Revista “Sinfonia em Blu"

9ª edição

Ano 02 - Julho de 2007

Editora: Terezinha Manczak

Formatação e Arte: Iara Melo

Blumenau - SC - Brasil

Poetas da Sociedade Escritores de Blumenau - SEB


ALAMEDA
Ana Paula Russi
 

Poste esguio,
Árvore morta.
Fora de si,
A rota.
Dentro,
Um vazio.
Frio,
Muito frio.
Rua reta,
Vida torta.

Memória:
Branca
Lamparina,
Iluminava
O que o tempo
Apagaria.
Silêncio berrava;
Culpa escondia.
Rua sossego,
Vida agonia.

Passo,
Compasso,
Coração.
Suspiro,
Retiro,
Respiração.
Sobre o passado,
Reflexão.
Rua-ouvinte,
Vida-confissão.


(Homenagem à Alameda Rio Branco, Blumenau – SC)
 


 
Cicatrizes
Fátima Venutti

Quando toco tua cicatriz,
Somatizo e sinto
Todas as raízes,
De tuas outras cicatrizes.
Quando posto
Minhas mãos
Sobre tua cicatriz, Adentro, profundo
Em seu caminho,
Me calo, na corredeira de Tua perpétua dor
É neste toque que
Eu te acolho
É neste toque que
Tua dor afago
É neste toque que respiro
O teu passado
Mas é nessas palmas que
Teu espírito eu embalo
Quando toco tua cicatriz,
Recolho e incinero
O teu passado
E regozijo infinitamente
A tua alma

(ao doce Kim)
 


ÂNSIA DE AMAR
Jairo Martins

Mesmo que seja uma ânsia esperar por ti,
ansiarei.
Mesmo que seja viver na saudade,
aguardarei.
Porque é melhor sentir tua falta
do que nada sentir.
Porque é melhor esperar
do que viver desesperado.
Porque é melhor amar um sonho
do que não tê-lo sonhado.
Porque é melhor amar e não ter,
do que não amar o que se tem.
Porque é melhor te ver um só dia em cada cem
do que não existires em nenhum dos meus dias.
Porque é melhor contar nos dedos as alegrias
do que viver carregando um punhado de tristezas.
Porque são melhores as belezas dos instantes
do que dias constantes sem esperar ninguém.
Porque é melhor viver em ânsias
do que a morte de não ter anseios.
Porque é melhor ter o amor dentro de si
do que de amar não ter meios.
Porque é melhor saber-se vivo sonhando contigo,
do que viver o castigo de não te sonhar.

(do livro "A Visita de Eros")


Manifesto
Lorreine Beatrice
 

Se sentires
o primeiro perfume
das rosas silvestres,
aquele que nem o vento
foi capaz de sentir,
é porque sentiste poesia,
versos da terra clamando por paz.
Poesia é sempre o primeiro manifesto.
E qualquer palavra muda
ecoa por todos os campos,
qualquer silêncio
é o mais forte clamor.
Se ouvires
o último cantar do rouxinol



TEARES E ARTES
Tchello d'Barros
 

Essa máquina da fábrica
Fabrica em seu desatino
Esse homem que maquina
A sina de seu destino

Essa sina se costura
Na malha da vida diária
Estampa um lume na alma
Com tênue tinta dourada

Turnos e rítmos contínuos
E os homens a labutar
Urdem o verbo na trama
Em sua luta no tear

Esses homens por um fio
Nas tramas de algodão
Tudo tecem nada pedem
Porém sempre algo dão


(Poema vencedor do Concurso Municipal de Poesia do SESI "A Poesia e o Operário" -1994)



Poema para não morrer
Terezinha Manczak

Flui das mandrágoras o efeito desmedido
De ternura e canto em meu peito afoito

Antevendo o destino das metáforas
Rumo ao núcleo do desconhecido

Aquarelas de manhãs inesperadas
Fragmentos de romances não escritos

Alma do mundo em corpo de espanto
Papéis de parede esmaecidos

Auroras rompem a casca das manhãs
Frutos e quimera de lavouras vãs

Na textura da dor, a pele arde
Rubro desejo e primavera
Espera: cedo ou tarde, o amor



Ser Poeta
Isnelda Weise

Ser poeta é caminhar por trilhas rasas
Contra vento mais ameno ou chuva forte
É saber que muito além de todo norte
No infinito da beleza pairam asas.

É cantar o ausente lar à luz do agora
O advento de outro sonho feito espera
Deleitar-se com a imagem da quimera
Ao ver todas as certezas indo embora.

Ser poeta é brindar o universo
Com a canção e alforria de um só poema
É aninhar-se no conforto da anistia.

Para então beber da taça de seu verso
Ante o encanto que desfaz qualquer dilema
O imortal e doce néctar da poesia!



BANCO DE PEDRA
Ivo Gomes de Oliveira


Oásis na longa estrada do tempo,
na sucessão de dias,
de horas, momentos...

Reposição salutar de energias!

Repouso para as pernas doridas
dos andarilhos da vida...

Delícia para a mente florida
do sonhador, poeta-escriba!

Trono do viageiro poeta,
palco da vida onde medra
a poesia seleta!

Poial sustentáculo
do meu canto lascivo,
Egrégora vibrante
dos versos de Dante
na Comédia que vivo!


Surrealismo Social
(Poema do Livro “Histórias de Oktober”)


Pessoas vêem pessoas
Na agitação diária dos grandes centros
Onde expressões e feições mescladas
Aglutinam-se numa só alma
E humanos sociáveis
Re-criam-se em regiões desumanas
Onde pessoas que vêem pessoas
São pessoas que temem pessoas
e os muitos sobre-viventes
deste surrealismo social
entram na frieza banal
dos líricos des-entendimentos
que reconstroem diariamente
seus atos e fatos
culturas e sentimentos

Ricardo Brandes

Uma nova revista , onde todos os Autores são benvindos !
Você é nosso convidado!

Convido-os a visitarem o site do grande amigo e autor do CEN,
Luiz Eduardo Caminha
http://www.stmt.com.br/dasletras.htm

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