Revista

“Sinfonia em Blu"

 

3ª edição

Ano 1 - Agosto de 2006

TEREZINHA MANCZAK

Blumenau SC - Brasil

 
 
 
 
NOTÍCIAS - ENTREVISTAS - PROSA E POESIA
 
 
No dia 26 de setembro às vinte horas, no Bloco A da  FURB, ocorrerá o lançamento do livro de poesia
 "PEDRA NO LAGO "
de MARIA DE LOURDES SCOTTINI HEIDEN
 
 Nossa homenagem à grande amiga poeta e escritora, professora e grande incentivadora da leitura e do amor pela poesia. Publicou seis livros de poemas, romances e de literatura infantil.
 
AH, COMO SOPRA O VENTO!
 
Ah, como sopra o vento!
Este vento tão sofrido,
Este vento tão fingido
Que maltrata meio mundo!
 
Ah, como sopra o vento!
Não tem pena da mocinha
Sua saia ele levanta
Não perdoa a velhinha,
Sua sombrinha ele arranca
E o garoto...
Que alegria! Solta  pipa
Bem disposto!
 
Ah, como sopra o vento!
Tira roupa do varal,
Poeira joga no olhar
E na calçada da cidade
Homens passam depressa,
Pois  o vento, este danado,
Atira treco  para todo o lado.
E  o menino... que festa!
Fita a pipa e tudo
Esquece.
 
Ah, como sopra o vento!
As folhas bailam,
As flores sofrem,
As mulheres fogem...
Só o menino alegre
Brincando de pipa
Na infância
 Tão breve.
 
 
MEU OLHAR
 
Meu olhar é um coral espiando o mar...
Ele se debruça nas águas
E se desfaz em  gotas de luz..
Não tem pressa...
Já percebeu o ritmo da vida.
Não tem medo...
Já  conhece todos os mistérios.
Não tem ambição...
Já é dono do universo.
Não tem segredos...
Já  sabe de  tudo.
Meu olhar abraça o mundo inteiro...
É pedaço de  estrela
É gota de água.
Meu olhar  é mar... é pedra... é  vida...

Maria de Lourdes Scottini Heiden


 
 
 
Galeria de escritores

 
Alexandre da Conceição, 32 anos. Designer Gráfico, natural de  Indaial, Santa Catarina, Brasil.
Participante de  algumas antologias e coletâneas, lançou em março de 2006 o livro " MI[ni]MO " , que é o máximo! ( Editora Cultura em Movimento ) da Fundação Cultural de Blumenau.
Leia entrevista completa na Revista “Novos Autores CEN”, Edição Nº 02, do Editor Carlos Leite Ribeiro

 
   pa
                (lavra)
       terra
         sonho
             (con) solo

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PERGUNTAS QUE O VENTO FAZ

 

Arlinda Lamêgo

 

  

O vento a mim pergunta

Qual face de tantas faces,

Das falhas qual a verdade,

Do corpo, o que é listado,

Da alma, qual o destaque,

A lágrima que bloqueou,

Que modelo peregrino

Conduz a minha idéia?

Qual sábio faz o milagre,

Que malicia a sabedoria

Deixa pegadas no tempo?

Dos pés qual o caminho

Faz referência e reverência.

Das escolhas que abortou,

Que exorta todo esse tempo

E de todas qual a pintura

Que a boca abocanhou?

Qual conduta que satisfaz,

Tendência que o mundo faz

Na vida, os mestres, os pais.

Que razão traz o caráter,

A lençóis que o mundo jaz.

Que dons, que anjos satisfaz?

Mundo afora, que esperança,

Da beleza, Satanás,

Maldade nunca é demais.

O vento a mim pergunta

Que filhos, que fãs,

Na feiúra dos muitos ídolos,

De falsos donos do mundo,

Demônios que falam de amor,

Na moral de muita dor.

Que trabalho reinventa

Dos vazios de cada braço,

De tentativas e acertos,

Com margem pra tanto erro.

Aromas e desacertos

Que surgem pra todo lado,

Que traem todo talento

E atrai todas as mães

E trai trazendo espinhos,

Pro coração, o espaço,

Mesmo com tanto filho,

Com fé com muitas mãos.

 


 

Vem

Tânia Maria da Silva

 

  

Vem e pinta de esperança

esta  noite de amor que  se faz eterna.

Vem e apaga este silêncio,

que   mata   meu coração.

Vem  e  arranca esta tristeza

Que  dilacera  meu peito.

Vem  e acende meu sorriso novamente.

 

Vem !  Quero ser feliz !

Sei que o amor existe

Então vem e mostra um 

caminho para nós dois

Deixe que eu te  ame  por inteiro

Para que volte a encontrar

A alegria  que perdi.

 

 

 


 
cor
de
mel
o
tom
de
tua
tez
e
me
faz
bem
te
ver
mais
uma
vez
 
 
Tchello d'Barros
............................................................................................................................................................
 

 

 

BOCAS FAMINTAS

 

Conheça-me, e saberás:

Quantas vezes meu coração

Pede por justiça

Amargurado...

Esquecendo o próprio ideal

Sonhos?

Evaporam e se vão

Sufocados pela cobiça

Saem em retirada

Nos braços fortes!

Do vendaval...

 

Quantas vezes

Cerco-me da solidão

Dividindo imaginárias

Migalhas de pão

Em bocas perdidas

Mãos estendidas

Coração dilacerado...

Sonho inacabado!

 

Quantas vezes

Vejo-me derrotada

Em minha sensação

Com o olhar fixo...

No trinco do portão...

Novamente!

Vai-se a esperança...

Muito além

Do longínquo horizonte

Onde a vista não alcança.

 

Quantas vezes

Sinto...

Amarrotada lágrima

Rasgar meu semblante

Banhando meu SER

Consciente e ciente

Do saber e o poder

De pedir PERDÃO!

Perdão pela ausência

Ausência do PÃO

Em BOCAS FAMINTAS

VIDAS...

 Quase extintas.

 

Autora: Ilka Bosse

 Bailarina das Letras

 

MEU RIO

 

Cava na pele as teias

Do centro da alma saindo

O rio triste que vindo

Aos olhos pulsa em cheias.

 

E o choro encharca as veias

Por ver distante se indo

Nas nuvens onde sumindo

A estrela rir de mancheias.

 

Ora se deu que ao vê-la

Apaixonou-se e tê-la

É curso, início e fim.

 

O rio em dura agonia

Renova as águas, na via

Dos olhos rasos de mim.

 

Erigutemberg Meneses

 


 

 

Prosa Poética para Homens e Mulheres

                                      ( Sandra Puff )

 

 

Feliz do homem que sabe amar uma mulher, ou todas se quiser!!

Chegar de perto, enxugar os olhos, definir o brilho, apreciar a íris.

Tentar ser como o vento, num rompante de violência, acaricia-lhe os cabelos, toca-os. Sente o perfume conferido a eles.

Na tez se perde. Oh, volume macio, acalentador.

E no coração que fala, úmida, carne vermelha, traçada, desenhada. É atração rara. Maxilares, queixos, pescoços... Lá vem chegando...

Arquitetura deste corpo, tão bem apresentada.

Numa queda se vai, vai chegando de mansinho, pode ser raso, redondinho. Mas guarda um segredo internamente. Parece fruta, parece pêra , ninho da vida, quando acariciado, açucarado fica.Ventre, doce, suave, acolhedor mesmo. É vida !!!

Desejo, fogo, de encanto se perde.  Está  chegando lá...

E coxas, e joelhos e pés...

Imagina, que homem é esse ?

Não saber amar uma mulher...

                                                     ( Sandra Puff )

 

 


 

 

            Varandas e quintais

 Terezinha Manczak 

 

Doces quintais, varais e varandas da minha infância. Vales madrigais, pela porta aberta, a visão mais liberta do sol.

Pomares e mares ondulantes dos trigais . Cheiro de ameixas e pães de milho.

Completa liberdade, aberta a porta dos fundos. O mundo entreaberto, entre o ruído do arado e dos pardais nas laranjeiras.

Minha mãe fazendo travesseiros de penas na varanda, a minha avó tirando leite direto na minha xícara de chocolate.

Entre os gansos, um avô de botas e cachimbo, encilhando os animais, era a promessa de belos passeios e colheita de legumes para o almoço.

Guardo imagens de um córrego que se fazia fino, cruzando o leito da estrada branca de terra, entre o dourado das lavouras de trigo.

Doces quintais da minha infância, vivência que durava apenas o tempo de férias.

No resto do ano era o quintal limitado da casa onde morávamos, bem longe do campo.

A única imagem de liberdade eram crianças brincando nos quintais vizinhos e um trem que passava ao longe, apitando promessas.Entre o verde da serra e o asfalto, sem pressa.