gravura e recentemente expôs no Centro Cultural de São Francisico. Também foi selecionado no Rio de Janeiro no projeto Universidarte, promovido pela Universidade Estácio de Sá.

O primeiro convite para expor numa galeria de arte surgiu ainda na década de noventa, por parte de Lindolf Bell, com sua Galeria Açu-Açu. E outros convites surgiram depois, mas Tchello recusou todos, escolhendo a estratégia de consolidar seu trabalho expondo apenas em instituições públicas, como museus, fundações culturais, universidades e entidades artísticas.
Depois desse percurso, essa é a primeira mostra de suas criações numa galeria de arte, e isso porque o convite partiu da conceituada crítica Matilde Matos.

Sobre as séries de infogravuras escolhidas para esta exposição, mais informações no texto/depoimento do autor, em anexo.

 
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O que:  Exposição  'Labiríntimos' - individual de infogravuras de Tchello d'Barros
Onde:  EBEC Galeria de Arte   (Rua Amazonas, 746  Pituba) Salbador/BA
Abertura:  20 de setembro (quarta-feira), às 19h
Visitação: de 21 de setembro a 15 de outubro (de segunda a sexta-feira das 09h às 19h)
Informações:  71.3240-4743

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Contato:

Tchello d'Barros
82 9918-2013
tchello@tchello.art.br
www.tchello.art.br 
 
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