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NOTÍCIAS - ENTREVISTAS - PROSA E
POESIA
Queridos amigos de todas as letras!
Com prazer comunico que dia 1º de
Outubro embarcarei juntamente com
Isnelda Weise e Marcelo Steil,
representando o grupo M.E.L., (
Movimento de Estudos Literários) para
participar do XIV CONGRESSO BRASILEIRO
DE POESIA “Os Caminhos de Quintana”
Bento Gonçalves – RS – 2 a 7 de outubro
de 2006
Envio anexo a
programação completa para quem ainda não
tem e que queira reunir-se conosco em
Bento. Será uma semana inteira de pura
poesia.
Na próxima edição, contarei detalhes do
encontro.
Beijos e até lá!
Terezinha

POEMAS
Encontrei-te
Iara Melo
Digo-te que há
tanto
Espero por este momento,
Quantas horas sonho em ter-te um dia
Busquei-te nos lugares mais longínquos
Naveguei tempestades em calmaria
Saciando minha sede a esperança
De que um dia chegarias
Digo-te sem receio
Que o desejo que invade-te,
É o mesmo que invade-me sem medo,
Nas curvas do meu corpo
Encontro tuas mãos macias,
Nos lábios sinto teu beijo alucinado
Na íris dos teus olhos encontro
harmonia,
Todos os medos foram-se em desespero
Por mirarem a chama do amor que
Nos radia.
Minhas mãos procuram-te
Aconchego-te em meu peito
Tocas-me suave sinfonia,
Nossas almas arfam sem receio
Pelo desejo não ser somente um dia
Digo-te que esta hora é mais
Que uma hora
Por nosso amor não ser mera ventania.
***
A Dança do Beijo
Iara Melo
Ao som da
orquestra
Sob o cintilar das luzes da cidade
Nossos corpos envoltos
Bailam música suave
Nossas mãos envolvem-se
Num aconchego delirante
Somos só nós dois
Indiferentes, imperceptíveis
A coroar encontro de
Corpos e Almas
Rostos colados, suados
No calor do desejo aflorado
Nossas bocas não mais se contêm
Selam o nosso amor
Num ardente, febril desejo
Coladas permanecem
Bailando tal qual música
Envolvente
Línguas que vão ao céu da
Infinita boca
Arrepiando nossas peles
Certificando finalmente
Que nos encontraríamos.
***
Negras memórias
A José Bento Rosa
A pele é negra
A minha pele
Tem que ser negra
O olfato negro...
Ao fato negro
O fator negro
É sempre negro
O poder negro
Do mercado negro
Quer manchar nossa história
Que compõe nossa estória
Que é sempre negra
Como meu passado é negro
Que tem o tom da minha pele
Cor negra por todos os lados
Cor de ébano!
Como minha memória...
Negras memórias!
De um pobre negro...
Do negro pobre
Que é sempre negro
Como meu passado negro
Que não é negro
Mas é negro!
Tão negro como minha pele...
... negra
Pois tenho origem no velho continente
O velho mundo
Que é negro
Assim como minha pele
Que é negra
Pois somos!
Os braços!
As pernas!
A nação proletária
Com as costas marcadas
Das chibatas
Negra...
Que movimentaram
Que movimentam
Que movimentarão
O futuro...
Desta Terra
De novo mundo...
Sou negro
Assim como minhas...
...memórias
Que alguns tentam
Em vão apagar
Minha consciência é negra
Meu passado é negro
Meu futuro há de ser negro
Samuel Congo da Costa (poeta de Itajaí)
***
Da Série Animais no poeta - Cavalo para
m.
ainda que não goste.
a inquietude comove
remove
galope
o olhar soslaia
medos e poros
sou
assédio
limpeza de cascos
sela
cavalo mesmo
que mais não quero
® Rubens da Cunha
Ontem:
Aguia perdida,
abismo inverso,
texto jogado fora.
O ontem não se recupera,
não retorna,
não permanece além da memória.
O ontem se definha em antesdeontem.
Costuma se agarrar nas rugas,
nas rusgas, no remorso, na raiva,
o ontem tem muita vida na vida humana.
Cada boca que pronuncia:
“no meu tempo é que era bom”,
“isso, se fosse no meu tempo não
aconteceria”,
faz com que o ontem germine imperativo,
acredite-se necessário,
faz dele espécie de sustentação
invisível do viver.
É como se fôssemos os verbos
que conjugamos no pretérito.
Melhores porque acontecidos.
® Rubens da Cunha
Transportes e
escrita
Trabalho com transportes há anos. Vou
tentar explicar como exerço duas
atividades tão díspares: escrever e ser
operacional em uma transportadora.
Normalmente, acham que eu sou
jornalista, funcionário de A Notícia,
professor, redator, por isso quando falo
de minha atividade profissional - aquela
que paga o aluguel - olham-me de
soslaio, e um "como é que pode?" nasce
no rosto das pessoas.
Para os mais curiosos, explico: quando
comecei a trabalhar em uma
transportadora, a escrita ainda não era
um processo tão forte em mim, e
transportes, assim como a docência, a
prostituição, a medicina, é meio que
para a vida toda. Você pode até sair,
mas sempre vão lhe apontar na rua,
relembrar o passado, pedir uma receita,
ou no caso dos transportes, falar de
cargas, cubagem, pneus, o estado
deplorável das estradas, o preço
humilhante dos fretes.
No transporte, por mais planejado que
seja, um horário é algo sempre maleável:
acidente, pneu furado, nota fiscal que
não sai e carga devolvida por não estar
de acordo com o pedido servem de
atrapalhamento para o planejado. Na
escrita, não são poucos os casos de
autores que alteram a rota de um texto
no meio do processo criativo. Nas duas
atividades é preciso dar espaço à
imprevisibilidade. Aliás, o imprevisível
é o principal estigma do escrever e do
transportar.
Dentro dos transportes há uma classe de
profissionais das mais peculiares: os
carreteiros. Eles têm uma linguagem
própria, alguns são tão entranhados nos
caminhões que fica difícil distinguir
onde começa um e termina outro. É um
território ainda com a supremacia
masculina. As raras mulheres carreteiras
são tratadas quase como ponto turístico:
todos olham, admiram, se espantam da
pouca probabilidade que é ver uma mulher
dirigindo uma carreta. Trata-se de mais
um espaço a ser conquistado pelas
mulheres. Há cem anos, escritoras também
eram vistas como algo improvável.
Escritores e carreteiros são obcecados
por viagens. Os motoristas seguem
asfalto afora, entre cargas e descargas,
buracos e pedágios. Apesar dos perigos,
dos rebites, dos horários desumanos, da
distância da família, todos são muito
livres, por isso não largam o osso das
estradas. Escritores seguem palavra
adentro, entre vazios e contentamentos,
inspiração e suor. Apesar da dificuldade
em publicar, da quase impossibilidade de
viver de literatura, também fazem do
dia-a-dia um espaço para o ser livre.
Por isso, fui ficando, conciliando
transporte e escrita que em essência são
bem parecidos, que em essência estão
pactuados com a liberdade.
Rubens da Cunha

NOTÍCIAS
'L A B I R Í N T I M
O S'
de Tchello d'Barros
na
EBEC GALERIA DE ARTE
Salvador/BA
Tchello d'Barros,
artista visual e
escritor da cidade
de Blumenau/SC,
membro da SEB -
Sociedade Escritores
de Blumenau,
apresenta a série de
infogravuras "Labiríntimos',
na mostra de
exposições
simultâneas Estesias,
realizada pela EBEC
Galeria de Arte, em
Salvador/BA,
integrando o 15º
Encontro Nacional da
ANPAP - Associação
Nacional de
Pesquisadores em
Artes Plásticas.
Participam também do
projeto a fotógrafa
Ana Glafira e o
escultor Fredy
Correia. A
coordenação está a
cargo da crítica de
arte Matilde Matos
da ABCA - Associação
Brasileira de
Críticos de Arte.
***
Tchello apresentou
em Blumenau/SC sua
primeira individual:
'Corporificação', na
FURB, em 1993,
quando no mesmo
evento lançou com o
poeta Nassau de
Souza, 'Hum Gibi
Poético', revista
onde ilustrou os
poemas do poeta. De
lá para cá foram
mais de 10 mostras
individuais e
inúmeras exposições
coletivas, sempre
experimentando
suportes, técnicas e
linguagens diversas.
Os labirintos são
uma temática
recorrente na obra
do autor. Expôs seus
primeiros labirintos
em 1994, com
pinturas, numa
mostra coletiva
promovida pela Bluap
- Associação
Blumenauense de
Artistas Plásticos.
O mesmo tema
apareceu
posteriormente num
poema concreto que
integrou a coletânea
Metafísica Cotidiana,
em homenagem ao
poeta Lindolf Bell.
Depois de muita
pesquisa, o tema
reaparece agora no
suporte das
infogravuras, com as
imagens finalizadas
em computação
gráfica.
Radicado por uns
tempos na ensolarada
Maceió/AL, o
catarinense tem se
dedicado a expor sua
produção recente em
infogravuras,
instalações,
fotografias, vídeos
e performances, em
diversos espaços
culturais no
Nordeste. Seu
trabalho já foi
mostrado na
Pinacoteca da UFAL,
no Museu da Imagem e
do Som e no Centro
Cultural e de
Exposições de Maceió.
Em Recife/PE
apresentou trabalhos
na Galeria
Capibaribe na UFPE e
no SPA 2006 entre
outros, como a
histórica biblioteca
de Olinda/PE. Em
João Pessoa/PB
participou da Bienal
da Gravura e
recentemente expôs
no Centro Cultural
de São Francisico.
Também foi
selecionado no Rio
de Janeiro no
projeto
Universidarte,
promovido pela
Universidade Estácio
de Sá.
O primeiro convite
para expor numa
galeria de arte
surgiu ainda na
década de noventa,
por parte de Lindolf
Bell, com sua
Galeria Açu-Açu. E
outros convites
surgiram depois, mas
Tchello recusou
todos, escolhendo a
estratégia de
consolidar seu
trabalho expondo
apenas em
instituições
públicas, como
museus, fundações
culturais,
universidades e
entidades
artísticas.
Depois desse
percurso, essa é a
primeira mostra de
suas criações numa
galeria de arte, e
isso porque o
convite partiu da
conceituada crítica
Matilde Matos.
Sobre as séries de
infogravuras
escolhidas para esta
exposição, mais
informações no
texto/depoimento do
autor, em anexo.
***
O que:
Exposição
'Labiríntimos' -
individual de
infogravuras de
Tchello d'Barros
Onde: EBEC Galeria
de Arte (Rua
Amazonas, 746
Pituba) Salbador/BA
Abertura: 20 de
setembro
(quarta-feira), às
19h
Visitação: de 21 de
setembro a 15 de
outubro (de segunda
a sexta-feira das
09h às 19h)
Informações:
71.3240-4743
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