Nº 02 - Janeiro de 2004

EDITOR: CARLOS LEITE RIBEIRO

"QUEM SOU ?..." - Vera Lucia Souza Bomfim

1º - a) Nome -;- Idade (o ano de nascimento é facultativo -; - b) Profissão -;- c) Morada (não publicamos endereços de e-mail) -;- d) - Quer falar um pouco da terra onde mora ? :

a) - :Vera Lucia Souza Bomfim -55anos ( 13/5/1948)
b) - :arquiteta / professora universitária

c) - :rua Nita costa 128, Ondina- Salvador-Bahia- Brasil
d) - :Salvador, é a primeira cidade construída no Brasil. Em sendo assim, é constituída em termos arquitetônico por um núcleo central com características do período de colônia portuguesa, que se persevou através dos tempos e nas últimas décadas como patrimônio da humanidade foi revitalizado e reformado de modo a preservar suas características primeiras. E uma cidade que cresceu ao logo de 5 séculos numa mistura de estilos e traçado que se dispõe de modo quase espontâneo em torno da topografia que dividindo-a por uma falha geológica quase vertical, se constitui na parte de cima por um planalto e na parte de baixo junto ao mar por uma grande planície.
Cidade formada a sombra das mais diversas irmandades da igreja católica, possui um número muito grande de igrejas barrocas( fala-se em 366). Algumas com grandes requintes de detalhes arquitetônicos e indicadores de riquezas da época da construção( A igreja de São Francisco tem os seus altares totalmente revestidos em ouro)
Capital do Brasil colônia, até a vinda de D. João VI para cá, esta cidade foi o centro de economia e cultura do pais, e como tal atraia apovos de diversas regiões da Europa. Aqui viveram além dos portugueses, franceses, espanhóis e holandeses que formaram em conjunção carnal entre si e com os negros trazidos da áfrica como escravos e os índios nativos, uma raça mestiça ainda em formação.
Desde o século XVII Salvador é considerada o centro urbano de maior contingente de população negra e mestiça. O que naturalmente se justifica pela exigência de mão de obra doméstica (escrava) para o atendimento das necessidades dos abastados senhores que constituíram os primeiros moradores europeus da cidade.
Nós habitantes desta cidade cheia de estórias, somos uma população mestiça que tendo por língua de berço o português, conhecemos por vivencia e incorporação de vocábulos múltipla línguas que são faladas nas ruas .
Aqui a cultura é constituída por uma espécie de colcha de retalhos com influencias de todos os povos, com uma certa predominância daquilo que foi a cultura africana no tempo da escravidão.
Esta é uma bela cidade porque como a vida é cheia de harmônicas contradições. Ao lado de áreas de preservação histórica coexistem favelas com características de Maximo primitivismo. Ao lado de um núcleo classicamente antigo coexiste outro de características completamente modernas. Nos braços de uma mãe negra, dormem crias suas de cabelos louros e olhos claros.

2º - a) Quando começou a escrever ? -;- b) Teve a influência de alguém para começar a escrever ? -;- c) Lembra-se do seu 1º trabalho literário (se puder, indique o título) -;- d) Foi divulgado (como) ?:

a) - :escrevo desde que aprendi a transformar os sons de minhas fantasias em representações gráficas
b) - : o incentivo do meu padrinho
c) - :aos 6 anos de idade eu escrevia pequenos versos para homenagear pessoas da minha família e amigos
d) - : a primeira vez em que ousei publicar trabalho literário meu fora do contexto do apostilas para orientação de estudo de alunos, trabalho de pós graduação ou ainda versos e textos colocados naNET, foi no ano de 2002, quando autorizei a publicação de 10 poesias minhas em uma antologia poética denominada POETAS DA BAHIA. Desde então tenho publicado poesias em diversas WEBs do Brasil e Espanha

3º - a) Tem livro (s) impresso (s) (editora e ano) ? -;- b) Tem livro (s) eletrônica (e-book ? (editora e ano) -;- c) Projetos literários para este ano de 2003 ? -;- d) Como vão ser editados ?:

a) - :POETAS DA BAHIA (I) editora EXPOGEO ANO DE 2002
b) - :Participaçào no E_BOOK MANIFESTO CONTRA A VIOLENCIA EXERCIDA SOBRE A MULHER editora CEN ano 2003
c) - :Em andamento a publicação da antologia POETAS DA BAHIA (2) e tenho pronto no aguardo de um patrocinador, um projeto de livro nominado FOLHAS SOLTAS que deve ser um livro com folhas descartáveis para que se possa presentear alguém com qualquer das poesias ali inseridas. ( a minha idéia é que este seja um livro em que as páginas sejam uma espécie de cartão)
d) - :oO livro POETAS DA BAHIA (2) está sendo editado pela EDITORA EXPOGEO (uma ONG )

4º - a) Fale-nos um pouco de si, como pessoa humana ? -;- b) Como Escritor (a) ? -;- c) Para se inspirar literariamente, precisa de algum ambiente especial ? -;- c) Tem prêmios literários ?:

a) - : Brasileira, nordestina, exercendo a profissão de arquiteta construtora em diversas cidades desta região, onde se fala cantando e formando frases rimadas sobre as adversidades e belezas da natureza, é natural que minha alma repouse da lida voando em sonhos que se manifestam na forma de poesias. Como pessoa tímida todos os dias visto-me de armaduras que me proporcionam fortaleza para a lida pela sobrevivência, e assim me porto como se faz necessário a uma guerreira. Sou uma lutadora por todas as causas de preservação da vida. Espírito apaixonado, sou movida pela intensidade do fogo de todas as formas do amor.
b) - :Nem sei se posso nomear-me escritor. Mas digo que escrevo sobre o insight da emoção e que portanto não me é possível reescrever um texto ou um verso. Os momentos de emoção tem força própria e não se repete. Tentar mudar aquilo que traduz um momento de emoção é fazer uma escrita difusa.
c) - :Não . As emoções se manifestam pela força do móbile fato. E os fatos que me emocionam não ocorrem em momentos demarcados. Feliz de mim quando as minhas manifestações de emoção coincidem com oportunidades em que podem ser grafadas.
d) - :Não tenho prémios. O meu grande prémio é receber elogios e pedidos de leitores que lhes presenteiem com poesias minhas.

5º - a) Tem Home Page própria ( não são consideradas outras que simplesmente tenham trabalhos seus) -;-b) Conhece as vantagens que os Autores do CEN têm em ter sua Home Page ou (e) Livro (s) electrónicos, nos nossos sites (preços, condições e divulgação) ? -;- c) Que conselho daria a uma pessoa que começasse agora a escrever ? -;- d) Para terminar este trabalho, queira fazer o favor de mandar um pequeno (e original) trabalho seu (em prosa ou em verso) ?:

a) - :não
b) - :não exatamente. Mas pressuponho
c) - :Cada alma se manifesta livremente com seus próprios recursos, e a beleza da criação a mim parece estar na liberdade de expressão. Portanto não tenho conselho a dar para uma alma que já deve ter sua forma de manifestação. a evolução do individuo no seu próprio processo de construção é uma coisa muito particular. Não me cabe intervir na orientação do vôo de ninguém
d) - :Corpo e Alma
A lua, a rua, a lua...
O corpo coberto, a lama, os passos
A rua, a lua, a rua...
A lama, o corpo, o cansaço...
A lua, a rua , a lua...
O sonho...pés descalços...
E na rua luz lua,
Qual poesia em descompasso,
Um preso ao limite da rua,
Outro a flutuar no espaço,
Porque é noite de lua,
Num passo sem compasso,
Um corpo coberto e uma alma nua,
Caminham juntos no cansaço.
MAIO EM FLOR - Maria José Fraqueza

Quando abri os meus olhos à vida...
Ao ver a flor... pensei que era jardim
Em cada primavera renascida...
Via crescer o Sol dentro de mim!

E Maio na paisagem, mais florida...
No perfume que exala dum jasmim
Essência de rosa colorida...
Os espinhos senti perto do fim!

Desses espinhos cravados no meu peito
Senti desabrochar amor perfeito
Na luta do meu pobre coração!

Senti dentro do ser... em alvorada
O sonho duma terra cultivada...
Dessa seara linda que dá Pão...

Com um abraço de
Maria José Fraqueza
Agindo Com o Coração - Andréa Pinheiro

Perdi minha cabeça,
cansei de dizer não,
cansei de sempre agir
motivada pela razão.

Deixei meu sentimento falar
e, ele pulou de alegria ao perceber,
que eu deixei-o se expressar.
Fui de encontro à você.

Lá, triste e arrependido,
seu corpo jazia sentado no chão,
sem vida, sem amor,
sem nenhuma emoção.

Mas, ao enxergar-me,
algo diferente aconteceu:
levantaste do chão sujo
e, te encheste de vigor ao encontrar os olhos meus.

Confesso que, por dentro, vibrei ao ter de volta teus lábios
e, não faço questão de negar que,
te amei ontem, te amo hoje
e, sinceramente, acho que sempre vou te amar!

Andréa Borba Pinheiro
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Cansei-me de guerras na net ~Katarina Madeira~

Cansei-me de guerras na net
De intrigas e mexericos
Do diz que disse do outro
Do email à espera de troco

Cansei-me daquele email
Arrogante e provocante
Que sempre espera resposta
Que insiste se nada digo

Cansei-me de palavras bruscas
Que maltratam e magoam
De ver a net pegar fogo
Sem conseguir ter sossego

Sou eu que pago este espaço
Onde espero coisas novas
Quero ler e escrever
Formatar e aprender

Não pago para me aborrecer
Nem sequer para me enervar
Estou cansada, quero paz
Quero alegria e união
Não quero esses pvts
Que me tiram da razão
Katarina - (Barreiro - Portugal)
Ponte de carinho - Schyrlei Pinheiro
Queridos amigos, com muita alegria. informo a todos o retorno de nossa amiga
Clevane, que em virtude de problemas pessoais, esteve afastada de nosso convivio e agora volta, .precisando muito de nosso carinho., Anotem seu endereço e vamos repassar um pouquinho do calor de nossa amizade, dando a ela o nosso apoio e as boas vindas.
Schyrlei Pinheiro
Por mais que tentem - Marisa Cajado


Podem até roubar o meu poema
Mas não tiram minha inspiração
Podem plagear todo meu tema
Mas não lhe darão o mesmo tom
Por isso, nada há que me atormente
Porque a mente, não me podem plasmar
Quem tira, ainda é agua, e eu sou fonte
Criada, pra conter, para ter, para jorrar.
E assim amigos é todo o poeta
A espalhar luz pela palma da mão
É herdeiro do Divino Esteta
E esta herança ninguém rouba não.
Ele já é, o que o infeliz quer ser
E deleita-se com o talento conquistado.
O larápio, não pode sentir, nem saber.
O êxtase de um poema n'alma gerado
ERA RÉVEILLON - Belvedere

Caminhava para a casa de uma amiga onde iria passar a virada do ano. Subitamente algo me chamou a atenção. Estirado na esquina, um corpo de homem cujo sangue já pintara o asfalto. Isolava-o um cone da prefeitura. Sequer um trapo o cobria.
Quem seria aquele homem? Como teria morrido? Ninguém se importava. Cada um seguia seu caminho. Risos, cantorias, clima de festa, cheiro de bebidas exalando no ar... Fiquei algum tempo olhando e pensando... como estaria a família daquele homem ali estirado? Apreensiva, aguardando-o? Ou seria apenas mais um solitário, cuja morte passaria despercebida? Constaria apenas nas estatísticas de morte violenta no final do ano, quem sabe?
Um corpo, sozinho. Sequer uma oração. Nem um ar perplexo na multidão que transitava, fria, buscando apenas as fantasias das alegrias de uma noite de réveillon.
E os fogos espocavam enquanto o corpo ali jazia... sem nenhuma fantasia e a solidão por companhia.
Nome completo: Salomão Rovedo
Idade: 61 anos
Morada: Rua Basilio de Brito, 28/605-Cachambi-20785-000-Rio de Janeiro, Brasil
Curriculum Literário: Poeta, Contista, Artigos em jornais, Ensaios.Obras Literárias impressas:Abertura Poética (Part. Antologia) org. Walmir Ayala/César de Araújo, Editora CS, Rio de Janeiro 1975; Tributo (Poesia), Edição do Autor, Rio de Janeiro 1980; 12 Poetas Alternativos (Part. Antologia), org. Leila Míccolis/Tanussi Cardoso, Editora Trotte, Rio de Janeiro 1981 Chuva Fina (Part. Antologia), org. Leila Míccolis/Tanussi Cardoso, Editora Trotte, Rio de Janeiro 1982; Folguedos (Poesia e Folclore), com Xilogravuras de Marcelo Soares, Edição dos Autores, Rio de Janeiro 1983; Erótica (Poesia), com Xilogravuras de Marcelo Soares, Edição dos Autores, Rio de Janeiro 1984; Livro das 7 Canções ( Poesia), Edição do Autor Rio de Janeiro 1987
Como conheceu o CEN ? - "Cá Estamos Nós": Pel Site Notivaga.com
Anéis de Saturno - Salomão Rovedo


Hoje eu vi os anéis coloridos de Saturno
Que a sonda espacial transmitiu pela TV,
Mostrando a terra fria que iremos habitar
Um dia, quando esta Terra, Marte e Vênus
Estiverem mortas partindo-se em fragmentos
Pelos confins sem fim do espaço sideral.
Pelo menos teremos uma porção de luas
Para enfeitar as noites envergonhadas,
Distrair a gente das coisas vãs da vida,
Pelo menos alguma vez a gente terá
Os anéis gigantes em tecnicolor expandidos
Pousando o arco-íris luminoso à nossa fronte.
Uma fonte inesgotável de sabedoria e força
Tomará conta dos espíritos descendentes
Para tornar a saturnina vida mais sadia.
Os anéis dividem a beleza no jornal enfeitando
Anúncios de morte, crimes, bombas, guerras,
Onde jovens dançavam ao som da música pop.
Lado a lado dos avisos mortuários deste mundo,
Na santa paz dos deuses brilhou a magia perene
E eterna dos anéis coloridos de Saturno, trazidos,
Trazidos silenciosamente com todas cores e sons,
O som pacífico que deixaremos como herança,
Não a explosão súbita, não o monte de entulho.
E AGORA DRUMMOND? - Margarida Reimão


A festa acabou naquele dia em que, vestindo sua beca de luzes, expandiu-se pelo mundo, provavelmente em busca de sua eterna musa, cuja partida fez abruptamente derreter seu coração. Foi um dia insuportável, sem possibilidades à frente para nos trazer os belos versos e o entendimento da alma de criaturas unicamente suas. E agora Drummond?
A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu a noite esfriou e agora José? ... Suas doces palavras, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio e agora?...
Montei numa mula e sai com meu terno de vidro emprestado, duro, sem me possibilitar movimentos, mas buscando o encontro. Lembrei-me apenas suas perplexidade, seus temas favoritos e procurei onde ficou José depois de terminada a festa.
Pode ser que José tenha se deitado num divã, órfão, totalmente sozinho, com a chave na mão, querendo abrir a porta e não existia porta, então quis morrer no mar, mas o mar secou e ele quis ir para Minas, não acertou o caminho, concluiu que Minas não existe mais e ficou na interrogação.
Usou as doces palavras, buscou o poder de ficar sem conclusão e reconstruir toda sua instituição. Pobre José, não conseguiu nem abri a porta. Seus domínios foram nenhum e o tempo nem foi necessário porque lhe exigiu grande paciência para definir a questão sugerida por você.
E agora Drummond? Julieta pôde abraçá-lo em sua ação fora do tempo e nós ficamos aqui esperando novos versos, a sua candeia de afirmações valiosas para nos determinar onde fica o claro e onde fica a noite escura onde não se vê a caótica condição de José.
Temo por José que, mesmo com seu traçado apurado, não conseguiu atravessar a porta e seguir. Certamente esperava que você desse-lhe um presente: ao invés do um terno de vidro uma porta de vidro para que ele quebrasse e saísse do seu término, de sua amálgama de ferro, sem gozo e sem ser ninguém.
A errância de José foi provocada Drummond? O povo sumiu e a noite prolongou-se, fria e só ouvia-a os gritos de José, os gemidos, e ele tentando tocar a valsa vienense para tornar suave seu cansaço. A poética que incluiria fazer uma sombra foi estóica e consignou meu, seu, nosso, José engendrado num laço sem a essência mitológica para fazê-lo mítico e entrelaçado na irrupção de um deus, até porque José é duro, você o fez duro sem teogonia, sem parede para se encostar, sem cavalo para galopar e ainda pediu que ele marchasse. Para onde?
Nas palavras que sumiram com você, fica minha mot d’espirit e o desespero dele querendo partir com você. Para onde? O bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou, para ele, para nós que ficamos sem nenhuma chave na mão e vemos tudo mofado, mas suas palavras incandescentes derivam, fazendo uma língua particular nobre e singular, como autonomizando a última flor do Lácio, não inculta, mas de rara beleza.
Margarida Reimão
Os nossos agradecimentos a todos os Autores que colaboraram nesta edição.

Carlos Leite Ribeiro