Revista “Cá Esperamos Nós”

 

Nº 04 – Agosto de 2006

Editor: Carlos Leite Ribeiro

AMOR ALÉM DA LENDA - Diana Lima - Santo André SP

Ao som de suave e fantástica melodia 
Multidão de ecos encantavam
Cintilavam corações que ardiam 
Eram outros tempos, outras eras 
Estampas, fotografias de uma magia 
O ardente desejos de seres 
Que mutuamente se buscavam
Se amavam e este amor prometia
Ludibriar a palidez da morte
Viajavam dali em espírito transporte
Reviviam passado, perscrutavam futuro
Reviam cenas de sacrifícios, oferendas 
Multidões que espectralmente se moviam 
Sem rostos, sem cores
Recordações de uma lenda 
Crescia desejo de libertarem-se de vez
Do espectro e do carnal, talvez 
Fundindo-se em êxtases de amor 
De tanto bem querer
Cruzariam vales de sombras e dor
Muitas vezes em sorrir sem rir
Em chorar sem lágrimas verter 
Ao final de tantas transmigrações 
Suas almas deveriam se iluminar
Ao ponto de se fundirem, então
Atingiriam o nirvana do coração
Onde desaparecem as ilusões 
Hoje, depois de tanto penar
Reencontram-se seres afins
Cumprindo promessas...
Saindo da lenda ...

 

Diana

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SINA - Erigutemberg Meneses

Aquela que adormece em outra cama
E embala o devaneio que é meu
Diz que por mim a alma se inflama,
Mas o seu corpo ela a outro deu.

Do ser a alma é a mais pura chama...
Eu sei... E a dela a minha acendeu,
Porém, sozinha à noite a minha clama
Que a dela venha arder nosso himineu.

As flores de verbenas que ela manda
E os beijos e abraços da varanda
Recolho antes que chegue o tormento

De imaginá-la em transe, em outros braços,
E vibrar de volúpia em mil amassos
Que dela só recebo em pensamento.

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Metrópole? Mudei de Vida - Lu Colossi

Eu, já andei nessas ruas, com a pressa
toda do mundo, já pisei nesse asfalto,
as vezes feito de uma pedra bruta,
tão bruta como os corações dos que
lá caminham, naquele vai e vem
interminável e sofrido.
Eu também olhava e não via, talvez
até você tenha passado desapercebido
por mim, como tantos outros...
E assim os anos me engoliram, e as
sombras dos prédios mofados, me tiraram
a visão de um sol bonito, de uma flor
nascida, que olhava pra mim.
Tive todos os defeitos das demais
pessoas que moram nessas cidades
grandes, fui egoista, gananciosa, poderosa,
e na maioria das vezes atrasada...
e entre os carros eu voava, em meios
fios me equilibrava, para ganhar o pão
de cada dia, o pão de uma vida.
Cansei, eu cansei, dessa terra bruta.
Perdi o viço e o vício, perdi os meus,
os seus nem vi...
Cheguei, aonde agora estou, onde
nunca mais voltei a ser um número, sabe,
aqui eu tenho nome e sobrenome,
aqui a paz tomou conta de mim,
aqui encontrei o consolo nos jardins,
e a calma encontrei nos ninhos do
beija-flor, das rolinhas, em uma
infinidade de plantas e flores, que
estão logo ali, e agora vejo elas
sorrindo pra mim, e como é bom,
esse cheiro de terra molhada.
A paz é tanta, que agora meu irmão,
eu te vi passar, e até tive tempo
de te conhecer, de ver em você,
o que eu não via em mim, e que
agora eu vejo.
Eu vi na lata de lixo, uma flor,
que viveu lindamente, e que
agora vai virar adubo.
Meu Deus...
Como ela era linda...

Lu

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 MULIER - rivkahcohen

Eternamente a renascer qual fenix
Hoje de novo sou viajor  terrenus
E como Arthemis rediviva, qual Polux
E Castor, me vi presa em Gêmeos
E vou cumprindo, com vigor de Zeus
Destinum meum, de antemão electum
Pois essa busca sem fim que leva a D'us
É o começo e o fim, é o nihil e o totum
Pois a meta é o ser completus
É subir, subir, e, finalmente ascensus
Alcançar os limites do Universus
Se limites houver, se limites tiver esse processus! 
  Riv

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Aurora - Terezinha Manczak
 
Rosas e açucenas na janela,
champanhe, luz de velas e depois
a noite, o mar, a lua bela,
o beijo apaixonado entre nós dois
 
Mar noturno, brisa, maresia
estrelas no infinito anunciando
lábios em dueto, melodia
minha boca, louca, te buscando
 
tua boca, doce, procurando
labirintos, vales, poesia
veredas, labareda incendiando 
  
o caminho de volta percorrendo
do céu crepuscular ao novo dia
nós dois, em luz, nos transformando

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SONETO DA CORAGEM NO CORAÇÃO - Tchello d'Barros

Há os que buscam se superar
E transcender sua capacidade
São os que tem coragem de lutar
Com confiança e força de vontade

São os que não temem acreditar
Pois tem fé em sua tenacidade
São os que fazem do verbo amar
Uma tradução da felicidade

Com a força em nosso interior
É que traçamos os nossos caminhos
E escrevemos o nosso destino

E os elos da corrente do amor
É que nunca nos deixam sozinhos
Por sermos humanos num reino divino

Tchello d'Barros

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 SORRISO DE MULHER  -  Vilma Matos

O sol aquece o frio,
O vento sopra ondulando o mar,
Acariciando o rosto da mulher ou de quem fica a admirar,
O belo da vida
Ou a beleza do mar.

O sorriso nos lábios da mulher
Deve ser uma forma de agradecer 
Por pertencer a este mundo
Que lhe acolheu
Deixando-lhe viver.

O sorriso de alegria
É sorriso conquistado.
O sorriso de harmonia
É sorriso sublimado.
No meio a tantos sorrisos
Não sei com qual ficar
Apenas sei que podem iluminar.

O sorriso do recém-nascido, criança. Do velho,
São sorrisos que acalantam
São sorrisos de mistérios.
Os sorrisos vêm de encontro de rostos alegres ou tristes.
E aqueles que não o querem
Terminam se entregando
A um sorriso encantador.

O sorriso não é vendido
Porém quem quiser dar um sorriso
Fará com que o seu
Seja multiplicado.

       Vilma

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As Minhas Lembranças - Basílio Artur Pereira - Leiria (Portugal)

Um querido amigo que nasceu em Agosto de 1913, a quem carinhosamente lhe chamamos "O último Alcaide do Castelo de Leiria". Sempre se interessou pelo "Cá Estamos Nós" (Rádio) e "Cá Estamos Nós" (Internet). É uma figura ímpar da Cidade do Lis, de uma educação extrema e de uma simpatia enorme como o Castelo. Carlos Leite Ribeiro

 

Os dias de Rádio

Foi na Rádio Clube de Leiria que iniciei os primeiros passos como partiipante e colaborador na rádio. Aqui deixo expresso o meu modesto trabalho agradecendo de algum modo à dona Emília, a "Mila", pela paciência que me aturou ao longo de todo esse tempo e bem assim como a seu falecido marido, o senhor Cabral, o qual teve o atrevimento, passe a expressão, de me chamar Fernando Pessoa. Lembro com saudade, o tempo que passei naquele estúdio, a amizade e a simpatia que todos me dispensaram, entre eles, a dona Voni Ferreira, poetisa de mérito, o João Guerreiro, o António Sá Pessoa, o Alberto Santos, o Mário Monteiro, o Soares Duarte e muitos outros que agora não me ocorrem.

Lembro com saudade de um programa na Rádio Batalha, pelos meus setenta e cinco anos, onde Joaquim Santos me convidou a participar; foram três horas em que os ouvintes tiveram a paciência de me escutar. Nunca havia tido um tempo tão longo de antena. Tive pelo menos vinte e cinco intervenções e, quando saímos do estúdio, eu e o Joaquim Santos estávamos esgotados. Mas valeu a pena, pois o restaurante "O Maneta" esperava por nós.

Basílio

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Anindeuá - Paulo Câncio - Salvador BA

Com a coragem de um leão, Anindeuá sonhava ser um bravo. Observava os guerreiros com a atenção que um cientista dedica ao estudo de uma nova espécie, imitava-os com o empenho de um ator merecedor de Oscar na criação de um personagem, especulava os segredos que faziam aqueles homens serem como eram.
Com a inocência da criança que era, Anindeuá brincava com os outros indiozinhos. Embrenhavam-se pelo mato em aventuras que só são possíveis para aqueles que ainda bebem da água da pureza. E o menino brincava e corria e nadava e sorria e até chorava, mas isso era raro e ele procurava fazê-lo escondido, sozinho ou no colo da mãe, por não considerar o ato digno de um futuro guerreiro.
Um dia, apareceram na aldeia, homens estranhos, diferentes, com pano pelo corpo todo. Como seriam eles por debaixo de toda aquela roupa? Os índios adultos, inclusive os guerreiros, estavam encantados com misteriosos objetos que os desconhecidos traziam consigo; aqueles seres de outras terras trocavam os seus pertences por pedras amarelas que não tinham lá grande utilidade, mas que faziam seus olhos brilharem como as mais luminosas estrelas. Mas que artefatos seriam aqueles? Havia mais olhos arregalados naquele momento do que em horas de aparecimento súbito de uma onça ou de uma enorme sucuri que, a final de contas, faziam parte da paisagem; enquanto a ferocidade de um animal mobilizaria a tribo para ação intensa, o caráter peculiar daqueles itens enigmáticos imobilizava a todos, tornando-os prisioneiros da própria perplexidade. O candidato a guerreiro ficou interessado; o menino curioso, também.
Anindeuá achava que aquele dia era muito especial, a data mais significativa que já havia presenciado em toda sua curta vida; vendo a reação dos adultos, que pareciam contemplar sinais dos deuses, Anindeuá chegou a pensar que talvez estivesse diante de um dos fatos mais extraordinários que já ocorrerá naquela terra.No entanto, o mais importante, naquele 22 de abril, estava bem na sua frente e Anindeuá não viu – não

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1998 - a Fundação e o Arranque do "Cá Estamos Nós" - Carlos Leite Ribeiro

 

Tudo começou em meados de Janeiro de 1998, num almoço de radialistas em Fátima. Na parte final do repasto, dois colegas e amigos me falaram nas vantagens de grande divulgação que a Internet estava a dar aos escritores de valor. O Artur do Carmo até me disse: “Carlos, com a tua originalidade e criatividade, ias ter um enorme êxito na Net, porque do que tenho navegado e tenho lido, encontram-se pouquíssimos indivíduos com a tua capacidade”. Em princípio, confesso, não liguei muito ao que me diziam, embora ainda me dissessem: “Olha, comparativamente aos carros, encontram-se lá muitos utilitários Citroen, mas tu serias um Ferrari...”.
Para ser como São Tomé (ver para crer), nos os últimos dias desse Janeiro já estava na Net, a ver como era. Fiquei encantado com o que vi e logo deslumbrei as vantagens de dali podiam advir. Não me recordo bem como entrei em contacto com a Gladis Lacerda, mas creio que foi algo como: “Poetisa e Ave do Paraíso” e um pouco mais tarde encontrei numa dessas “navegações”, a Lídia Lúcia  (LILOCAS) e o seu lindo site. Mantivemos contacto e em Abril, a Lilocas faz-me a minha primeira página com trabalhos literários meus. A partir daí, sempre incentivado principalmente pela Gladis, comecei a arquitectar um projectos que mais tarde daria em “Cá Estamos Nós”, o nome (registado em 1988) do meu último programa radiofónico que esteve no ar cerca de oito anos.
Assim, em 15 de Julho desse mesmo ano, nascia o Magazine “Cá Estamos Nós” com alguns escritores amigos da Gladis e, em pouco tempo já tínhamos grandes escritores / poetas, como: Márcia Leite, Lynn, Asta Vonzodas, Isabel Machado, José Félix, Douglas Mondo, Henriette, Wadad e tantos outros, que deram grande impulso ao que é agora o Portal CEN – “Cá Estamos Nós”.

(...)

Carlos

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CEN  SEMPRE !