
|
Revista “Cá Esperamos Nós”
Nº 05
– Agosto de 2006 |
|
Editor: Carlos Leite Ribeiro |
|
FORÇA INTENSA - Ana Clara Ribeiro
Busca, dentro de ti,
A força intensa.
Supera, contorna, desvia do tumulto,
E segue.
Olha,vê, analisa,
Deixa manso o coração.
Não reclames!
E segue...
Aprisiona mágoas,
Escancara o riso,
Sufoca a tristeza d'alma.
Simula...
Faz o jogo do contente.
Reverte em escudo a crítica alheia e
Deixa brotar o riso,
Aberto e livre.
E vive, vive e vive tanto,
Pra causar espanto...
Não tenhas receio,
E,por inteiro,
Retrata a força intensa,
Que vive em ti.
Ana C. Ribeiro
«««»»»
RECAÍDA DISCURSIVA - Artur da Távola
(FORA DO DENTRO DE MIM)
Ah não interferir nesta chuva!
(o eu reinaugura o mundo)
Retorna a eterna dúvida:
A chuva lá fora umidadesce, eu sei (?)
E se eu aqui não estivesse
ela, como tal, existiria?
Ou seria chover, não chuva?
Vejo a realidade não o real
que talvez seja mais poesia do que capto
ou só poesia e não palavra.
O mundo existe em mim ou sem mim?
O eu instaura uma ilusão
que só significa porque é verbo
e dele independe para existir.
No princípio não era o verbo
Era o real,
que o verbo desqualifica.
Mas o verbo nomeia e conceitua,
logo salva.
Ele re-inventa outro real
por isso o poeta é vate.
E, vate, inventa. Vaticina.
Todos vemos aquele coqueiro
que existe lá fora do dentro de mim.
O mundo é mera extensão do ser
porém existe sem ele.
O eu vai longe e inaugura o exterior.
Lá fora nem é o extremo do mim,
além e adiante são partes do eu.
O real exterior existe:
É o lá fora do dentro do mim.
A luz interior não é acender
mas apagar significações.
É aconselhável
Deixar de conotar.
Aprender a não saber
para viver o milagre de estar.
Artur da Távola
«««»»»
O pintor - Déa Miranda
Quando as gaivotas revoam por sobre o
mar,
Os meus olhos deslizam-se no infinito,
Ando na praia na esperança de encontrar,
O artista que eterniza o que é bonito.
Eu não sei o seu nome.
Sei que vive a pintar.
Seu rosto é sereno. A alma sem conflito.
Cabelos ao vento. Um modo singular.
Sua vida despojada mais parece um mito.
Por fim o vejo, aproximo embevecida.
No silêncio, ele contempla a criação.
Em suas mãos firmes, o pincel imita a vida.
A respiração arfa, a alma se arrepia.
Estou diante do belo. É pura emoção.
É cor. É energia. É tudo que me extasia.
«««»»»
Aos amigos - (Elida Kronig®)
E principalmente aos que sabem ser amigos,
pessoas raras!
Que nossa vida seja intensa e sempre
verdadeira
e que nossos caminhos se preencham de
bençãos
junto àqueles que já alcançaram a misteriosa
sabedoria.
Que ao amar possamos nos entregar
profundamente
e que jamais sejamos covardes ao perdoar
plenamente.
Que nossas mágoas cumpram seu destino
e que sejam atiradas ao seio Daquele que
tudo sabe, que tudo vê.
Sejamos fiés aos amigos,
porque não há nada mais empobrecedor neste
mundo
que atirar-se aos escuros porões da
injustiça.
Mas que se sofrermos injustiças
sejamos sempre elevados ao colo do Criador,
porque ninguém conhece mais a dor de uma
injustiça do que Ele.
Que nossos dias sejam de gloriosas
descobertas
e que todas elas me levem sempre até Você.
Que vocês sejam pra sempre abençoados
e que persistam na coerência de um mundo
perfeito.
Que possamos acreditar que esse mundo existe
e que podemos tornar isso possível.
Porque não há vida mais sem objetivo
do que a vida daquele que perdeu a fé e a
esperança.
Só quero que sua vida seja
rica em conselhos e exemplos
E que seu nome seja pra sempre bem lembrado
Por aqueles por quem foi amado.
Que possamos ser pra sempre amigos
mesmo que um dia eu já não mais exista
nos contatos de vocês.
Amanhã quem sabe? É um talvez...
«««»»»
Fahed Daher - Delegado da UBT de
Apucarana-Paraná-Brasil
União Brasileira dos Trovadores - Curitiba
I
Sejamos leais amigos
Com esta obra de Deus,
Conservando sem castigos
Os teus direitos e os meus.
II
Use o bom senso do amor,
Protegendo e promovendo,
Pois aumenta o seu valor
Sendo justo e concedendo.
III
Se pensas só em dinheiro
Ganancioso, destruindo,
Sentirás um mal rasteiro
E infeliz o consumindo.
IV
Defenda a obra divina,
Conserve a mata viçosa,
Nossa água cristalina
É saúde e deliciosa.
V
Água pura dos regatos
Dão-nos poesia e a vida,
Se as poluir, insensatos,
Temos a vida esvaída.
VI
Quando a água te faltar,
Tua força decaindo,
E a tua boca secar,
Verás a morte sorrindo.
Lembrarás...
VII
Que das chuvas sobre a terra
Faz-se a água das nascentes
E nesta água se encerra
A vida dos descendentes.
VIII
O banho é sempre agradável
Com água boa e bastante.
Só na natureza estável
A água é boa e constante.
IX
Nesta seca inclemente
Estão as grandes maldades
Da presença sempre ausente
Dos planos de autoridades.
X
O céu sem nuvens é lindo
Depois da chuva bonita
E nós felizes sorrindo
Com a água pura e bendita.
Nota da UBT de agosto de 2006:
O ministério da Saúde adverte: A trova pode
fazer bem à saúde. Portanto faça trovas!!!
Faça muitas trovas!!!
Então:
XI
Trovar faz bem à saúde ?
Faça trovas muito mais,
Mas para faze-las estude
Ou serão trovas banais.
Fahed Daher – 04 de agosto de 2006, 18 horas
na folga da clínica.
«««»»»
T R O V A S - Lairton Trovão de
Andrade
(Delegado da UBT em Pinhalão-Paraná-Brasil)
Sentir-se, no mundo, útil,
sobrepor adversidade,
não dar ouvidos ao fútil,
já é ter felicidade.
O amigo certo procura,
na conduta, a retidão.
Mesmo em grande desventura,
sempre nos estende a mão.
A atitude do traidor
É de perfídia maior.
É todo avassalador!
– Dá-nos o que tem de pior!
A paz é conquista interna,
pura ausência de ansiedade,
tranqüilidade que externa
prazer e felicidade.
Os ricos pés de chuteira,
sem, na cabeça, humildade,
foram ruínas, Parreira,
de triste calamidade.
Cultuo a Pátria, o Brasil
e o Paraná, meu rincão;
mas, meu berço varonil
está aqui – é Pinhalão.
Faço trova ao Portal CEN
e, disso, tenho prazer.
Digo na trova também:
“Sempre hei de o agradecer”!
«««»»»
PALAVRÓRIO - Tchello d'Barros
ALMA ARMA
Hoje um poema
Por vezes lume de alma
Por vezes marca de karma
Por vezes gume de arma.
Algum bom poema
Tem tal cor de nostalgia
Tem olor de maresia
Tem sabor de poesia
Ora no poema
Há mais metal que na espada
É mais letal que uma pena
Há mais dor que num dilema
Quiça tal poema
Neste vale de máquinas
Bem mais vale um poema
Se a arma não é pequena
«««»»»
Ó POESIA! - Tito Olívio
Que posso dizer eu à Poesia,
Que não lhe tenha dito mais ninguém,
Se não sou mais que um elo de agonia
Numa cadeia enorme de vaivém?
Se já Camões também a namorou,
Que posso dizer eu, que pouco sou?
Se flores não lhe der – e ela é senhora, -
Jamais poderei ter sua atenção.
Flores para as mulheres, a toda a hora,
São mágica varinha de condão.
Se já Bocage flores lhe ofertou,
Que posso fazer eu, que pouco sou?
Terei de lhe falar dos meus amores,
Dos erros cometidos, das traições,
Das noites sem dormir, das minha dores,
Das falsas esperanças e ilusões!
Se já Florbela as dores lhe chorou,
Vou ficar mudo eu, que pouco sou?
«««»»»
As minhas Lembranças – Basílio Artur
Pereira – Leiria (Portugal)
O Herdeiro do Castelo (Leiria)
Já lá vão alguns anos, a cidade (Leiria)
foi alertada com uma notícia singular, todos
os que dela tiveram conhecimento, ficaram em
suspenso. Um cidadão brasileiro de seu nome
Sidney da Fonseca Landim, dizia ser seu o
nosso secular castelo. Segundo ele, a sua
avozinha, dona Aldegundes Magna de Barros,
lhe teria feito esse deixado em testamento
e, ainda outros bens tais como alguns
prédios em Lisboa. Sidney Landim afirmava
ter documentos que provavam o referido
deixado. Quem sabe … talvez na sua meninice
a avozinha Aldegundes lhe tivesse contado,
para o adormecer, trechos fantásticos da
nossa história Lusíada, incutindo-lhe no seu
cérebro, ainda crédulo, aliás como o de
todas as crianças, supomos em quimera
própria de avozinha, que o nosso secular
castelo lhe pertencia por linha de seus
antepassados e, que um dia seria seu,
naturalmente quando fosse maior. A
perspectiva era, de facto, sedutora, pois
não havia por esse mundo fora inúmeros casos
semelhantes … E assim a imaginação delirante
tornar-se-ia realidade incontestada. É certo
que o nosso castelo, a partir do século XVl
– XVll, por muitas circunstâncias, começou a
cair no esquecimento, abrindo caminho ao
abandono, ficando a saque não só das tropas
de Napoleão, que estiveram aquarteladas em
Leiria, mas também dos habitantes da cidade,
que ali se deslocavam em busca de materiais
para a construção de habitação. Também a
ocupação de terrenos, mais propriamente, os
da encosta virados à Escola Domingos
Sequeira e ao antigo Regimento de Artilharia
Nº 4, sem dúvida de posse legal, por muito
que nos custe. A verdade é que os terrenos
em causa estão registados nas finanças, em
nome de seus legítimos proprietários.
«««»»»
CEN - no período de 1999 / 2000:
No início de 1999, entre
outros, o von Trina adere ao projecto "Cá
Estamos Nós" e em Abril do mesmo ano, foi a
vez de aderir ao CEN o Vilma Matos. A Maria
Nascimento chegou ao "Cá Estamos Nós" em
Janeiro de 2000.
Em princípios de Janeiro de 2000, a
Gladis faz chegar até à Irene Serra, do
Portal Rio Total o meu conto “Solidão” e,
como o site estava em remodelação profunda,
fui convidado para participar nele, o que
aceitei, colaborando cerca de um anos,
juntamente com alguns Autores do CEN: Mas
continuávamos a crescer a um ritmo tal que
tivemos de procurar outros ares e assim, em
fins de Dezembro desse mesmo ano, ficámos
hospedados no site da Kelly Cristina, que
organizou o primeiro Portal do “Cá Estamos
Nós”. Como as despesas que já tinha nessa
altura com a Divulgação directa dos Autores,
a Vilma Matos, embora com licença de doença,
contribuiu com 100 reais, sendo a primeira
contribuinte da história do CEN ! Algum
tempo depois, a Gladis contribuiu com 150
reais e o von Trina com 3 mil escudos (ainda
não estávamos na era do euro). Mas o
crescimento continuava e a Kelly começou a
ter dificuldades de tempo para atender o
nosso trabalho, e assim, em meados de 2001,
o Portal ficou a sob a responsabilidade da
Lynn (como webmaster) que prestou relevantes
serviços ao nossa causa. No anterior Portal,
estava lá a formatação que a Lynn idealizou
e construiu; até o cabeçalho, menos os itens
que depois, mais tarde, foram apensos.
Infelizmente, por razões particulares, a
nossa querida amiga e também fundadora do
“Cá Estamos Nós”, teve que se afastar da
nossa já grande Família. Mas esperamos que
ela possa regressar um dia.
«««»»»
Reconhecimento do trabalho de Freud
À medida que ia crescendo a fama do
Dr. Sigmund Freud, o psicanalista foi
começando a receber pacientes do exterior. A
probabilidade de esses pacientes serem ricos
não passou despercebida às autoridades
fiscais da Áustria, que acabaram enviando
uma carta a Freud, exigindo uma declaração
dos seus rendimentos durante esse período de
actividade.
Ao ler a carta, Freud observou:
- Ah, até que enfim ! o primeiro
reconhecimento oficial do meu trabalho !
«««»»»
CEN SEMPRE ! |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|