|
.
Revista "Cá
Esperamos Nós" em Divulgação directa para
23.307 e.mails autorizados (não estão
incluídos os Autores CEN), para:
Escritores – Poetas – Jornalistas – Editores
– Livreiros – Bibliotecas (desde as
municipais às universitárias) - Embaixadas –
Consulados – Corpo Diplomático – Políticos –
Empresários - Rádios – Televisões – Jornais
– Revistas - Universidades – Escolas
(incluindo as Superiores) – Institutos –
Professores (de várias áreas) – Outros
Licenciados de várias áreas - etc. , etc.
Uma nova
revista do CEN, onde todos os Autores do CEN
são benvindos !
Revistas do CEN já no ar - Confira em :

LUTA
INTERNA - Arlinda Lamêgo
Tímida luz de vela tremula e assim luta
Contra o frio do vento e a fina chuva.
No deserto gelado que em mim existe.
Traz a chama de amor, em si persiste.
Veste-me a alma em seu sopro tépido
Calçam-me os pés em sombra de ébano
Escreve a proposta de novo a viver.
E novo parágrafo, de vida-em-prazer.
Frases se despertam, sem se esconder,
Ousam no verbo o texto a escrever.
É como uma prece, encho-me de cores.
Sem trevas, vejo brilho de sol e luar.
Venço, magnânima, as lutas das dores.
O meu mundo colore e aprendo a amar.
«««»»»
Caríssimo Carlos Leite
Ribeiro
Parabéns pelas atuais iniciativas e
novidades no PORTAL, principalmente a
criação da Revista "CÁ ESPERAMOS NÓS", que
certamente dará nova dinâmica no já dinâmico
Portal CEN. Parabenizo também pela
felicíssima escolha de Blumenau, SC, para
sediar o III Encontro de Escritores em
2008.
Agradeço a oportunidade de divulgar um
trabalho meu, segue em anexo, nesta pioneira
revista.
Abraços fraternos
Edir Meirelles

POEMA
TELÚRICO (*) - Edir Meirelles
Meus sonhos são infinitos
trabalho
e brinco com as formigas
brinquei com o mangue, com granitos
e lamabrinquei
cavalguei corcéis de argila
e o boi alado
formei e comandei exércitos
poderosos
mergulhei fundo nas raízes da cultura
fui ao encontro de meus antepassados
convivi com Zumbi dos Palmares
aprofundei discussões com o Conselheiro
lutei ao lado de Poti
descobri a incrível força telúrica
dos heróis populares
peregrinei nas caatingas do sertão
travei combates sérios e desiguais
amei guerrilheiras fogosas
disparei a metralha contra espantalhos
ombreei-me com os lendários Lampião
e Maria Bonita
tomei do padre Cícero a bênção
discutimos os caminhos do homem
a moderna igreja libertadora
a questão agrária
sonhei com a redenção humana
suas diretrizes e sementes
no eito da cana-de-açúcar
comi restos dos bóias-frias
acampei ao lado dos sem-terra
e senti a chibata da repressão.
Ainda encontrei tempo para amar
e perpetuar-me.
(*) Do livro POEMAS TELÚRICOS
«««»»»

PITADAS
- Eliane Arruda – Fortaleza CE
Retorno aos tempos idos não faz mal,
Recheia a beleza das manhãs,
Mormente se de um sonho auroral
Com flores alvadias e brilhantes.
Da cantilena de um longe passado,
Sorvemos as histórias da infância,
Com brincadeiras, danças, muitos saltos,
Ainda sem achar o mundo infame.
Nas rosas do sol posto encontramos
Amores que se foram e deixaram
Perfumes e saudades tantas, tantas!
As crises de retorno só têm frutos,
Se forem passageiras, não ficarem
Na nossa existência feito cruzes!
«««»»»
MALDITO AMOR -
Lena Ommundsen

Ardente como vulcão,
mais profundo que a tormenta.
Do abismo os horrores,
sofrerei sem teu amor.
Imploro-te que me voltes,
estou sofrendo, alma sedenta
quero um pouco do teu ser,
para acalmar a minha dor.
Sem teu corpo sucumbirei;
vem, desceremos aos infernos.
Neles padeceremos após orgia
e pecaremos sem perdão.
Que nos importa se o Senhor
nos enviar castigos eternos.
Se meu corpo arde em fogo,
se meu amor já é perdição.
Imploro-te que me voltes...
ou te maldigo, maldito amor!
Vem, homem por quem pulsou meu coração!
Maldito Homem! Maldita dor!!
«««»»»
Na proa da
vida - Luiz Eduardo Caminha
No ébano, as estrelas cintilam,
Faíscam, como luzeiros na noite;
Ao mar, marujos vagueiam, fitam,
O frio do inverno nos é um açoite.
Minha nau cruza mares bravios,
Singra a foz contra pororocas,
Adentra à corrente dos rios,
No plácido lago desemboca.
Meu rumo hei de seguir sem medo,
Derrotas, vitórias, conquistas,
Na proa da vida, engano ledo.
Num porto seguro, eu me vejo,
Busco lugar pra cansadas vistas,
Deitar num colo, roubar um beijo.
«««»»»
Trovas - Nei
Garcez-Curitiba-Paraná-Brasil.
1) A nossa fisionomia,
revelada no facial,
de tristeza ou de alegria,
é um idioma universal.
2) Quem esquece da saúde,
entregando-se a bebida,
tem por prêmio um ataúde
e uma herança dividida.
3)A educação é processo
de maior utilidade
para integrar, com sucesso,
todo ser na sociedade.
4) Pra evitar um acidente
atenção tenho que dar,
dirigindo mais consciente
sem usar meu celular.
5) A poetisa que poetiza
os seus poemas preferidos
só por eles se eterniza
ao passar dos tempos idos.
6) Quando uma mãe amamenta,
com seu leite maternal,
enquanto ao filho acalenta
cumpre a lei universal.
7) Na escalada de um edifício,
num mergulho mais profundo,
seu trabalho é um sacrifício
pra salvar vidas no mundo.
8)Só é livre de verdade
quem conhece o seu caminho
pra pensar com liberdade,
mas pensar por si sozinho.
9) Quem namora a vida inteira,
com a mesma namorada,
numa mão tem a bandeira
e na outra a sua amada.
10) Amizades que são boas
e atitudes tão singelas
é gostarmos das pessoas
bem assim como são elas.
Nei Garcez-Curitiba/PR/Brasil
«««»»»
Labirintos no
destino nordestino: algumas veredas e
interlocuções - por Tchello d'Barros*

Na condição de artista catarinense,
neo-nordestino radicado em Maceió, visitava
recentemente o bairro do Pontal, muito
procurado por turistas por sua profusão de
artesanias têxteis, nomeadamente as rendas
de Filé, Renascença, Redendê e Labirinto.
Num primeiro momento foi inevitável comparar
as ricas peças com aquelas produzidas pelas
rendeiras da Ilha de Santa Catarina - lugar
também muito conhecido como Florianópolis,
ou apenas Floripa. Tal reflexão não rendeu
muito, mesmo quando tentei comparar os
desenhos com as padronagens geométricas da
tecelagem de Jacqard, desenvolvida com
tecnologia de ponta, na germânica cidade de
Blumenau, também situada naquele estado do
Sul, e que nesta edição do Rumos Visuais
Itaú revelou a obra de Suzana Pabst.
Mas entre um devaneio e outro, o que me
chamou a atenção mesmo foi as intrincadas
linhas geométricas da técnica do Labirinto,
cujo entrelaçamento de fios desafia a
acuidade visual do observador leigo,
produzindo uma breve vertigem, como aquela
que se pode sentir ao observar as obras do
artista visual alagoano Delson Uchôa,
expoente da chamada Geração 80, cujas
imagens dialogam com temáticas e
iconografias regionais, apresentando uma
complexidade matemática e cromática que põem
em xeque as atuais conceituações sobre a
permanência da pintura no campo da arte
contemporânea. Mas isso já é outra história,
já que sempre aparece alguém querendo
anunciar a morte da pintura.
Mas a divagação com a renda artesanal me
remeteu ainda à outros labirintos,
inicialmente à produção plástica dos
artistas paraibanos Alice Vinagre e Sidnei
Azevedo, e depois ao inevitável argentino
universal Jorge Luís Borges, com sua prosa e
poesia aludindo às emblemáticas 'veredas que
se bifurcam'. Se na obra daqueles a
abordagem do tema se dá na obra visual, em
Borges o tema, de início literário, se
amplia para o campo da própria vida,
conceito que para nós permanece atual pela
multifacetação do indivíduo nestes tempos de
metamodernidade, onde o labirinto reaparece
como possível metáfora, pois se não explica
a fragmentação da realidade nessa era de
hiper-informação, nessa idade-mídia, ao
menos abre novas passagens e caminhos para a
produção visual no âmbito da
contemporaneidade.
Naquela mesma tarde, ainda imerso nestas
questões, agora degustando um licor de
genipapo, acompanhado com um apimentado
caldinho de sururú, lembrei que por esses
dias estaria acontecendo na capital alagoana
uma oficina de arte contemporânea com a
curadora - também paraibana - Cristiana
Tejo. Esse fato por si só já abre outra
vereda não menos labiríntica:
considerando-se que Alagoas vive à margem de
um circuíto brasileiro da arte
contemporânea, que meandros foram se
desenhando para que os artistas alagoanos
recebessem na cidade uma crítica de arte e
curadora sintonizada com as atuais correntes
estéticas e poéticas dentro e fora do país?
Para tentar elucidar um pouco, lembro que,
em companhia da alagoana Ana Glafira,
tivemos um primeiro contato, com o Dyógenes
Chaves - outro paraibano! - numa
teleconferência no Serpro, em Recife, onde
também conhecemos o pernambucano Bruno
Monteiro, hoje titular da Câmara Setorial de
Artes Visuais, sendo que reencontramos ambos
depois na Funarte do Rio de Janeiro e mais
tarde na Funarte de Brasília. Ainda no
Serpro, fizemos contato com os recifenses
Rodrigo Braga e Beth da Matta, entre outros
artistas. Logo mais Bruno nos apresenta para
Raúl Córdula, da ABCA - outro paraibano,
mas radicado em Olinda - que posteriormente
assina um texto para uma exposição
fotográfica de Glafira, no Museu Murillo La
Greca, dirigido por Beth, em pleno SPA 2005,
este coordenado por Rodrigo.
No mesmo SPA Semana Pernambucana de Artes,
participávamos da oficina de Gravura no
hospício da Tamarineira, em Recife,
ministrada por Dyógenes e por mais um
paraibano, o fotógrafo Rodolfo Athayde,
oficina em que as classes eram mescladas
entre artistas e usuários do hospício, uma
maravilhosa loucura, projeto criado também
por Raúl. Ainda no hospício, conhecemos
Fernando Neves e Lu Carvalho (alunos da
oficina, não usuários!) da Galeria Arte
Plural, de Recife, onde posteriormente
apresentamos uma projeção de fotografias de
arte no evento mensal Terça-foto, mediado na
ocasião por Maria do Carmo Nino. Neste
evento da Arte Plural conhecemos a
pernambucana Suzana Azevedo e a curadora
baiana Viga Gordilho, autora da instalação
processual e itinerante "Afetos Roubados no
Tempo, e depois desse contato, ambas seguem
para Maceió, apresentam a mostra no Museu
Théo Brandão e Viga ministra também oficinas
de 'Poéticas Visuais Contemporâneas".
E o labirinto se amplia: Dyógenes e Rodolfo
nos recebem em João Pessoa, quando expusemos
no III Salão da Gravura no Fenart, onde
reencontramos Raúl, Bruno e Cristiana Tejo,
que conhecemos ao fazer o curso História da
Arte da Fundaj, onde ela é titular do setor
de artes visuais. Nesse encontro em João
Pessoa, onde também participou Ricardo
Resende, do Centro Dragão do Mar, em
Fortaleza, lembro que se discutiu muito a
idéia de se fortalecer uma corrente com
ações de intercâmbio para o setor das artes
visuais no eixo Nordeste. No mesmo evento,
por um atraso no hotel, topamos com Rubem
Grilo, e conhecemos sua exposição "Arte
Menor". Não demorou muito para o mestre
xilogravurista aterrisar em Maceió, com uma
conferência, um curso sobre xilogravura e
sua exposição no Centro Cultural e de
Exposições. No mesmo Fenart, além do contato
com Fernando Cocchiarale, a Maria Botelho,
do Casarão 34, nos apresentou para Hugo
Peregrino, do Centro Cultural de São
Francisco, instituição que ora apresenta
nossa exposição Diálogos Foto-poéticos -
Fotografias de Glafira e ideogramas de
Tchello - e que já passou pela Pinacoteca da
Ufal em Maceió e pela Galeria Capibaribe da
UFPE, onde fomos recebidos por Maria do
Carmo Nino, exposição que contou com textos
críticos do alagoano Francisco
Oiticica-Filho e do pernambucano Mário Sette,
do IAC Instituto de Arte Contemporânea,
ligado à UFPE. O mesmo Hugo Peregrino,
recebe ainda este ano outra mostra nossa,
desta vez no NAC de João Pessoa, instituição
que passou por ampla reforma e teve como um
dos fundadores nosso já citado Raúl Córdula.
A mesma exposição no Centro Cultural de São
Francisco, conta com textos das cariocas
Nadja Peregrino e Ângela Magalhães, e também
com texto de Cleomar Rocha, de Salvador,
atual presidente da Anpap - Associação
Nacional de Pesquisadores em Artes
Plásticas, cujo encontro nacional este ano
contará com uma mesa-redonda promovida por
Glafira em torno de questões de editais de
estatais e assuntos relacionados com a
economia da cultura, ao passo que
concomitantemente mostraremos obras inéditas
na Galeria Ebec, leia-se Matilde Matos,
também da ABCA, onde estaremos levando
outros artistas alagoanos, que têm se
mobilizado no sentido de uma renovação da
produção visual na região, de uma ocupação
em condições profissionais dos espaços
expositivos e de uma programação que forme e
informe a geração atual sobre as
transformações rizomáticas do campo da arte
contemporânea. Como referência podemos citar
as ações desenvolvidas pelo recente Fórum de
Artes Visuais de Alagoas, visando também
desenvolver localmente a crítica de arte, e
também o projeto Corredor das Artes,
liderado por Fredy Correia. São novos
labirintos que estão se formando dentro de
um labirinto maior, com caminhos de futuro
ainda incerto mas que aos poucos estão se
estabelecendo e abrindo interlocução com
artistas e profissionais dos estados
vizinhos, sejam do âmbito acadêmico, das
instituições ou mesmo do mercado.
Olhando agora essa peça de rendas de
Labirinto, com seus padrões geométricos
intercruzados, que me aludem à rede de
artistas, críticos, curadores e produtores
culturais que vem se encontrando e
estabelecendo laços, parcerias e também
dinamizando um intercâmbio regional, divago
sobre como esta malha de relações estará se
costurando em cinco ou dez anos, em que
proporção se darão tais ações culturais e
qual a amplitude dos caminhos deste
inextrincável labirinto que ora vem se
construindo no circuíto das artes visuais no
Nordeste.
(*Tchello d'Barros é escritor e artista
visual. - Autor de Letramorfose, entre
outros, e ministra oficinas literárias e
cursos em artes visuais.
«««»»»
A Lenda de
Orelhão – Dr. Xavier Fernandes – 1944
“Em
tempos idos, que entrou na tradição, um emir
árabe vivia na serra hoje chamada de Santa
Comba e por ser fronteira à povoação que deu
a Mirandela de hoje, dizia ele estar à
mira dela.
Fantasia ?
Comba
era uma recatada lavradeirinha, que teve a
má sorte de aquele chefe mouro a encontrar
com o irmão no amanho de um campo.
Pretendeu-a primeiro a bem, depois à força.
Neste último lance, matou o irmão e
degolou-a depois.
Hoje
existe uma povoação a vinte e um quilómetro,
chamada Lamas de Orelhão, que decerto é
adulteração de Lágrimas de Orelhão, as
choradas por ele, arrependido do seu negro
feito contra a pobre Comba”.
Mas o
topónimo Mirandela, evidentemente não provém
de à mira dela nem de mirando ela,
mas como se conta numa variante da mesma
lenda, pois não é mais do que um derivado de
Miranda, com um sufixo diminutivo …
Mirandela tem, pois, o significado de
Miranda pequena.
Nota:
Os enchidos com nome de “Alheiras” é uma
especialidade de Mirandela. É um produto de
origem judia, pois em vez da carne de porco,
os judeus enchiam com carne de aves.
«««»»»
|