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NOTÍCIAS - ENTREVISTAS - PROSA E
POESIA
No dia 26 de setembro às vinte
horas, no Bloco A da FURB, ocorrerá o
lançamento do livro de poesia
"PEDRA NO LAGO "
de MARIA DE LOURDES SCOTTINI
HEIDEN
Nossa homenagem à grande amiga poeta e
escritora, professora e grande
incentivadora da leitura e do amor
pela poesia. Publicou seis livros de
poemas, romances e de literatura
infantil.
AH, COMO SOPRA O VENTO!
Ah, como sopra o vento!
Este vento tão sofrido,
Este vento tão fingido
Que maltrata meio mundo!
Ah, como sopra o vento!
Não tem pena da mocinha
Sua saia ele levanta
Não perdoa a velhinha,
Sua sombrinha ele arranca
E o garoto...
Que alegria! Solta pipa
Bem disposto!
Ah, como sopra o vento!
Tira roupa do varal,
Poeira joga no olhar
E na calçada da cidade
Homens passam depressa,
Pois o vento, este danado,
Atira treco para todo o lado.
E o menino... que festa!
Fita a pipa e tudo
Esquece.
Ah, como sopra o vento!
As folhas bailam,
As flores sofrem,
As mulheres fogem...
Só o menino alegre
Brincando de pipa
Na infância
Tão breve.
MEU OLHAR
Meu olhar é um coral espiando o mar...
Ele se debruça nas águas
E se desfaz em gotas de luz..
Não tem pressa...
Já percebeu o ritmo da vida.
Não tem medo...
Já conhece todos os mistérios.
Não tem ambição...
Já é dono do universo.
Não tem segredos...
Já sabe de tudo.
Meu olhar abraça o mundo inteiro...
É pedaço de estrela
É gota de água.
Meu olhar é mar... é pedra... é
vida...
Maria de Lourdes Scottini Heiden
Galeria de escritores
Alexandre da Conceição, 32 anos. Designer
Gráfico, natural de Indaial, Santa
Catarina, Brasil.
Participante de algumas antologias e
coletâneas, lançou em março de 2006 o
livro " MI[ni]MO " , que é o máximo!
( Editora Cultura em Movimento ) da
Fundação Cultural de Blumenau.
Leia entrevista completa na Revista “Novos
Autores CEN”, Edição Nº 02, do Editor
Carlos Leite Ribeiro
pa
(lavra)
terra
sonho
(con) solo
«««»»»
PERGUNTAS QUE O VENTO FAZ
Arlinda Lamêgo
O vento a mim pergunta
Qual face de tantas faces,
Das falhas qual a verdade,
Do corpo, o que é listado,
Da alma, qual o destaque,
A lágrima que bloqueou,
Que modelo peregrino
Conduz a minha idéia?
Qual sábio faz o milagre,
Que malicia a sabedoria
Deixa pegadas no tempo?
Dos pés qual o caminho
Faz referência e reverência.
Das escolhas que abortou,
Que exorta todo esse tempo
E de todas qual a pintura
Que a boca abocanhou?
Qual conduta que satisfaz,
Tendência que o mundo faz
Na vida, os mestres, os pais.
Que razão traz o caráter,
A lençóis que o mundo jaz.
Que dons, que anjos satisfaz?
Mundo afora, que esperança,
Da beleza, Satanás,
Maldade nunca é demais.
O vento a mim pergunta
Que filhos, que fãs,
Na feiúra dos muitos ídolos,
De falsos donos do mundo,
Demônios que falam de amor,
Na moral de muita dor.
Que trabalho reinventa
Dos vazios de cada braço,
De tentativas e acertos,
Com margem pra tanto erro.
Aromas e desacertos
Que surgem pra todo lado,
Que traem todo talento
E atrai todas as mães
E trai trazendo espinhos,
Pro coração, o espaço,
Mesmo com tanto filho,
Com fé com muitas mãos.
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Vem
Tânia Maria da Silva
Vem e pinta de esperança
esta noite de amor que se
faz eterna.
Vem e apaga este silêncio,
que mata meu coração.
Vem e arranca esta tristeza
Que dilacera meu peito.
Vem e acende meu sorriso
novamente.
Vem ! Quero ser feliz !
Sei que o amor existe
Então vem e mostra um
caminho para nós dois
Deixe que eu te ame por inteiro
Para que volte a encontrar
A alegria que perdi.
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cor
de
mel
o
tom
de
tua
tez
e
só
me
faz
bem
te
ver
mais
uma
vez
Tchello d'Barros
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BOCAS
FAMINTAS
Conheça-me, e saberás:
Quantas vezes meu coração
Pede por justiça
Amargurado...
Esquecendo o próprio ideal
Sonhos?
Evaporam e se vão
Sufocados pela cobiça
Saem em retirada
Nos braços fortes!
Do vendaval...
Quantas vezes
Cerco-me da solidão
Dividindo imaginárias
Migalhas de pão
Em bocas perdidas
Mãos estendidas
Coração dilacerado...
Sonho inacabado!
Quantas vezes
Vejo-me derrotada
Em minha sensação
Com o olhar fixo...
No trinco do portão...
Novamente!
Vai-se a esperança...
Muito além
Do longínquo horizonte
Onde a vista não alcança.
Quantas vezes
Sinto...
Amarrotada lágrima
Rasgar meu semblante
Banhando meu SER
Consciente e ciente
Do saber e o poder
De pedir PERDÃO!
Perdão pela ausência
Ausência do PÃO
Em BOCAS FAMINTAS
VIDAS...
Quase extintas.
Autora:
Ilka Bosse
Bailarina das Letras
MEU
RIO
Cava
na pele as teias
Do
centro da alma saindo
O rio
triste que vindo
Aos
olhos pulsa em cheias.
E o
choro encharca as veias
Por
ver distante se indo
Nas
nuvens onde sumindo
A
estrela rir de mancheias.
Ora
se deu que ao vê-la
Apaixonou-se e tê-la
É
curso, início e fim.
O rio
em dura agonia
Renova as águas, na via
Dos
olhos rasos de mim.
Erigutemberg Meneses
Prosa
Poética para Homens e Mulheres
(
Sandra Puff )
Feliz
do homem que sabe amar uma mulher, ou todas
se quiser!!
Chegar de perto, enxugar os olhos, definir o
brilho, apreciar a íris.
Tentar ser como o vento, num rompante de
violência, acaricia-lhe os cabelos, toca-os.
Sente o perfume conferido a eles.
Na
tez se perde. Oh, volume macio, acalentador.
E no
coração que fala, úmida, carne vermelha,
traçada, desenhada. É atração rara.
Maxilares, queixos, pescoços... Lá vem
chegando...
Arquitetura deste corpo, tão bem
apresentada.
Numa
queda se vai, vai chegando de mansinho, pode
ser raso, redondinho. Mas guarda um segredo
internamente. Parece fruta, parece pêra ,
ninho da vida, quando acariciado, açucarado
fica.Ventre, doce, suave, acolhedor mesmo. É
vida !!!
Desejo, fogo, de encanto se perde. Está
chegando lá...
E
coxas, e joelhos e pés...
Imagina, que homem é esse ?
Não
saber amar uma mulher...
( Sandra Puff )
Varandas
e quintais
Terezinha Manczak
Doces quintais, varais
e varandas da minha infância. Vales
madrigais, pela porta aberta, a visão mais
liberta do sol.
Pomares e mares
ondulantes dos trigais . Cheiro de ameixas e
pães de milho.
Completa liberdade,
aberta a porta dos fundos. O mundo
entreaberto, entre o ruído do arado e dos
pardais nas laranjeiras.
Minha mãe fazendo
travesseiros de penas na varanda, a minha
avó tirando leite direto na minha xícara de
chocolate.
Entre os gansos, um
avô de botas e cachimbo, encilhando os
animais, era a promessa de belos passeios e
colheita de legumes para o almoço.
Guardo imagens de um
córrego que se fazia fino, cruzando o leito
da estrada branca de terra, entre o dourado
das lavouras de trigo.
Doces quintais da
minha infância, vivência que durava apenas o
tempo de férias.
No resto do ano era o
quintal limitado da casa onde morávamos, bem
longe do campo.
A única imagem
de liberdade eram crianças brincando nos
quintais vizinhos e um trem que passava ao
longe, apitando promessas.Entre o verde da
serra e o asfalto, sem pressa. |