Revista “Cá Esperamos Nós”

 

Nº 07 – Agosto de 2006

Editor: Carlos Leite Ribeiro

PEQUENA ODE A JOHANNES BRAHMS – Artur da Távola


 
A dor em Brahms não é chorosa.
É dolorosa e valente.
O sentimento introvertido de Brahms
Desborda o sentimentalismo
E toca nas raízes do Bem.
A musicalidade de Brahms é a mistura exata
De cultura, inspiração, realidade e contenção.
 
A esperança em Brahms é timoneira,
De um rumo que o leva às essências do homem
A tristeza é sem desencanto.
O humor é para poucos ouvidos
E a profundidade para todos.
 
A música de Brahms não impõe, propõe.
Não pergunta, diz.
Não reclama mas combate.
O Deus de Brahms vive no ser humano
Mais que nas religiões. E existe.
Brahms não pede , define o que quer.
Não chora: lamenta.
Não tem pena de si mesmo,
Vive da nostalgia do não vivido.
 
Brahms é amor maduro e fiel
A todos os seus amores.
A rude delicadeza de Brahms
Atinge as alturas do sublime.
Não se entrega ao êxito
Mas almeja a glória que redime.
 
Brahms é densidade, ternura máscula,
Noites de taberna solitário, independente e turrão,
A melhor dosagem entre inteligência,
Exigência consigo próprio, emoção honrada
E coragem de Ser.

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SEMENTE DE DOR - Lígia Tomarchio


De mãos atadas
nada escrevo
de alto ou
baixo relevo.

Nas arestas e encostas
propostas surgem
urge entendê-las.

De todo não descarto
um momento que tardio
a se impor à vontade
de ser o imaginário.

Criador, criado, criatura
mistura de sonho e realidade
sem idade, eterno
moderno jeito de existir
sem persistir no objetivo
criativo, destrutivo.

Desfruta, a fruta madura,
de sementes viris
férteis pensamentos
antes descartados
agora encarte de revista.

na vista do olho
vê-se a retina
que olha a mente,
esconde verdades.
Ligi@Tomarchio
®

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Esta poesia....! - Marisa Cajado


 
Tem dia
Que poesia
Não fica na gente.
É teimosia
Rebeldia
Inclemente.
 
Digo: Aquieta
Na fresta
Do coração.
Não demora,
Põe cabeça fora
Correndo pra mão.
 
Sai da ostra
Dá mostra
De realizada
Só acalma
Se toca alma
Triste na estrada.
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Meu Sertão - Mônica Serra Silveira - Fortaleza CE

 

Como é lindo o sertão...

Quando vem o cheiro da chuva,

Quando o barro resfria nas casas

E tem café perfumado no fogão"

Já chegando o inverno...

Como é lindo o sertão!

A vovó faz seu bordado,

A criança brinca de anel

E o sacristão toca o sino

Pra chamar o povoado.

Blam-blam-blam-blam!

Como é lindo o sertão!

O menino do pirulito

Exibe uma táboa furada,

A melhor mercadoria

Na opinião da garotada.

Olha o pirulito, quem vai querer?

As mulheres vão à missa

Como seus melhores vestidos

Véus nos ombros

Mão no queixo

Mostrando a cara pro céu

E pensando:

Como é lindo o sertão!

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OLHO D’ÁGUA - Nadir A D’Onofrio - Santos SP


 
Camuflada, asfixiada,
Nas entranhas da terra mãe,
Decidi me rebelar e à tona aflorar.
Fui surgindo gota a gota...
Clara cristalina.
Tomo a forma de fonte,
Assim...tua sede vou saciar.
Querendo ainda agradar, virei lago!
De sentimentos represada.
Não quero viver assim...rompo as barreiras...
Jorro...sou cachoeira...
Novamente tentam, minha fúria represar,
Terei que abastecer aldeias, cidades...
Transformaram-me em simples riacho.
Sigo meu curso...cansada,
Quase sem vida...
Deságuo num grande rio,
Sinto-me mais protegida!
Busco uma força maior,
Vou rolando sobre pedras,
Até no mar desaguar...
Agora, sou vagalhão, onda, sal, espuma!
Transmutação mais que perfeita...
Para teu corpo acariciar!

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ELE & ELA - Schyrlei Pinheiro - Rio de Janeiro RJ

Trocam prazer,
invadindo as muralhas da solidão,
que, nos sonhos, permitem à emoção
 dizer: te amo,
adormecendo a cumplicidade,
tentando apenas reviver saudade,
insatisfeita conhecedora da  impossibilidade
que ele e ela  eternizam,
venerando, ao pensar,
que a vida é um breve encontro,
sonhando com o bem-me-quer,
 relembrando,  em par,
tantas dores do passado
que existem, e insistem
 em não partir,
unindo sombras de amores
nos  novos sonhos de felicidade,
somando amor
com o mesmo sabor de saudade.

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PARTISTE - Tito Olívio


  
Partiste, amor, e nem adeus disseste!
Levaram-te ilusões que eu não te dei
ou ilusões que em ti mesma criaste,
remorso de pecado que inventaste,
porque não pode haver regra nem lei
que proíba as pessoas de se amarem.
Partiste simplesmente, de fugida,
sem dizer a razão dessa partida,
como quem se perdeu no nevoeiro,
seguindo nas pegadas do Destino.
Triste filha da noite em sorte dura,
tacteando a escuridão, sempre à procura
da razão que não achas no caminho!
 
Assim, te sonho em fuga pela vida,
fugitiva do medo, rumo ao nada,
e eu espero aqui outra alvorada,
pobre de amor, mendigo de carinho.

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Lenda de Coimbra

 

Existem várias lendas de Coimbra (a terra dos doutores para as moças os seus trovadores), mas escolhi esta do Dr. Miguel Leitão de Andrade, de 1898.

 

“Em tempos que ninguém conhece, uma formosa princesa, residente nesta cidade, era ardentemente amada por um esforçado cavaleiro. Tinha este envidado todos os meios para obter a mão da donairosa donzela, mas em vão o fizera, porque a tal recusavam os nobres autores dos dias da bela. O esse tempo, lavrava enorme terror na povoação em virtude do aparecimento de uma terrível serpente que o povo chama Coluber. A formosa serpente participando do medo que a todos invadia mostrou desejos de ver o nauseabundo réptil reduzido à impotência. Então o ousado donzel armando-se de coragem atacou Coluber e matou-a, conquistando assim o coração e a mão da dama dos seus pensamentos.

Em memória do acto valoroso do cavaleiro fundou-se então uma cidade no mesmo lugar que o réptil fora trucidado, e deu-se a essa nova povoação o nome de Coluber Briga  que vem a ser a Batalha da Cobra.

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CEN  SEMPRE !