NOTÍCIAS
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Aconteceu em Bento Gonçalves
- RS, entre
2 e 7 de Outubro,
XIII
Congresso Brasileiro de Poesia
XIII Encontro Latino-Americano de Casas
de Poetas
X Mostra Internacional de Poesia Visual |
De
Blumenau estiveram presentes Terezinha
Manczak, Isnelda Weise, Jairo Pacheco
Martins, Rogéria F. Albrecht e Lorreine
Beatrice.A rotina era tomar um magnífico
café da manhã no Hotel Vinocap,
reunir-se em frente ao SESC e rumar
para as escolas do município.Todos
recebemos certificado de 40h como
palestrantes.Após o almoço, mais visita
às escolas.À noite, poesia e mais
poesia.Poetas do Sul do Brasil, de Goiás,
Minas, Rio de Janeiro, São Paulo,
Pernambuco e outros estados
brasileiros. Representantes também do
Peru e Chile, mostrando a força da
poesia em língua nativa, mas
compreensível pela emoção, força e
beleza poética dos sentimentos.Uma festa
completa de poesia, amizade,
confraternização e paz.Bom vinho, boa
comida e muita, muita vontade de ser
feliz!
Isnelda
Weise, de Blumenau/SC
Delasnieve Daspet, Embaixadora
Mundial da Paz
Sônia, Ligia Leivas (Porto Alegre)
Terezinha Manczak - Blumenau/SC
Abaixada, Glória Lima, do Peru.

O projeto “CAMISINHA POÉTICA –
UM NOVO CONCEITO DE PREVENÇÃO” de
autoria de J.C. Ramos Filho, foi
selecionado para ser apresentado no VI
CONGRESSO BRASILEIRO DE PREVENÇÃO DAS
DST E AIDS - 2006 - Desafios da
Prevenção e da Assistência no SUS
(promovido pelo Ministério da Saúde) -
a ser realizado em Belo Horizonte/MG, de
04 a 07 de novembro. Na mesma linha, o
projeto em tela será exposto pelo
autor, no VII FÓRUM SOCIAL MUNDIAL -
2007, a ser realizado na África, em
Nairóbi (Quênia), de 20 a 25 de janeiro.
J.C. Ramos Filho, de Itajaí, Santa
Catarina - Brasil, distribui poemas em
preservativos. Uma forma inusitada de
divulgação da poesia, aliada à prevensão
das doenças sexualmente transmissíveis.
Poesia
Infância
Lorreine Beatrice
Pés de
tangerina
foram meus dragões
e eu, herói,
a enfrentá-los
pelos vastos
sóis de domingo
alegoria da infância
plantada na raiz do tempo
era verde correr
ao encontro dos braços
abertos do vento
e perder-se em
sonhos de luz,
enquanto colibris
procuravam
margaridas sem-fim.

O MENINO E O TREM
Maria de Lourdes Scottini Heiden
O menino
armou seu trenzinho
Na calçada da rua quieta.
Em seu olhar
Maquinista se fez.
Fiui, fiui, fiui, fiui...
Sobe serra, desce serra...
O trem a sacolejar
E no sonho do menino
Mil destinos se escreviam
Com a fumaça que subia
Enquanto o trem corria.
De repente
O trem pára... encalha...
É o grito da mãe
Chamando o menino
Porque a noite, essa tirana,
Impôs o seu reinado.
E o trenzinho...
Pobrezinho!
Na caixa foi guardado.
AH, COMO SOPRA O VENTO!
Maria de Lourdes Scottini Heiden
Ah, como sopra
o vento!
Este vento tão sofrido,
Este vento tão fingido
Que maltrata meio mundo!
Ah, como sopra o vento!
Não tem pena da mocinha
Sua saia ele levanta
Não perdoa a velhinha,
Sua sombrinha ele arranca
E o garoto...
Que alegria! Solta pipa
Bem disposto!
Ah, como sopra o vento!
Tira roupa do varal,
Poeira joga no olhar
E na calçada da cidade
Homens passam depressa,
Pois o vento, este danado,
Atira treco para todo o lado.
E o menino... que festa!
Fita a pipa e tudo
Esquece.
Ah, como sopra o vento!
As folhas bailam,
As flores sofrem,
As mulheres fogem...
Só o menino alegre
Brincando de pipa
Na infância
Tão breve.

A passear
Izabel Pavesi
Saímos
assim...
Mãozinha grudada em mim
Eu e meu filho a passear.
Esbarrando em folhas secas
Amarelo-marronzinhas
Retorcidas pelo chão.
Eu e meu filhote
Ora desviando
Ora chutando
Ora as erguendo
Ora as pisando...
Pelas calçadas
vamos
Desviando das cacas
Dos cachorros e dos gatinhos
Pulando valinhos
E buracos pela estrada,
Bem alegres...
Os sonhos desenhando
Nas cabeças e nas nuvens,
O risinho se espalhando no ar
e meu filhinho
...a saltitar.
Dobramos uma esquina,
Pegamos um atalho...
Na casa antiga ao lado
Esquecida e envelhecida,
Vidros quebrados e poeirentos
Os ferros retorcidos,
Só a caixinha de cartas
Permanece intacta e imóvel
Por entre as teias de aranha.
E nós dois bem faceiros
...a vislumbrar.
Seus dedinhos tão pequenos
Um despertar tão alegre,
Desfolhando malmequeres
De passinho em passinho
Cantarolando baixinho,
Cruzamos a estreita via
Juntos de cá e de lá,
Esquecendo-se da vida
MEUS OLHOS
Erigutemberg Meneses
Meus olhos
ágeis e sãos,
Escancarados nas faces,
Vão te estreitar em enlaces,
Como se me fossem mãos.
Em vôo de aves rapaces,
Do pudor descem os vãos
E ante os céus, sobre os chãos,
Vão bolinar sem disfarces.
De mãos que lavram e oram,
Esses meus olhos que foram
Provocar ânsia e torpor,
Desassemelham-se, pois,
Florando iguais girassóis
Buscam a luz do teu corpo

SE EU TIVESSE UM CORAÇÃO
Sueli do Espírito Santo
Seu eu tivesse
um coração renovado
revigorado, bem mais forte
que não estivesse tão cansado
me arriscaria a qualquer sorte
Contra a maldade eu lutaria
unindo-me com quem é valente
atrás do ideal seguiríamos em frente
e assim apática não mais ficaria
Se eu tivesse um novo coração
faria dele um caloroso ninho
para acolher quem está sozinho
necessitado de uma nova direção
Ainda assim, com o coração fraco
escrevo estes meus simples versos
e a crueldade do mundo eu ataco
abominando todos que são perversos

Prosa
O divórcio
Rubens da Cunha
Ele quis livrar-se da solidão. Esposa,
ela lhe impregnava os ouvidos com
ameaças ciumentas. Um dia, foi aos
arredores da cidade encontrar lugar
viável para deixá-la. Encontrou um
descampado. No centro da paisagem, uma
árvore imperava. Gostou dali. Deixar a
solidão naquela árvore, voltar para casa
divorciado, ser feliz. Foi quando viu
pássaros assentando-se nos galhos e ao
longe viu alguns bois que provavelmente
se refugiavam de chuva e sol sob a
espessa ramada. Essa árvore não servia,
não ia deixar a solidão ali, logo ela
estaria infernizando a vida dos pássaros
e dos bois.
Voltando, avistou um mourão que tinha
apodrecido e equilibrava-se morto nos
fios de arame. Era um bom lugar, todos
os outros mourões agüentavam impávidos
no seu ato de cercar, apenas aquele não
tinha resistido. Deixar a solidão ali
era permitir que ela morresse com o
mourão. Voltaria para casa divorciado e
feliz. Não podia. Logo viriam arrumar a
cerca, logo o mourão seria igual aos
outros, a solidão não teria mais seu
lugar e voltaria a lhe incomodar. Voltou
para a cidade ainda casado.
Mais atento, foi observando espaços,
pessoas, jardins. Um velho numa cadeira
de rodas, sem uma das pernas. Poderia
pôr a solidão naquele pedaço de vazio
onde foi um membro inferior. Ela faria
bem ao velho, conversaria com ele, lhe
lembraria dos tempos de caminhante.
Achou melhor não. Recuperar memórias
cria tristezas, talvez o pobre não
resistisse.
Parou diante de um jardim mal cuidado na
praça central. Foi até o cemitério, o
museu, as ruínas de uma fábrica. Ficou
horas olhando uma pedinte com o filho no
colo, investigou uma vendedora encostada
no balcão, um taxista, uma pichação no
terceiro andar de um prédio, uma vidraça
quebrada. Em nenhum desses lugares ou
pessoas poderia depositar sua solidão.
Logo seriam consertados, pintados,
amados novamente. Logo deixariam a
solidão livre e ele preso.
Resignado, descrente nas sortes que o
destino dá, olhos baixos, mas sem ver
onde pisava, ele tropeçou em um sapato,
apenas um pé, estirado sobre o asfalto,
sujo, não rasgado, um sapato que ninguém
pegará, que jamais encontrará seu par,
um sapato que se perdeu e jaz abandonado
na rua, um sapato que em certo tempo
vibrou no pé de alguém e agora é inútil.
Olhou para os lados, ninguém dava
importância àquele objeto, nem sequer a
dignação de um chute, nada, indiferença
total. Que contentamento! Agachou-se,
com um certo desdém de vitória abandonou
a solidão. Foi ser solteiro e feliz.
Ainda hoje olha com medo calçados
abandonados nas ruas. Teme reencontrar o
que abandonou para sempre.

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